| SERTÃO DELICATESSEN: IMAGENS CINEMATOGRÁFICAS E OUTRAS ESCRITURAS |
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Coordenadores Prof. Dr. Claudio Cledson Novaes (UEFS) Profa. Dra. Eliana Mara de Freitas Chiossi (UFBA) |
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Resumo: O simpósio Sertão Delicatessen: Imagens
cinematográficas e Outras Escriturastem como objetivo principal proporcionar
o intercâmbio entre projetos de pesquisa que abordem as relações entre a
literatura, o cinema e outras mídias. Para tanto, recortamos para este encontro
da Abralic uma discussão sobre os sentidos das formas de dizibilidade e
visibilidade da tradição representativa do Sertão, problematizando os discursos
emblemáticos do imaginário sertanejo, configurados na política das artes
brasileiras, analisando-os a partir dos agenciamentos e dobras éticas e
estéticas nas fulgurações das identidades engendradas pelo cinema e outras
expressões artísticas contemporâneas. O simpósio pretende debater como funciona
o agenciamento das imagens periféricas no cinema e em outras linguagens.
O binômio sertão-delicatessem abrange os simulacros da realidade sertaneja
no discurso tradicional, para flagrar as representações recalcadas pelo
discurso da modernidade nacional-popular, compondo uma "modernidade em rascunho"
que arranha a tradição das imagens bucólicas, bárbaras, secas e pobres e
pré-modernas, as quais dominam o "lugar sertão" na geopolítica tradicional.
O objetivo fundamental do simpósio Sertão Delicatessen: Imagens Cinematográficas
e Outras Escrituras é atravessar as veredas sertanejas desmontando as estratégias
tradicionais da representação do sertão, mapeando outras possibilidades
de leituras da obras canônicas e subalternas nas artes brasileiras."
Subtema: Literatura e outras artes |

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| O ‘road movie’ nas rotas de fuga do árido cinema de Pernambuco
por Amanda Mansur Custódio Nogueira Resumo A partir da década de 60, o gênero road movie, genuinamente norte-americano, foi incorporado por outras cinematografias nacionais, e principalmente nos chamados cinemas de “Terceiro Mundo”. Atualmente, o road movie, além de ser uma tendência do cinema contemporâneo mundial, contribui na construção das narrativas delineando quase uma geografia interior de seus personagens. Essa comunicação se propõe a apontar algumas apropriações do gênero nos filmes do cinema contemporâneo de Pernambuco: Árido Movie (2005) de Lírio Ferreira, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) de Marcelo Gomes e Deserto Feliz (2007) de Paulo Caldas. E, através dessas apropriações, observar o mapeamento geográfico e humano do nordeste que está sendo esboçado e compreender a representação contemporânea do sertão construída a partir dos deslocamentos. Um nordeste onde o passado se faz cada vez mais presente, um sertão moderno com arcaicas feições. Na rota de encontrar o cinema produzido em Pernambuco ainda existem muitas áridas estradas para percorrer. |
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| Cinema, Aspirinas e Urubus: linguagem e paradoxo da (in)comunicabilidade
por Claudio Cledson Novaes Resumo A proposta é analisar as imagens do sertão no cinema, discutindo como paradoxo fundamental da representação a máquina do pensamento “moderno” apropriando-se do imaginário “primitivo”, para enunciar um lugar-sertão crivado de ruídos. São estes ruídos os sentidos mais instigantes da representação do sertão na contemporaneidade. A estratégia da análise é pelo agenciamento de teorias e críticas semiológicas e da análise do discurso, com o objetivo de desvelar este paradoxo potencial da linguagem na representação de objetos matriciais da cultura popular sertaneja. Analisamso o filme Cinema, Aspirinas e Urubus, como representação a contrapelo do sertão entre as imagens da tradição e a linha de força de (im)comunicabilidade plena das imagens. |
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| Regidos pela oposição, obstinados pela transformação
por Elaine Aparecida Lima Resumo Almejando cooperar com os debates em torno das relações entre cinema e literatura, o presente trabalho está apoiado em reflexões sobre Polígono das secas, de Diogo Mainardi, e as produções fílmicas de Glauber Rocha. Considerando a ambos como hostis à retratação idealizada, folclorizada e/ou estereotipada do Sertão, do sertanejo e de sua cultura, o artigo analisa como Mainardi e Rocha lançam mão, ora de maneira idêntica, ora com determinadas diferenças, de algumas características: a montagem, a posição autoral, a metalinguagem, a abordagem interdisciplinar, a intensificação das ações, o choque do leitor/espectador, a violência, dentre outras peculiaridades. A análise destes aspectos é pertinente na medida em que os mesmos são vistos como instrumentos utilizados pelos autores durante a defesa de uma “revolução” estética e conteudística da arte literária/cinematográfica de temática popular. Destarte analisados, Mainardi e Glauber compartilham algo além do propósito de renovação que se opõe à pasteurização, à condição mercadológica de uma parcela da arte brasileira (pressupostos vanguardistas). Eles lutam contra percepções paternais e maniqueístas, denunciam o tradicional conceito de povo e as diversas posições políticas e intelectuais frente à alteridade sertaneja. Neste contexto, este trabalho não se furtará, ainda, do diálogo com grandes pensadores da(s) identidade(s) nacional e/ou sertaneja. |
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| Do sertão às microterritorialidades: transfigurações estéticas e fragmentações políticas.
por Fabio Allan Mendes Ramalho Resumo Em muitas de suas obras-chave, o cinema brasileiro recorreu à idéia de um “sertão mundo” como espaço para encenação de conflitos ordenados em torno da concepção de uma teleologia histórica, sintonizada com as perspectivas revolucionárias e os debates sobre a condição periférica, subdesenvolvida, que marcaram o fazer artístico na região – sobretudo no que concerne à produção cinemanovista. Em contrapartida, em muitas das produções atuais o que se observa é a prevalência de abordagens mais subjetivas, centradas nas relações afetivas e motivações que norteiam a ocupação dos espaços e a constituição de territorialidades. Para além de uma simples dicotomia, o que se pretende neste artigo é construir uma análise relacional que articule, no escopo da produção contemporânea, estas múltiplas perspectivas em relação ao sertão - seja como “imagem-síntese” ou paisagem fragmentada - a partir das implicações formais que tais pontos de vista impõem à delimitação de temáticas e à constituição das narrativas. Nestas, a recorrência às construções alegóricas para falar de uma situação nacional tem, por vezes, cedido lugar a formas de representação da experiência nas quais o social perde seu horizonte de totalidade para dar margem à encenação de conflitos localizados, centrados na sutil dinâmica da vida cotidiana. |
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| Embriaguez e desarranjo: uma febre de modernidade em O bicho que Chegou a Feira, de Muniz Sodré
por Ísis Moraes Ramos Resumo Este trabalho tem por objetivo analisar de que maneira a repercussão da idéia de modernização imposta pelo Golpe Militar, de 1964, aparece como agente desconfigurador da identidade sertaneja, na região de Feira de Santana, no livro “O bicho que chegou a Feira”, do ficcionista baiano Muniz Sodré. Na obra em questão, vê-se claramente representado o clima de instabilidade e as contradições geradas pela “epidemia” de novidade que chega violentamente, desordenando o cotidiano da comunidade e ameaçando a história e as tradições que compõem o seu imaginário cultural. Com o intuito de “enquadrar” o que denomina de “população de tabaréus” na repressora política de Ordem e Progresso do novo regime, o Capelão, padre polonês incorporado à Polícia Militar do Estado, vem à cidade fazer valer, pela força, o poder dos milicos, espalhando o pânico entre os moradores, que têm seus direitos de ir e vir subitamente aniquilados, sendo, inclusive, obrigados a substituir seus “velhos” hábitos por outros, novos, que se põem sob a égide da objetividade e da “disciplina”. Como contraponto, a narrativa, utilizando-se da intersecção entre História e Literatura, faz emergir alguns ícones de resistência que permeiam a cultura popular local, objetivando a luta pela manutenção das tradições sertanejas. |
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| A reinvenção de sertanejas: o mercado das trocas intersubjetivas
por JAILMA DOS SANTOS PEDREIRA MOREIRA Resumo Trata-se de uma releitura do movimento de reinvenção de si e do sertão presente no texto-vida de Rachel de Queiroz e de mulheres trabalhadoras rurais do semi-árido baiano. A partir da crítica cultural feminista, realizamos um jogo entre Rachel de Queiroz e a personagem Conceição de O quinze, de cujo resultado tem-se uma fatura crítica para além de princípios do manifesto regionalista e em sintonia com o movimento de mulheres trabalhadoras rurais que, reinventando outras personagens para si, inserem-se no mercado econômico-cultural e rasuram uma tradição patriarcal capitalista que predestinava a mulher rural ao espaço privado, ao trabalho doméstico reprodutivo e a uma exploração diversa. Estas mulheres encenam um mercado de trocas intersubjetivas, que reflete, por conseguinte, seu próprio trabalho de reescrita de si, fruto de diversos agenciamentos discursivos, de articulações transnacionais, e se transfigura no processo relacional que estabelecemos entre elas e a escritora Rachel de Queiroz. Nesse sentido, temos uma outra imagem da sertaneja para além daquele sujeito isolado, sem voz, (in)existindo num mundo subsumido pela seca. Assim, esperamos com esta comunicação oferecer pistas para a emergência de outros sujeitos a(u)tores e (re)inventores do sertão. |
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| Migrações, imigração e alteridade no cinema brasileiro contemporâneo
por Mahomed Bamba Resumo O cinema brasileiro, como a literatura, mantém uma relação constante com o tema das migrações. Filmes recentes oferecem uma representação do tema do desterro em que se vislumbra um efeito de “descentramento” e uma nova problematização da alteridade. Os filmes de nosso corpus (que serão mais comentados do que propriamente analisados) têm em comum alguns traços: todos esboçam uma nova espacialização da imigração em que se nota uma complexidade da relação com o outro. Os filmes “Passaporte Húngaro” (2003) e “Dois perdidos numa noite suja” (2003) ancoram sua ação num cinema declaradamente de imigração. Seu espaço fílmico é construído como um microcosmo. Seus personagens, reduzidos a sujeitos estrangeiros cindidos e em crise de identidade, perambulam o tempo todo e travam uma relação árdua com o Outro e consigo próprios. Nos filmes “O Caminho das Nuvens” (2003) e “O Céu de Suely” (2006) o tema da perambulação do sujeito migrante reaparece. Ambos os filmes, porém, situam-se no registro do cinema das migrações internas. O espaço é predominantemente nordestino. Seus protagonistas empreendem uma caminhada e experimentam outras facetas da relação de alteridade e do confronto com o olhar de seus próprios “conterrâneos”. |
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| Entre cercas, secas e parabólicas: a imagem do sujeito distorcido em “Árido Movie”.
por Manoela Falcón Resumo O espaço sertanejo encenado no cinema e na literatura das décadas de 50 e 60 convocava a representação do rural para a construção da identidade nacional que já se encontrava em crise. Hoje, essa representação pode ser vista também, a partir da encenação dos processos de desterritorialização ou descentramento vividos pelo sujeito contemporâneo, seja ele habitante do espaço rural ou urbano. O fácil acesso às novas tecnologias e o atual contexto contraditório da globalização tem contribuído para que ocorra a dissolução de fronteiras entre os “mundos” habitados. Na análise do filme "Árido Movie", de Lírio Ferreira, visualizamos como as personagens vivem as experiências do descentramento, ao mesmo tempo em que os aspectos místicos da cultura sertaneja são mesclados e incorporados às crenças culturais de uma modernidade urbana que investe na desterritorialização da cultura através do movimento libertário do pensamento. Atentamos para a consideração de que a celebração da diferença deste misticismo foi realizada a partir da releitura do cânone, uma vez que o discurso místico sertanejo, na figura de um líder messiânico, continua a habitar o imaginário popular e a representar, através de outras estratégias de leitura, os simulacros da realidade e da cultura sertaneja. |
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| As pelejas de Ojuara: o desafio da alteridade no olhar sobre o sertão
por Mírian Sumica Carneiro Reis Resumo As representações em torno do sertão nordestino têm se restringido, salvo algumas poucas exceções, a dois grandes estereótipos. O primeiro é o do Nordeste da seca, em que a imagem do sertanejo é aquela do “homem-terra” que padece as misérias de um clima inóspito e região esquecida pelas autoridades. O segundo é o das histórias folclóricas e folclorizadas que, com o intuito de dar uma visibilidade pretensamente diferente à tradição cultural popular, acaba reforçando também o lugar de marginalidade relegado à região. O cinema comercial brasileiro, como grande difusor de cultura e informação que é, assume um papel significativo na ratificação desses estereótipos. Partindo de tais considerações, este trabalho propõe uma reflexão sobre as alegorias construídas/inventadas em torno do Nordeste que atendem muito a objetivos comerciais, mas ampliam pouco a valorização cultural. Especialmente porque, nessas obras, o sertão nordestino parece um corpo homogêneo dentro das suas fronteiras, como se, independente do estado ou cidade, do litoral ou do interior, a diversidade não fosse parte constituinte dessa região. Para tanto, o presente trabalho investiga as ressignificações, perspectivas e estereotipizações apresentadas sobre o sertão em algumas obras literárias e cinematográficas produzidas no Brasil, na última década. |
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| Subalternos agrestes e seus cordéis encantados
por OSMAR MOREIRA DOS SANTOS Resumo Trata-se de uma reflexão sobre a produção do Núcleo de Estudos da Subalternidade (NUES) do Departamento de Educação do Campus II/Alagoinhas como um “ponto de cultura” existente entre a linha verde e o portal do sertão e de como essa produção encontra ressonância entre uma dezena de outros “pontos de cultura” existentes no nordeste brasileiro, cujo tom dominante é a permanente experimentação e oficina da imagem do sertanejo, contemporaneamente mais qualificado estética e politicamente para outras efetuações históricas e sociais. Partindo do princípio de que a desnordestinização da cultura brasileira, levada ao limite pelo tropicalismo, para o bem e para o mal, confere formalmente o direito permanente a experimentação e que, no plano da política cultural, temos, hoje no Brasil, novos crivos glocais, a questão que o NUES sempre coloca não é mais a de alternância de poderes (direita, esquerda; representante, representado, etc., ) mas a de como praticar nossos deslocamentos discursivos. Espera-se, nessa comunicação, como num tour a Canudos, não só rememorar a nossa Atenas guerilheira, mas apresentar novos objetos de pesquisa e vislumbrar, em conjunto, novas usinas da represent-ação do sertanejo. |
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| Ressonâncias sertanejas em Alberto Moravia e Gianni Amico: leituras do centro sobre a periferia
por Paula Siega Resumo A cultura brasileira e suas geografias da fome foram objeto de vivo interesse na Itália dos anos 60, atraída pelas imagens de Glauber Rocha, cuja estética fornecia um espetacular contraponto ao desenvolvimento econômico em ação. Para os fruidores destas representações, centro e periferia passaram a integrar os pólos de discursos críticos e produtivos, cujo horizonte é fundamental para compreender o alcance do imaginário glauberiano, por eles refletido. Evidenciando esta intrinsidade entre recepção e obra, apresentamos duas leituras italianas do sertão: "Il profeta della rivoluzione", artigo de Alberto Moravia de 1964, e "Tropici", filme de Gianni Amico de 1968. A partir delas, analisamos de que modo o olhar de intelectuais situados em uma modernidade levada a cabo projeta-se sobre uma periferia sem fechos, terrível e mítica: 'Sertao maligna steppa', na voz de Moravia; mundo 'prima della storia', na descrição de Amico. |
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| Abril despedaçado: das montanhas albanesas ao sertão nordestino
por Raquel do Monte Resumo A comunicação “Abril despedaçado: das montanhas albanesas ao sertão nordestino”pretende discutir alguns códigos narrativos articulados pelo cineasta Walter Salles ao construir a peça cinematográfica homônima, convergindo simultaneamente com o romance de Ismail Kadaré e a tradição clássica do cinema. Durante a investigação analisa-se como se constitui o processo de tradução do texto literário ao objeto fílmico e, sobretudo, como Salles reproduz o discurso sobre o Sertão, legitimando, portanto, uma imagética da região pautada em anacronismos e representações do imaginário social congeladas. Neste sentido, busca-se, a partir da análise narrativa, identificar como os elementos fílmicos articulados na diegese dialogam também com a produção cinematográfica brasileira contemporânea. Inicialmente, averigua-se como a base literária está “impressa” na película e como se processa o intercâmbio dos dois campos. Em seguida, procura-se analisar como o espaço sertanejo é inserido e configurado no filme traduzindo e, conseqüentemente, divergindo da tradição de representação espacial proposta pelo Cinema Novo. A reflexão sobre a produção cinematografia contemporânea colabora para o debate acerca da linguagem fílmica e como códigos específicos como enquadramento, fotografia e montagem constroem na tessitura narrativa a imagem do Sertão. |
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| Os múltiplos de um artista antimoderno: Elomar, príncipe da caatinga
por Simone Guerreiro Resumo Apresenta-se reflexão sobre o perfil múltiplo do compositor baiano Elomar Figueira Mello, poeta, cancionista, cantador, ensaísta que se insere na cena contemporânea como um pensador cujas reflexões e posturas são lidas de modo particular pela mídia jornalística e contribuem para a construção de mitos em torno da figura do artista. Esses mitos serão revistos a partir da leitura de depoimentos e entrevistas, em confronto com reportagens da mídia jornalística nacional. Entre os vários temas tratados nestes depoimentos do compositor, põe-se em foco a construção da idéia de sertão, a qual se encontra delineada, também, no discurso ficccional. São confrontadas as reportagens sobre o artista, sobretudo, das décadas de 70 e 80, momento em que se consolida como cancionista, bem como é delineado o discurso do pensador e crítico sobre o sertão, ao tempo em que constrói a própria imagem como artista antimoderno e pensador radical exilado nas barrancas do rio gavião: "Elomar, príncipe da caatinga", como Vinícius de Moraes o denominou na década de 70. Pretende-se discutir temas relacionados aos trânsitos do intelectual e do artista na contemporaneidade e às poéticas do sertão, no diálogo entre ficção e crítica, canção e pensamento, teoria e literatura. |
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| Nordeste nunca houve, Nordeste é uma ficção: mapa das imagens de Nordeste na rubrica "regionalista" de 1930 aos dias de hoje
por Eliana Mara de Freitas Chiossi Resumo Em 1942, Mario de Andrade estabelece como um dos princípios do Modernismo "o direito permanente à pesquisa estética" enfatizada por uma atualização da inteligência nacional. As filiações a esses princípios, se decidirmos construir uma linhagem imaginada, podem ser rastreadas na temática da representação do nordestino, acopladas à tradição de representação do sertanejo. A exemplo dos romances Vidas Secas, de Graciliano Ramos, O quinze de Rachel de Queiroz e A bagaceira de José Américo de Almeida, além dos romances do ciclo da cana-de-açucar de José Lins do Rego, entre outros textos literários, vão alimentar o imaginário sobre o Nordeste que será fonte para os cineastas. Sem desejar traçar uma linha artificial mas propondo a criação de um mapa circunstancial e limitado, proponho o rastreamento de imagens reiteradas na literatura brasileira, notadamente após a eclosão do Movimento Modernista, considerando seus diálogos com as artes visuais, e a presença desse mapa nas imagens de Nordeste utilizadas no cinema da retomada. E para montar uma operação de contraste, verificar se em romances que tematizam o Nordeste, escritos desde a década de 90, estas imagens são alteradas em função de uma percepção de reinvenção. |
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