| NOVAS PERSPECTIVAS NA HISTORIOGRAFIA LITERÁRIA BRASILEIRA |
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Coordenadores Prof. Dr. Paulo DA LUZ Moreira (Yale university-USA) Prof. Dr. Saulo Gouveia (Michigan State University) | |
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Resumo: A crítica tem se esforçado em
produzir uma série de trabalhos de índole mais ou menos revisionista,
buscando reler a literatura brasileira e reinterpretar a sua história.
Nesse âmbito situam-se, por exemplo, os livros de Luciana Stegagno-Picchio
(História da Literatura Brasileira, 1997), Luiz Roncari (Literatura
Brasileira, 1995), Luís Bueno (Uma história do romance de 30, 2006), Carlo
Nejar (Nova História da Literatura Brasileira, 2007) e Alexei Bueno (Uma
História da Poesia Brasileira, 2007). Esse simpósio busca avaliar e
discutir o mérito e significado de revisões como essas e considerar
limites e possíveis novas direções para esse movimento, principalmente com
referência à literatura brasileira do século XX. " Subtema: Literatura e outros saberes |

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| União do estudo de vários contos
machadianos por Edmundo Juarez Resumo Através da união do estudo de vários contos machadianos (“Singular ocorrência,“O caso da vara, Noite de almirante”, “O enfermeiro”), sempre focando seu fundo histórico e a questão escravista que eles contemplam, com algumas crônicas, do ângulo como foram estudadas por Sidney Chalhoub, pode-se estabelecer um questionamento radical, não apenas do processo histórico ali descrito, como também do narrador embutido nos referidos contos, possibilitando dar uma nova dimensão à visão política de Machado de Assis. |
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| LÚCIA MIGUEL PEREIRA E OS RUMOS DA
LITERATURA por ELISABETE VIEIRA CAMARA Resumo O objetivo da comunicação é abordar o exercício da crítica como uma atividade fundamental na investigação literária. Para tanto, nos concentramos na literatura brasileira a partir do enfoque da conceituada crítica brasileira Lúcia Miguel Pereira (1901-1959), cujo tarbalho foi amplamente difundido através de periódicos como Boletim de Ariel, Revista do Brasil, Correio da Manhã , O Estado de São Paulo, entre outros. Analisamos a gênese e a evolução da crítica literária ao longo do tempo e no contexto brasileiro desde suas origens até os dias atuais. Aí, destacamos a produção de LMP durante o período da "nova crítica", que é examinado principalmente através de textos de Afrânio Coutinho. Depois, propomos uma reflexão teórica sobre as influências na obra crítica de LMP, a partir do confronto entre as tendências literárias da época e os textos da autora que tratam da função do crítico e do escritor. Por fim, estabelecemos um questionamento do cânone e da literatura de modo que sejam cotejados com os pressupostos literários de LMP. |
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| A literatura infantil de Monteiro
Lobato: entre o passado e o futuro por Elisângela da Silva Santos Resumo Nossa proposta nesta comunicação visa analisar sociologicamente aspectos da literatura lobatiana. Partindo do pressuposto inicial de que este autor demonstra muitas vezes em seu texto uma escrita ambígua, onde características arcaicas e modernas da sociedade brasileira parecem ressoar , resgatamos o sentido de cisão, em Georg Lukács no livro intitulado, A Teoria do Romance, como uma possível chave explicativa desta ambigüidade inerente à obra de Lobato. Apesar dos livros de literatura infantil deste escritor não se constituir a rigor um romance, acreditamos que muitas peculiaridades dos heróis romanescos também aparecem nos pequenos heróis de Lobato. Neste sentido, a comunicação procura perceber se as personagens infantis deste escritor em questão buscam o sentido de uma cisão entre o moderno e o arcaico, ou se existe uma fusão destas duas temporalidades no Sítio do Picapau Amarelo. |
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| As representações alegóricas na
refabulação das narrativas e da crítica coloniais por Gislene Teixeira Coelho Resumo Esta pesquisa desenvolve um estudo comparativo das representações alegóricas nas obras Jangada de pedra, de José Saramago, e A república dos sonhos, de Nélida Piñon, que servem como instrumentos teóricos para pensar e discutir antigas relações de poderes baseadas em desencontros e enfrentamentos. Propõe-se uma reflexão sobre a condição colonial através do estudo dessas novas redes de representação e de conceitualização, acentuando a força transgressora da alegoria no deslocamento do discurso oficial e hegemônico. Objetiva-se contribuir para os estudos das teorias pós-coloniais, sublinhando a perspectiva dialética que se anuncia nesses romances através de uma nova trajetória baseada na aproximação e no entendimento entre nações. Destarte, a questão da colonização será estudada não somente pelo víeis do choque cultural, mas por meio de leituras produtivas do processo cultural que inicia a partir de então. |
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| A presença do elemento medieval na
poesia de Manuel Bandeira. por Juliana Silveira Resumo O presente projeto de pesquisa tem por desejo analisar a sobrevivência de elementos medievais na poesia de Manuel Bandeira. Nesse sentido, o trabalho objetiva estudar o porquê desse resgate da literatura medieval na poesia de um poeta considerado moderno. Pode-se dizer que a Idade Média resgatada por Bandeira é de feição portuguesa em razão da relação de influência que o poeta tem com a literatura desse país, atestada por meio de suas cartas e crônicas. Os poemas que sinalizam veiculação com o medieval são: “Solau do desamado” (Cinza das horas), “Baladilha arcaica” (Carnaval), “Rimancete” (Carnaval), “Cossante” (Lira dos cinquent’anos), “Cantar de amor” (Lira dos cinquent’anos) e “Cantiga de amor” (Mafuá do Malungo). Com base nesses poemas, pretende-se estudar o problema que o poeta tem com o lirismo confessional, tipicamente romântico, pois se supõe que, na realidade, ao retomar o lirismo trovadoresco português, Bandeira quer demonstrar sua insatisfação com as origens do amor romântico, o amor cortês. |
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| A intelectualidade periférica: o
pensamento nacionalista de Plínio Salgado por Leandro Pereira Gonçalves Resumo Este trabalho pretende analisar o pensamento político-ideológico do líder integralista Plínio Salgado através de sua obra romanesca, tendo como base o testemunho de uma determinada classe social, seguindo o referencial teórico proposto por Lucien Goldmann e Antonio Gramsci. Nas obras, pode ser encontrada uma fonte historiográfica reveladora para a compreensão da ideologia presente na Ação Integralista Brasileira. Com isso foi possível observar um discurso conservador e autoritário para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Utilizou-se o estruturalismo genético goldmanniano a fim de se verificar a existência de artifícios e formas que possam comprovar se as obras literárias de Plínio Salgado são consideradas romances e, portanto, expressão burguesa inserida em uma sociedade periférica pautada no estudo do teórico Aijaz Ahamad. |
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| Entre o texto e o contexto: os ecos
do silêncio de uma esquecida academia brasílica por Manoel Barreto Júnior Resumo A presente comunicação objetiva refletir sobre as composições poéticas da Academia Brasílica dos Esquecidos, através de contribuições advindas do pensamento teórico-crítico contemporâneo, a partir da Historiografia Literária, a Nova História Cultural, e os chamados Estudos Culturais, que sob este prisma, permite destacar ecos discretos para formação de uma suposta consciência ufanista entre os colonos letrados setecentistas, trazendo à tona alguns elementos da história cultural do Estado do Brasil do século XVIII. Assim, tessituras poéticas-narrativas e contexto histórico, cruzam-se no estabelecimento de uma das primeiras agremiações intelectuais brasílicas, que através de contornos histórico-discursivos encenam as formas de dizer o presente e aspirar aos tempos vindouros. |
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| A crítica nas cartas: reflexões para
uma nova historiografia por Marcia Regina Jaschke Machado Resumo As cartas que escritores e intelectuais brasileiros trocavam entre si durante as décadas de 1920 a 1940 revelam a existência de intensa circulação de manuscritos, acompanhada de uma “crítica informal”, que trata, por exemplo, desde a criação do soneto irregular até questões ligadas à identidade nacional. Enquanto fonte de pesquisa, essa “crítica”, produzida em espaço e período específicos, sugere uma abordagem histórica. A comunicação aqui proposta visa, portanto, refletir em que medida essa abordagem sobre a “crítica informal” pode se inserir no horizonte de uma “releitura da literatura brasileira e de reinterpretação de sua história”. |
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| Benedito Nunes: O Mundo de Clarice
Lispector - Primeiro Livro Publicado por Maria de Fatima do Nascimento Resumo O filósofo paraense Benedito Nunes começou o trabalho de crítica literária muito jovem, nos jornais e periódicos de Belém do Pará, como colaborador do Suplemento Literário “Arte e Literatura”, do jornal Folha do Norte, de 1946 a 1951, e como diretor das revistas Encontro (1948) e Norte (1952), posteriormente em revistas e jornais literários nacionais, a exemplo de: Suplemento Literário do Estado de São Paulo e Suplemento Literário do Estado de Minas Gerais, Comentário, Revista do Livro. Nos anos subseqüentes, ele continuou atuando, com larga repercussão nacional, na crítica literária, divulgada em eventos e em livros, como: O Mundo de Clarice Lispector (1966); O Dorso do Tigre (1969); João Cabral de Melo Neto (1971); Leitura de Clarice Lispector (1973); Passagem para o Poético - Filosofia e Poesia em Heidegger (1986); O Drama da Linguagem: Uma Leitura de Clarice Lispector (1988). Esta comunicação objetiva analisar o primeiro ensaio dos cinco que compõem o livro inicial de Benedito Nunes: “O Mundo de Clarice Lispector (Ensaio)”, publicado em 1966, em Manaus, pelo governo do Amazonas, com pequena tiragem. Os ensaios do referido livro já haviam sido publicados em jornais e revistas. Em 1969, com revisão cuidadosa, foram publicados em O Dorso do Tigre. |
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| Comunicando experiências: O tempo, o
vento e o narrador por MARIANA LIMA MARQUES Resumo Levando em consideração os estudos sobre literatura e sociedade feitos a partir do tema desenvolvido para a dissertação de mestrado (A dominação, o tempo e o vento: a dominação pessoal no romance histórico de Érico Veríssimo), foi de indispensável notoriedade a personagem de Floriano Cambará, que é romancista e autor de O Tempo e o Vento que, ao rememorar a história de sua terra e de sua gente, almeja terminar seu processo de crescimento e encontro de seu verdadeiro eu: gaúcho, escritor e anti-modelo do pai. Assim, numa tentativa de reconectar as ilhas do arquipélago (metáfora que ele confere à sua família, desmembrada e já sem identidade), Floriano recorre à Maria Valéria, sua velha tia que narra todos os acontecimentos importantes da linhagem que ajudou a fundar a cidade de Santa Fé, os Terra - Cambará. Através das histórias da tia e dos pertences históricos da família arquivados em um baú de lata, Floriano resgata suas raízes e narra 200 anos de História do Rio Grande. Ao narrar sua gênese, traça-se um paralelo com o texto O narrador, de Walter Benjamin, pois Floriano se dispõe a comunicar suas experiências, num processo que ilumina sua identidade e a dos demais gaúchos. |
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| Uma história do romance de 30 - um
novo parâmetro? por Paulo da Luz Moreira Resumo Uma história do romance de 30 de Luís Bueno é um marco historiográfico na literatura brasileira. Abandonando as abordagens tradicionais que privilegiavam o ensaísmo interpretativo breve de um canon mais ou menos restrito em longos períodos de tempo ou ensaios curtos propondo observações históricas pontuais, o livro de Luís Bueno reconstitue cuidadosamente, ano a ano, o período em questão, fazendo um corte específico que exclui poesia, e mesmo o conto. Abordando em detalhes os clássicos da época, mas também lendo cuidadosamente uma série de obras hoje em dia esquecidas, Luís Bueno constrói um imenso e rico painel em mais de 600 páginas, analisando com cuidado a recepção das obras na imprensa dos anos 30 e as contribuições subseqüentes da crítica brasileira, propondo vários novos caminhos na interpretação de muitas dessas obras. Minha apresentação tem como principal objetivo colocar em discussão esse livro tão importante e analisá-lo como um novo parâmetro para a historiografia da literatura no Brasil. |
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| Portugal-Brasil: modernismo em
perspectiva por Raquel S. Madanêlo Souza Resumo O objetivo dessa comunicação será analisar o conceito de Modernismo adotado por grande parte da historiografia literária brasileira e portuguesa, de maneira a problematizarmos a influência que essa conceituação teve sobre a idéia, corrente, de rompimento de relações entre Portugal e Brasil, nas primeiras décadas do século XX. Para isso, tomaremos algumas publicações periódicas dos dois países, a fim de estabelecermos prováveis relações entre as literaturas produzidas nessas nações, no período citado. |
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| 'O Inferno de Wall Street' e as
ruínas da torre por Ana Carolina Cernicchiaro Resumo No 'Inferno de Wall Street', de Joaquim de Sousândrade, tudo é desproporção, caos, informe. A língua não é mais suficiente, é preciso uma polifonia, uma multiplicidade de vozes e idiomas. Do francês ao inglês, do holandês ao grego, do tupi ao latim, tudo está ali, a Babel repleta de suas confusões pós-intervenção divina. Considerando a análise de Derrida sobre o emblemático episódio bíblico, percebemos que o caráter multidiomático e fragmentário do texto sousandradino não apenas exibe um não-acabamento e a multiplicidade irredutível das línguas, como também aponta para a necessidade e impossibilidade da tradução. Nesse sentido, se pensarmos a tradução não apenas de um idioma a outro, mas dentro mesmo da língua materna, considerando o real (ou o inferno) como um 'original', somos levados a definir esse inferno como um indizível que não se pode traduzir, mas cuja tradução nos é sempre necessária, algo que não pode ser representado, mas que, paradoxalmente, é o 'leitmotiv' da representação. Por conta disso, o jogo da escritura se dá não mais como comunicação, não mais como racionalidade, mas como elemento detonador de sua lógica, inoperando o significado, num indiscernível entre 'a-sêmico' e polissêmico, que nos leva a uma desterritorialização, a uma errância sousandradina. |
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