| O SEGUNDO ESTÁGIO DA ORALIDADE: LITERATURAS, OUTROS SABERES, INTERAÇÕES URBANAS E SEUS TEXTOS CORRESPONDENTES |
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Coordenadores Profa. Dra. KÁTIA SANTOS (Emory University - EUA) Profa. Dra. AZOILDA LORETTO DA TRINDADE (Universidade Estácio de Sá) | |
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Resumo: O propósito deste simpósio é
reunir painéis com estudos da área da Literatura, Crítica Cultural/Estudos
Culturais e textos outros que representem a Expressão Cultural Urbana de
sujeitos diversos, ou mesmo "iguais", na possibilidade de conectarmos os
pertinentes "links" culturais das interações sociais nesses espaços
[virtuais] urbanos, onde a cultura de base oral há muito divide espaço com
a cultura letrada. Ao privilegiarmos o espaço urbano como lugar de
produção de tais textos, queremos estar estabelecendo uma conexão direta e
compreensiva com o nosso entorno, com os universos canônicos de produção
intelectual nos quais tais textos estejam inseridos. A intenção é
estabelecer uma relação direta entre os saberes tantos que formam qualquer
urbe e os textos também tantos produzidos a partir da mesma."
Subtema: Literatura e outros saberes |

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| Olhando através de Luanda
por Andrea Cristina Muraro Resumo Acerca do tema identidades urbanas , esta comunicação discute a intersecção entre literatura e cinema , focalizando a obra Bom dia Camaradas (2000) do angola no Ondjaki e o documentário Oxalá cresçam pitangas (2006) de Kiluanje Liberdade. Ambos têm como cenário Luanda, capital de Angola : a primeira, da perspectiva dos anos 80, durante a guerra civil; a segunda, em 2005, locada em uma cidade com mais de quatro milhões de habitantes, em que dez personagens expressam suas identidades regionais, ensinam estórias e projetos de vida a suas crianças. A questão que tentamos responder é: que vozes se erguem e que vozes se silenciam nos últimos vinte anos, em Luanda? |
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| “Ethos" indígena, nação e
modernização por CLAUDIA PASSOS CALDEIRA Resumo No decorrer do século XX, houve períodos, como o de “Renovação do pensamento nacional”, anos 20 e 30, e as décadas de 60 e 70, em que repensar a nação, seus sentidos e projeto, suscitou grande polêmica entre a intelectualidade. Através do exercício literário, Mário de Andrade, em Macunaíma, e Darcy Ribeiro, em Maíra, abordaram temas como Estado, nacionalismo e modernização, emitindo um olhar crítico e interveniente sobre a sociedade. Para deslindarem e contraporem certas tramas do discurso hegemônico, ambos escritores, cada um em seu respectivo contexto, lançaram mão do locus indígena, posição esta que se diferencia pelo fato de permanecer dentro, fora e, ainda, à margem da cultura nacional. Dessa forma, Macunaíma e Maíra anteciparam discursos que somente décadas mais tarde perpassariam pela sociedade, no âmbito da antropologia. |
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| O Lugar Público de Agrippino:
trânsito e transcodificação espacial na cidade qualquer
por Daniel Castanheira Resumo Em seu primeiro romance Lugar Público, editado em 1965, José Agrippino de Paula constrói uma não-estória onde exerce algumas estratégias narrativas importantes para a compreensão contemporânea do conceito de espaço. Partindo de uma experiência urbana intensa sobre uma megalópole sem nome, o texto opera uma constante transcodificação espacial, contrastando e sobrepondo territórios segundo experiências subjetivas de trânsito. Nesse sentido, o trabalho pretende discutir a problemática dos conceitos Liso e Estriado de Deleuze e Guatarri, tomando subsídios para pensar a ambiguidade do espaço e, mais especificamente, a relação hierárquica entre pontos e trajetos. A partir daí, o trabalho pretende por fim elaborar a noção de polifonia topográfica, abordando o possível deslocamento do conceito bakhtiniano na experiência de imersão proposta pelo romance de Agrippino onde leitor, personagens, eventos e estrutura narrativa escapam sempre. |
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| Iansã, Omolu e outros mitos
construtores da história de “Tereza Batista Cansada de Guerra”
por Gildeci de Oliveira Leite Resumo A partir de ‘orikis’ e outras narrativas de religiões afro-brasileiras, especialmente envolvendo os orixás Iansã e Omolu far-se-á uma leitura do romance “Tereza Batista Cansada de Guerra”. Este exercício comparativo irá proporcionar o reconhecimento de imagens, costumes e conceitos da cultura negro-brasileira resguardados pelas religiões e escondidos no romance em questão. Assim, acredita-se que além de contribuir para uma leitura menos superficial e preconceituosa da obra amadiana dar-se-á contribuição para possibilidades de emprego da Lei 10.639/2003 a partir do exercício da capacidade interpretativa, habilidade que todo professor possui. |
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| Negras Experiências Urbanas
por Katia Santos Resumo O critico literário Henry Louis Gates, Jr. afirma que “por causa da experiência da Diáspora [negra], fragmentos [de textos] que contenham traços de um sistema coerente de ordem devem ser reagrupados” para que nos seja possível transformar o implícito em explicito e, em alguns momentos, possamos também imaginar o todo a partir de fragmentos. É com esta “formula” em mente que dois textos de duas escritoras da diáspora negra serão analisados: Anything we love Can Be Saved: A Writer’s Activism, da afro-americana Alice Walker; e Brother, I’m dying, da haitiana radicada nos Estados Unidos Edwidge Danticat. Suas escritas, literárias de várias formas, nos dão conta da constante inserção de uma primeira geração de afro-descendentes formalmente letrados num contexto social urbano que as faz registrar momentos muito peculiares a pessoas como as que são e representam. Evidentemente, essas duas obras, assim como suas autoras, serão filtradas pela subjetividade afro-brasileira que as examina, o que se constitui como mais uma possibilidade de conexão diaspórica numa interação literário-comparativa na Diáspora Negra. |
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| "Anjo Negro": Cor e Desejo
por Mara Lucia Leal Resumo Com esta comunicação proponho uma reflexão sobre o impedimento do ator Abdias do Nascimento – fundador do Teatro Experimental do Negro (TEN) – em interpretar o personagem principal da peça “Anjo Negro”, de Nelson Rodrigues, por ocasião de sua estréia no Rio de Janeiro em 1948. Para tanto, analiso a prática com um dos espetáculos teatrais da época em pintar atores brancos de preto (blackface) para representar personagens negros. A chave de minha interpretação vem do próprio texto: o tabu da relação erótico-amorosa entre um homem negro e uma mulher branca tratada de forma magistral por Nelson Rodrigues. Assim, sem me furtar das relações estreitas entre a arte e os condicionamentos históricos e sociais que a cercam, no caso em questão, pretendo focar nos preconceitos da época, construídos historicamente, que geraram tal procedimento artístico e estético, o blackface, a despeito de toda uma corrente de artistas, como o próprio Abdias do Nascimento e Nelson Rodrigues, que lutava ativa e artisticamente contra essas práticas. |
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| Tradução cultural através da
literatura: entre o mundo árabe e o ocidente por Mônica Kalil Pires Resumo Contra o “Choque de civilizações” de Hundington, que percebe o mundo dividido e estático, o conceito de tradução cultural compreende que as civilizações e as culturas são discursos em movimento e se interpenetram constantemente. Neste trabalho, analiso romances históricos de dois autores da diáspora libanesa provocada pela Guerra Civil (Amin Maalouf e George Bourdoukan) para ver como, através da Literatura, eles apresentam o mundo árabe para o ocidente. Seqüestrando o leitor para um universo ficcional, eles possibilitam o conhecimento dos valores do outro e relativizam os valores do mesmo. A seleção dos fatos históricos e a relação entre personagens de diferentes culturas são alguns dos aspectos analisados. |
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| Família, educação e trabalho:
reflexos do tripé nipo-brasileiro na literatura por Oscar Fussato Nakasato Resumo O estudo da família, da educação e do trabalho nas obras que apresentam personagens nipo-brasileiros auxilia na compreensão do caminho percorrido pelos imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil. Estabelecendo correspondências entre essas obras - como Marco zero I: a revolução melancólica, de Oswald de Andrade, e Sonhos bloqueados, de Laura Honda Hassegawa, entre outras - e a realidade descrita nos livros de Sociologia e Antropologia, identificamos os caminhos de integração do nipo-brasileiro na sociedade. Os caminhos percorridos são os da diversidade profissional e da valorização da educação e dos interesses individuais na esfera familiar. As relações familiares baseadas nos interesses coletivos e na submissão a papéis pré-estabelecidos perdem terreno para a liberdade de expressão dos desejos pessoais e a possibilidade de realizá-los, a escolarização tem como conseqüência a diversidade profissional e a migração e a dedicação ao trabalho conduzem à ascensão social. Tudo isso configura o fim do isolamento do nipo-brasileiro no seu grupo étnico e uma participação cada vez maior na sociedade brasileira. |
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| A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE E A
FRAGMENTAÇÃO DO SUJEITO PÓS-COLONIAL EM A RAISIN IN THE SUN
por Rafael Machado Guarischi Resumo Esse trabalho possui como objetivo analisar a construção da identidade do sujeito pós-colonial na peça A Raisin in the Sun , da autora Afro- Americana Lorraine Hansberry. Com base em conceitos teóricos como pós-colonialismo, diáspora, hibridização e discurso colonial, o trabalho terá como foco principal de análise a personagem Benetha, cuja identidade se mostra totalmente fragmentada e em constante busca pelo seu “eu” . Contudo , é importante frisar que não ignoraremos outros personagem e elementos da referida obra. Para que possamos realizar tais análises, trabalharemos com autores consagrados dos Estudos Culturais , como Stuart Hall, Homi Bhabha, Jean Paul Sartre e Henry Louis Gates Jr. Ao final, pretende-se chegar a uma correta articulação teórica entre os conceitos supracitados, além de uma aplicação dos mesmos na peça que é objeto desse trabalho. Co-autora: MARCELA IOCHEM VALENTE |
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| A poesia oral da capoeira: fonte de
leituras sobre o negro afro-brasileiro por Sálvio Fernandes de Melo Resumo Este trabalho tem como propósito apresentar algumas leituras sobre o negro afro-brasileiro e sua presença no espaço urbano através de cantigas de Capoeira. Essa arte-luta afro-brasileira, através da oralidade e da musicalidade desenvolvidas a partir das ladainhas, corridos e quadras (tipos de cantigas da capoeira), apresenta um variado repertório temático que serve como fonte de compreensão, entre outras coisas, sobre as origens dos povos africanos e sobre a presença do negro afro-descendente no Brasil. Pretende-se focalizar através de algumas cantigas as possíveis imagens e reflexões sobre o negro, cantadas pelo capoeirista, enfatizando suas origens, a escravidão, sua presença no espaço urbano e a busca pela manutenção da memória e das suas tradições. A poesia oral presente na capoeira nos apresenta algumas reflexões sobre a trajetória do negro afro-descendente no Brasil bem como nos permite estabelecer conexões com outros saberes relativos ao contexto histórico e social atuais do negro brasileiro. |
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| Movimento Kudurista: uma nova
linguagem na Expressão Cultural Urbana de Angola. por Simone Ribeiro da Conceição Resumo O trabalho proposto estuda a produção textual realizada por autores que atuam no movimento musical “kudurista” surgido na periferia de Luanda. Busca-se, no estudo das letras de música, identificar linguagem e temáticas predominantes na elaboração deste material textual, cuja estratégia discursiva engloba a transcrição da linguagem oral urbana para o texto escrito. Essa apropriação da linguagem oral permite aos indivíduos dos segmentos populares marcados pelo distanciamento da cultura letrada, assumir o papel de produtores textuais, fazendo uso da variante lingüística denominada “calão”, por meio da qual acessamos os discursos produzidos pelo contexto sociocultural deste jovem país, que vive transformações sociais registradas em tempo real por canções que nos ajudam a compreender a cosmovisão do homem angolano urbano na atualidade. |
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| Tradução cultural em zonas de
contato: uma abordagem do rap underground no Brasil. por Cleber Rosso Bicca Resumo O rap é tido como o gênero musical mais importante da indústria fonográfica dos últimos trinta anos e se encontra intrinsecamente associado ao movimento denominado Hip Hop. Junto a outras expressões artísticas urbanas subalternas [graffiti e breakdance], adquire uma postura vinculada à luta por melhorias no campo sociopolítico dos afro-estadunidenses, desde sua gênese na década de 60. Com o intenso intercâmbio cultural que ocorreu na "zona de contato" EUA/Brasil a partir da década de 80, o rap se afirma localmente como arte subalterna, cuja performance, no conceito zumthoriano, está relacionada ao conjunto emissor/receptor/mensagem/contexto - estes pertencendo, geralmente, à tríade constituída por afro-descendentes, excluídos sociais e residentes em áreas periféricas. A presente investigação focaliza nos deslocamentos múltiplos do conceito de “político” e de “movimento social”, bem como de suas categorias de identificação nesta nova topografia, principalmente no que se convencionou chamar de rap underground em contraponto ao mainstream. Nesta questão, a tradução cultural possibilita um debate que requer um amistoso diálogo entre os discursos do Movimento Negro e os do Movimento Hip Hop [presente nos rap’s] através de teorias da Sociologia e dos Estudos Culturais. |
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| IMPASSES DA MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA
EM "RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA" por Manoel Freire Rodrigues Resumo Os escritos de Lima Barreto surgem num dos momentos mais agitados da história do país, as duas primeiras décadas do século XX, quando se consolida a substituição da antiga ordem escravocrata por uma nova ordem liberal burguesa, teoricamente inaugurada por dois eventos representativos desse processo: a abolição do trabalho escravo, em 1888, e a proclamação da república, no ano seguinte. Todavia, embora vistos como senha de entrada do Brasil na modernidade, esses dois acontecimentos são atravessados por inúmeros impasses e não chegam a superar por completo a antiga ordem, o que caracteriza a nossa modernização conservadora. Esta comunicação discute a representação de aspectos da formação do Brasil moderno nas "Recordações do escrivão Isaías Caminha", romance em que Lima Barreto desvenda alguns impasses da nossa contraditória modernidade que, ao resultar de um processo de modernização conservadora e autoritária, acaba mutilada pelos impasses advindos da permanência de elementos fundamentais que sustentavam a antiga ordem: o latifúndio, a política clientelista das oligarquias, o compadrio, o favor e o personalismo nas relações, além da exclusão de parcela imensa da população, sobretudo os descendentes dos antigos escravos. |
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| Redescobrindo as letras, respirando
poesia: as oficinas literárias das Madres de Plaza de Mayo
por Maria Fernanda Garbero de Aragão Ponzio Resumo Este trabalho tem por objetivo traçar uma análise comparativa entre as fases que compõem a história literária escrita pelas Madres de Plaza de Mayo. Tendo como base esse contemporâneo movimento empreendido na Argentina no final da década de setenta, nossa hipótese é verificar o surgimento de uma escrita que descobre na poesia um caminho capaz de dar voz ao corpo vitimado pelas violências do Estado militar. De acordo com a análise dos livros de poemas publicados pela Asociación Madres de Plaza de Mayo, entre 1981 e 2007, buscaremos compreender o processo de reconfiguração da mãe marcada pela perda à Madre consciente, que escreve suas memórias e as expõe publicamente, deixando à mostra a vergonha e os abusos dos governos ditatoriais. Marchando contra o esquecimento, as Madres de Plaza de Mayo reescrevem a história de um país maculado pelo engano. Com seus lenços brancos e seus pés cansados, seus corpos se opõem às injustiças e encontram na poesia uma tradução para a sobrevivência. |
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| O campo de batalha haitiano em Alejo
Carpentier e Aimé Césaire por MARIA HELENA VALENTIM DUCA OYAMA Resumo A histórica da Revolução de Saint Domingue, atual Haiti , foi tratada especialmente em Os Jacobinos Negros, do trinidadiano C.L.R. James, em 1938, evidenciando como os haiti anos lutaram contra a metrópole francesa, sob a liderança do líder negro Toussaint Louverture e seus sucessores Henri Christophe e Jacques Dessalines, culminando com a independência da ilha em 1804. O campo de batalha que alicerça o passado haitiano inspirou a literatura oral e escrita produzida na região caribenha e até mesmo algumas obras de escritores franceses, a partir do século XIX. O objetivo desta comunicação é apresentar uma análise de duas obras que tratam do passado heróico do Haiti : El reino de este mundo (1949), romance real-maravilhoso do cubano Alejo Carpentier e La tragédie du roi Christophe (1963), peça do martinicano Aimé Césaire , considerado o pai da negritude caribenha. |
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| As vozes de Santo Amaro da
Purificação nos casos e prosas do poeta cordelista Antônio Vieira
por Maria Luiza França Sampaio Resumo Santo Amaro é um município do Recôncavo baiano, fundada em 1557, conhecido popularmente como Santo Amaro da Purificação, ou cidade de D.Canô, de Caetano e Maria Bethânia. Compõe uma região que foi uma importante produtora de cana-de-açúcar, fumo e mandioca, erguida pela contribuição da força da mão de obra escrava. São as histórias dos “heróis” que contribuíram para a construção da cidade e para a formação identitária da sociedade santoamarense, normalmente minimizadas pela história oficial, que o poeta Antônio Vieira, um santoamarense de nascimento, utiliza para compor as Histórias do Povo de Santo Amaro. Essas histórias fazem parte de “O Cordel Remoçado: histórias que o povo conta”, um conjunto de casos e prosas ouvidos por Vieira no balcão da venda do pai ou narrados por diferentes personagens que compuseram a história da infância do menino Antônio. Relatam também a vivência do homem, de um pesquisador da cultura popular, construindo um arquivo de histórias não “oficiais” que, aos poucos, estão sendo transformadas em versos. |
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| Crônicas de Machado de Assis e
fotografias de Marc Ferrez: percepções sobre o século XIX
por Wilma Rejane de Almeida Resumo Em meados do século XIX, o Rio de Janeiro foi tomado pelas teses científicas vindas da Europa. Teorias como o higienismo, o liberalismo e outras que apontavam o progresso vinham se constituindo como um novo referencial para a concepção de arte, homem e sociedade. O ideário de então se colocava como o único saber capaz de orientar a sociedade fluminense quanto às mudanças que deveriam ocorrer no traçado da cidade e na vida da população. Machado de Assis e Marc Ferrez são, em sentidos opostos, expoentes desse período. Observadores do seu tempo, Machado e Ferrez expressaram, a partir de gêneros diferentes, visões sobre esse cenário. A crônica, particularmente, as crônicas machadianas da série “A Semana”, e a fotografia de Ferrez, apresentam-se como reelaboração de informação e um modo de intervir no real. São formas diferentes de narrar o mundo, pela manifestação de visões que articulam procedimentos discursivos próprios a cada linguagem. Os projetos do dizer do cronista e do fotógrafo se materializam mediante a persuasão e produção de efeitos de sentido que dão corpo a cada ponto de vista. |
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