| LITERATURA FILOSÓFICA E FILOSOFIA LITERÁRIA: CIRCULAÇÕES E INTERSEÇÕES DE UM SABER COMPARTILHADO |
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Coordenadores Profa. Dra. Deise Quintiliano Pereira (UERJ) Prof. Dr. Wilton Barroso Filho (UnB) |
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Resumo: Resumo: Apoiando-nos nas reflexões de
Bornheim, reconhecemos que, embora distantes de sua origem comum, filosofia
e literatura jamais deixaram de travar um fecundo comércio entre si. O século
XX viu prolongar-se o interesse dos filósofos pelos temas literários e o
dos escritores e teóricos da literatura pela filosofia. As relações entre
a literatura e a filosofia estão na ordem do dia. Se nos limitássemos aos
últimos anos, constataríamos o interesse pela literatura da parte de alguns
filósofos. Pensemos em Heidegger e sua análise da obra de Hölderlin ou em
Deleuze e seu belo ensaio sobre Proust. Podemos ainda evocar os trabalhos
de Pierre Macherey (À quoi pense la littérature ?) e Jacques Rancière (La
Parole muette. Essai sur les contradictions de la littérature), que buscam
balizar as fronteiras entre filosofia e literatura. Mas como demarcar limites
tão tênues? Em sua obra Philosophie et littérature. Approches et enjeux
d'une question, Philippe Sabot afirma que hoje se desenvolve uma “espécie
de filosofia da literatura que engaja, de maneira enviesada, mas decisiva,
tanto uma redefinição da filosofia – enquanto ela se faz também nos textos
literários e não apenas nos tratados e ensaios de filosofia – como de uma
reelaboração da própria idéia de literatura – à medida que ela escapa de
toda determinação essencial e da ordem da especulação estética, para se
fazer um instrumento do pensamento”. Portanto, observamos uma contínua interseção
entre filosofia e literatura, capaz de produzir novos discursos sobre o
homem e novas formas expressivas do pensamento. A proposta desse simpósio
é a de discutir a interseção entre o filosófico e o literário, buscando
estender o conceito de filosofia da literatura, de Philippe Sabot, à produção
de um saber que reoriente o pensamento na direção de sua origem grega, quando
o logos era ao mesmo tempo poético e filosófico. " Subtema: Literatura e outros saberes |

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| Gilles Deleuze à sombra das veredas: o afeto e o duplo como forma de vida no romance de Guimarães Rosa
por Alex Fabiano Correia Jardim Resumo Discutiremos em Gilles Deleuze a idéia de forma de vida a partir de dois personagens na obra Grande Sertão-Veredas: Riobaldo/Tatarana e Reinaldo/Diadorim. Para isso, Deleuze nos apresenta os conceitos de hecceidade e individuação. Os dois personagens nos apresentam na obra, práticas que fogem de uma tradição que estabelece um ethos para a vida de um bando no sertão, tipificado nos jagunços. Os signos de amor entre Riobaldo e Diadorim intensificam uma individuação que não se segmenta em homem e mulher, mas entre corpos livres da forma ou de qualquer “órgão” individualizante. Essa individuação por afetos não é submetida ao binarismo homem/mulher, mas a praticas de vida que inventam uma nova maneira de viver. Daí, o conflito se estabelece, pois haverá sempre um jogo do duplo, de “devires” e de máscaras. Observaremos os conflitos vividos por Riobaldo que se vê envolvido por um amor transgressor: o amor a Diadorim/Reinaldo: intenso e independente das normas de uma tradição. Segundo Deleuze, são esses agenciamentos que fazem e constituem as “hecceidades”, ou seja, uma prática que se estabelece a partir de um poder de afetar e ser afetado, nos indicando as singularidades de uma vida que escapa a individualização que determina a natureza humana. |
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| O conceito da liberdade em Baudelaire
por André Christian Dalpicolo Resumo O objetivo do texto é examinar o conceito de liberdade no fragmento Baudelaire, de J.-P.Sartre. Para tanto, é preciso observar como o poeta francês procura dissimular sua escolha originária. |
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| A angustiante aventura do "ser" no perecer em Aparição, de Vergílio Ferreira
por André Carneiro Ramos Resumo Este trabalho se propõe a discutir algumas questões relacionadas à corrente existencialista presente na obra "Aparição", do escritor português Vergílio Ferreira. Num tom epopéico, num espanto, por assim dizer, talvez possamos descortinar o dilema filosófico que se abre em pura verve inexplicável em seu romance, cuja coerência de pensamento revigora-se em meio a um inesperado encontro com o Ser que habita os assombros do homem e num mergulho em tais profundezas, espécie de confluência literário-filosófica, simbolismo cíclico e catalizador de toda uma angústia que, surpreendidos, entrevemos na escrita vergiliana. Algo feito enfrentamento. Qualquer coisa pertinente à aventura do mistério que celebra o Ser diante de si e do desconhecido. |
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| A literatura moderna como contraponto à razão clássica em “História da loucura” de Michel Foucault: linguagem, loucura e transgressão
por André Yazbek Resumo As últimas páginas da tese doutoral de Michel Foucault, História da loucura na Idade Clássica (1961), sublinham a emergência de “experiências singulares”, cujos protagonistas são escritores como Sade, Hölderlin, Nerval, Artaud e Nietzsche. A especificidade de tais “experiências” provém do fato desses autores testemunharem, de modo absolutamente sui generis e a partir de uma perspectiva poética da linguagem, uma passagem da “desrazão clássica” à “loucura moderna” que parece subvertê-la em seu pretenso significado histórico: pela palavra marginal, que confere à loucura uma profundidade e um poder de revelação que o classicismo havia lhe subtraído, a experiência literária moderna implica uma afronta ao risco da desrazão, perfazendo uma relação essencial entre “loucura” e “verdade” cujo predecessor mais ilustre seria O sobrinho de Rameau, de Diderot. Recuperando o lugar singular ocupado por esta espécie de escritura do “excesso” e da “transgressão” no interior de História da loucura, nossa comunicação pretende lançar luzes sobre o esforço foucaultiano para extrair da linguagem literária moderna um contraponto fundamental a toda tentativa discursiva – e, portanto, positiva – de encerrar a loucura na “verdade da razão”. |
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| Distenção e duração em Le Temps retrouvé de Proust
por Deise Quintiliano Pereira Resumo Proponho, nesse trabalho, uma leitura de Le Temps retrouvé, de Marcel Proust, à luz da noção bergsoniana da “durée” e da concepção relativística de Albert Einstein. Discuto a dicotomia “tempo perdido” / “tempo reencontrado” a partir dos efeitos que os eventos externos imprimem na memória de Charles Swann, ora condensando, ora estendendo a percepção do tempo. |
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| O diálogo da Filosofia com a Poesia: a noção de Aberto em René CHAR e Martin HEIDEGER
por Florence Dravet Resumo Filho de uma geração de poetas românticos do século XIX, René Char soube cedo que não era na ciência, mas no seio da própria linguagem que residia o princípio de inteligibilidade do mundo. A palavra de Char dialoga com os saberes de uma filosofia antiga, na escuta de um canto das origens que o faz presente. Amigo de Martin Heidegger, o poeta provençal bebia à fonte grega do conhecimento: Parmênides e Heráclito foram assunto para muitas conversas entre o filósofo alemão e o poeta, em caminhos campestres. O pensamento racional e sensível se impregnava do conhecimento metafórico; o logos filosófico reencontrava o poético. Se Char afirma que nenhuma obra poética prescinde de uma visão filosófica do mundo, que aquela nasce com esta e dela não pode ser dissociada, Heidegger declara que a filosofia não é nada sem a abertura ontológica da poesia. A metáfora do “’Aberto” está na origem de uma concepção de linguagem e pensamento capaz de reunir, na segunda metade do século XX, o filósofo, ex-reitor de Universidade no período nazista, e o poeta, ex-comandante das forças da Resistência francesa na região da Provence. É a força dessa noção poética e seus desdobramentos filosóficos que apresentaremos aqui Co-autor: GUSTAVO DE CASTRO (UNB) |
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| Pensamento e heteronímia: variações sobre o impessoal em Deleuze e Pessoa
por Gabriel Cid de Garcia Resumo Fernando Pessoa foi apresentado por Gilles Deleuze como um artista capaz de traçar uma nova imagem do pensamento, uma ressignificação do pensar que não se daria pela criação de conceitos, mas pela afirmação de entidades poéticas, figuras sensíveis, aliada a um método específico de despersonalização. Transpondo os limites entre o filosófico e o literário, atribuindo às sensações um privilégio e uma anterioridade em relação aos ditames metafísicos da razão, a heteronímia pessoana poderia ser entendida como condição ontológica que apresenta a permuta de diferentes modos de expressão e apresentação do pensamento, minando de antemão qualquer condição identitária para que uma escrita se dê. Analisando este paralelismo, entre o substrato teórico da heteronímia e a análise de Deleuze sobre Pessoa e a arte, este trabalho pretende investigar uma potência impessoal perfazendo o campo de problematização comum tanto à literatura como à filosofia. Os conceitos, perdendo seus contornos fixos, são entendidos já como máscaras, personagens conceituais, considerados por Deleuze como os heterônimos do filósofo. Enquanto impessoal, a própria linguagem, entendida como descontínua, denuncia critérios de verdade e promove insumos para evitar que se compreenda como absurda a afirmação pessoana de que a metafísica é apenas um modo de sentir as coisas. |
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| Sobre a possibilidade de dizer algo: compreensão, filosofia, literatura
por Gerson Brea Resumo Dizer algo não se restringe ao mundo da palavra escrita. Uma obra de arte – por exemplo, uma estátua – pode me dizer algo. A realidade de uma obra de e seu poder dizer algo não se deixam reduzir ao horizonte histórico original em que o contemplador se encontra com o criador, nem dependem, primeiramente, da construção e emprego de um determinado método. A experiência da arte possui sempre seu próprio presente; expressa uma verdade que independe da verdade que o autor intentou expressar ou com a verdade obtida por um processo passível de medição e controle. A obra de arte – no nosso caso, um texto literário – fala por si. E o texto filosófico? Não pretende ele também dizer algo? Não haveria, pelo menos nesse aspecto, uma semelhança muito grande entre a essência da obra filosófica e aquela de uma obra literária? Em que reside, afinal, fundamentalmente a relação entre filosofia e literatura? Não seria a filosofia apenas um entre outros gêneros literários? Ou a obra literária um entre outros modos do filosofar? A partir de digressões de Jaspers, Gadamer e Sloterdijk procuraremos precisar e discutir essas questões, bem como pensar mais radicalmente as relações entre compreensão, filosofia e literatura. |
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| O sal do saber: saboreando a relação entre filosofia e literatura
por Gisele Batista da Silva Resumo O trabalho discute as possíveis relações teórico-conceituais entre os saberes filosófico e literário, compreendendo que ambas as práticas discursivas têm por atividade a poiésis, isto é, a criação e a problematização da realização de real empreendida pelo homem, como prática norteadora da vida. Alguns serão os conceitos discutidos, pretendendo-se destoar da tendência que reitera a compartimentalização dos saberes em “disciplinas” – conhecimento, physis, sentido, télos, técnica, metafísica, verdade, ficção e linguagem, estes apenas alguns dos elementos que apontam para um modo de ser, de olhar a força de produção do homem na sua cotidianidade. Serão examinadas as práticas literária e filosófica no mesmo espaço para o qual convergem, pois, assim como o compreendeu Nietzsche, Foucault e outros, ambos os saberes caminham para o entendimento do que a vida e o homem são em seu sentido mais basilar: criação, experenciação da/na vida. Literatura e filosofia realizam o mesmo “ofício”: criam e criam-se a todo o momento, participam da vida do homem; não são absolutamente estabilidade e solidez, mas promovem o movediço, pois permeam-se, entrelaçam-se, dialogam – sem hierarquias ou subordinações. Poetam sobre a vida do homem, fazem o possível e o necessário, contrastando com a rigidez à qual as “disciplinas” correspondentes remetem. |
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| No limiar entre a razão e a loucura: a obra
por Isabelle Meira Christ Resumo Por meio de uma análise dos escritos de Lima Barreto: Cemitério dos vivos (romance) e Diário do hospício (diário), intentaremos sustentar a tese de que Cemitério dos vivos surge de uma experiência de Lima Barreto com a “loucura”, com os loucos; mas segue para além disso. Algo se passa no limiar entre a razão e a loucura, esse algo é a obra. Para tanto, recorreremos ao filósofo Michel Foucault. |
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| Rascunho fenomenológico
por Marcia Bianchi Resumo Este artigo propõe a discussão do sujeito lírico no "Poema sujo" de Ferreira Gullar, pelo viés da "Fenomenologia da Percepção". A percepção merlau-pontyana propõe a noção de sujeito a partir do corpo e da linguagem, nela o sujeito é capturado pela palavra. A visibilidade, a invisibilidade, o ser de indivisão, o corpo fenomenal são alguns pontos pelos quais talvez se possa detalhar o que se passa com o olhar do Outro. Aqui o sujeito é o rebento, isso ocorre à medida que ele é "atravessado" pela linguagem. Dividido ente sua existência e seu pensar, o sujeito, reelabora signos, e, fabrica um universo que reside entre os significantes, visível ou invisível, porém transita no corpo, nas cores, e, nos odores das coisas, da linguagem. |
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| Finitude e transcendência: algumas reflexões sobre "O Infinito", de Giacomo Leopardi
por Marcos Giusti Resumo O propósito desse trabalho é o de discutir algumas questões fundamentais de ontologia e de lógica a partir do poema L'Infinito, de Giacomo Leopardi. Trata-se de tomar a idéia de Infinito como uma produção essencial da angústia humana em face da morte e do conseqüente desejo de transcender a própria finitude. No poema, cabe ao pensamento criar uma imagem que os olhos não percebem: "o último horizonte" ou Infinito. Esta imagem é criada estrategicamente por uma lógica imanente ao pensamento e contra-intuitiva em relação ao mundo físico clássico, de extensão espacial e material finita. Essa lógica imanente ao pensamento é a (cria)atividade, ou atividade criadora, fonte da transcendência e produtora do conhecimento que, em certo sentido, liberta o homem igualando-o a Deus. |
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| As incidências da crítica à razão da pós-modernidade nas teorias sobre a intertextualidade
por Maria Macedo Resumo Propomos destacar algumas das teorias que se debruçam sobre o fenômeno intertextual, sobretudo aquelas surgidas a partir dos anos 70, sublinhando a sua articulação com o domínio filosófico, mais especificamente, com a crítica à razão iluminista efetuada pela pós-modernidade. Essa crítica aponta e perturba o conceito forjado no Iluminismo, que concedia centralidade ao homem como sujeito soberano, pois portador de uma razão metafísica, imune à instabilidade da história e à sua própria instabilidade. O que se observa na pós-modernidade é uma desconstrução ou análise crítica da razão metafísica - origem e fundamento explicativo - e e do sujeito fundador, centralizado e sintético, com um discurso universal de totalização da verdade. A mudança do estatuto do sujeito, conseqüente do abalo do conceito sobre sua razão, promovido sobremaneira a partir de Nietzsche e estendido nas teorias da pós-modernidade, atinge outros domínios do conhecimento, como a literatura e sua teoria. Pretendemos simplesmente apontar a elaboração da teoria de alguns estudiosos, como Bakhtin, Kristeva, Barthes, Angenot, Hutcheon, implicada na pós-modernidade, como a crítica à razão metafísica, a defesa de um sujeito localizado, particularizado, a procura da reconstituição do sujeito em sua própria representação, na sua própria história, e na história dos discursos. |
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| "Thérèse Philosophe" e "Fanny Hill", romances filosóficos?
por Mariana Teixeira Marques Resumo No debate sobre o contato entre filosofia e literatura, o romance europeu do século XVIII aparece como fonte inesgotável de motes e assuntos. Gênero “livre” que se apropria do que lhe convém, o romance em seu período de formação foi terreno fértil para a circulação de novas idéias filosóficas, levando ao crescente público leitor várias das questões de fundo discutidas em ensaios e academias científicas. Ao mesmo tempo, a filosofia era frequentemente associada à literatura “proibida” – libertina, imoral, anti-religiosa ou politicamente reprovável -, o que torna clara a relação estreita entre as novas formas de pensar e as novas formas de narrar na Europa setecentista. Era principalmente na França e na Inglaterra que a relação entre filosofia e literatura davam mais frutos. Partindo destes pressupostos, nossa comunicação pretende colocar em discussão alguns aspectos desta relação através da leitura de dois romances de cunho libertino: o francês Thérèse Philosophe (1748), de autor anônimo e Fanny Hill, Memoirs of a Woman of Pleasure (1748), de autoria do inglês John Cleland. |
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| O que não se pode dizer... é preciso dizer
por Mário Bruno Resumo As teorias foucaultianas sobre enunciados e ordens discursivas eram coerentes com a sua luta por uma subjetividade moderna que resistisse às formas de sujeição. É nosso propósito abordar essa razão positiva nas pesquisas de Foucault, ou seja, o seu constante confronto, nos estudos sobre a Literatura (e outras formas de linguagem), com as linhas duras dos saberes e poderes atuais. |
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| O encontre de Jean-Paul Sartre e Charles Baudelaire
por Neide Coelho Boechat Resumo Este trabalho refere-se à tentativa de Sartre em compreender a escolha feita por Baudelaire diante do mundo. Considerando os pressupostos sobre os quais o filósofo edificou seu pensamento, compreender tal escolha é compreender a experiência empreendida por esse poeta que, ao longo de sua existência , encontrou na poesia uma forma sintética de manifestação dessas escolhas e, escolhendo-se, afirmou-se no cenário literário de uma certa forma singular que lhe rendeu o protótipo sob o qual ficou consagrado: “poeta maldito”. O que se pretende mostrar aqui está bem distante de uma crítica literária como também daquilo que usualmente conhecemos como biografia. A investigação sartriana acerca de Baudelaire refere-se a uma análise das condutas do poeta orientadas pela aplicação de um método desenvolvido pelo filósofo ao elaborar sua proposta de uma psicanálise existencial, que ele identifica como um método progressivo-regressivo. Nessa oportunidade, pretendemos trazer este empreendimento de Sartre, como uma nova abordagem da mensagem baudelairiana. Entretanto, é preciso alertar que falar de mensagem baudelairiana em um contexto filosófico sartriano, significa falar da imagem que Baudelaire construiu de si mesmo cuja síntese de seus traços possibilitou ao filósofo alcançar a compreensão da busca desenvolvida por esse poeta, na tentativa de constituir seu projeto original. |
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| Uma literatura no limite da filosofia: Georges Bataille
por Osvaldo Fontes Filho Resumo Em L´écriture et la différence, Jacques Derrida identifica um pensamento do limite na “destruição do discurso” proposta por Georges Bataille. Não porque ali houvesse uma reserva ou uma retração, um “murmúrio infinito de uma palavra branca apagando os traços do discurso clássico”, mas porque em Bataille o discurso está submetido a uma espécie de “potlach dos signos”, a um dispêndio exuberante das palavras na gaia afirmação de sua morte: “um sacrifício e um desafio”, conclui Derrida. De fato, Bataille entende que uma escritura soberana arrisca-se à morte para despertar da longa noite da razão, “onde algo se tramou, cegamente”, a saber: as oposições de conceitos dominadas por uma lógica férrea, inscrita no léxico e na sintaxe de uma “fraseologia da verdade”. Em nossa comunicação, será caso de mostrar como Bataille solicita o que chama “o trabalho destrutivo da escritura de ficção”, uma sistemática interrupção da cumplicidade entre palavra e sentido, com o conseqüente desmonte de toda gravidade conceitual. Que tal pareça fazer-se nas narrativas bataillianas por uma declarada “afronta” às virtudes analíticas da textualidade é fato a evidenciar uma condição extremada e provocadora ali exigida da palavra literária. Assim, ao examiná-la em Bataille como experiência-limite da linguagem, voltada a suas maiores irregularidades, objetiva-se em última instância propor uma perspectiva de leitura onde figura e conceito reflitam mutuamente suas respectivas catástrofes. Nesse sentido, será feito jus ao alerta de Derrida quanto ao que seria o necessário trabalho da modernidade filosófica junto a uma “deriva calculada” dos conceitos até sua insustentabilidade. Freqüentar com Bataille o espaço de vinculação da linguagem e da morte, na contrafação da certeza de si e da segurança do conceito, implicará procurar por uma justa hermenêutica — “investigação necessariamente sem reserva” das diferenças, dos limites, diria Derrida — no trato com a rigorosa precipitação, o sacrifício impiedoso dos conceitos filosóficos na literatura. |
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| A Ética do Desejo no Teatro Francês do Século XVII
por Paula Schild Mascarenhas Resumo O presente trabalho tem por objetivo abordar a questão da ética e do desejo na dramaturgia francesa do século XVII. A partir de uma delimitação destes termos segundo a concepção clássica dos mesmos, pretende-se analisar sua presença e suas implicações, que encaminham ao estabelecimento de uma filosofia literária trangressiva, em duas obras fundamentais e paradigmáticas da época: Le Cid, de Pierre Corneille e Phèdre, de Jean Racine. |
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| Consistências alógicas na poética de Alexandre Rodrigues da Costa
por Rodrigo Gruimarães Resumo Esta Comunicação tem como proposta investigar a poesia de Alexandre Rodrigues e as trocas escriturais que sua poética estabelece com as artes plásticas e com a filosofia. Para tanto, serão analisados os livros Objetos Difíceis (2004) e Fora-de-quadro (2005) em que as consistências “alógicas” (operações com a linguagem que vão além dos preceitos aristotélicos) de desconstrução textual serão identificados e problematizados. |
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| A voz filosofica no narrador kunderiano
por Wilton Barroso Filho Resumo Na obra romanesca de Milan Kundera emerge de modo divergente e ao mesmo tempo complementar um narrador filosofo. Observando as diferentes reflexões das vozes narradoras através da obra romanesca, o nosso trabalho de pesquisa busca uma reflexão epistemológica sobre os elementos eventualmente constituintes de um donjuanismo contemporâneo e de uma filosofia pós-moderna da sedução. |
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