FORMAÇÃO DO BRASIL MODERNO: LITERATURA, CULTURA E SOCIEDADE


Coordenadores
Prof. Dr. André Bueno (UFRJ)
Prof. Dr. Fernando CerIsara Gil (UFPR)
Profa. Dra. Eleonora Ziller Camenietzki (UFRJ)
Resumo: Dando prosseguimento ao debate iniciado durante o encontro regional de 2006, este simpósio pretende discutir as relações entre processo social e as diversas formas de produção cultural, com destaque para o modo como a experiência literária brasileira se relaciona com aspectos diferentes desse processo. O foco do debate está direcionado para trazer à luz os espectros gerados pelos impasses da modernização periférica ao longo do processo histórico e definir as suas formas de atualização no presente. "

Subtema: Literatura e outros saberes

“Um narrador casmurro? – Graciliano Ramos, leitor de Machado no Brasil dos anos 30”
por Ana Paula Sá e Souza Pacheco

Resumo
A proposta é analisar o romance São Bernardo (1934), de Graciliano Ramos, investigando possíveis linhas de continuidade com relação ao romance machadiano; D. Casmurro (1900) em especial. A aproximação, quando sugerida pela crítica brasileira, viu no autoritarismo de Paulo Honório e no pacto retórico que ele estabelece com o leitor as marcas de um narrador não-confiável. Viu-se ainda, no romance, a presença de um “modo irônico” de composição, sem que, porém, se discutisse a especificidade e a função da estratégia autoral. Nossa comunicação, que se inicia a partir da constatação das similaridades das peripécias – o casamento dos personagens-narradores com mulheres em situação econômico-social inferior, a posse, o ciúme e a destruição progressiva da parte “mais fraca” –, pretende discutir as diferenças constitutivas da forma e portanto do quadro social específico a São Bernardo. Desse modo, trata-se de atentar para algumas singularidades do romance de Graciliano e buscar sua interpretação: a voz do mando tradicional, flagrada no momento de sua crise, em tensão com o novo momento da modernização brasileira; a reconfiguração dos significados do cinismo de classe; a figuração específica do proprietário rural reificado.

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Matéria informe e forma lúcida em O cão Sem Plumas de João Cabral de Melo Neto
por Betina Bischof

Resumo
Pretendemos verificar, a partir de uma nota de Roberto Schwarz, as relações que se estabelecem entre forma e matéria, em O Cão Sem Plumas de João Cabral de Melo Neto. Ou seja, se a estrutura abstrata, com o seu despojamento antilírico, faria com que encontrasse “apoio verista na realidade muito violenta e codificada da miséria nordestina”. Ou se a matéria desse poema, em sua fragilidade de contornos, no aspecto amorfo e deslizante da lama, da mucosa, das estruturas invertebradas, das águas densas e mornas representaria um problema crucial para a configuração da forma (lúcida, moderna e recortada ao extremo).

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Romance em pedaços – (os sobreviventes)
por DANIELLE CORPAS

Resumo
No livro (os sobreviventes), Luiz Ruffato amalgama 6 histórias. Algumas delas têm personagens em comum; é freqüente o uso de variações tipográficas para distinguir planos na narração; há um núcleo urbano (Cataguazes) sempre presente, mesmo quando não é cenário dos eventos narrados; há progressão temporal no conjunto dos textos. Dores, dissabores, violências, expectativas, ilusões, desilusões, situações banais ou pungentes da vida nas classes baixas (ou nos estratos mais baixos da classe média) aparecem nas narrativas, confluindo para pontos em comum: privação, autoritarismo, sofrimentos de diversas ordens. A comunicação discute as soluções formais com que o escritor procura figurar tais experiências dessas camadas pobres. O modo como se equacionam tempo, foco narrativo, espaço, enredo, expressão e caracterização de personagens compõe um panorama uno, onde ressaltam traços do processo de modernização brasileira na segunda metade do século XX.

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A questão do trabalho nas Memórias de um sargento de milícias
por Edu Otsuka

Resumo
O romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, apresenta inúmeras situações de vingança, rivalidade e rixa entre as personagens. Pode-se argumentar que a lógica das rixas é um princípio estruturador, que impulsiona o andamento da ação e determina o arranjo formal do romance. Esta comunicação procura realçar um dos fatores que contribuem para explicar essa estrutura de rixas, investigando os pressupostos histórico-sociais da organização particular da obra. Trata-se da centralidade da questão do trabalho na sociedade brasileira escravista da primeira metade do século XIX. Embora não seja diretamente tematizado pela obra, o problema do trabalho livre na ordem escravista está implicado na narrativa, não só porque é indissociável da ideologia da vadiagem, mas sobretudo porque se vincula aos fundamentos materiais dos relacionamentos rixosos.

 
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Três Mulheres
por Fernando Cerisara Gil

Resumo
O trabalho tem como objetivo examinar a posição social das personagens femininas e a sua relação com o ponto de vista dos narradores nos romances Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães, D. Guidinha do Poço (1991), de Manuel Oliveira Paiva, e Luzia-Homem (1903), de Domingos Olimpio. Pretende-se mostrar como na disposição ficcional entre posição social da personagem feminina e ponto de vista narrativo configuram-se as relações de dependência, favor e mandonismo nessas histórias cujo trânsito ocorre entre o campo e a cidade.

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REGIONALISMO E MODERNIZAÇÃO COMO REPRESENTAÇÕES LITERÁRIAS
por HUMBERTO HERMENEGILDO DE ARAÚJO

Resumo
Estudo circunstanciado da literatura regional nordestina na primeira metade do século XX, considerando as pressões exercidas por influxos modernizadores na região e as diferentes formas de acomodação e conflito entre regionalismo e modernidade no Nordeste. Discussão do projeto “Regionalismo, Modernização e Crítica Social: representações literárias do Nordeste na primeira metade do século XX”, cujo interesse é investigar a dinâmica da produção literária dos estados nordestinos, no período, procurando definir se as situações locais chegam a definir subsistemas, em temporalidades diferenciais e heterogêneas, em relação ao sistema literário nacional. Além disso, o projeto busca perceber algumas linhas de força que se estabeleceram na longa trajetória do regionalismo, a partir do Romantismo, e chegaram até o período estudado, com marcas históricas importantes. Para finalizar, procura redimensionar a função de denúncia de boa parte dessa literatura, principalmente o romance de 30, na atualidade, definindo-lhe o estatuto crítico em tempos de informação e globalização.

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Subúrbio e modernização: os “Contos de Belazarte”, de Mário de Andrade
por IRENISIA TORRES DE OLIVEIRA

Resumo
Este trabalho estuda o livro “Contos de Belazarte”, de Mário de Andrade, publicado em 1934, procurando compreender a inserção dessas histórias no processo de modernização da cidade de São Paulo no começo do século XX. A própria ambientação no subúrbio indica um processo social de diferenciação dos espaços e das classes no meio urbano. Assim, o escritor voltado para o subúrbio pode investigar uma parcela da sociedade, como Antonio Candido afirma dos romances do escritor Émile Zola, retratando a complexa e diferenciada sociedade parisiense. Em termos propriamente literários, a ida ao subúrbio possibilita recriação da linguagem, no que Mário de Andrade sempre esteve especialmente interessado, e uma posição narrativa diferente (mais próxima?) em relação às pessoas que representa. O objetivo desse trabalho é entender os desafios, avanços, e também os limites, literários e críticos, dessa posição.

 
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“Um plano superior de pátria”: o nacional e o regional na literatura brasileira da República Velha
por LUCIANA MURARI

Resumo
A partir dos últimos anos do século XIX, o regionalismo ganhou novo impulso na literatura brasileira, tornando-se a manifestação mais visível de um movimento de incorporação das demandas nacionalistas à produção cultural do país. A associação algo imediata desta escrita regionalista com a busca de uma definição da identidade brasileira foi forjada, a partir daí, através da construção conscienciosa de um discurso em que os sentidos do nacional e do regional tornaram-se convergentes e em larga medida indistintos, operação que envolveu o endosso dos intelectuais a um programa genérico, dotado de relativa unidade estética e ideológica. Uma análise deste programa pode demonstrar os mecanismos de legitimação da produção literária regionalista como criadora de um peculiar sentido de nacionalidade que, ao pretender incorporar a cultura popular à expressão culta, articulava a idéia da multiplicidade cultural a uma visão integradora da identidade brasileira, veiculando representações do povo e demarcando espaços no campo literário, num momento de substantivas transformações no panorama social e político brasileiro. Neste sentido, buscamos desvendar o percurso e as tensões desta operação de conversão metonímica do regional em nacional, compreendendo suas estratégias discursivas e avaliando sua própria capacidade de expressar os conflitos da centralização na cultura do país.

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Banditismo por uma questão de classe: violência e sociedade em Os fuzis e Tropa de elite
por Luís Bueno

Resumo
Num país marcado em suas origens pela escravidão, a manutenção de poder confunde-se com a prática da violência, da repressão. Assim, a resistência violenta ao mando parece justificável, já que a ilegitimidade de um poder que se mantém pela violência legitima o uso da mesma violência pelos grupos reprimidos. É sintomático que Jorge Amado, ao criar um herói proletário, vá desenhar, em Jubiabá, um tipo que traz para o universo da luta de classes a lógica da capoeira e cria uma estranha situação qual o que se opõe ao capital não é propriamente o trabalho, mas a marginalidade. No intervalo entre o golpe militar de 1964 e os dias de hoje, passados 30 anos da anistia, a idéia de uma “violência por uma questão de classe” transformou-se, o que se explicita nesses dois filmes: Os fuzis, de Ruy Guerra, e Tropa de elite, de José Padilha.

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Dalcídio Jurandir e o realismo socialista: primeiras investigações
por Marlí Tereza Furtado

Resumo
O paraense Dalcídio Jurandir (1909/1979), além de ter produzido o vasto ciclo de dez volumes volumes Extremo Norte, colaborou com a imprensa, principalmente a comunista. No Pará, escreveu para os jornais O Imparcial, Crítica e Estado do Pará; com as revistas Escola, Guajarina e A Semana. No Rio, colaborou com O Radical, Diretrizes, Diário de Notícias, Correio da Manhã, Tribuna Popular, O Jornal, Imprensa Popular, revista Literatura, revista O Cruzeiro, e com os semanários A classe Operária, Para Todos e Problemas. Por outro lado, aceitou a incumbência do Partido Comunista Brasileiro, ao qual era filiado, de se deslocar até o porto do Rio Grande para pesquisas com os portuários a fim de escrever sobre o movimento operário do início do século. Este trabalho visa a discutir os artigos assinados pelo autor para a Imprensa, de modo geral, e para a imprensa comunista, de modo particular, para investigar os aspectos ideológicos que nortearam o pensamento de Dalcídio Jurandir e como esse pensamento se desdobrou em sua recriação artística do universo, principalmente no livro Linha do Parque, o que fornecerá pistas para que melhor se historie a relação do autor com o realismo socialista.

 
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O ciclo do gado na literatura brasileira
por Rogério Santana

Resumo
A narrativa de alguns autores do fim do século XIX e início do XX foi fortemente marcada pela presença do gado. Narrativas de vaqueiros e tropeiros, ora no sertão ora nos pampas, incorporaram a lida com o gado de maneira a determinar alguns parâmetros de representação literária vinda de regiões localizadas fora do centro cultural de então. Afonso Arinos, Simões Lopes Neto e Hugo de Carvalho Ramos são os autores que estabeleceram a triangulação que marca a geografia literária do ciclo do gado. Nesta comunicação serão abordados os elementos fundamentais desta concepção histórico-literária, demonstrando que seu declínio é um dos marcos da inserção do moderno no meio rural brasileiro.

 
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Moderno e desigual: a literatura e a teoria na revisão dos mitos sobre o país.
por Victor Hugo Adler Pereira

Resumo
O agravamento das desigualdades sociais pela implantação do modelo neoliberal acompanhado da radicalização de políticas discriminatórias e excludentes de alguns setores da população, evidenciou algumas falácias quanto às democracias burguesas. No Brasil, algumas referências do imaginário social para a construção da identidade nacional como a democracia racial, a cordialidade e a do país do futuro entraram também em crise. O trabalho examina reflexos dessa crise na literatura e no pensamento teórico brasileiro e discute como, a partir dela, começaram a ter destaque alguns fatores, até então pouco considerados, que garantiram a persistência e até mesmo o agravamento das desigualdades sociais no processo de modernização do país. Serão discutidas algumas perspectivas sobre problemas atinentes ao Estado, à cultura e às desigualdades sociais na modernidade baseadas nos trabalhos de Pierre Bourdieu e no pensamento sobre o exercício do poder de filósofos como Giorgio Agamben.

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Alimentar os fantasmas: paradoxos da redenção na lírica “Poesia Liberdade” de Murilo Mendes
por Wellington Medeiros de Araújo

Resumo
Murilo Mendes se ergue como um dos pilares da Modernidade na literatura brasileira do século XX: sua poesia configura o estranhamento, a “anormalidade” apregoada por Friedrich. Seu lirismo perpassa a contemplação da mística do catolicismo cristão e o surrealismo atravessa o imaginário do caos materializado no poema. Eis algumas das questões discutidas em meio à sua fortuna crítica. No entanto, dizer da dissonância do mito cristão em reivindicações sociais é algo que precisa ser pensado e devidamente refletido, pois muita incompreensão se tem gerado quando da abordagem “espiritualista” do poeta como causa e fim em si mesma. Pensar sob esse ângulo é negar a premissa de que a associação entre “alma” e forma gera conceitos que, dialeticamente, conduzem a uma interpretação histórica do homem em dado tempo e espaço. Assim, o Catolicismo do poeta, sua explícita admiração pela esquerda e sua adesão ao Surrealismo constituem características a serem pensadas, senão como processo inerente a uma atitude paradoxal, pelo menos como paradoxo, enquanto atitude que visava a uma totalidade, entendida como uma heterodoxia singular na literatura brasileira modernista. O espírito perscrutador da poesia muriliana absorve as incoerências da Modernidade no Brasil, redimensiona a forma objetiva da lírica com as forças históricas, instaurando o “caos” e o desejo de redenção social.

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As pontas do processo
por André Bueno

Resumo
Um breve comentário sobre as perguntas e problemas que se lê no final de Os sete fôlegos de um livro, de Roberto Schwarz, tendo como termo de comparação Cultura e política, 1964-69. Trata-se de pensar as pontas do processo a partir do presente, medindo o tempo que passou, e não passou, considerando que as perguntas e problemas postos por Roberto Schwarz configuram um programa de trabalho.


Tópicos para estudo da crônica brasileira
por Antônio Marcos Sanseverino

Resumo
Na presente comunicação, são apresentados tópicos para estudo da formação da crônica no Brasil a partir do século XIX. Primeiro, a imprensa contamina a escrita da crônica –efemeridade, cotidiano, moda. Segundo, o cronista faz uso arbitrário de qualquer forma textual – narrativa, comentário, diálogo, carta. Não há regras definidoras de forma. Terceiro, quanto à autoria, em espaço assinado, alguém fala de modo íntimo em mídia pública. As escolhas recorrentes (forma, temas, tom) tornam reconhecível o estilo de quem escreve. De onde vem essa autoridade? Da obra, da profissão, do reconhecimento público? Quarto, a crônica, como trabalho autoral, vendida ao jornalé produção ditada pela necessidade do dia e, depois, lida de modo rápido e distraído, traços disfarçados pela gratuidade do tom coloquial. Quinto, as marcas textuais – oralidade, apego às coisas ínfimas e à matéria cotidiana, variação formal, afirmação da subjetividade – podem ser cristalizações da situação brasileira. Por exemplo, o regresso à oralidade em veículo moderno seria expressão da dificuldade de superar o narrador oral ou precariedade da cultura letrada; e a ausência de padrão formal seria fruto do arbítrio do cronista que se põe acima de regras ou limitações.


Retratos de Itabira - fotografia, poesia e experiência social
por Paulo Cezar Maia

Resumo
Nesta apresentação, abordarei alguns ensaios fotográficos na poesia de Drummond. Sua obra é atravessada por um compromisso do olhar, um olhar de canto, estratégico, um olhar sempre desconfiado. O olhar de quem enquadra um ponto, aproxima ou distancia os pequenos detalhes, verifica atencioso a luz e fixa a imagem social de sua própria experiência individual e social, focada no seu presente ou na acumulação da tradição da qual faz parte, seja como família ou cidadão. É deste Drummond fotógrafo que tento comentar alguns pontos, buscando na fotografia uma ética da visão sempre difícil. Isso para, lendo a questão pela ótica do conceito de experiência, de Benjamin, sugerir a partir da fotografia duas metáforas para a formação da visão crítica na educação: enquandramento e zoom.


Insuficiência histórica, invenção rebaixada
por Salete de Almeida Cara

Resumo
Discutir alguns dos mais conhecidos argumentos contra os romances do ciclo dos Rougon-Macquart de Émile Zola pode ser uma boa medida para uma reflexão sobre a prosa realista. Examinar dentre o conjunto daqueles vinte, um romance malogrado que trata da derrota de Sedan e da Comuna de Paris, La Débâcle (1892), pode trazer mais dados à reflexão sobre o realismo. A análise desse romance leva em conta, nos termos da comparação entre Zola e Aluísio Azevedo feita por Antonio Candido, que o estágio de acumulação do capital naquele país já tinha separado as classes sociais e leva ainda em conta que o romance de Zola não foi capaz de enfrentar, em 1892, o desmentido já infringido às promessas liberais pela própria evidência das contradições sociais (nos termos de Roberto Schwarz), tanto pelas condições da guerra franco-prussiana quanto pela existência e massacre da Comuna em 1871. Os impasses formais trazidos por esse romance dão conta de um "universal moderno" que, nas suas especificidades, traz à tona os fundamentos do trabalho com o material histórico-ficcional e ajuda a pensar o romance naturalista brasileiro