| LITERATURA: DESAFIOS EPISTEMOLÓGICOS, ÉTICOS E ESTÉTICOS |
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Coordenadores Profa. Dra. Rejane Pivetta de Oliveira (UniRitter) Profa. Dra. Cláudia Luíza Caimi (UNIJUÍ) Profa. Dra. Márcia Ivana de Lima e Silva (UFRGS) |
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Resumo: O simpósio Literatura: Desafios Epistemológicos,
Éticos e Estéticos propõe-se a discutir a relação entre literatura e conhecimento,
sob dois pontos de vista: de um lado, a cognição estética engendrada pela
obra literária, em contraponto ao modelo científico e seus princípios de
instituição da verdade; de outro, os estudos literários, refletindo sobre
o alcance e os limites das teorias e dos métodos que os sustentam. Tais
perspectivas de análise levam em conta a necessidade de questionamento dos
paradigmas de produção do conhecimento, enfatizando a contribuição da literatura
para a renovação das formas de compreensão da realidade, sobretudo no contexto
de padronização e hegemonia do pensamento, próprio de nossa época, muitas
vezes mantido sob a alegação da diversidade e do respeito às diferenças.
A partir do objetivo principal de pensar a literatura como campo de produção
de conhecimento, localizando seus sentidos na contemporaneidade, o simpósio
agrega temas diversos, tais como: criação literária e conhecimento, pensamento
e imagem na construção literária; literatura e pensamento cultural contemporâneo,
dimensões éticas e estéticas do conhecimento literário; literatura e saberes
inter/transdisciplinares; literatura e epistemologia; conhecimento literário
e realidade social; teoria literária e conhecimento multicultural; práticas
e inovações metodológicas nos estudos literários, entre outros que se mostrarem
produtivos ao foco proposto. " Subtema: Literatura e outros saberes |

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| A abertura e a indeterminação dos sentidos da obra literária como possibilidades de revolução nas concepções de mundo do leitor
por Antonio Barros de Brito Junior Resumo Nesta comunicação, pretendemos evidenciar o modo pelo qual a obra literária pode engendrar uma concepção de mundo revolucionária. Para isso, lançaremos mão de uma abordagem semiótica, a fim de dar conta da natureza da obra literária e de sua relação com o código que lhe serve de base. Buscaremos, então, apresentar uma definição de obra literária como obra aberta, seguindo as indicações presentes na obra de Umberto Eco e trazendo a colaboração das teorias do formalismo russo e da Estética da Formatividade. Nesse sentido, trata-se de mostrar como a organização dos procedimentos de composição, quando visa à abertura dos sentidos, afasta-se da naturalização da linguagem, na medida em que desafia as regularidades semântico-pragmáticas do discurso cotidiano. Em seguida, tentaremos demonstrar como essa "desnaturalização", que promove a indeterminação de sentidos, pode, em função disso, estabelecer uma relação de conflito com o código. Por fim, concluiremos com alguns apontamentos para uma definição de vanguarda como poética que tende à máxima abertura e indeterminação dos sentidos e, conseqüentemente, como uma poética que, por conta da sua negação dos hábitos semióticos, promove consecutivas modificações e, portanto, eventuais revoluções nas visões de mundo que o código oferece de antemão. |
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| BERNARDO CARVALHO: A ABSOLUTIZAÇÃO DA INCERTEZA
por Beny Ribeiro dos Santos Resumo A comunicação tem por objetivo investigar os novos parâmetros de pensamento na literatura brasileira contemporânea. Para reconhecer o campo de definição dos novos modelos de consciência, a comunicação retoma a crise das grandes narrativas ocorrida na segunda metade do século XX. A desconfiança do critério de verdade em que se fundamenta a definição da realidade torna possível o desenvolvimento de perspectivas diferentes e divergentes sobre a natureza da experiência humana. Bernardo Carvalho, em Nove noites, se defronta com o problema de definir algo em si indeterminado, quando busca reconstituir a realidade contemporânea através de uma perspectiva determinada. É nesse domínio, onde se configura uma realidade de sentido oscilante, que a narrativa de Bernardo Carvalho tenta dar uma resposta ao problema do ficcional e da verdade na contemporaneidade. |
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| As histórias de Mia Couto: "ruínas" de um passado colonial
por Branca Cabeda Egger Moellwald Resumo Em um diálogo com a filosofia da história de Walter Benjamin, este trabalho propõe-se a ler as “estórias” pós-coloniais do escritor moçambicano Mia Couto, em Terra sonâmbula, como uma possibilidade de “redimir” – “redenção”, no sentido profano que lhe atribui Benjamin –, pelo fingimento poético, o sofrimento dos que ficaram à margem da história colonial, os que carregaram os despojos, as “ruínas”, da marcha civilizatória da modernidade ocidental”. Ficção que se constitui como a escrita das muitas histórias, aqueles “pequenos acontecimentos” – afinal, “nada do que um dia aconteceu pode ser perdido para a história” como nos adverte Benjamin – invisibilizados pelo continuum da historiografia “oficial”. Como mostrou Benjamin, é na alegoria, nos restos, e não na totalidade salvadora que as estórias pós-coloniais de Couto podem ser escritas. Narração que transforma a fragmentação do “vivido” (Erlebnis) em uma nova “experiência” (Erfahrung) com esse passado. Um tempo que não é transição, mas um momento do despertar, que explode, na iluminação súbita de uma “imagem dialética”, a continuidade reificada desse tempo homogêneo. |
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| Teoria epistemológica na obra das "Passagens", de Walter Benjamin: o princípio da montagem literária de “imagens dialéticas” como uma possível marca do estilo.
por Davidson de Oliveira Diniz Resumo A proposta da presente comunicação é discutir o vínculo entre o método de análise histórica e a narrativa das Passagens, de Walter Benjamin, apresentando como o estilo nesta obra decorre de uma teoria epistemológica enquanto marca autoral. Da obra das Passagens tomaremos o fichário “N - Teoria do Conhecimento, Teoria do Progresso”, este à luz da montagem literária enquanto base para a cristalização da epistemologia benjaminiana. Assim, procuraremos assimilar a busca de Benjamin por uma narratividade poética do histórico, através da qual o autor pretendia exprimir não somente o objeto de sua problematização histórica, mas também a forma literária mediante a qual essa problematização tomaria expressividade metodológica. Intentar-se-á pontuar, com isso, qual o possível vínculo entre o método historiográfico da narrativa benjaminiana e a concepção de estilo, ambos inscritos na obra em questão por meio da montagem literária de imagens dialéticas. Acresce-se que tais aspectos permitirão considerar o vínculo entre a técnica da montagem e a estruturação da temporalidade, configurando, portanto, a noção de estilo em tal escrita, e ressaltando, por fim, estruturação narrativa e domínio escritural sobrescritos na obra das Passagens, dimensões estas onde se manifesta a teoria epistemológica benjaminiana. |
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| Em "trânsito": incursões pela crítica de Josefina Ludmer
por Débora Cota Resumo Propõe-se apresentar analiticamente os procedimentos de leitura do literário postos em prática pela crítica argentina Josefina Ludmer. Suas últimas publicações O gênero gauchesco: um tratado sobre a pátria e O corpo do delito: um manual, além de seus artigos críticos, apontam para um estudo da literatura sob o viés culturalista que põe em “trânsito” vários saberes. Além disso, são utilizadas estratégias metodológicas inovadoras, entre elas, uma estrutura rizomática de montagem do discurso crítico e a quebra, neste mesmo discurso, de gêneros textuais e/ou literários (tratado, manual, nota de rodapé, conto ....). Tais procedimentos demonstram a inserção da produção crítica de Josefina Ludmer nas discussões teóricas do presente em torno da não-interpretação e da pós-autonomia da literatura. |
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| Relendo o animal, da metáfora domesticada à alteridade radical
por Fábio Prikladnicki Resumo Bobby é o nome do cão que costumava saudar Emmanuel Lévinas e seus companheiros em um campo de prisioneiros judeus na Alemanha nazista. “Para ele (...) nós éramos homens”, escreveu o filósofo em “Nom d’un chien ou le droit naturel”, ensaio de coloração literária que se apresenta aqui como um texto-chave ao sugerir que o cão não seja lido como simples metáfora – ele seria, literalmente, um cão. Ler o animal enquanto animal: será isso possível? A presente comunicação argumentará em favor de uma noção de figuratividade que possibilite uma leitura a contrapelo do animal na literatura a partir de uma revisão do papel da metáfora na construção dos limites entre o homem e o animal. Suplementada pela formulação de Jacques Derrida sobre o animal como alteridade radical, a noção aqui reivindicada solicita que o tropo seja decifrado responsavelmente, reinscrevendo o imperativo ético. A questão vai ao encontro das mais urgentes reflexões no campo da literatura comparada quanto à releitura do conceito de humano. Nesse sentido, a cena de Bobby é representativa: sua animalidade restitui a humanidade dos prisioneiros não porque eles enxergam nos olhos do cão o seu outro, mas porque o animal sinaliza uma abertura para uma alteridade irredutível. |
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| Ego-escritos: possíveis alternativas discursivas de produção teórica
por Flávia Leiroz Resumo O trabalho pretende debater a pesquisa sobre escritos contemporâneos de intelectuais que narram suas trajetórias profissionais tentando encontrar molduras teóricas que se localizam, de forma complexa, nos limites entre historiografia autobiográfica e ficção, ensaiadas pelas chamadas ego-histórias. O livro de Pierre Bourdieu "Esboço de auto-análise" (2005) é um roteiro utilizado para discutir a escrita em primeira pessoas do singular como capaz de produzir teoria, propor a construção de uma experiência e, utilizando recursos estéticos e literários, envolver o leitor na discussão sobre memória, ficção, história e subjetividade, informação e produção de conhecimento. A principal base teórica é a ciência da literatura empírica, desenvolvida, principalmente, por Siegfried J. Schmidt, que utiliza tradições científicas, filosóficas e religiosas para desenvolver algo novo em torno de crescentes evidências empíricas sobre a consciência construtiva do observador. Schmidt afirma que o teórico, intelectual ou cientista deve explicitar sua construção teórica, intencional e holística, os critérios de valores utilizados e os objetivos sociopolíticos, definindo seu espaço púplico e tendo a consciência do local de sua fala. Assim, discutir escritas teórico-literárias que reconhecem limites impostos socialmente entre esferas de saber, ciência e experiência, realidade e ficção, coletivo e individual e utilizam esses conhecimento para, mais do que narrar etapas de vida cronológica e afetivamente, construírem uma memória que pretende relatar trajetória intectuais, transforma-se num caminho prazerosos da prática teórica e da reflexão sobre questões como ética (honestidade intelectual é um termo utilizado por Schmidt) e estética. |
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| Literatura e ontologia política, algumas especificidades da leitura literária
por Leonardo Pinto de Almeida Resumo O espaçoliterário é umespaço de experimentação e de produção de singularidades. Umespaçoque possibilita uma experiência desviante emrelação às normas e às regras de nossa sociedade, uma experiência de resistência às repetições de comportamentos e de pensamentos produzidos peladinâmica do mundo contemporâneo, regido pela linguagem de poder. Atualmente, vemos como a normatização de nossa sociedade é resultado de inúmeros dispositivos de poder quenos cercam. Eles enquadram o indivíduomoderno na dinâmicahegemônicareinante. A sociedade, através de sua maquinaria, produz comportamentos mecanizados e repetitivos (os hábitos) e pensamentosrecorrentesque seguem às políticas de massa (as convicções). Muitos dos sofrimentos que assolam o homemmoderno surgem destas repetições. A presente proposta de trabalho tem comoobjetivo trazer à luz uma reflexãoacerca de uma política da subjetividade ligada ao espaço de ressonância aberto pelaexperiêncialiterária. Para tanto, analisaremos a experiência de ler literatura, entendendo-a como uma experiência desviante e umfoco de resistência às repetições dos hábitos e das convicçõessociais, comportamentais, mentais e culturais, impostas pela dinâmica da sociedade contemporânea que tentam normatizar a experiência, calando o espaço de ressonância aberto pela literatura. |
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| Criação, dramaturgia, saberes
por Mara Lúcia Barbosa da Silva Resumo Qual é o papel ocupado pela literatura teatral na disseminação de saberes? Essa é uma preocupação do dramaturgo? Nas histórias literárias brasileiras, os textos de teatro estão colocados em uma seção à parte dos demais, para não dizer à margem. Isso se deve, de modo geral, a peculiaridade de sua natureza, já que eles são urdidos para adquirirem vida própria fora das páginas impressas, única forma de se realizarem de fato. Acreditamos que atráves do estudo da criação de um texto teatral, por meio dos estudos genéticos, possamos delinear uma possível resposta a essas questões. |
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| A Literatura e os Campos: pode-se falar de uma literatura "dos" Campos?
por Marie-Hélène Paret Passos Resumo Por quê e como a criação literária pode dizer, explicar, relatar a realidade histórica? Como o recurso à ficção torna-se uma passagem incoercível para a transmissão da verdade, da História? De uma realidade a priori impossível? Uma realidade que, ultrapassando a verossimilhança ficcional, precisa desta para dar-se a conhecer. Robert Antelme, Primo Lévi, Jean Améry, com o imperativo da necessidade, testemunham e escrevem suas experiências extremas assim que são libertados dos campos de concentração alemães. Imré Kertész e Jorge Semprun esperam longos anos antes de darem a ler suas experiências extremas, não sob forma testemunhal, mas pelo viés da ficção. Tentaremos analisar, e procuraremos nomear, a literatura que se ocupa do indizível, da transmissão e do resgate da memória da humanidade, do desastre. |
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| Epistemologia e ética do conhecimento nos estudos literários
por Rejane Pivetta de Oliveira Resumo O trabalho propõe a discussão sobre as condições de produção do conhecimento literário, considerando o papel da teoria na problematização dos sentidos engendrados pela investigação científica, particularmente de teses acadêmicas defendidas em Programas de Pós-Graduação em Letras brasileiros. O problema parte da necessidade de refletir sobre as dificuldades de construção de uma teoria crítica, diante da vigência de um modelo epistemológico cego aos limites e à ignorância de suas formas de produzir saber, fazendo crer na inexistência de significados fora dos parâmetros de compreensão traçados pela teoria. Nesses termos, pretende-se analisar em que medida a teoria é tratada apenas como quadro de ordenação e classificação de dados pré-constituídos ou, de modo crítico e autoreflexivo, apresenta-se como uma forma de repensar os limites de conceitualização da realidade, evitando que os fenômenos caiam na abstração das idéias sem conexão com a vida. Tal proposta de análise tem o objetivo maior de refletir sobre as finalidades éticas do conhecimento literário, que passam pela resistência à reprodução das formas hegemônicas de pensamento, cujos modelos instituem verdades isoladas da relação com a realidade e sua necessária transformação. |
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| Entre o belo e o verdadeiro: Perseguição e Fuga em "Ode sobre uma Urna Grega"
por Sueli Cavendish Resumo A idéia estética dinamiza a mente, ocasionando (Kant) um fluxo de reflexões que jamais é abarcado por um conceito. Ou seja, o entendimento luta por oferecer um conceito determinado a uma intuição estética. Esta sempre escapa, porém, à apreensão cognitiva. Há, do mesmo modo, idéias da razão que permanecem indeterminadas, posto que indemonstráveis por qualquer intuição sensível. No primeiro caso o movimento parte do sensível ao pensamento; no segundo parte do pensamento a uma apresentação na forma de uma intuição sensível. Ao afirmar que o belo é um símbolo do bem moral, Kant atribui ao símbolo a capacidade de dar acesso sensível a algo que é supra-sensível. Dessa forma, a impossibilidade de subsumir a idéia estética sob um conceito simboliza, ou demonstra fenomenologicamente, a incapacidade de se demonstrar o conceito de moral. É por essa via que o belo, para Kant, aponta simbolicamente para o bem. É possível pensar a própria imaginação como uma idéia da razão, transmissível apenas por um símbolo. Considerando que a expressão simbólica da idéia de imaginação foi a busca por excelência da poesia romântica, o objetivo do trabalho aqui submetido é examinar a “Ode sobre uma Urna Grega”, de John Keats, sobre a base das questões mencionadas. |
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| Textualidades artísticas contemporâneas: os processos de representação na articulação entre a literatura, a cultura visual e o hipertexto
por CLÁUDIA LUÍZA CAIMI Resumo Esta pesquisa discute os suportes teóricos em que as textualidades artísticas contemporâneas se instituem, bem como os efeitos de percepção e de sentido que a materialização das mesmas oferece. Busca refletir sobre como hoje se produz sentido e compreender as mudanças que a percepção humana e a atividade cognitiva sofrem diante das estruturas de pensamento e das textualidades que emergem da cultura midiática. Recorremos ao pensamento de Walter Benjamin que faz uma aproximação do discurso poético com o conhecimento ao propor que os conceitos mediam as idéias e os fenômenos, emergindo o pensamento por imagens. Deparamo-nos, a partir do pensamento de Benjamim, com um modo de produzir percepção e conhecimento que acolhe os elementos e as estruturas psíquicas que compõem a imagem e que se coaduna com as novas experiências de cognição, conhecimento, comunicação e criação artística do homem contemporâneo. A imagem oferece uma experiência de evidência que dá acesso ao que não pode se fazer presente, ao transitório, assim como o conhecimento racional, mas faz isso com a sofisticação de não degenerar a ambigüidade, a pluralidade, a complexidade, a revelação possível do ser humano em suas possíveis alteridades. |
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| IDENTIDADE POÉTICA FORA DO ÂMBITO SUBJETIVISTA DO HUMANISMO
por Diego Braga Resumo O sujeito do conhecimento, surgido no advento do pensamento filosófico moderno, é o fundamento de todas as teorias estéticas e crítico-históricas, bem como da tradição humanista. Contudo, o desenvolvimento de uma tal tradição só se possibilita devido a uma decisão histórica ocorrida no início da metafísica ocidental, quando buscou-se um fundamento para verdade. Ao longo de tal desdobramento da metafísica, a tradição humanista foi objeto de diversas releituras, de modo que, atualmente, é considerada um conjunto ideológico de valores dominantes. Assim, no atual âmbito dos estudos literários, busca-se ou um fundamento não-humanista, ou uma possibilidade de conferir novo sentido ao que se entende por humanismo. Em nossa investigação, refletiremos sobre a possibilidade de desenvolvimento de tal proposta, na tentativa de demonstrar como qualquer renovação ou crítica do humanismo, que realmente represente um novo sentido, não é possível sem que se ponha o conceito fundamental de subjetividade em questão. |
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| O Imaginário da Criação Literária
por Márcia Ivana de Lima e Silva Resumo Falar sobre criação literária implica pensar em, no mínimo, dois sentidos de Imaginário: o do público em relação ao escritor e aquele do escritor sobre seu próprio ato criativo. A partir de um breve percurso histórico, discutirei esses dois pólos, tomando como base os conceitos tanto de filósofos e de teóricos como dos próprios escritores. As teses sobre o conceito de Imaginário de Durand e de Bachelard nortearão este trabalho, bem como os ensaios de Edgar Allan Poe, Ítalo Calvino, Milan Kundera e Ricardo Piglia. |
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