| FLUXO-TRAMA, IDENTIFICAÇÕES E TOPOLOGIAS: DESAFIOS TEÓRICOS E EXPERIMENTOS CONTEMPORÂNEOS EM LITERATURA E INTERARTES |
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Coordenadores Prof. Dr. EDGAR ROBERTO KIRCHOF (ULBRA) Prof. Dr. MÁRCIO PIZARRO NORONHA (UFG) Profa. Dra. ISABELLA VIEIRA DE BEM (ULBRA) |
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Resumo: Estudos recentes, mesmo situados em
diferentes paradigmas, têm permitido vislumbrar uma crescente convergência
entre as linguagens da literatura, das artes e até de sistemas tradicionalmente
considerados não-artísticos ou não-estéticos, como é o caso das linguagens
vinculadas à assim chamada cultura das massas bem como à cultura das mídias,
à cultura visual e a signos transmidiais. Diante de uma cena que propaga
a valorização crescente dos procedimentos artísticos e literários, ao mesmo
tempo em que dissolve, no amplo campo da estética, as especificidades das
linguagens, o simpósio apropria-se de procedimentos de leitura e subjetivação,
gira em torno do campo topológico da linguagem e da tríade "Tessituras,
interações e convergências" como trama, fluxo e comunidade, enfocando e
problematizando os desafios teóricos e as diversas formas emergentes e de
experimentação enfrentados pela literatura e outras artes no mundo contemporâneo.
Focalizando diferentes objetos, atos culturais e artísticos na sua mútua
constituição com o texto literário, o simpósio acolhe estudos teóricos,
analíticos, crítico-interpretativos e de processos de criação que abordem
a especificidade estético-literária presente na dinâmica dissolução-acirramento
de fronteiras de toda ordem. Nesse panorama, pretende-se discutir a constituição
de subjetividades e de identificações no tempo e no espaço, a partir de
deslocamentos / deslizamentos. Interessa discutir linguagens, formas, performances
e tematizações. Nesse quadro, privilegiam-se os campos da teoria interartística,
a narratologia, a semiótica, os estudos culturais / pós-coloniais bem como
a psicanálise lacaniana. " Subtema: Literatura e outras artes |

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| Entre obra, biografia e processos relacionais: relações interartísticas na produção artística de Paulo Bruscky
por Cintia Guimaraes Santos Sousa Resumo Este artigo parte do estudo da Teoria Interartes e dos Estudos da Estética Comparada e da nova história biográfica , envolvendo o projeto de doutoramento no Programa de Pós-Graduação em História (FCHF / UFG). O projeto tem como objeto desenvolver uma biografia do artista plástico Paulo Bruscky. Tomado enquanto paradigmático para a abordagem das relações entre as artes e entre arte-linguagem-comunicação, sua trajetória é pontuada quase sempre através de relações explícitas entre imagem e palavra – a palavra enquanto imagem e o que podemos nomear como sendo um texto visual (o que o aproxima do conceito e da experiência da poesia visual brasileira). A pesquisa pretende ainda buscar as definições-conceituações de arte, de contemporaneidade e de arte contemporânea no corpus das produções do artista, reforçando a articulação entre a produção e o artista (arte-vida), tendo como alvo a biografia de artista. Bruscky aproxima sua produção de arte das reflexões geradas no interior do campo da teoria inteartes, valorizando de modos os mais diversos a perspectiva experimental-performática e as relações entre as diferentes linguagens. |
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| Animê e mangá: NGE e a rede interartística na cultura pop japonesa
por Danielly Amatte Lopes Resumo À medida que estudos recentes nos vêm permitindo visualizar uma possibilidade de convergência entre as linguagens da literatura, da arte e das linguagens vinculadas à cultura das massas, tornou-se foco de interesse o exame de alguns produtos de grande sucesso de público. A cultura pop japonesa, um grande sucesso de público neste início do século XXI, se apresenta com uma linguagem que leva seu leitor/usuário a transmutar signos de linguagem para linguagem, transformando este leitor obrigatoriamente num co-autor capaz de submergir em um texto que lhe oferece uma profusão de hipertextos. Esse trabalho se propõe a examinar esse trânsito entre o mangá (história em quadrinhos impressa) e o animê (animação) partindo da obra Neon Genesis Evangelion. NGE é dentro da cultura pop japonesa uma consagrada série que se apresenta como uma profusão de conexões extra-obra que nos forçam a re-locar mitos e concepções. Tendo sido publicada em duas versões (mangá e anime) a série nos abre a possibilidade de examinar o processo de trânsito de signos de uma linguagem a outra bem como focalizar esses diferentes objetos na sua constituição como texto literário. |
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| Dança Esquizofrênica: um recorte interartístico da dança na cidade de Goiânia na década de 1980
por Luciana Ribeiro Resumo Este trabalho apresenta uma análise da dança na cidade de Goiânia tendo como ponto de partida um filme realizado em 1982, intitulado “Quinta Essência”. Este investiga uma relação possível entre a arte e a loucura através de um experimento musical em que uma bailarina visita os espaços de um hospital psiquiátrico. O que pode o corpo? Corpo-arte, corpo-loucura, corpo-história. Procura-se aqui identificar alguns lugares preenchidos por este corpo enquanto gestualidade poética, ou seja, enquanto dança e como isto se cruza no cenário cultural e artístico característicos da cidade na época. Buscar-se-á estabelecer uma relação entre o filme e seus elementos fundantes – o corpo, a dança e a clínica – e a história cultural da dança enquanto prática artística em Goiânia na década de 1980. As narrativas apontadas tanto no universo do filme quanto na história cultural da dança local constroem enredos fugidios de existências contrárias do cotidiano trivial tornando a monotonia da realidade passível de fruição e expondo diálogos e fronteiras entre o corpo (cidade) e a arte (dança). Como os estudos até aqui apontaram e alguns teóricos como Gil, Deleuze, Canclini e Bernuzzi confirmam: a característica passageira e fugaz de alguns enredos criados e transmitidos não garante a sua superficialidade. |
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| Do texto à textura: títulos-poema e a inserção da palavra na composição visual
por Manoela dos Anjos Afonso Resumo Este trabalho tem como objetivo aprofundar reflexões e iniciar discussões sobre uma das questões apenas apontadas em minha dissertação de mestrado: o título enquanto parte da composição da imagem gráfica na série de gravuras Brasília Gravada. Durante essa pesquisa teórico-artística, percebi que os títulos que eu dava às minhas gravuras estrapolavam a condição de “nomenclatura”. As frases, palavras ou expressões escolhidas para nomeá-las passaram a ter relação direta com a criação das imagens. Mais do que apenas o nome de cada gravura, esses títulos-poema – influenciados pela poesia de Nicolas Behr - passaram a fazer parte daquilo que eu chamei de idéia compositiva. Através da análise conjunta de títulos e imagens gráficas pude perceber apontamentos da concatenação de conhecimentos envolvidos nos processos de criação pelos quais transitei durante tal produção artística. Aos poucos, a palavra conquistou um espaço importante em relação às próprias gravuras. Tal fato levou-me a novas experimentações gráficas na forma de cartazes – já um desdobramento da série gráfica inicial - nos quais a palavra pula para dentro do espaço da imagem, ampliando e explicitando essa relação. |
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| Reflexões teóricas em torno de interfaces: psicanálise e interartes e as relações tempo-espaço. Agenda e pesquisas em andamento.
por Marcio Pizarro Noronha Resumo As noções de arcaísmo e de fantasma, tal como foram desenvolvidas no campo da Psicanálise, já tratavam das relações tempo-espaço nas condições de simultaneidade e heterogeneidade. Estas relações podem ser experimentadas e desenhadas na forma de um Atlas, resultante não apenas de coordenadas de direção mas também sob a forma da superposição-justaposição de mapas. A produção artística contemporânea, nas configurações entre escrita e visualidade, apresenta a incidência destas superfícies espelhadas e superpostas. A produção e o trajeto artístico brasileiro, ambos, revelam, este lócus do interstício e de presentificação do arcaico (nos termos de Freud-Lacan), onde as manifestações culturais que foram destinadas ao campo do Outro, são, em realidade, a face atualizada do antigo, da nossa própria historicidade recalcada. Para além da perspectiva histórica e linear, que dá as culturas ameríndias, africanas e migrantes as condições de ancestrais e de ponto de origem, a perspectiva enunciada do arcaísmo psíquico demonstra a inatualidade deste ponto de vista e o encontro sempre atual de um passado que não existe como tal, sendo sempre a pontuação de um presente incessante e de um presente inexistente como valor único, mas como escansão – divisão – tensão entre passado e futuro. Critica-se assim a perspectiva da herança ou matriz cultural no entendimento da cultura e privilegia-se uma perspectiva política e psíquica. Nos termos das questões artísticas, os processos de globalização e amplificação das linguagens artísticas bem como de sistemas e procedimentos estéticos, para além de uma situação diaspórica, têm resultado em situações de redefinição de fronteiras e tracejamento de configurações topológicas que vão além das geografias consentidas. Nestes termos, o texto consiste num levantamento de pesquisas em torno de questões tais como a autobiografia e a auto-etnografia, os arcaísmos e resistências na política e nas artes e as formas de adesão ao corpo-identidade. Para exemplificar os estudos teóricos, trataremos dos desdobramentos entre os eixos clássico-maneirista-barroco, suas articulações no campo da psicanálise (Lacan - MDMagno - Noronha) e nas poéticas textuais e visuais (El Greco, Velázquez, Caravaggio, Rembrandt, Severo Sarduy, Borges, Omar Calabrese, Irlemar Chiampi, Celso Favaretto, Serge Gruzinski, Lezama Lima, Manuel Puig, Helio Oiticica, Beatriz Milhazes, José Rufino, Adriana Varejão, Tunga, Rubens Gerchman, Cildo Meireles e Waltercio Caldas, dentre outros teóricos e artistas). |
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| Papéis e Tintas: Baudelaire o poeta como critico e criador
por Marcos Antonio de Menezes Resumo Com esta comunicação, propomo-nos a apontar como se cruzam em Baudelaire o crítico de artes plásticas e o poeta. A nosso ver o conjunto de 18 poesias, Quadros Parisienses, escritas entre 1857 e 1860, foram fortemente influenciadas pela produção pictórica dos artistas plásticos com os quais o poeta conviveu e sobre os quais escreveu particularmente Eugène Delacroix e Constantin Guys, retratistas do cotidiano, do fugaz, do fugidio, que marcaram profundamente a estética de As Flores do Mal. Honoré Daumier, Gustave Courbet, Jean-Auguste-Dominique Ingres, Edouard Manet, Johon Mallord William Turner, Pierre Auguste Renoir, Edgar Degas, Francisco de Goya y Lucientes, Charles Méryon, Eugène Delacroix e Constantin Guys são alguns artistas sobre os quais Baudelaire produziu suas críticas de artes publicadas em vários jornais franceses. Os principais textos de Baudelaire que tratam de artes são: Salão de 1845, O Museu Clássico do Bazar Bonne-Novele, Salão de 1846, Da Essência do Riso e de Modo Geral do Cômico nas Artes Plásticas, Alguns Caricaturistas Franceses, Alguns Caricaturistas Estrangeiros, Exposição Universal de 1855, A Arte Filosófica, Salão de 1859, O Pintor da Vida Moderna, Obra e Vida de Eugène Delacroix. Estes textos, a produção dos artistas citados e as poesias de Baudelaire reunidas em Quadros Parisienses serão a matéria-prima de nossa abordagem. |
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| Literatura e artes plásticas:
por Maria Eugênia Curado Resumo A semiose é um processo investigativo possibilitador, via interpretante dinâmico, de imbricamentos da linguagem verbal com a não verbal assim como de atualizações sígnicas de um dado objeto, uma vez que, nesse caso, o pesquisador é um dos elos dessa articulação. Com base nessa assertiva, o propósito do presente trabalho é apontar correspondências do texto literário de Clarice Lispector com o surrealismo figurativo do belga René Magritte. Para tal, propõe-se a verificação dos aspectos sensoriais, sobretudo, a visualidade como promotores de possibilidades dialógicas, considerando, também, que “cosmovisões” semelhantes expressam, por meio e modos diferentes, traduções correspondentes. Para realização desta pesquisa, primeiro fizeram-se algumas considerações teóricas com o intuito de nos situarmos diante dos pressupostos de Peirce. Depois ponderamos sobre as poéticas surreais e sua presença no texto lispectoriano. Em seguida, apontamos em Magritte características que propiciam o diálogo de sua arte com o literário. Finalmente, analisaram-se as aproximações entre o texto de Lispector, priorizando-se sua prosa curta, com as obras de Magritte. |
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| PINTURA E POÉTICA EM WALMOR CORREA. DOS GABINETES DE CURIOSIDADE ÀS ZOOPOÉTICAS
por Miguel Luiz Ambrizzi Resumo Este texto trata de um estudo em andamento no âmbito das relações Arte e Natureza , como tema vindo das tradições clássico-romântica. Partindo das visualidades artísticas produzidas pelo pintor brasileiro contemporâneo, Walmor Corrêa, observam-se especificamente os temas entre pintura e poesia , valorizando a forma e o contexto desta pintura e desenho (arte acadêmica, ilustração) e as relações entre arte, natureza e ciência (imaginário científico). Os estudos e séries pictóricas incluem a noção representacional da Natureza, entre um padrão de representação iconográfica – acadêmica, científica e documental – e um imaginário teratológico (imaginário popular). Corrêa restaura para o presente a visão naturalística, mas ele oferece um outro ponto de vista, com a intenção de propor simulacros para nosso próprio mundo. Neste artigo, o tema do imaginário artístico contemporâneo sustenta uma reflexão acerca da emergência destas imagens na Arte Contemporânea. Nós analisamos as relações desta estética com as regras e padrões da produção de arte em nosso tempo. Nestes termos, investigamos algumas possíveis relações com a poesia do Bestiário e, na atualidade, com as ficções literárias de FC. Co-autor: Prof. Dr. MARCIO PIZARRO NORONHA (UFG) |
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| Experiência e Memória: A Fotografia na Obra “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust
por Saulo Germano Sales Dallago Resumo O presente trabalho tem por objetivo investigar as possíveis relações que a imagem visual, em geral, e a fotografia, especificamente, podem estabelecer com os conceitos de memória voluntária e involuntária, presentes na obra de Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”. Partindo da leitura dos dois primeiros volumes do romance proustiano, “No Caminho de Swann” e “À Sombra das Raparigas em Flor”, a pesquisa procura identificar no texto literário a presença de referências sobre a fotografia, tanto no que diz respeito a esta enquanto possibilidade de evocação de memórias involuntárias, quanto em relação aos elementos intrínsecos ao campo fotográfico abordados pelo romancista francês. Ao relacionar estudos referentes a história, memória, literatura e fotografia, o estudo insere-se nos campos das Interartes e Interdisciplinaridades, buscando teorizações sobre os conceitos de Experiência e Memória e das conexões estabelecidas entre estes, o romance e o registro fotográfico. O trabalho está vinculado à pesquisa de Doutorado em História pela Universidade Federal de Goiás intitulada “Performance e Fotografia: a Narrativa Audiovisual das Memórias do Grupo Teatro Exercício”, sob orientação do prof. Dr. Márcio Pizarro Noronha. |
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| Descrições de paisagem nas topografias-corpografias de Adriana Varejão e as relações imagem-texto no catálogo de arte
por Suely Lima de Assis Pinto Resumo Este texto objetiva analisar a poética de produção da artista Adriana Varejão sob a perspectiva da paisagem, investigando hierarquias e outras relações entre a imagem e o texto na forma-catálogo. Seu trabalho se constitui em detalhes, acidentes, sinais e objetos, descritos topograficamente. A obra de Varejão retoma a polarização (forma e matéria) a partir de uma imagem que se desfaz, que se desconfigura como se deteriorasse aos nossos olhos visceralmente. O texto/catálogo constitui uma leitura-visitação que possibilita o leitor a percorrer a obra do artista por meio da relação imagem/texto. A obra de Adriana Varejão remete o observador ao viajante da arte romântica do século XIX a partir do elemento viagem. Ao percorrer o interior de Minas Gerais a artista se apropria de fragmentos da arte barroca, proporcionando a partir daí um revisitar aos elementos desta paisagem, tendo os azulejos como o principal foco. A arte subjetiva do período romântico se apresenta no texto imagético de sua obra, mediado pela metáfora da paisagem que a artista revisita apresentando novas linguagens, novas paisagens, nova subjetivação. A partir da contemplação da paisagem, Adriana Varejão se apresenta como uma nova exploradora, habitando o mundo do objeto por meio de um diálogo imaginário que neste estudo se analisa a partir do conceito de paisagem e da relação imagem/texto revisitada pelo catálogo/obra. Co-autor: Prof. Dr. MÁRCIO PIZARRO NORONHA (UFG) |
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| Enredamentos na literatura de afrontamento político
por Ana Maria Koch Resumo A leitura de textos literários de afrontamento político produzidos e publicados durante o período de vigência da ditadura militar iniciada em 1964, no Brasil, permite propor, como viés de análise, que estão construídos com recursos textuais vindo da sátira. Essa não é a fonte única que sustenta a intextualidade praticada pelos literatos brasileiros. Pode ser indicado, também, um enredeamento com a produção literária norte-americana do período pós-Segunda guerra mundial, especialmente aquela caracterizada pela reação ao macartismo anti-comunista, além de um entretecido com recursos textuais próprios da comunicação de massa, contadas nela as possibilidades dadas pelas revistas em quadrinhos, pelo cinema, pelo texto jornalístico e pela fotografia. A proposta da comunicação é a de demonstrar esse fenômeno. |
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| Poesia e Performance
por GLAUCIA VIEIRA MACHADO Resumo A proposta deste trabalho é refletir sobre algumas performances de poetas brasileiros em diferentes situações e contextos. O estudo se volta ao tempo presente, às apresentações poéticas que respondem ao mundo atual e está inspirada principalmente nos trabalhos de Paul Zumthor, centrado na vocalidade. O fenômeno da voz configura-se na materialidade do corpo, mas também se apresenta como mídia primária e primordial, argumento importante que nos vem pela economia sociocultural de Harry Pross. Para ele, a construção de recursos técnicos pode superar as restrições da percepção elementar. Ao mesmo tempo, o corpo hoje é compreendido como identidade do homem contemporâneo. É um corpo transformado, que passa a ser suporte de diferentes linguagens não-verbais e instrumento de transgressão sociocultural, na perspectiva de Henri-Pierre Jeudy, que pode ser relacionada à visão de autopoieise, de Humberto Maturana. Desse modo, a linguagem da performance não é vista aqui como estrutura cerebral, mas como construto relacional. A poesia que salta do livro e se presentifica é uma linguagem que não se dá no corpo como um conjunto de regras, mas como formas coordenadas, caminhos e passagens do conhecimento construído a partir dela. |
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| The rite of the right of writing in Douglas Coupland’s The Gum Thief
por Isabella Vieira de Bem Resumo The Gum Thief , Douglas Coupland’s latest novel, presents characters in highly technologized contemporary North America whose interpersonal communication has migrated to writing as its form of choice. Face-to-face communication is presented as meaningless or formulaic at its best and cruel and performatic at its worst, and, as such, stands as an index of dehumanization. In this novel, it is writing that bears the richness and potentiality of fostering one’s sense of identity, of individuality and of belonging. Overtly drawing on Edward Albee’s Who’s afraid of Virginia Woolf play and movie adaptation, as well as on Richard Burton and Liz Taylor’s biography, the novel is composed of a series of writing pieces, such as notes, letters, e-mails, chapters of different novels written and in the process of being written by characters in it, and by characters in the novels within this novel. As they undertake writing as their optimal means of communication, they undergo rites of passage, they are forced to deal with not here-not now conscience and consciousness, imposing and installing flow and plot in their otherwise byte-to-byte lives, for there are just a few with the right of writing anything, let alone a novel. The novel stands as a mirror to a predominantly visual culture, portraying precisely in writing an accurate rendition of the role of literature and literariness in an age that has been repeatedly referred to as that of the end of books. |
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| My Complement, My Enemy, My Oppressor, My Love: as relações ambíguas entre escravos e senhores segundo Kara Walker
por Jane Thompson Brodbeck Resumo Através da retrospectiva de seus últimos trabalhos no Whitney Museum, a artista conceitual Kara Walker demonstra uma total familiaridade com os mais diversos gêneros e formas artísticas, em especial, a silhueta, uma forma de desenho dos séculos XVIII e XIX, que ela reutiliza na representação dos personagens de dois romances sobre a escravidão na época da guerra civil americana: O vento levou e A cabana do Pai Tomás. O sombreado das silhuetas/personagens favorece a sobreposição de contextos onde as cenas românticas se confundem com cenas de estupro, castigos, enforcamentos, linchamentos, troca de papéis entre opressores e oprimidos, provocando uma ambigüidade constante e identidades mutáveis, num jogo de luz e sombra. Pretende-se neste artigo discutir como os estereótipos construídos nos romances acima citados são reinterpretados por outras linguagens tais como desenhos, colagens, animações de marionetes, vinhetas, cicloramas, silhuetas, além do processo de permanente questionamento identitário o qual Kara Walker realiza através da criação e da sua condição de artista performática. |
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| Tramas e resistência
por ODIOMBAR DO AMARAL RODRIGUES Resumo Pedras de Calcutá (1977) de Caio Fernando Abreu é um testemunho dos momentos sombrios por que passava o Brasil durante o regime militar. Por esta e outras razões é um texto repleto de simbolismos e sugestões. A leitura dos contos não se esgota no plano lingüístico, pois no processo de construção há elementos que apontam para uma correlação com outras artes como música, teatro e pintura. A significação ressurge a cada leitura mesclada por procedimentos que “tramam” as diversas interpretações possibilitando uma leitura crítica e reveladora de subjetividades. Tal processo de construção do texto aponta, tanto para uma resistência aos “anos de chumbo” como uma revelação do esgotamento da palavra que se socorre de outras áreas da arte a fim de conseguir revelar o mundo caótico pelo qual o Brasil passou na década de setenta do século passado. . |
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