LETRAS DA METRÓPOLE - A LITERATURA E AS REPRESENTAÇÕES SÓCIO-ESPACIAIS DA CIDADE


Coordenadores
Prof. Dr. Carlos Alexandre de Carvalho Moreno (UERJ)
Prof. Dr. Sérgio Arruda de Moura (UENF)
Resumo: A ficção desenvolve o "espaço" como categoria fundamental da ação, ao lado de outras como "tempo" e "pessoa". Nesse espaço os interesses transitam. As tramas são operadas espacialmente em função de uma ação preconcebida e agenciada por "personas" que se movem. Não ocasionalmente esses espaços são apenas fictícios, mas se decalcam no real percebido de uma cidade. O Rio de Janeiro de Machado de Assis é, em alguns de seus romances e crônicas, o Rio de Janeiro histórico, agindo na consciência do leitor como um espaço com sua própria trama e suas próprias referências, compondo um quadro de enunciação bastante produtivo. O mundo ficcional mescla-se, então, com o espaço geográfico como se quisesse reivindicar um estatuto único de realidade para a ficção e para a vida. Estas marcas de "autenticidade" da ficção pela via da localização espacial da cidade também se estabelecem no Rio de Janeiro pelas letras de Lima Barreto e João do Rio bem como pelas letras de outros tanto clássicos quanto contemporâneos. No trabalho ficcional, o local aparece como representação advinda da percepção do escritor de forma produtiva e sensivelmente captada. Nossa proposta se define ao concebermos a cidade como uma síntese de um quadro geral de lugares de enunciação, noção desenvolvida no grupo de pesquisa CAC - Comunicação, Arte e Cidade (CNPq). Quando um autor decide nomear um espaço objetivo quer com isso trazer para um espaço de criação tanto as idiossincrasias espaciais específicas do lugar quanto as marcas pessoais do tipo característico de quem por lá transita. O enunciado ganha assim marcas precisas da enunciação espacial: a cidade. "

Subtema: Literatura e outros saberes

AS REPRESENTAÇÕES SÓCIO-ESPACIAIS DA CIDADE EM LIMA BARRETO
por Alice Atsuko Matsuda Pauli

Resumo
“O espaço constitui uma das mais importantes categorias da narrativa, não só pelas articulações funcionais que estabelece com as categorias restantes, mas também pelas incidências semânticas que o caracterizam. Entendido como domínio específico da história, o espaço integra, em primeira instância, os componentes físicos que servem de cenário ao desenrolar da ação e à movimentação das personagens: cenários geográficos, interiores, decorações, objetos etc.; em segunda estância, o conceito de espaço pode ser entendido em sentido translato, abarcando então tanto as atmosferas sociais (espaço social) como até as psicológicas (espaço psicológico)” (REIS & LOPES, 1988, p.204). O presente trabalho objetiva verificar as representações sócio-espaciais da cidade do Rio de Janeiro nos romances Recordações do Escrivão Isaías Caminha e Clara dos Anjos, de Lima Barreto. O espaço social, segundo Lefebvre, é a materialização da existência humana, compreendido como uma dimensão da realidade.

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O DUELO DE BORGES OU A GUERRA DOS PINCÉIS
por Camila Marcelina Pasqual

Resumo
O artigo tem por objetivo discutir a presença do regional e do universal na obra do escritor argentino Jorge Luis Borges. Tendo como fonte de pesquisa a obra O Informe de Brodie. Escolheu-se, para análise, o conto O Duelo, o qual descreve um confronto entre duas personagens femininas que travam uma luta de bastidores na tentativa de humilhar e derrotar a adversária. Verifica-se, neste conto de Borges, a mudança do fator espaço-temporal do meio rural argentino para o ambiente da Buenos Aires urbana. O artigo confirma, neste conto, uma transfiguração do caráter nacional argentino para um universo marcadamente cosmopolita.

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Rasuras do texto – imagens e representações do urbano
por Carlos Augusto Magalhães

Resumo
Na contemporaneidade, o espaço-metrópole que coloca em jogo menos o tempo que o espaço, construindo o agora-cidade, continua sendo fulcro das representações literárias, mas agora as abordagens se voltam para uma urbe desprovida de aura e de encantamento. A inconsistência do cotidiano urbano substitui a certeza positivista da opção pelos grandes centros. O presente desenraizado nega a expectativa de futuro e o dia a dia violento torna a cidade refém de si mesma. Nesta direção, floresce no Brasil uma literatura corrosiva, que, ao se empenhar em realizar as representações destas contingências, não poderia se mostrar senão obliterada, borrada, obstruída, enodoada; enfim, trata-se de uma produção desnudada em que se percebem as rasuras do texto. Entre outros, um contista ocupa posição ímpar, ao focalizar o homem médio, às vezes de modo melancólico, com humor e ironia sempre – Jair Ferreira do Santos, autor da coletânea Cybersenzala (2006).

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Masculinidades de Interbellum no carioquismo de Marques Rebelo
por Carlos Alexandre de Carvalho Moreno

Resumo
A leitura da caracterização de personagens masculinos no romance Marafa, de Marques Rebelo, publicado na década de 1930, será realizada como um esforço de compreensão, pela análise do exemplo literário, da construção social de masculinidades no período que se estende do fim da primeira guerra mundial, em 1918, até o início da segunda guerra mundial, em 1939, também conhecido como Interbellum. O período foi marcado pela ascensão de regimes como o nazismo na Alemanha e o fascismo na Itália. No Brasil, surgiu na época um movimento de inspirações semelhantes, o integralismo. Os fascistas de então buscavam transformar o homem comum no “homem novo”, um ser fisicamente forte e moralmente rígido, obstinado e vigoroso. O propósito da comunicação é, portanto, considerar o “homem carioca” de Rebelo em relação ao modelo de masculidade fascista num período em que o Rio de Janeiro se consolidava como metrópole. Para a leitura, serão empregados conceitos e métodos oriundos da teoria literária, da sociologia da cultura e de comunicação.

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O Rio de Janeiro em uma trilogia de Lúcio Cardoso
por Cássia dos Santos

Resumo
Mais conhecido como o criador da Crônica da casa assassinada e de vários outros livros cuja ação transcorre na província, Lúcio Cardoso concebeu um ciclo de novelas totalmente ambientado no Rio de Janeiro. Composto por Inácio (1944), por O enfeitiçado, datada de 1947, mas editada somente em 1954, e pela inconclusa Baltazar, inédita até 2002, o ciclo — uma trilogia — recebeu o título de O mundo sem Deus. O escritor escolheu para seus personagens os seres que compunham o submundo da grande cidade: malandros, golpistas, jogadores de cartas, prostitutas, cartomantes, vendedores e consumidores de tóxicos, que circulavam pelas ruas, pensões, bares e antros da Lapa, do Catete, do Méier, pelo Passeio Público e pelas proximidades do cais do porto na Gamboa. O Rio de Janeiro que emerge das páginas dessas novelas pode surpreender aqueles que guardam de Lúcio Cardoso a imagem de um autor visceralmente "mineiro", cuja atenção privilegiou quase sempre os vilarejos de seu estado e do interior fluminense. Uma leitura cuidadosa e que considere o texto elaborado por ele para 10 romancistas falam de seus personagens permite verificar, contudo, que muito do interesse dessas obras resulta justamente da familiaridade do ficcionista com o universo que retrata.

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DRUMMOND E BORGES NOS SUBÚRBIOS DA MODERNIDADE
por Cesar Augusto Garcia Lima

Resumo
A rua é o topos do poeta moderno. Desde Baudelaire, no final do século XIX, é para o espaço urbano que converge o olhar inquieto do poeta, com a cidade tornando-se pretexto para uma poesia do presente e servindo como mote de criação para um “autor-flâneur”. É na “vista aérea parcial” das ruas da Modernidade, empreendida por Carlos Drummond de Andrade e Jorge Luis Borges, que busco elementos comparativos de sua elaboração poética, a partir da experiência do choque teorizada por Walter Benjamin e do ideal estético de Paul Valéry. Os poemas de Drummond analisados são “Rua desconhecida” (Alguma poesia, 1930), “Revelação do subúrbio” (Sentimento do mundo, 1940) e “As ruas” (Boitempo, 1968). Da obra de Borges, destaco os poemas “As ruas”, “Rua desconhecida” e “Arrabalde”, de Fervor de Buenos Aires (1923), livro de estréia do autor. Por articularem um diálogo não conformista com a tradição, os poemas de Drummond e Borges em discussão focalizam as ruas da cidade como um lugar ambiguamente familiar e estrangeiro, onde tudo passa pela evocação (a memória) e surpresa (o moderno). É na abordagem do local, sem sucumbir ao nacional, que os autores procuram atingir a universalidade.

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O lugar errado, lugar ficcionado.
por Claudio do Carmo Gonçalves

Resumo
Esta comunicação problematiza o status da representação na condição pós-moderna, a partir de dois de seus elementos mais nítidos: o lugar (espaço identificado e por vezes nomeado) e o sujeito (personagem que se move por este espaço). Partindo das teses de fragmentação e mobilidade identitária, pensa-se em que medida um esvaziamento da representação na contemporaneidade, que já não nos remete visivelmente aos lugares conhecidos, se posta como estratégia política sofisticada. Neste sentido, a ficção literária, que já não representa obviamente, desafia-nos a códigos mais complexos no seu desvandamento. Para tanto, a obra “hotel atlântico” de João Gilberto Noll é um significativo instrumento de compreensão.

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Buenos Aires: o labirinto real e imaginário de Borges
por Denise Ventura Schittine

Resumo
Este trabalho busca estudar as projeções reais e imaginárias da cidade de Buenos Aires realizadas por Jorge Luis Borges em seus textos. Borges costumava dizer que a distância espaço-temporal era conveniente para um relato: "situo quase todos os meus contos em Palermo no fim do século". A explicação para este artifício era que, desta maneira, havia se passado tempo suficiente para que ninguém tivesse idéia exata de como eram os lugares de que falava. Esta Buenos Aires - feita de vigília e de sonho - vai aparecer nos relatos de Borges direta ou indiretamente na representação de cidades, ruas e lugares. A cidade surge de forma concreta em poemas como os livro "Fervor de Buenos Aires", e de forma indireta em contos como, por exemplo, "A biblioteca de Babel", em que a topografia da conhecida Biblioteca Nacional é apenas sugerida. Como espectro ou como real pano de fundo, a cidade de Buenos Aires assombra a obra de Borges. Seu traçado de tabuleiro de xadrez, com ruas e esquinas parecidas, faz dela um grande labirinto, metáfora tantas vezes usada pelo autor. Um labirinto urbano traçado com destreza em sua juventude e guardado na memória em sua maturidade, mas sempre usado como matéria em suas ficções.

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Isaías Caminha e Silvio Astier: trajetos do exílio na cidade
por Keli Cristina Pacheco

Resumo
Reconhecidos pelo caráter autobiográfico, os romances de estréia de Lima Barreto e Roberto Arlt - dos "actores no previstos", que irromperam na cidade letrada, como bem definiu Susana Zanetti - narram a torturada chegada de dois jovens à vida adulta. A cidade do Rio de Janeiro, em transformação, é paisagem do exílio do jovem que do interior chega à capital para estudar. A Buenos Aires, consolidada, é espaço das aventuras do filho de imigrantes que, desde o princípio, através do delito, rechaça o mundo normativo da sociedade urbana. Propomos, deste modo, pensar no exílio de Isaías Caminha e Silvio Astier, quer dizer, se este aparece como passagem, trânsito, ou contingência, para ao final produzir sentido; ou como pura negatividade, “un exílio que seria la constituicíon misma de la existencia", como requer Jean-Luc Nancy, no ensaio "La existencia exilada", de 1996. A partir das reflexões de Maurice Blanchot, Nancy, entre outros, sobre a questão do exílio , e com base num exercício amplo de literatura comparada, pretendemos cotejar Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1911) e El Juguete Rabioso (1926), para enfim tecer uma discussão sobre a formação e a consolidação destes espaços urbanos de exclusão inclusiva no início do século XX.

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Venâncio, o 'flâneur' d' A república dos sonhos, de Nelida Piñon
por Maria Miquelina Barra Rocha

Resumo
O texto d’ A república dos sonhos, de Nélida Piñon apresenta-se como lugar de tensão social na medida em que se presta a mostrar os conflitos sociais na representação das personagens. Momentos elucidativos dessa tensão concentram-se na figura de Venâncio. Venâncio é a personagem que simboliza o indivíduo que não se deixou absorver nem pelo tempo nem pelo espaço. Espectador de um Rio de Janeiro em fase de mudança, de crescimento, quando todos reuniam sua força de trabalho em prol do desenvolvimento da cidade e do próprio enriquecimento, ele a tudo assistia e observava. Mas não participava. Andava à toa pelas ruas, consumindo horas a investigá-las. Insinua-se, assim, nessa personagem, a “dialética da 'flânerie': de um lado, o homem que se sente olhado por tudo e por todos, como um verdadeiro suspeito; de outro, o homem que dificilmente pode ser encontrado: o escondido.” (BENJAMIN, 2006, p.465). A rua começou a ser o abrigo de Venâncio para fugir dos olhares cobradores, abrindo-se em paisagem que se oferecia aos seus olhos sonhadores, e fechando-se em quarto para abrigar seus pensamentos. Assim, “Venâncio percorria os becos da cidade até o esgotamento.” (PIÑON, RS, p. 180)

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Tropa de Elite: literatura,cinema e espaços especiais na cidade do Rio de Janeiro
por Regina Gloria Andrade

Resumo
Neste paper discutimos qual dos dois produtos, livro ou filme permanecerão no imaginário do povo brasileiro. O filme é uma inspiração literária do livro Elite da Tropa (2005) em que propositadamente foram trocados os adjetivos. Para a adaptação literária tem-se que pensar na maneira das transformações ou transposições das palavras para as imagens. Tropa de Elite( 2007) diz mais, revela que há espaços especiais na cidade do Rio de Janeiro de difíceis acesso e de fato impossíveis de serem percebidos a “olho nu”. Durante todo o tempo do filme a ação violenta nos faz esquecer do livro escrito sobre uma cidade tão encantadora como o Rio de Janeiro na qual ele foi baseado. Se um grupo de policiais foi treinado para a ação, como é o caso do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), o filme Tropa de Elite (2007), foi capaz de nos levar ao morro em que estão as Favelas cariocas e onde trabalham estes policiais. Esse acesso da câmera promoveu na sociedade confrontos e embates ideológicos diversificados. Uns chamaram a atenção para o clima de “guerra“ vivido nas favelas e na cidade do Rio de Janeiro, outros destacaram a intrincada rede criminosa que comanda a sociedade, mas todos só foram possíveis porque a câmera pode chegar até lá.

Co-autor: ANDREYA NAVARRO

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A Polêmica do Estruturalismo ou "Quem tem medo de teoria?".
por Regina Lúcia de Faria

Resumo
Nos 70 do século XX, ocorreu no Brasil, sobretudo no eixo Rio de Janeiro e São Paulo, uma polêmica acerca do Estruturalismo que, envolvendo diversos intelectuais e extravasando os departamentos das Escolas de Letras, agitou o meio acadêmico, sobretudo o carioca, e ganhou espaço nos jornais alternativos / semi-especializados ou não. Na época, tal embate intelectual ficou conhecido como ‘polêmica da teoria’ ou ‘polêmica do estruturalismo’”. Tendo como ponto de partida, uma pesquisa feita em jornais, revistas entre os anos de 1974 e 1976, sobretudo os que circulavam no Rio de Janeiro, o presente trabalho pretende recuperar o debate acerca da teoria estruturalista ocorrido entre universidade e imprensa para, a partir daí, observar e mapear os actantes da disputa em que se definiria, pelo menos temporariamente, conforme observação de Flora Süssekind, “quem t[inha] autoridade para falar de literatura”: o crítico-teórico / professor universitário (dos programas de pós-graduação recentemente implantados nas universidades brasileiras) ou o apaixonado por literatura.

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Uma leitura surrealista da cidade.
por Valmir Miranda de Oliveira

Resumo
No início do século XX, os surrealistas, movidos pelo desejo de transformar a realidade exterior (BRETON, 1924), reinterpretam a cidade, lançando sobre esta um olhar capaz de captar os signos que a metrópole lhes oferece. Tudo o que pertence ao quotidiano passa a ser objeto de interesse para os surrealistas. Nessa linha, surge em 1926, na França, a obra O camponês de Paris, de Louis Aragon, um dos fundadores do surrealismo.O camponês aragoniano, que vê a Paris como um lugar de mudança e de transformação, deambula - semelhante ao flâneur, figura alegórica de Walter Benjamin - pela cidade para conhecer o rosto desta, lançando sobre a urbe um olhar estrangeiro. Este trabalho, assim, tem como objetivo pensar, via Aragon, os valores presentes na cidade e as rupturas causadas pelo progresso.

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“O Rio de Janeiro na ficção machadeana:
por Darisa Matos

Resumo
A cidade do Rio de Janeiro pelo olhar arguto de Machado de Assis é o tema deste trabalho. A metrópole não pela ótica da cidade moderna, como são costumeiramente cantadas as metrópoles, após sofrerem grandes transformações físicas, sociais e simbólicas engendradas pelas reformas modernizantes como a que se processou sob a gestão do prefeito Pereira Passos, em 1904. Mas a cidade antiga com suas ruas estreitas, seus morros, seus cortiços a apresentar-se contraditória, posto que reúne, simultaneamente, a grandeza da Corte do Império e a Capital da República e as gentes de toda sociedade nacional nela reunida, símbolo de país atrasado e moderno, europeu e americano, civilizado e bárbaro. Uma metrópole personagem que sustenta ser expressão e não reflexo do modo de produção, antes como um poderoso agente das transformações no interior do próprio sistema capitalista.