| LITERATURA E OUTRAS ARTES NA PÓS-MODERNIDADE: PARADOXAIS CONVERGÊNCIAS |
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Coordenadores Prof. Dr. JOÃO BATISTA SANTIAGO SOBRINHO (CEFET) Prof. Dr. CARLOS MURILO DA SILVA VALADARES (SERPRO) Profa. Dra. LENI NOBRE DE OLIVEIRA(CEFET) |
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Resumo: Podemos estimar que as primeiras manifestações
da subjetividade humana ocorreram em cumplicidade com a arte, como é o caso
das relações do homem com o que hoje identificamos como arte pré-histórica.
Desde este momento "inaugural" as manifestações artísticas em suas múltiplas
faces, como por exemplo, a música, a pintura, a arquitetura, a poesia, a
dramaturgia, constituíram universos próprios e, apesar das regras rígidas
que, muitas vezes, tentaram mantê-las estanques, os artistas, compelidos
pelo imaginário artístico, sempre as burlaram, fazendo, assim, valer o espírito
livre da arte e, por conseguinte, da vida. A Literatura, sobremaneira, em
sua aventura no âmbito das manifestações culturais, sempre esteve vinculada
a um diálogo profícuo com outras formas de representação do mundo. Esse
diálogo se problematizou bastante com o advento da cultura de massa e das
forças mercadológicas da contemporaneidade. Em meio ao fluxo veloz das expressões
simbólicas hodiernas, nos interstícios possíveis, os conceitos de arte continuamente
se dilatam e se refazem. Nesse caso, os gêneros literários , continuando
um processo iniciado na antiguidade, mesclam-se cada vez mais entre si e
incorporam elementos das outras artes, fator importante na sua disseminação
e permanência no mundo. Debater a relação da Literatura com outras artes
é, sobretudo, fazer ressoar um espaço efervescente de tensões e convergências
para além da univocidade hipnótica do mercado. Considerando que Nietzsche
identificou em seu tempo, final do século XIX, eventos que o levaram a anunciar
que viveríamos dois séculos de niilismo, neste simpósio, pretendemos identificar
nas tessituras entre a Literatura e as outras artes, um movimento de convergência
e tensão que, ante as forças niilistas, firma-se, justamente na interação,
nos lastros, laços e tramas que, no decorrer da História marcou profundamente
os rumos da Literatura. Se, por um lado, o efêmero, a fragmentação e a velocidade,
são impulsos da pós-modernidade, por outro, o espaço relacional de tensão
e convergência entre a Literatura e outras artes perfaz tramas que produzem,
no embate de forças constituintes da vida, mesmo que precariamente, condições
imprescindíveis de sustentabilidade à Literatura. " Subtema: Literatura e outras artes |

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| Um estudo de apreciação estética: entre psicanálise e a poética surrealista
por Adriana Barbosa Pereira Resumo Entre psicanálise e a estética surrealista estão as lentes do presente estudo de apreciação da obra do artista plástico mineiro Pedro Moraleida, reafirmando a força da lógica do inconsciente pensado como uma dimensão da existência estética no nosso tempo. A indissociável relação entre vida e obra de arte aponta para a presença da subjetividade desde a origem da obra que, por sua vez, se estende no encontro entre obra e espectador mediado e provocado pela forma da obra. O enigma das forças dissociativas de morte colocam em cheque as forças criativas da vida, a noção e o poder da sublimação. Neste trabalho as idéias do filósofo Merleau-Ponty, do esteta Pareyson e da psicanálise freudiana trançam teias entre vidas e obras, morte e vida, criação e desconstrução, entre inconsciente e percepção. |
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| POEMA CÊNICO: A ALQUIMIA ESTÉTICA DE UMA DANÇA LÍRICA
por Alessandra Araújo de Brito Resumo O propósito deste trabalho é discutir o processo de composição de um discurso poético na dança, que possa relacionar a criação cênica à escritura de um poema. Nesse sentido, buscamos sistematizar alguns importantes conceitos do teatro pós-dramático, apresentados por Hans-Thies Lehmann, a determinados pressupostos da teoria literária. Nossa intenção é apontar para a configuração de uma construção cênica poética, que se caracteriza pela não-narratividade e pela concorrência mútua de elementos estruturais, semânticos e formais, que são utilizados de acordo com certos traços estilísticos que privilegiam suas potencialidades estéticas. Esses procedimentos criativos instauram uma atmosfera lírica, que na contemporaneidade comumente se pauta na fragmentação, na descontinuidade e na dissonância. No diálogo teórico entre literatura e teatro, associamos conceitos como a “escrita automática” e a “peça paisagem”, de Gertrude Stein, ao fluxo performático e às suas relações de tempo e espaço. Além disso, buscamos relacionar a cena ao estatuto da imagem poética nos estudos de Bachelard e Alfredo Bosi. Nesse viés, evidenciamos o caráter híbrido e intersemiótico das poéticas que expandem e mesclam as fronteiras de linguagens que as constituem, ao colocar em concurso eqüitativo a coreografia, o texto, a música, a cenografia, a iluminação, o figurino e outras mídias tecnológicas possíveis. |
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| LETRA / IMAGEM: A TRANSMUTAÇÃO INTERSEMIÓTICA NA POÉTICA DE EDGARD BRAGA
por BEATRIZ AMARAL Resumo A comunicação tem por escopo analisar o movimento dialógico e intersemiótico existente entre as artes plásticas (desenho, pintura, fotografia, artes gráficas) e a poesia de Edgard Braga, particularmente em suas obras produzidas nos anos 1970 e 1980. A plena interação entre estas áreas de expressão artística e a poesia constitui traço marcante da inventividade de Edgard Braga, criador dos “tatoemas” (poemas tatuados na pele do papel). A fusão entre poesia e desenho, na produção bragueana, revela o íntimo grau de proximidade entre os recursos e técnicas das duas manifestações artísticas. Esta intersecção se consuma como importante aspecto da estética contemporânea e resulta numa tessitura muito bem articulada em que se destaca especial ênfase à gênese do poema. |
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| Escrevendo o corpo: a erótica de Hilda Hilst
por Calina Miwa Fujimura Resumo Este trabalho procura investigar, em O caderno rosa de Lori lamby, de Hilda Hilst, quais as formas de representação do corpo criadas pela autora. Os modos de dizer o corpo, nesta obra, passam por uma escrita que parece se empenhar no brincar da criança que testa nomeações às partes do seu corpo e o do outro, nas imagens produzidas através da palavra e, finalmente, na fricção das idéias sexuais, quando postas em evidência por uma narradora menina, afirmando as delícias do toque masculino e do sexo por dinheiro – um corpo todo prazer, um corpo que trabalha. Ao destacar uma escrita escandalosa que fala sobre o corpo, Hilda Hilst, coloca à prova os limites de seu êxtase profanador da língua que almeja, com sua escrita pornográfica, a supremacia da língua, no descompromisso da bandalheira e na experiência que fala o corpo. |
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| Prova de Artista: percursos coincidentes na gravura e na poesia
por Carlos Murilo da Silva Valadares Resumo O artigo buscará similaridades entre a gravura e a poesia, na perspectiva dos procedimentos de composição. O vínculo de nosso interesse, entre estas poéticas, é a forma final impressa no papel. Como premissa, pretendemos investigar a hipótese de que gravura e poesia são construções estéticas cujas gêneses se aproximam por meio de operações e atitudes composicionais semelhantes. Procuraremos vestígios de processos, não de objetos. Percorreremos três momentos da concepção da gravura e da poesia: a elaboração, a construção e a impressão. Este caminho será analisado pelas lentes oferecidas nas reflexões dos próprios artistas, que descreveram influências e materialidades que incidiram no processo criativo, bem como as inevitáveis interferências da contemporaneidade. O artigo dialogará com a produção e as idéias de João Cabral de Melo Neto e Haroldo de Campos. Estes escritores desenvolveram, além de obras poéticas, importantes escritos teóricos, nos quais relataram conexões entre palavras e imagens. Este material será confrontado pelas trabalhos de três gravadores brasileiros em atividade, Clébio Maduro, Evandro Carlos Jardim e Mario Gruber, artistas que compartilham concepções estéticas próximas e que também produziram reflexões importantes acerca da arte brasileira contemporânea. |
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| Arte e Mito em The Interpreters de Wole Soyinka: O Estético como Político e Vice-versa
por Divanize Carbonieri Resumo The Interpreters (1964), primeiro romance do nigeriano Wole Soyinka, foi escrito logo após a independência da Nigéria, mas já aparece marcado pela desilusão característica das narrativas de dissidência interna (Fraser, 2000). A autonomia política não trouxe as mudanças e a liberdade que os nigerianos almejavam. Os “intérpretes” dessa nova sociedade são jovens intelectuais que vivem em Lagos e que se debatem, cada um a seu modo, com os desmandos e erros das elites governantes do país. Kola, um jovem artista plástico, se dedica a pintar um quadro dos orixás, as divindades do panteão iorubá, usando como modelos seus amigos. Assim, existe a idéia de que o passado ancestral da cultura, com toda a sua poderosa mitologia, deve funcionar como um reservatório de energia para a nova nação, fornecendo as ferramentas necessárias para que ela vença seus desafios. O quadro de Kola se coloca ainda como uma espécie de paradigma para a construção do romance de Soyinka. Nosso objetivo nesta comunicação é traçar os paralelos presentes nesse romance entre política e estética, arte e mito, presente e passado, buscando revelar as principais idéias de Soyinka a respeito do posicionamento do artista/escritor frente a todas essas esferas. |
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| O MITO DOS MUNDOS PARALELOS DA LITERATURA INFANTO-JUVENIL DE FANTASIA: A ODISSÉIA DE CANDY QUAKENBUSH EM ABARAT DE CLIVE BARKER
por ÉRIKA MORAIS MARTINS DE PÁDUA Resumo Em A Odisséia de Homero temos uma das mais influentes representações na mitologia dos mundos paralelos, os locais que fazem parte da jornada do "mito do herói de mil faces" de Joseph Campbell. As ilhas visitadas por Ulisses representam mundos paralelos que recriam e deformam o local de origem da narrativa, realçando elementos do drama humano. Os mundos paralelos na literatura de fantasia infanto-juvenil seguem a mesma estrutura arquetípica dos mundos paralelos mitológicos. Em Abarat, de Clive Barker, Candy Quackenbush é uma garota que embarca em uma jornada em um mundo paralelo formado de várias ilhas habitadas por seres fantásticos. Em Abarat, Clive Barker recria a Odisséia de Homero, redefinindo o papel do herói em sua jornada pelos mundos paralelos. Candy Quackenbush subverte a jornada masculina de Ulisses pelos mundos paralelos em uma perspectiva feminina que evoca sensibilidades e questões importantes da pós-modernidade. |
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| A alegria trágica no conto "Sorôco, sua mãe, sua filha" de João Guimarães Rosa
por João Batista Santiago Sobrinho Resumo Pretendemos analisar o conto “Soroco, sua mãe, sua filha”, do livro Primeira estórias, de João Guimarães Rosa, e revelar aspectos de uma tragicidade nos moldes propostos por Friedrich Nietzsche em seu Livro, O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. Entendemos que os acontecimentos narrados no conto rosiano traduzem forças apolíneas e dionisícas que, sobremaneira, expõe tessituras tramadas entre os gêneros do conto e da tragédia. O conto narra a estória de Sorôco, um homem do povo que, numa sociedade marcada pelo controle, sem condições de cuidar de sua mãe e sua filha deve, a contra gosto, entregá-las aos cuidados do hospício de Barbacena. Os acontecimentos narrados comportam nuances de uma encenação trágica, cujas urdiduras perfazem o coro que, pela forma como surge no conto, assemelha-se à maneira como Nietzsche o percebe na tragédia grega. |
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| Transe e trânsito: ansiedade dos intelectuais e posicionamento político
por Larissa Dantas Resumo Partindo da distinção entre intelectual livre e intelectual responsável de Pierre Bourdieu e do conceito de ansiedade de Harold Rosenberg, pretende-se analisar e compreender a maneira como as personagens protagonistas de Terra em Transe, de Glauber Rocha, e Desonra, de J.M.Coetzee, como intelectuais, vivem o seu momento de embate social e que posições políticas tomam diante dos fatos da realidade a eles apresentados. |
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| A escrita das imagens na contemporaneidade do escritor
por Leni Nobre de Oliveira Resumo A Literatura, como uma espécie de arte muito antiga, presente em todas as culturas, tem ocupado um espaço muito especial na mentalidade humana. E não raro o diálogo das demais artes com as obras literárias se faz de modo muito intenso, de acordo com o homem no seu tempo. A partir dessa reflexão, decidimos tomar trechos de duas obras literárias para repensar a criação imagética pelos poetas, no ato de pensar o mundo, a partir de sua contemporaneidade. A primeira se trata de um trecho da obra Os lusíadas, de Camões, mais precisamente a sua descrição do que ele chamou de “A máquina do mundo”. A segunda, O Aleph, de Jorge Luís Borges. Este artigo pretende observar os diferentes modos de apresentação imagética do mundo e de penetração nos seus mistérios pelos dois grandes poetas separados por 4 séculos, no intuito de demonstrar que o escritor escreve por imagens possíveis a partir do seu tempo sem saber que cumpre uma condição imprescindível de sustentação de sua obra literária, porque escrever está no âmbito da invenção e da imaginação, portanto esteticamente no mundo das imagens. |
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| Textualidades fraternas: poemas de Cuti e charges de Maurício Pestana
por Luiz Henrique Silva de Oliveira Resumo O objetivo deste trabalho é comparar as poesias de Cuti às charges de Maurício Pestana, tratando-as como textualidades fraternas, já que os mecanismos de funcionamento dos versos assemelham-se aos das imagens: discursividades emancipatórias do coletivo afro-brasileiro afinado por um diapasão político-estético; focalização e formação do leitor/interlocutor negro; necessidade de compor contra-narrativas da história do negro no Brasil; discussão dos quadros de identidade cultural forjados para o país e a inserção do negro, neste quadro, enquanto sujeito; e cunhagem de outros significados para o termo "negro" e afins. |
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| Palavras paradoxais e imagens impossíveis: aproximações entre os prefácios de Tutaméia, de Guimarães Rosa e as gravuras de M.C.Escher
por Marcelo Corrêa Lima Resumo Tutaméia é livro-máquina agenciadora de múltiplos sentidos. Sua estrutura permite a entrada e saída do texto por múltiplos meios. Através de uma análise dos paradoxos presentes no uso do non-sense da linguagem de "Aletria e Hermenêutica", e outros prefácios, é possível estabelecer um paralelo com as construções impossíveis de M.C.Escher. As teorias de Deleuze e Guattari servirão de suporte para esta aproximação, respeitando-se as características de cada suporte |
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| A escrita pictórica de Lygia Fagundes Telles
por MARTA DA PIEDADE FERREIRA Resumo Para José J. Veiga, Lygia Fagundes Telles trata nos seus contos de tudo o que acontece em sua volta em torno de todos nós, mas principalmente do que está no nosso interior, dos transtornos de que nós humanos somos herdeiros. A autora passa a impressão de que ela conta histórias que viu, sem inventar. Recolhe do cotidiano o material da vida e o transforma em símbolo de arte. Para a autora, memória é invenção. O que escreve é como um testemunho, o registro de uma época. No conto “ O menino e o velho” , do livro Invenção e memória, Lygia relata através do narrador, de maneira rápida e natural, as observações que fizera em dias alternados, da presença de um velho e um menino sentados sempre em uma mesma mesa, em um restaurante. O desfecho trágico daquela misteriosa amizade: a morte do velho enforcado com uma cordinha de náilon pelo menino que lhe roubou tudo o que pode. Desfechos trágicos, parecidos com esse entrelaçam a nossa vida todos os dias e nos chegam por meio de variadas artes. Nesse artigo, objetivamos ressaltar a ligação do fato da narrativa que nos assombra com a candura da figura infantil no quadro El buen pastor, do sevilhano Bartolomé Esteban Murillo e nos cartões com meninos de Vicente López Portaña - Goya, Muchachos cogiendo fruta e Niños inflando la vejiga. E ainda com a pintura Viejo desnudo al sol, do catalão Mariano Fortuny. |
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| O MITO DE FAUSTO E MEFISTO NA LITERATURA DE HORROR CONTEMPORÂNEA: OS DEMÔNIOS PÓSMODERNOS EM "HELLBOUND HEART" DE CLIVE BARKER
por NEWTON RIBEIRO ROCHA JÚNIOR Resumo O mito de Mefisto e Fausto, perpetuado na literatura através das obras de Marlowe e Goethe, revela a complexa relação entre o homem e o mal através das complexidades do pacto maligno. A literatura de horror contemporânea desenvolve-se em sob a sombra da narrativa faustiana, reformulando o pacto maligno e redefinindo o papel de Mefisto em novas representações do mal que refletem as mudanças do pensamento contemporâneo. Clive Barker, um dos mais influentes e importantes autores da literatura de horror contemporânea, recria o drama de Fausto em "Hellbound Heart", apresentando os Cenobitas; Mefistos andróginos pós-modernos que seduzem através da própria perversão de Faustos contemporâneos em busca de prazeres proibidos. Ao invés de conhecimento da realidade, os Faustos de Clive Barker buscam a realização de todos seus prazeres sensoriais, fascinados pela amoralidade dos Cenobitas. Dentro do conceito de Hans Blumenberg sobre a influência do mito na literatura, Clive Barker redefine o pacto maligno faustiano para se adequar ao individualismo da pós-modernidade. |
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| O Grotesco na Máscara Teatral
por Ana Caldas Lewinsohn Resumo Nas teorias modernas de Kayser e Bakhtin que tratam do grotesco podemos ressaltar dois princípios: a construção paradoxal a partir da fusão de contrários e a busca de uma não definição de sentido único. Estes princípios conduzem a obra para um estranhamento, podendo ser tanto absurdo como terrível. Desde o ressurgimento do trabalho da máscara teatral no séc. XX elementos do grotesco têm sido verificados na cena com Gordon Craig, Meyerhold e Copeau. No Brasil a pesquisa da linguagem da máscara tem sido realizada com ênfase no trabalho do ator seguindo uma linha de pesquisa que perpassa Copeau, Sartori, Streller e Lecoq. No entanto, nos espetáculos resultantes destas pesquisas percebemos serem ainda pouco exploradas as possibilidades de uma estética grotesca na encenação como um todo, incluindo outros elementos cênicos como cenário, luz, objetos e a própria dramaturgia. Neste trabalho pretendemos refletir de que maneira alguns elementos do grotesco são ressaltados no uso da máscara teatral na cena contemporânea brasileira. Além disso, apresentaremos outras possibilidades para encenação grotesca com a máscara inspirados nos movimentos de vanguarda européia, bem como em trabalhos posteriores que não fazem parte das referencias de pesquisa com máscara no Brasil. Co-autor: Mestrando VINÍCIUS TORRES MACHADO (USP) |
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| Poesia e pintura: encontros e desencontros
por Gilda Sabas de Souza Resumo Ismael Nery, poeta e pintor modernista do início do séc.XX, escolhe a si próprio como o objeto principal de suas obras. Em seus auto-retratos, tanto na poesia como na pintura, Ismael faz o “retrato” de si mesmo na tentativa de encontrar-se ou de des-encontrar-se... Nesta comunicação, pretendemos identificar o processo criativo do artista na construção dos elementos líricos de seus auto-retratos na poesia e na pintura, estabelecer relações de semelhanças ou diferenças entre os elementos visuais e literários, verificar se o artista torna-se efetivamente os “sujeitos líricos” de suas obras, e, ainda esclarecer como ocorrem os encontros e des-encontros entre os “eus” (sujeitos líricos) com o “eu” (sujeito homem) Ismael Nery na poesia e na pintura. Esses encontros e des-encontros entre o artista e os seus “sujeitos líricos” (o próprio artista?) reforçam a idéia de que tanto na poesia como na pintura o que prevalece é a multiplicidade do poeta e pintor Ismael Nery em vários “Eus”, que rompem a tela e o papel e se tornam, por vezes, o outro sujeito (expectador) que, de fora, olha e sorrateiramente penetra em seus silêncios feitos de palavras e tintas. |
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| Entre o verbal e o visual: convergências poéticas
por João Guilherme Dias Resumo Inserido de forma intensa nas práticas culturais contemporâneas, o apelo imagético encontra-se em um cenário ao mesmo tempo dinâmico e incerto. Vítima de sua própria inflação, o estatuto mágico da imagem é, ao mesmo tempo, criticado e cultuado. Observável em todas as linguagens, a imagem pode ser percebida como um acontecimento semiótico, um fato antropológico, histórico-social. Interessa-nos aqui, analisar as práticas audiovisuais que promovem uma intensa experimentação estética no tratamento da imagem e da palavra. Em específico, as narrativas videográficas contemporâneas e a poesia visual. O trato dispensado à imagem nesses suportes, verdadeiros territórios híbridos, oferece uma leitura dinâmica do conturbado mundo contemporâneo. Nosso estudo propõe em um primeiro momento, um retorno à poesia, à letra, para, em seguida, pensar as novas linguagens em seus novos e tradicionais suportes. Da letra, passamos à imagem poética no cinema, e seus desdobramentos na produção de obras assumidamente poético-visuais a fim de compreender como essa estética espalha-se em outras narrativas atuais, sejam elas cinematográficas, teatrais, literárias ou multimidiáticas. |
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