| LITERATURA E LEITURA: TESSITURAS, INTERAÇÕES, CONVERGÊNCIAS |
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Coordenadores Profa. Dra. VERA TEIXEIRA AGUIAR (PUCRS) Profa. Dra. MARIA ZAÍRA TURCHI (UFG) Profa. Dra. ALICE ÁUREA PENTEADO (UEM) | |
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Resumo: No momento em que os meios de
comunicação tornam-se cada vez mais rápidos e eficientes, este Simpósio,
partindo do ponto de vista das possibilidades da literatura, propõe
discutir em que medida a produção e a circulação de bens culturais pode
revelar tessituras, interações e convergências no sistema literário e suas
interfaces. Nesse sentido, a literatura assume papel dos mais importantes,
pois, ao tratar de fatos e conflitos, aponta para os sentimentos humanos
que suscita e que são comuns a todos os homens, logrando, por essas vias,
uma compreensão universal. Contudo, para que a literatura realmente
exista, ela precisa integrar-se em um sistema de produção, circulação e
consumo, tornando-se um objeto significativo para a sociedade em que está
inserida. Nesse contexto, importa conhecer os autores e seu processo de
criação, as características especiais das obras, os mecanismos de
fabricação dos livros, com todos os integrantes de seleção, ilustração,
composição, edição, revisão, entre outros aspectos, e, a seguir, as
diversas instâncias mediadoras entre os livros e seus leitores, como
livrarias, bibliotecas, escolas e academias, igrejas, eventos literários,
seções de crítica em periódicos e muitas mais, além dos leitores
propriamente ditos e suas preferências e modalidades de leitura, segundo
os fatores intervenientes. Só a atenção às relações entre esses agentes no
complexo campo literário, em interface com os demais campos que compõem o
todo social, pode fornecer elementos para a reflexão sobre o papel da
literatura na construção da identidade de um povo e na sua capacidade de
interagir com os demais, em um processo de assimilação e difusão cultural.
" Subtema: Literatura e outros saberes |

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| Um objeto hipótetico na internet: a
escritura-crítica do leitor de Harry Potter por Ana Cláudia Munari Domingos Pelisoli Resumo Considerando que as estruturas de indeterminação dos textos da série Harry Potter são um fator de impulsão da participação de seu leitor, idéia essa que se estabelece através das postulações da Teoria da Recepção, este trabalho busca analisar uma dessas respostas: a escrita desse leitor na internet – as fanfictions. A hipótese que aí se estrutura é de que esses textos, em que se combinam o preenchimento dos vazios pelo receptor e uma nova história por ele criada a partir da série, formariam um híbrido: uma escritura-crítica – o objeto hipotético que então se presume –, já que tanto cria novos segmentos para o texto – linguagem, como também apresenta as relações estabelecidas entre as perspectivas do original, conferindo-lhe um sentido particular – metalinguagem. As proposições deste trabalho apóiam-se nas formulações de Leyla Perrone-Moisés em Texto, crítica, escritura (São Paulo, 2005). |
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| Ler como escritor para ensinar
literatura por BENEDITO ANTUNES Resumo A comunicação aborda o trabalho com o texto literário em sala de aula por meio da prática conjugada da leitura e da escrita. Considerando que o texto literário é fundamentalmente construção, concebe-se o professor – enquanto formador de leitores – como aquele que é capaz de intervir amplamente no processo de comunicação literária. Para isso, ele deve desprender-se do papel externo que lhe é atribuído pelos métodos tradicionais de ensino e deslocar-se no esquema de interação entre autor e leitor para viver o papel de cada um deles e assim atuar como verdadeiro mediador de leitura. O pressuposto é de que para interagir nesse processo é preciso colocar-se, ao menos enquanto perspectiva, no lugar de um e de outro alternadamente. E a condição para que isso ocorra é o domínio do princípio básico do objeto dessa interação: a construção/desconstrução do texto literário. |
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| A adaptação literária para crianças e
jovens no Brasil e seus adaptadores por Diógenes Buenos Aires de Carvalho Resumo No processo de adaptação literária para crianças e jovens, a tarefa de mediar o encontro entre a obra literária e o leitor infanto-juvenil cabe ao adaptador, cuja função enquanto mediador é propiciar o cruzamento dos horizontes de expectativas, na acepção de Jauss, desses dois elementos do sistema literário. Com sua presença, na verdade, se estabelece uma reorganização desse sistema, constituído, inicialmente, por autor, obra, leitor, para um novo formato ou desenho formado por autor, obra, leitor/adaptador, obra adaptada, leitor infanto-juvenil, objetivando, posteriormente, retornar à organização primeira do sistema literário: autor, obra, leitor. Em vista disso, o presente trabalho, a partir de um recorte da pesquisa A adaptação literária para crianças e jovens: Robinson Crusoe no Brasil, apresenta e analisa algumas características do responsável por esse processo, configurando, assim, os perfis dos adaptadores literários para a criança e o jovem brasileiro, os quais se alteram por diversas circunstâncias históricas e econômicas. |
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| A recepção do programa Mundo da
Leitura na TV por Fabiane Verardi Burlamaque Resumo O programa televisivo Mundo da Leitura na TV surgiu como um desdobramento da movimentação literária e cultural promovida há vinte e sete anos na Universidade de Passo Fundo, através das Jornadas Nacionais de Literatura. É dentro desse contexto que se deu a estréia, em meados de 2003, simultaneamente na UPFTV, em canal por assinatura, e na TVE-RS, em canal aberto, do programa educativo infantil Mundo da Leitura na TV, que é voltado para o público infantil, tendo como objetivo incentivar leitores em múltiplas linguagens, através de contação de histórias, brincadeiras, poesias e dicas culturais como algumas das atrações. Em 2005, passou a integrar a grade nacional do Canal Futura em todo o Brasil, sendo o programa com o maior número de e-mails e cartas recebidas pelo canal, se consolidando como um dos programas de maior audiência. O trabalho analisa os e-mails recebidos no segundo semestre de 2007 com o intuito de apresentar a recepção do programa assim como a interação do público com o programa. Co-autor: PAULO RICARDO BECKER (UPF) |
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| Leitura e Ensino de Literatura
por Francilda Araújo Inácio Resumo Este trabalho objetiva lançar luz sobre o tema Literatura na escola, partindo de reflexões acerca de propostas teórico-metodológicas relativas à relação Leitura-Literatura-Ensino, uma relação que, nas últimas décadas, tem suscitado uma produção científica considerável. A pesquisa bibliográfica acerca da temática serviu de suporte metodológico para a efetivação desse trabalho, cuja fundamentação teórica reside principalmente nas produções acadêmicas de pesquisadores especializados nas áreas de Leitura e Ensino de Literatura. Co-autor: GIRLENE MARQUES FORMIGA |
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| ENSINO DE LITERATURA E VESTIBULAR:Que
leitor espera a Universidade Estadual de Maringá e o que recebe?
por Juliana Menezes Resumo Nesta comunicação, com o objetivo de compreender que leitor espera a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e que leitor essa instituição recebe, relatamos resultados parciais da investigação que focalizou as questões sobre literatura do Exame Vestibular da UEM. Com o intuito de analisar se havia coerência entre as expectativas de professores universitários, elaboradores das questões, e as de professores e alunos do Ensino Médio e de Cursos Pré-Vestibulares, confrontamos tais expectativas com o conhecimento literário exigido nas provas dos Concursos Vestibulares de 2004, 2005 e 2006. A investigação orientou-se por duas perspectivas, uma denominada oficial, outra, prática. A oficial procurou levantar a visão de ensino de literatura e de leitura do texto literário propugnada pela universidade, pelo Núcleo Regional de Ensino e pelos PCNs; a prática analisou, por meio da aplicação de questionários e entrevistas, a visão de alunos e professores do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas de Maringá. Os resultados de nossa investigação apontam para um modelo de prova de vestibular que atende ao modelo de leitor gestado pelo Ensino Médio e abrem espaço para novas pesquisas que respondam à necessidade de refletir e apontar concretamente sobre a possibilidade de modelos de provas que considerem outras leituras e que valorizem, efetivamente, a leitura do texto literário. |
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| Literatura juvenil: em busca de uma
especificidade por Larissa Cruvinel ResumoJaqueline Held, em seu livro Connaître et choisir les livres pour enfants publicado em 1985, já questiona se de fato existe uma Literatura juvenil. Há uma fronteira entre o que seria a literatura destinada a um público mais amplo e a literatura produzida para jovens leitores? Seria muito simples resolver a questão considerando que tudo é uma só literatura. Existiria somente literatura de qualidade e pronto. Mas o que é literatura de qualidade? A produção literária para jovens é lançada no mercado visando a um leitor específico. Mas será que somente o destinatário pode determinar as tendências da Literatura Juvenil? A questão de escrever para um leitor adolescente é mesmo relevante para todos os escritores? Por outro lado, é possível, ao escrever um livro juvenil, abstrair a questão do mercado, das vendas, da necessidade de atrair o adolescente para o livro? Neste trabalho, buscaremos discutir essas questões partindo do ponto de vista de alguns pesquisadores como Sandra Beckett, Josée Lartet-Geffard e Daniel Delbrassine. Co-autor: Profa. Dra. MARIA ZAÍRA TURCHI (UFG) |
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| A PRESENÇA DA LITERATURA BRASILEIRA
EM CONTEXTOS DE INCLUSÃO SOCIAL por Maria Teresa Gonçalves Pereira Resumo A literatura brasileira pode servir como instrumento de inclusão social. Nosso corpus é o ensino de língua materna referido à Educação de Jovens e Adultos e ao vestibular. Na EJA, a literatura brasileira aproxima os alunos da sua terra e do seu povo, dos seus problemas, dos seus conflitos e das suas potencialidades. Ao se apropriarem de textos em poesia e prosa, incluem-se na sociedade, como sujeitos de ações transformadoras, resgatando a auto-estima. É fundamental também que reflitam no passado e no futuro por meio de escritores que constroem a história das letras no Brasil. Por outro lado, a literatura no contexto do vestibular também é fator de inserção social. Ao deslocar a apreensão do campo literário de meros estilos de época para a compreensão da literatura em seu contexto de produção, exige da sociedade uma formação crítica para a leitura, possibilitando ao egresso do ensino médio a imersão em uma cultura que lhe diz respeito e faz parte de sua história e identidade. O vestibular, levando o estudante a refletir sobre o texto literário em seu contexto e inserindo-o na sociedade, o considera como ator social nas dimensões política e cultural. Co-autor: Prof. Dr. MARCOS ROGÉRIO RIBEIRO PONCIANO (UERJ) |
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| Tendências atuais da literatura
infantil brasileira por Maria Zaira Turchi Resumo O que mudou na literatura infanto-juvenil dos anos 1970 até hoje? Que tendências se consolidaram? Quais caíram por terra, desapareceram, ou ficaram esquecidas? Quais estão sendo revitalizadas na contemporaneidade? Historicamente, 30 anos pode não ser tempo suficiente para diagnosticar e precisar as transformações desse período, mas é possível demarcar as trajetórias e numa perspectiva da crítica literária estabelecer as tendências da literatura infantil e juvenil produzida no Brasil. A literatura infantil, no cenário atual, manifesta-se em obras que promovem o cruzamento de várias linguagens, vários gêneros textuais, vários códigos. Essa multiplicidade de dimensões artísticas presentes na obra literária para crianças, se por um lado representa a sua especificidade estética e a qualifica, por outro, muitas vezes, tem resultado em produtos com alta qualidade editorial e gráfica, nos quais o texto verbal é negligenciado. Na era do virtual e da imagem é no apelo visual que o mercado editorial aposta. E qual o efeito dessa profusão de imagens visuais no leitor? O objetivo desta comunicação é refletir sobre as questões postas. |
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| TRANSSIGNIFICAÇÕES HÍBRIDAS E TEORIAS
DA RECEPÇÃO por Paula Mastroberti Resumo Esse trabalho é derivado de anotações referentes aos estudos realizados para a dissertação de mestrado defendida em 2008 pela autora, que tem por objeto de reflexão o livro ilustrado como suporte híbrido estético-comunicativo. A reflexão que aqui se apresenta trata das interferências e implicações da protoleitura (nesse caso, aspectos gráfico-visuais e tradutivos) na recepção do texto literário ao longo do seu percurso editorial, a partir da análise das edições publicadas no Brasil do texto integral Peter Pan e Wendy, de James Matthew Barrie. |
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| INTERTEXTUALIDADE E PROTAGONISMO
FEMININO: exemplos na literatura infantil por Renata Junqueira de Souza Resumo Como fenômeno essencialmente humano, a literatura pode ser tão complexa como a própria condição humana. Ao solicitar do leitor um posicionamento frente a uma dada realidade literariamente representada, a literatura provoca o diálogo e amplia o imaginário. Coelho (2000) afirma que o conjunto da literatura infantil contemporânea é marcado por algumas tendências que demonstram um novo posicionamento frente ao leitor infantil consoante com as transformações do mundo em que vivemos. Uma das tendências que mais diretamente nos interessa para este trabalho é a reinvenção dos mitos, lendas ou narrativas maravilhosas. Esses novos textos exploram, em muitos casos, o humor como forma de crítica à realidade. Privilegiando a produção literária infantil editada no Brasil (incluídas as traduções de outros idiomas), entre os anos de 1970-2007, selecionamos e analisamos algumas obras protagonizadas pela personagem “princesa”, classificando as formas como esta personagem é caracterizada na narrativa. Nosso objetivo é perceber como um modelo contemporâneo de representação do feminino (o da princesa nos textos para crianças) se aproxima ou se distancia do seu modelo consagrado (tradicionalmente, uma figura valorizada pela beleza e pela bondade, que participa de uma efabulação cujo fim último é o de promover o “final feliz” assegurado pelo casamento). Além disso, propomos a análise das relações existentes entre os elementos da narratividade (espaço, tempo, narrador, personagens secundários, etc.), verificando como eles se articulam nestas narrativas criando uma escrita intertextual que dialoga com os textos tradicionais da literatura infantil, propondo modelos renovados de crítica da sociedade em que estão inseridos. Co-autor: CAROLINE C. SILVA DOS SANTOS |
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| Pontuação:Chave de Leitura do Texto
Literário por Tania Maria Nunes de Lima Camara Resumo A necessidade de eternizar a expressão fez o homem, desde os primórdios, recorrer a arranjos de objetos simbólicos ou a sinais materiais, no intuito de não deixar perder dados de uma história. Daí o valor da escrita, que, além de guardar a palavra, materializa o pensando, revelando valores, visões de mundo, sentimentos, que, até um momento anterior, se mantinham em estado de possibilidade; em condição de imanência ou de manifestação apenas oral. Com relação a esses sinais materiais, questões ligadas à pontuação têm-nos despertado interesse e curiosidade há algum tempo. Vários têm sido os momentos em que, como docente ou como leitora, vimos percebendo a necessidade de desenvolver um olhar mais cuidadoso e aplicado ao emprego dos diferentes sinais gráficos, especialmente no texto literário, em que o efeito estético surge como dado prioritário na construção escrita. Seja, por exemplo, no transbordamento emocional dos românticos, na ironia machadiana, no fluxo de consciência de Clarice Lispector, na oralidade de Lygia Bojunga Nunes, entre outros igualmente relevantes. Entendida aqui como chave de leitura, a funcionalidade e a criatividade no uso da pontuação não devem ser desconsideradas, dada a importância que assumem na produção de sentido. Buscamos, assim, levantar aspectos rítmicos, sintáticos, semânticos e estilísticos como fatores determinantes dos referidos empregos, marcas enunciativas de extrema relevância na tessitura da produção artística. |
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| Monteiro Lobato entre práticas e
representações. por Thaís de Mattos Albieri Resumo Monteiro Lobato (1882-1948) estabeleceu relações literárias e culturais com intelectuais argentinos contemporâneos a ele, o que resultou – efetivamente – publicações de artigos e livros de argentinos e de Lobato, respectivamente, no Brasil na Argentina. No que concerne especificamente aos artigos, as revistas literárias e os jornais portenhos foram os grandes suportes que veicularam artigos de Monteiro Lobato; o mesmo procedimento foi feito aqui por parte do escritor, que adquirira a Revista do Brasil em 1918. Diante destas trocas, questões de literatura, leitura e cultura permearam estes artigos. Além disso, as cartas enviadas e recebidas por Lobato de escritores, editores e tradutores do país vizinho entre 1918 e 1922 auxiliam a compreender de que procedimentos o brasileiro e os argentinos se valeram para que a circulação da literatura produzida em seus países ganhasse visibilidade na região vizinha. É neste contexto que a noção de sistema literário colabora para a análise do intercâmbio literário-cultural promovido por Monteiro Lobato nas páginas de sua revista e por seus pares argentinos nos periódicos portenhos na primeira metade do século XX. |
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| UMA EXPERIÊNCIA LIBERTADORA
por Vera Teixeira de Aguiar Resumo Os frutos de uma experiência de leitura de poesia com jovens encarcerados é o objeto deste estudo, a partir do projeto “Poesia e criatividade”, realizado nas dependências do Centro de Atendimento Socioeducativo do Instituto Central de Menores Rio Grande do Sul, em sessões individuais com adolescentes ali reclusos. Os participantes tiveram oportunidade de ler poesias, comentá-las, externar seus sentimentos e expressá-los, criando poemas, desenhos, montagens. Tal experiência continua a acontecer, agora em novos setores, de acordo com a reorganização da assistência ao jovem no Estado. Os poemas foram criados entre 1988 e 2003 e selecionados para compor uma antologia, por representarem de modo significativo o universo imaginário do jovens, suas emoções diante do texto poético e suas descobertas das possibilidades expressivas da língua. Ao verem retratadas nos versos lidos as vivências humanas mais profundas e com elas se identificarem, esses jovens, antes de mais nada, conhecem-se a si mesmos, percebendo sua capacidade de experimentar sentimentos que pareciam mortos. Seus poemas nos mostram que o caminho de volta à sociedade sempre é possível, se dermos a esses jovens a chance de se descobrirem capazes de amar e construir um mundo melhor. |
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| NOVOS NARRADORES NO PANORAMA DA
LITERATURA BRASILEIRA PARA JOVENS por ALICE AUREA PENTEADO MARTHA Resumo Este texto propõe, a partir da leitura de narrativas que compõem o panorama mais recente da produção literária para jovens no Brasil, observar como os modos de narrar traduzem a inserção da literatura juvenil no quadro histórico-estético da cultura nacional, com o objetivo de apontar as frentes abertas pelo mercado editorial para a leitura de seu público-alvo, tanto jovens leitores como pesquisadores, pais e professores. O corpus do trabalho compõe-se, em razão do grande número e da diversidade relativa ao gênero das publicações, de narrativas publicadas nos últimos três anos e de alguma forma premiadas por instituições como Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e Câmara Brasileira do Livro (CBL-Prêmio Jabuti) a diversas categorias da produção literária nacional. Serão consideradas para a análise as narrativas Lis no peito, de Jorge Miguel Marinho (Prêmio FNLIJ/ 2005 e Jabuti/ 2006), O rapaz que não era de Liverpool, de Caio Ritter (Prêmio FNLIJ/ 2006) e Adeus contos de fadas, de Leonardo Brasiliense (Prêmio Jabuti/ 2007). |
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| A ORALIDADE COMO GESTO NARRATIVO
por JULIANA SILVA LOYOLA Resumo Este trabalho tem como ponto de partida a consideração do espaço oral representado no texto, por meio de diferentes recursos composicionais, e cuja leitura pode revelar estratégias autorais hoje muito presentes na produção literária brasileira, especialmente a dedicada às crianças. Entende a escritura literária como uma forma de registro de matizes da voz e tem como objetivo demonstrar a representação da oralidade em três versões do conto “Bicho folharal” assinadas, respectivamente, por Silvio Romero, Câmara Cascudo e Ângela Lago. Procura evidenciar os recursos composicionais de que se valem os autores para inscrever a oralidade nos textos, com destaque para as estratégias contemporâneas de que a artista Ângela Lago é significativa representante - múltiplos códigos para compor o objeto artístico, conjunção de elementos que vão do verbal (discursivo) ao visual, passando pelas marcas de performatização com que se vai construindo o produto: livro/objeto, sua própria forma como elemento composicional. O trabalho busca focalizar a oralidade como gesto narrativo que resgata e preserva uma origem, ao mesmo tempo em que simula a experiência do contato direto entre quem fala/escreve e quem ouve/lê. A experiência da leitura como atualização de uma vivência em ato, aproximação entre leitor e obra. |
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