| DO ÍCONE AO TEXTO: LEITURAS NA TERCEIRA MARGEM |
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Coordenadores Profa. Dra. Maria de Lourdes de Melo Pinto (ISE/Faetec, UNESA) Profa. Dra. ANA Beatriz de Araújo Linardi (Faculdade de Campinas) |
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Resumo: Literatura e Pintura, esses dois sistemas
de signos se entrelaçam no interior do chamado Livro Ilustrado. Essa produção
demanda um diálogo entre os códigos verbais e não-verbais na constituição
de uma mensagem. Requer, pois, que o ilustrador, além de leitor, participe
da co-autoria do texto. A função das ilustrações é a de intensificar os
sentimentos evocados pelo texto escrito, fazendo com que o leitor, ao se
deparar com essa interação, possa ampliar suas possibilidades de entendimento
do texto, preenchendo novos espaços de significações. O Livro Ilustrado
não é exclusividade das literaturas infantil e juvenil. É um fenômeno recorrente
na história da arte, tendo em vista que muitos pintores evocam obras literárias
em suas produções. Essas formas de interação nos suscitam abertura para
uma discussão entre literatura e artes visuais. " Subtema: Literatura e outras artes |

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| O corpo de leitura no romance Fragmentos de um Discurso Amoroso
por Alice Bicalho de Oliveira Resumo Este trabalho busca pensar a relação do corpo com a atividade de leitura na obra Fragmentos de um discurso amoroso. Parte da observação de Barthes sobre a importância da ordenação para o estudo do fragmento. Crê que o autor fez uso da ordenação alfabética dos fragmentos buscando não desfazer a possível neutralidade que esta forma de escrita proporciona. O livro em questão é formado por figuras de discurso compostas por um argumento e apresentadas por fragmentos de romances, trechos de conversas etc. Com tal organização, os romances, não apenas aqueles que fragmentados compõem as figuras, mas o próprio "discurso amoroso", perdem a narratividade e consequentemente, o corpo. Este se torna, assim, um corpo ausente que se forma pela leitura, e não pela estrutura. A escrita das figuras torna neutros os discursos romanescos que o fundaram, não por operar nos conteúdos, mas pelo corte: uma operação direta no corpo do texto original. Em seqüência, é o próprio livro cujo corpo está em suspenso que permitirá ao leitor entrar em seu espaço de fruição, seguir a trilha do seu desejo de leitura e criar um livro cujo corpo se faz e se desfaz para ser refeito numa próxima leitura. |
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| As ilustrações do Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo: desenhos e gravuras nas páginas de um caderno de literatura
por Ana Cândida de Avelar Resumo O Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo, caderno não só literário, mas artístico da mais alta importância no campo cultural brasileiro, foi criado pelo Prof. Antonio Candido, em 1956, e dirigido por Décio de Almeida Prado, até 1966. Italo Bianchi responsabilizou-se pelo projeto gráfico que refletia o tom do projeto editorial. Este artigo visa discutir as ilustrações publicadas pelo Suplemento, desenhos e gravuras de diversos artistas que seguem variadas tendências. As ilustrações autônomas, impressas na capa, buscam divulgar as obras e enriquecer a página; as associadas, inéditas, acompanham contos, poemas e artigos. Jovens como Marcelo Grassmann, Renina Katz e Fernando Lemos, bem como os consagrados Flávio de Carvalho e Lívio Abramo ilustraram poemas de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Miguel Torga, além de contos de Lygia Fagundes Telles, Dalton Trevisan e Osman Lins, entre tantos outros. A seleção dos ilustradores era tarefa de Prado, Bianchi e Lourival Gomes Machado, crítico de artes plásticas. O Suplemento, que se constituía como espaço paradivulgação da cultura e do pensamento brasileiros, saía aos sábados e a assiduidade de publicação dessas ilustrações, bem como a variedade de artistas e escritores, eram algo sem precedentes na imprensa brasileira. |
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| O Álbum do Município de Juiz de Fora de 1915: a cidade entre texto e imagens
por Ana Lúcia Fiorot Resumo Na presente comunicação proponho uma análise dos discursos (imagens e textos) presentes no Álbum do Município de Juiz Fora de 1915. As cidades possuem espaços partilhado por todos, teoricamente falando. Entretanto, apenas uma pequena parcela desse cenário social está selecionado para ser estampado na imprensa, visto que já se trata de um espaço marcado pela exclusão. No limiar da República Brasileira a implementação de projetos sanitaristas e urbanistas. Essa publicação teve como objetivos: representar e divulgar a cidade para o público e para a iniciativa privada, objetivando alcançar outras localidades para “vender” uma imagem de progresso e modernidade, no contexto da Belle Époque mineira. A idéia de “comercializar”o “produto cidade” não ficou restrita aos álbuns, mas foi “incorporada”por outros setores da imprensa, como revistas. |
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| Lautréamont?Magritte Poesia e Artes Plásticas nos Cantos de Maldoror
por Ana Beatriz Linardi Resumo As relações entre imagem poética e imagem visual são discutidas enquanto se analisa o trabalho gráfico de René Magritte para ilustração da obra Os Cantos de Maldoror de Lautréamont, Editions La Boétie, Paris, 1948. No trabalho do pintor evidencia-se a atmosfera de erotismo e crueldade que banha a obra literária, assim como os temas maldororianos aparecem em imagens surpreendentes. Para encontrar categorias explicativas dos signos visuais e seu confronto com os verbais, as ilustrações foram divididas em três grandes grupos assim delimitados: Vinhetas, Letras Capitulares e Gravuras de Página inteira. A pesquisa conduz a pontos de encontro entre as poéticas do escritor e do artista plástico, mas também, o que talvez seja mais interessante, as diferenças, confrontos, pontos de divergência. |
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| O poeta e seus frontispícios: o retrato e as transformações da persona poética em Leaves of Grass, de Walt Whitman
por Bruno Gambarotto Resumo O retrato sempre ocupou um lugar discreto e formular na identificação do autor das obras literárias. Quando impressa no frontispício dos livros, sua imagem, mais do que reforçar uma existência empírica, foi meio tradicional de relacionar ao indivíduo os valores sociais e literários de um ambiente artístico. Mas, apesar de sua natureza protocolar, os frontispícios nos reservam algumas surpresas. Em nossa comunicação, analisaremos um uso particular dessa técnica de identificação: os frontispícios de Leaves of Grass, de Walt Whitman. Chegando a ponto de substituir o nome pelo retrato na identificação do autor, Whitman fez sentir muitas vezes pelo registro pictórico os diferentes momentos de sua poesia. Atravessando essas mudanças, veremos como o poeta — “rude” ou “professoral”, “dândi” ou “dadivoso” — compôs sua imagem de modo a conferir a suas experiências literárias uma autoridade social e poética adequada aos momentos de tensão política da segunda metade do século XIX norte-americano. |
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| Literatura e cores entrelaçadas em Flicts, de Ziraldo: uma vanguarda brasileira
por Cristina Maria Vasques Resumo Se o termo “vanguarda” designa, grosso modo, o estar consciente à frente do seu tempo, a proposta deste estudo é a de mostrar que a literatura infanto-juvenil brasileira, representada pela narrativa poética em versos livres e cores Flicts, de Ziraldo (1969), colocou-se à vanguarda da literatura nacional, por meio da adoção de procedimentos experimentais ainda hoje não incorporados pela literatura “adulta”. Trata-se da análise dessa obra lirerário-imagética, responsável pela revolução na ilustração de livros para crianças e jovens no Brasil, de acordo com Regina Zilberman, a partir dos pressupostos das vanguardas literárias européias. Em uma ligeira recapitulação dessas vanguardas, chega-se às práticas experimentais – e à vanguarda – da literatura infanto-juvenil brasileira, práticas essas que a colocam par a par com a literatura adulta que alguns estudiosos chamam de pós-moderna e outros de contemporânea. Flicts trabalha esses procedimentos vanguardistas-experimentais com maestria. A naturalidade da narrativa faz com que ela se constitua em um poema-imagético que possui – plagiando Baudelaire – o “gênio da infância”, em que todos os aspectos da vida desabrocham com forte sensibilidade estético-literária. |
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| Letras e imagens: a correspondência entre escrito e pictórico na obra de Oscar Wilde e Erico Veríssimo
por Ivan Ribeiro Resumo As relações interartes têm ganho especial atenção principalmente no que tange a estudos de estética da obra literária, propiciando assim novos enfoques e prismas sobre obras tanto exploradas quanto inexploradas. Neste trabalho, pretende-se abordar alguns aspectos interartes presentes em obras de Erico Veríssimo e Oscar Wilde; usaremos aqui algumas das chamadas "interpenetrações a olho nu" dadas por WEISSTEIN, entre outros, objetivando relacionar as ocorrências dentro das obras do escritor gaúcho e do escritor irlandês. Em O tempo e o vento, verificaremos que quando se percebe referência às artes plásticas, percebe-se também seu aspecto descritivo, ou sua relação estilística com o próprio autor, com a finalidade de dar ao seu texto uma idéia plástica, tornando o texto mais "pictórico". Já em O retrato de Dorian Gray, Wilde nos coloca um ideal de estética, e toda a concepção de ars gratia artis está ali inserido, aliado também ao seu estilo de escrita, a culminar não raro em descrições imagéticas. Logo, temos uma obra literária preocupada com a arte e com o artista, pois há uma profunda relação entre a arte criada, o artista e o retratado. A arte, podemos dizer, chega a prevalecer sobre o que se supõe real dentro do texto. |
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| O LUGAR DO TEXTO LITERÁRIO NA DIVERSIDADE IMAGÉTICA DOS GÊNEROS TEXTUAIS
por Jeane Maria de Melo Resumo Neste trabalho, procuraremos refletir sobre de que forma o texto literário tem sido tratado, nas aulas de Língua portuguesa e Literatura. Em especial, trataremos o texto poético, perante o advento dos gêneros textuais, a partir da década de 90, bem como observar qual o lugar que a poesia passou a ocupar nos espaços dessas aulas, em meio às diversidades de textos, principalmente os imagéticos. Para tanto, nos valemos de alguns estudos realizados, durante algumas atividades e oficinas de leitura e produção de textos com professores e alunos do Ensino Fundamental e Médio. Não obstante, consideramos a importância que a Literatura teve e tem na formação intelectual de nossos estudantes e como os professores, tanto do Ensino Fundamental como do Ensino Médio se revelam como interlocutores dialógicos e imagéticos do texto literário, em especial o texto poético, em suas salas de aula. |
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| “A guerra dos fazedores de chuva com os caçadores de nuvens”: uma leitura intersemiótica da guerra para crianças de J. Luandino Vieira
por Joelma Gomes dos Santos Resumo Na obra literária do ficcionista angolano José Luandino Vieira, é notória a influência da tradição oral ou da Literatura tradicional angolana, termo empregado por Óscar Ribas na trilogia dedicada ao estudo dos 'missosso'. A mais recente composição de Vieira, "A guerra dos fazedores de chuva com os caçadores de nuvens: guerra para crianças", além de seguir essa tendência, premia seu público com ilustrações saídas do pincel do próprio autor. Realizaremos uma análise dessa obra que investigue o fenômeno da intertextualidade como entendido por Laurent Jenny, observando as relações existentes entre a narrativa oral tradicional angolana – o 'mussosso' – e a arte literária de Luandino, além do diálogo entre a arte pictográfica dos povos da região da Lunda – os Tshokwe – e os desenhos do autor. Do ponto de vista teórico, teremos como norte, além dos autores supracitados, os trabalhos de MOUTINHO, ERVEDOSA, PAQUET, REDINHA e PADILHA. |
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| Transposições semióticas de “Dom Quixote de La Mancha” de Miguel de Cervantes por Candido Portinari e Carlos Drummond de Andrade
por KATYA MAIA MOTTA Resumo A teoria do dialogismo de Mikhail Bakhtin está fundamentada na interatividade da comunicação. Segundo o estudioso russo, o dialogismo é um princípio constitutivo da linguagem. Para esse especialista, o discurso não é individual, visto que o mesmo se constrói entre discursos e mantém relações com outros. Dessa forma, ele não é somente resultado, mas também tecido na situação enunciativa. A comunicação ocorre em um processo de interação social, que pode envolver tanto a linguagem verbal quanto a não-verbal. Em Problemas da Poética de Dostoievski, Bakhtin cita que “as relações dialógicas são possíveis entre imagens de outras artes” (1997, p. 184). Deseja-se, a partir da análise dialógica do desenho Dom Quixote a cavalo com lança e espada, de Candido Portinari, e o poema O esguio Propósito, de Carlos Drummond de Andrade, ambas releituras baseadas em Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, conhecer a expressão que cada autor elege para sua composição e os efeitos de sentidos criados por esse diálogo “inter-artes”. Co-autora: CAMILA MARIA BERNARDO |
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| Encontro sígnico entre literatura, desenho e fotografia documental no Mangá “O Vento do Oriente”
por Lícius da Silva Resumo Para comemorar os 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está lançando um mangá direcionado para o público infanto-juvenil. Esta publicação - da qual o próprio autor participa como ilustrador em parceria com Martha Werneck, também artista plástica - possui o objetivo de divulgar fatos históricos do Japão e do Brasil, enfocando diversos aspectos contrastantes sócio-culturais desse movimento migratório, bem como as dificuldades encontradas pelos imigrantes japoneses durante sua adaptação no Brasil. Participando diretamente desta publicação, os ilustradores encontraram uma questão artística e ética inusitada na criação das imagens baseadas em uma narrativa de caráter histórico: como representar imageticamente fatos históricos tendo como referências fotografias documentais com grande carga dramática para se criar parte de uma publicação que tem como objetivo ser divertida e simultaneamente orientada para a educação? O comunicado pretende fazer uma análise sígnica imagética de algumas páginas onde há o encontro desses três campos (literatura, desenho e fotografia documental) e suas possíveis leituras dentro da narrativa de uma publicação de caráter mais lúdico. |
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| Quadro negro cambiando ordens
por Maraíza Labanca Correia Resumo Tece-se uma reflexão sobre as condições espaciais de Galáxias, de Haroldo de Campos, a partir de uma relação entre os suportes de escrita livro e jornal. Para traçar tal paralelo, partiu-se de considerações como mobilidade, acaso, leitor-operador, descontinuidade e discutiu-se como o jornal conecta-se à noção de livro-móbile, conforme pensada e desejada pelo autor de Galáxias. Discute-se ainda como esse objeto e seus aspectos espaciais internos – intercambiabilidade, fragmentação – efetuam a configuração de uma nova física do livro, que desafia a finitude dos livros tradicionais. Tornou-se fundamental investigar e refletir, para isso, sobre como a tessitura haroldiana convoca um tempo espacializado e descontínuo, uma vez constatada uma explosão no tempo cronológico e linear operada pela obra em questão. |
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| Chrysanthème: imagens da Belle Epoque carioca sob olhares argutos e arguentes
por Maria de Lourdes Melo Pinto Resumo Como introdução, devemos apresentar a questão norteadora que nos guiou nesta pesquisa: Quais seriam as possíveis imagens do Brasil da Belle Époque a partir do olhar de uma cronista no jornalismo dessa época? A pergunta inicial nos levou à delimitação do campo de observação, apontando para a obra da Sra. Cecília Moncorvo Bandeira de Melo Rebelo de Vasconcelos, autocognominada Chrysanthème, figura de notável expressão nos periódicos das primeiras décadas do século XX na capital da República Velha. A metodologia empregada foi a de pesquisa biobibliográfica nos acervos das Bibliotecas Nacional, de Imprensa e da Academia Brasileira de Letras e do Arquivo Nacional, o que veio a descortinar publicações as mais diversas, a saber: O Paiz, Correio Paulistano, Diário de Noticias, Gazeta de Noticias, Mundo Literário, Ilustração Brasileira e Única, datadas entre o período de 1914 e 1948. Após a detida leitura dos escritos catalogados, chegamos à conclusão de que além do esforço por trazer a lume uma figura feminina de tamanho valor no panorama histórico-literário brasileiro, permitimos o contato das novas gerações com imagens mordazes e desafiadoras sobre um período de intensas transformações culturais, sociais e políticas de nosso país. |
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| Entre o didático e o lúdico, o gráfico e o textual: o processo de criação da publicação “O Vento do Oriente”
por Martha Werneck Resumo A comemoração dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil incluiu várias homenagens do governo brasileiro aos descendentes de imigrantes japoneses, dentre elas a criação de um mangá – gênero japonês de quadrinhos – intitulado “O Vento do Oriente”, cuja temática foi a própria imigração japonesa e sua relação com momentos históricos, com a cultura local e a adaptação desses imigrantes em um pais tropical colonizado por europeus. Essa publicação, lançada pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – no mês de junho de 2008, teve como objetivo difundir essa justa homenagem entre crianças de 9 a 16 anos em nível escolar – ensinos fundamental e médio - no intuito de instruir quanto à importância da colonização japonesa, erradicada especialmente no Estado de São Paulo, que até hoje contribui na fermentação de um caldo cultural muito peculiar, trazendo ao Brasil hábitos e cultura exteriores ao eixo europeu – Estados Unidos. O artigo comenta o processo de idealização e realização do trabalho feito do ponto de vista dos ilustradores que participaram do projeto - no caso, a própria autora em parceria com o artista plástico Lícius Bossolan. Do roteiro, apresentado pelo IBGE, à criação de personagens, conceitos visuais, projeto gráfico das páginas, apresentação de um esboço preliminar para a aprovação da instituição e arte final, se discutirá a passagem do roteiro à imagem e como essa imagem influi na própria reformatação do texto, sendo o pensamento plástico parte organizadora das idéias e impulso para o aperfeiçoamento E modificação do que antes configurava-se como roteiro puro. Assim, será apresentado o modo de criação desse material em particular, que encontra-se entre os limites do didático e do lúdico, do gráfico e do textual. |
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| Como era gostoso meu francês: reapropriação de modelos de representações sociais em A Lanterna Mágica de Manuel de Araújo Porto-Alegre
por Maurício Cezar Pascoaleto Resumo A circulação no Rio de Janeiro, entre 1844 e 1845, do semanário A Lanterna Mágica: periódico plástico-filosófico não se constituiu somente como mais uma publicação voltada para letras, artes, críticas e polêmicas. Foi a primeira a incorporar as caricaturas como presença obrigatória em seus números, diferente dos impressos de época anterior e mesmo dos do seu próprio tempo, nos quais desenhos apareciam de forma esporádica ou em pranchas avulsas. Antecedendo aos periódicos humorísticos da década de 1860, quando eclode a impressão das chamadas revistas ilustradas, a publicação entrelaçava textos, desenhos e até partituras em seu bojo. Em seus onze números, aliou texto e imagem de forma elaborada, fórmula utilizada por seu possível autor, Manuel de Araújo Porto-Alegre, para criticar diversos aspectos da sociedade brasileira do século XIX. O objetivo deste trabalho é demonstrar aspectos da desconstrução de um modelo estrangeiro, a série francesa Caricaturana de Honoré Daumier e Charles Philipon, e sua reapropriação com temáticas locais pela publicação brasileira. A série se apropriou antropofagicamente das idéias do francês Daumier e acrescentou uma leitura nacional ao objeto importado, constituindo os primeiros passos rumo a uma tipologia de caricatura nacional. |
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| FUGA E REPRESENTAÇÃO DO INSTANTE: UM OLHAR ORIENTAL SOBRE AS PAISAGENS DE INVERNO DE CLAUDE MONET E CAMILO PESSANHA.
por Vagner Monteiro Resumo O presente trabalho consiste na apresentação de reflexões acerca da aproximação entre os projetos estéticos do pintor francês Oscar-Claude Monet e do poeta português Camilo Pessanha e tem como objetivo demonstrar que a conjunção entre tais estéticas dá-se, sobretudo, por uma mesma impregnação do Orientalismo em suas artes, nas quais estão impressas a busca pela fixação e pela representação do instante e da essência fugaz da natureza. A análise que compõe o trabalho em questão, além de investigar a homologia entre as referidas estéticas, tornará possível perceber que tal influência do Oriente fora buscada por ambos como forma de renovação artística. Para tanto, serão confrontados o quadro A geada, de Claude Monet e o soneto Paisagens de Inverno II, de Camilo Pessanha , obras nas quais poderão ser examinados os pontos de convergência e a interação entre as obras de ambos os artistas na busca por representar o irrepresentável |
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