| LITERATURA E OUTRAS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS |
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Coordenadores Profa. Dra. MARIA DA PIEDADE MOREIRA DE SÁ (UFPE) Prof. Dr. ELTON BRUNO SOARES DE SIQUEIRA (UPE) Profa. Dra. GENILDA AZEREDO (UFPB) |
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Resumo: O simpósio visa a analisar o diálogo
que se estabelece entre literatura e outras manifestações artísticas, tais
como pintura, cinema, fotografia e música. Nos diversos recortes feitos
nas várias linguagens selecionadas para estudo, procurou-se priorizar os
aspectos que problematizam as questões referentes ao tema e subtemas propostos.
Partindo da literatura e nela ancorados, são analisadas diferentes manifestações
artísticas na sua relação com os textos literários. Assim é que são examinados
e problematizados o simbolismo da sombra no texto literário, na pintura
e no cinema; a mise en abyme na literatura, no cinema e na pintura, escritura
memorialística e fotografia; crônica e fotografia; construção da identidade
de gênero na literatura e no cinema; a desconstrução no romance e na música,
além de outros temas sempre relacionados com a literatura. O objetivo geral
é verificar o modo em que os diferentes fenômenos considerados peculiares
das obras literárias se realizam em outras linguagens. Não obstante a diversidade
de assuntos abordados nos subtemas, os autores não perdem de vista o sentido
de unidade, de modo que todos eles se articulam com o tema central do simpósio
─ tessituras, interações e convergências. Os resultados preliminares
da pesquisa apontam para uma aproximação muito maior do que a que seria
de esperar. Por outras palavras, os pontos de contato e de convergência
ul trapassam as diferenças. E mais: parece evidente a interação entre essas
várias linguagens, no sentido de que uma arte aproveita as técnicas e recursos
utilizados por outra, como, por exemplo, o cinema que recebe o influxo da
literatura, assim como esta se beneficia das técnicas cinematográficas;
o mesmo ocorre no que concerne à fotografia e à pintura. As bailarinas de
Degas são um bom exemplo dessa cooperação; quanto à música, parecem evidentes
os pontos de contato (ritmo, tom, curva melódica, coda, etc,) entre as peças
musicais e os textos literários, não só poemas senão também prosa. " Subtema: Literatura e outras artes |

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| Entre a contenção e o desejo: duas formas de narrar no romance “Reparação” e no filme “Desejo e Reparação”
por Anelise Reich Corseuil Resumo O filme Desejo e Reparação de Joe Wright, produção de 2007, apresenta uma narrativa contida, recortada e intermediada por vários relatos, o que poderia se definir como narrativa auto-reflexiva e anti-mimética, e outra carregada de desejos, olhares e excessos revelados na mise-en-scène, edição de imagem, ponto de vistae fotografia do filme. Se a primeira forma pode ser definida como narrativa pós-moderna, a segunda poderia ser vista como mimética e ilusionista. Neste contexto, o trabalho “Entre a contenção e o desejo: duas formas de narrar no romance Reparação e no filme Desejo e Reparação” busca analisar o entrelaçamento destas duas formas fílmicas de narrar e suas relações com o romance de Ian McEwan Reparação (2001), buscando apontar os excessos do texto fílmico e suas relações e desprendimento em relação ao romance em que se baseia. No romance, o desejo vem cerceado por uma narrativa composta de espelhamento, entrecortes, multitude de vozese reflexividade.O trabalho explora as convergências e divergências entre o romance e o filme em suas formas de narrar. |
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| As relações entre memória & fotografia na narrativa intersemiótica de Valério Xavier
por Angela Maranhão Gandier Resumo Exercendo-se como inédita intersemiótica, a obra memorialística de Valêncio Xavier, Minha mãe morrendo e o menino mentido , dispõe da configuração de texto e imagem de modo a conferir ao autor as marcas de originalidade inconfundíveis. Nesse romance, a imagem fotográfica apresenta-se como superfícies textuais impregnadas de memória. A fotografia é integrada ao texto de formas distintas. Por um lado, elas cumprem a função de se sucederem amparadas pela objetividade que lhes confere significação e destino. Por outro, o autor compõe uma moldura imaginária em torno das fotografias, fazendo a narrativa oscilar entre memória, imaginação e delírio. Visando a discussão do tema, apresentamos a interpretação das imagens da memória em Valêncio Xavier, caracterizada por uma modalidade de narrativa constituída por uma postura enunciadora peculiar, a escrita de si. |
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| "CINQ POÈMES DE CHARLES BAUDELAIRE": LITERATURA E MÚSICA EM INTERAÇÃO
por Cecília Nazaré Resumo Embora Charles Baudelaire e Claude Debussy, provavelmente, jamais tenham se encontrado em vida, a aproximação entre ambos se deu através da arte. O vínculo com a literatura está presente na produção do compositor, não apenas em peças vocais, como na ópera "Pelleas et Melisande", uma adaptação da peça teatral de Maeterlink, mas também como inspiração para peças exclusivamente instrumentais, como a obra orquestral "L'aprés-midi d'un faune", inspirada em poema de Stéphane Mallarmé . De Baudelaire, Debussy selecionou cinco poemas extraídos de "As flores do mal" para compor o ciclo de canções para voz e piano, compostas entre 1887 – 1889, " Cinq poèmes de Charles Baudelaire". Neste estudo, buscou-se explorar correspondências entre as linguagens literária e musical, com destaque para as escolhas de Debussy que visam potencializar, ampliar e criar imagens sonoras para as idéias sugeridas no texto. A partir da abordagem global da obra, focalizamos um recorte na segunda canção, da qual destaca-se a transposição da estrutura formal do texto para a estrutura da peça musical. Acreditamos que os resultados observados nesta análise são exemplos de literatura e música em colaboração mútua, num entendimento profundo e convergente, e poderão ampliar o universo de discussão sobre interdiscursividade. |
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| A intersemiose entre capas e narrativas poéticas: Recurso de construção de sentidos plurais no cordel
por Clarissa Loureiro Resumo Este trabalho observa a produção de sentidos plurais no cordel, através da intersemiose entre capa e narrativa poética, focalizando a capa como: comunicação de uma idéia do título, decodificação de sentidos implícitos em situações precisas da narrativa e locus de intersemiose com outros gêneros textuais. Para tanto, a análise dos cordéis A Deusa do Cabaré, A perna cabeluda e A mulher que foi surrada pelo diabo é apoiada pela leitura dos teóricos: Sônia Lúcia Ramalho, Roberto Benjamim, Affonso Romano de Santana e Gilberto Freyre. Em A Deusa do Cabaré, a fotografia de um filme recria a idealização e, ao mesmo tempo, ironia em relação às prostitutas”. Em A Perna Cabeluda, a xilogravura recria a feiticeira na encruzilhada entre o monstro e a sedutora. E em A mulher que foi surrada pelo diabo, a capa assume o formato das estórias em quadrinho para expressar a subjugação patriarcal da mulher fogosa ao diabo. Assim, a capa e narrativa são partes de indissociáveis do cordel, como expressão do imaginário popular. |
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| Curta a “tradição”: E o lobo mau ainda come a Chapeuzinho.
por Edvânea Silva Resumo Diversas têm sido as atualizações e/ou ressignificações acerca do conto de fada Chapeuzinho Vermelho, tanto na literatura como no cinema. Chamam-nos a atenção, contudo, narrativas como Red Lipstick, a pequena ninfática, de Rodrigo Penteado e Red!, de Flávio Frederico, conto de fada moderno e curta-metragem, respectivamente, que “repetem” a Moral da história do conto de Perrault, uma vez que parecem refletir determinado modo de pensar/agir da sociedade contemporânea. Nossa (re) leitura busca discutir como essa moral está presente no cotidiano das pessoas e como ela ainda lhes conta sua própria história. Nesse sentido, são relevantes os estudos de Gérard Genette, Linda Hutcheon e Robert Stam acerca das relações intertextuais, bem como de Robert Darnton, dentre outros, sobre a relação entre a narrativa oral e a história real de uma sociedade. |
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| “Assim como o teatro é a pintura”: representações de Ofélia no cenário Pré-Rafaelita
por Elinês Oliveira Resumo A escola Pré-Rafaelita surgiu em meados do século XIX, dentro do romantismo inglês, e foi configurada como um movimento estético que visava recriar a linguagem pictórica e literária da época. Seus seguidores foram transgressores: romperam com os princípios estéticos da pintura aprendida nas Academias de Arte, pregaram a liberdade de expressão artística e acreditaram, principalmente, na experimentação e no diálogo entre linguagens artísticas diferentes como a literatura e a pintura, por exemplo. Dentro desta perspectiva estética por excelência dialógica, sobressaíram nomes como John Everett Millais(1829-1896), Arthur Hughes (1832-1915) e Dante Gabriel Rossetti(1828-1882), que dentre seus trabalhos, representaram em suas telas, cenas do teatro Shakesperiano. Uma personagem, em particular, foi retratada por estes três pintores: trata-se da controvertida Ofélia da peça Hamlet (1600-02). Analisar de que forma estes artistas conseguiram emoldurar em suas pinturas a teatralidade singular desta personagem shakesperiana é, portanto, o objetivo deste trabalho. Na construção desta ponte intersemiótica usar-se-á como aporte teórico Mario PRAZ(1975), Yuri LOTMAN(1979) e Erika FISCHER-LICHTE(1983). |
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| A representação do masculino em Navalha na Carne: diálogo entre cinema, teatro e literatura
por ELTON BRUNO SOARES DE SIQUEIRA Resumo Em 1967, Plínio Marcos escreve sua peça Navalha na Carne, obra que, pelas mais diversas razões, representou um marco na dramaturgia nacional, não obstante os escândalos gerados em sua época, muitos deles de ordem moral. Em 1969, Braz Chediak, jovem diretor cinematográfico, decide levar para as telas de cinema seu Navalha na Carne, uma adaptação fiel da peça pliniana, pautada pela estética do “Cinema Novo”. Dentre as diversas abordagens que tanto uma quanto outra produção nos sugerem, chama a atenção a forma como seus autores constroem as representações masculinas nas suas respectivas obras. O presente trabalho visa a analisar como os signos que apontam, na peça, para a representação do homem da classe popular são traduzidos, enfatizados ou transformados na narrativa fílmica. Para tanto, serviram de aporte teórico as contribuições de Pedro Paulo de Oliveira (2004) e de Pierre Bourdieu (1998), no que se refere às discussões sobre masculinidade; de Dominique Maingueneau (2005) e de Julio Plaza (1987), para as questões concernentes à análise intersemiótica. A leitura proposta se vale do método da Análise Crítica do Discurso e da tradução intersemiótica. |
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| A MUSICALIDADE EM ÁGUA VIVA: RELAÇÕES ENTRE A DESCONSTRUÇÃO DE CLARICE E SCHOENBERG
por Fernando Mendonça Resumo Apropriando-se da interação que o livro “Água Viva” (1973), de Clarice Lispector, se permite com outras linguagens artísticas, o estudo propõe uma análise intersemiótica entre o texto de Clarice e as experiências musicais desenvolvidas a partir dos anos 30 por Arnold Schoenberg com a técnica do dodecafonismo. A perspectiva interartística visa trabalhar a construção da linguagem e conseqüente desconstrução formal do corpus selecionado, pois a ruptura aos padrões da prosa literária e a dissolução melódica neles configura-se como um importante recurso para a compreensão do espírito modernista. Baseando-se nos escritos de Schoenberg, em Adorno, Lyotard e Levi-Strauss, além de outros autores, pode-se perceber que mesmo entre artes distintas como a Literatura e a Música há semelhanças na maneira que a matéria formal da linguagem é problematizada. A dialética entre a experimentação e o método sistemático característica do modernismo atesta através dessa análise a inquietação de uma época e uma sociedade. |
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| O mágico e a luta solitária: alternativas identitárias
por Frederico José Machado da Silva Resumo Alberto Moreiras, num ensaio sobre o romance El zorro de arriba y el zorro de abajo, propõe que o autor, Arguedas, apresenta neste livro uma falência do Realismo Mágico enquanto estética da não-disjunção a serviço do ideologema da transculturação. Analisaremos o romance Cem anos de solidão nessa perspectiva, porém, apontando, também, que ao deixar de tentar alegorizar a transculturação, o livro real-mágico de Márquez apresenta essa estética como um refúgio identitário. O mágico, então, estará empenhado não mais em não-disjungir, mas em fraturar a comunicação englobada dos mass media e da aculturação sofrida por aqueles vistos como diferentes. Essa possibilidade do mágico espocará nas narrativas cinematográficas da contemporaneidade, numa espécie de crítica lúdica à alienação do indivíduo. Apresentaremos uma leitura do filme O labirinto do fauno, de Guillermo del Toro como exemplo dessa possibilidade atual do Realismo Mágico. Utilizaremos como suporte Alberto Moreiras, Walter Mignolo, Homi Bhabha e Irlemar Chiampi. |
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| Escritas e imagens do eu: a lírica lavoura de Raduan Nassar e Luiz Fernando Carvalho
por Genilda Azeredo Resumo Há certo consenso entre os estudiosos da adaptação fílmica que determinados textos literários, dentre os quais, textos irônicos, metalingüísticos e poéticos, oferecem resistência ao processo de adaptação para a tela. No entanto, considerando-se que o cinema também dispõe de recursos de linguagem para a criação de poesia na tela, o propósito do presente trabalho é analisar o diálogo que se estabelece entre o romance de Raduan Nassar, Lavoura Arcaica (1975), e o filme homônimo (2001) de Luiz Fernando Carvalho, sobretudo no que diz respeito ao lirismo característico do texto verbal, e ao aproveitamento deste elemento estrutural quando da transposição do romance para a tela. |
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| O Homem que desafiou o Diabo: da literatura à tela – os discursos possíveis
por Iêdo Oliveira Paes Resumo O nosso trabalho se propõe analisar os discursos masculino e feminino que perpassam o imaginário popular da literatura nordestina e norteiam o espaço da obra As pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro, e O Homem que Desafiou o Diabo, de Moacyr Góes, oportunizando o estudo da adaptação e da própria narrativa muitas vezes às avessas em que o tecido fílmico é elaborado. Faremos o cotejo dos discursos da obra literária através do olhar da análise de Dominique Maingueneau e Bakhtin no tocante à polifonia presente durante todo o processo de construção do tecido ficcional, evidenciando as particularidades que permeiam as ações da narrativa enquanto tessitura romanesca. Abordaremos os aspectos culturais definidos por Homi Bhabha como demarcação do local da culturano qual se entrecruzam as marcas de identificação que se instauram por trás do sujeito que se encena e, ao mesmo tempo, enuncia-se dentro do espaço ficcional (romance) e no espaço de cena (filme). |
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| A personagem na pintura e a pintura da personagem:
por José Jacinto dos Santos Filho Resumo O romance The Buenos Aires Affair, de Puig, apresenta-nos uma personagem central cujo perfil é traçado a partir de características de uma pintura fauve, a exemplo das telas de Matisse na sua primeira fase, ou de uma pintura pós-impressionista, como os quadros de Lautrec. Assim, nossa análise da citada obra puiguiana objetiva discutir a construção da protagonista, tendo em vista sua aproximação com os artistas mencionados. Para este fim, recorreremos a teóricos como Argan, Douglas Mannering, Nathaniel Harris, Konstantin Stanislavski, Antonio Cândido e outros que respaldarão nossos argumentos. A partir de comparações entre narrador, pinturas e pintor, desenvolveremos nossa leitura, entendendo que há um movimento na narrativa equivalente ao de um pintor diante de seu quadro. O narrador arma seu cavalete e põe na sua tela as palavras tiradas de uma paleta coloridamente dramática, e vai acentuando os tons a cada tensão experienciada pela personagem principal da trama. |
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| Walçy Salomão: algaravias do Pós-tudo
por Judite Silva Resumo Waly Dias Salomão, poeta multimídia (ensaísta, letrista, músico, pintor, editor, produtor cultural, escritor e poeta) mostrou a miscigenação da cultura brasileira e mundial e a articulação de elementos de diferentes viés das artes, relacionando o estado presente da arte e suas projeções para o futuro. Poeta treinado na teoria literária e de formação marxista pretende ser o homem dos múltiplos olhares. Sua criação poética vai das letras de canções para a MPB, às irreverentes poesias e prosa ao mesmo tempo que descreve os Babilaques como uma "Performance-poético-visual". Senhor das línguas e das linguagens, Senhor dos códigos. Nele os diferentes signos interagem como processos produtivos de linguagen. É no pós-tudo que se assentam os textos e o ambiente da poética de Waly Salomão, objetivando apagar as diferenças entre as múltiplas virtualidades nas artes brasileira. Assim Waly vai construindo suas algaravias e aporta nos dias atuais como pérola cultivada, como gruta que resiste. |
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| DA JANELA AO FAROL: MEMÓRIA E SUBJETIVIDADE
por Rosangela Neres Resumo A adaptação do tempo psicológico do romance para o cinema aperfeiçoa-se nas técnicas em que a subjetividade permite olhar o passado enquanto memória, capaz de fazer significar o presente. Em To the Lighthouse, romance de Virginia Woolf publicado em 1927, percebemos a sutileza com que a memória dá sentido à vivência das personagens, fazendo-as compreender o processo de amadurecimento que nelas se desenvolve. No cinema, a memória é materializada na poesia das imagens filtradas pelo ponto de vista de cada uma das personagens, aglutinando passado e presente como um só tempo. Nesta comunicação, buscamos a caracterização da memória, quando da transposição do texto literário para o fílmico, explicitando o conceito de tempo interior, através da subjetividade do olhar das personagens para as intersecções entre seu mundo de lembranças e seu mundo presente. |
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| Sombras que falam do sol a plena voz
por Maria do Carmo de Siqueira Nino Resumo Analisaremos uma convergência composta pelo simbolismo da sombra presente em Platão (em A República e o Sofista), a lenda de Plínio a respeito da origem da pintura, com o filme Kagemusha (Akira Kurosawa, 1980), que apresenta elementos narrativos, de ordem verbal e não verbal que podem e devem ser problematizados à luz do fenômeno da sombra e alguns de seus avatares, vistos simultaneamente como representação, como conceito, e como símbolo. Nos autores abordados, assim como no filme em questão, a sombra liga-se a um tipo de origem (artística e/ou cognoscível) e centralizam-se no motivo da projeção, projeção esta que originariamente é uma mancha em negativo, uma sombra, enfim, como se fosse destituída de realidade. Tanto a verdade na arte como a verdade no conhecimento serão obtidos na medida da superação desta situação limite do seu nascimento e são materializados pelo protagonista do filme. |
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