| TESSITURAS JUDAICAS: DIALOGISMO E INTERTEXTUALIDADE |
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Coordenadores Profa. Dra. Lyslei Nascimento (UFMG) Profa. Dra. Nancy Rozenchan (USP) |
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Resumo: O signo judaico, tal como ele se inscreve
na literatura, desdobra-se em imagens, metáforas, símbolos. A reflexão sobre
a linguagem e a memória, os acirrados debates sobre identidade e nação,
além do jogo de vozes entre a tradição religiosa, argumentativa, e a reescrita
ficcional, alcançam, no signo judaico, sua mais contundente configuração.
Mesmo fora do contexto estritamente judaico de produção literária, sua herança
simbólica permeia, de forma significativa, os estudos literários. A rede
que se estabelece, então, entre literatura, história, filosofia, religião
e arte, torna-se um campo a cada dia mais instigante de investigação textual.
A concepção do Livro e suas relações com o texto, por exemplo, além da idéia
de pátria portátil e encadernada que a Bíblia e o Talmud representam, os
vestígios da tradição rabínica e religiosa que, vez por outra, emergem na
literatura secular, fora do seu contexto, em franco diálogo com a construção
mítica ou sagrada do texto, trazem, para a ficção, nuances, vieses e contrapontos
dos mais produtivos. O objetivo deste simpósio é, no âmbito do XI Congresso
Internacional da Abralic, promover um espaço de reflexão e crítica de “tessituras
judaicas” e suas inúmeras possibilidades de significação, entre o dialogismo
e a intertextualidade, tendo como espaço privilegiado de discussão, a literatura.
" Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade |

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| (Des)Tecendo a História (reflexões sobre as alternativas ficcionais da História) por Alcebiades Diniz Miguel |
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Resumo Dentro do amplo e complexo gênero da Ficção Científica, destaca-se um enclave que ganhou mais peso e força após a Segunda Guerra Mundial: trata-se da história alternativa (allohistory), ou seja, a reconstrução da História em outras bases. Por uma estranha compulsão, diversos autores que trabalharam suas próprias recriações históricas – de Philip K. Dick a Philip Roth – preferiram reescrever a história a partir da Segunda Guerra Mundial, ora colocando Hitler como o grande vencedor, ora deslocando elementos no arcabouço dos fatos do período. Nesse sentido, The Yiddish Policemen´s Union, de Michael Chabon, é uma peça complexa que refaz o obsessivo caminho de recriar um mundo diferente desde o ano zero de 1939, mas colocando na fórmula Israel e o Holocausto apenas para retomar, sob o disfarce sofisticado da ironia, fórmulas sedimentadas de preconceito "progressista" contra o "imperialismo judaico". |
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| Reflexos da pluralidade cultural e da formacao identitaria na obra de Yisroel Pinchas Lazarovitch/Irving Layton (1912-2006) por Alexandre Feldman |
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Resumo Irving Layton, presenca marcante no cenario cultural canadense, cuja produção escrita engloba de poemas e ficção a ensaios e crítica, revelou aspectos inconfundíveis da representação identitária plural, da aspera crítica ao ambiente literário e político-social canadense, da discussão de questões filosóficas e fatos históricos que moldaram o seculo XX. Nascido naturalmente circuncidado em um ambiente judaico religioso em Tirgu Neamt, na Romenia, recebeu o nome de Yisroel Pinchas Lazarovitch. Sua família imigrou para Montreal em 1913, onde cresceu na fronteira do bairro anglófono asquenazita e a Montreal católica e francesa, limitado ainda pelo espaço anglo-saxão e pela área dos nativos Mohawks. A imagem da mãe ativa em oposição ao pai apático e entregue ao estudo religioso como fuga às dificuldades na nova terra complementa a visão do mundo exterior e imprime no jovem Issi a percepção da realidade como justaposição de forcas contrárias. Mais tarde, o envolvimento com o marxismo e o socialismo ofereceu uma alternativa à vida religiosa e burguesa e uma resposta ao preconceito e atitudes anti-judaicas que surgiram no Canadá como reflexo do que ocorria na Europa com a ascenção do fascismo e do nazismo. Imerso nesse contexto cultural de pluralidades étnicas, religiosas e ideológicas que tentavam se afirmar, Layton oscilou na escolha definitiva do nome artístico, o que sinaliza o embate entre o desejo de aculturação e seu caráter rebelde que procura quebrar os limites étnico-culturais rígidos socialmente fixados. Esta apresentação aspira demonstrar como esse processo identitário se reflete e se cristaliza em seus poemas. |
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| Dialética Teológica Rabínica Através da Leitura Hescheliana do Talmud e do Midrash por Alexandre Leone |
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Resumo Abraham Joshua Heschel (1906 – 1972) um dos mais importantes filósofos do judaísmo de século XX no livro Torá Min Hashamaim Be-Aspaklaria shel Ha-Dorot, obra escrita inteiramente em hebraico, voltou sua atenção diretamente para a literatura rabínica tradicional, em especial para aquela contida no Talmud. Desta leitura hescheliana do Talmud e do Midrash emerge uma visão dialética das correntes teológicas que animaram os debates dos primeiros rabínicos sobre questões como o elemento humano na revelação da Torá, a imanência versus a transcendência de Deus no mundo, a ordem de importância das mitzvot (mandamentos), a relação entre a observância religiosa e o espírito por trás da observância, a noção de milagre e muitos outros temas do debate rabínico. Heschel identifica a partir de duas escolas de pensamento rabínico dos séculos I e II da era comum a Escola de Rabi Akiva de tendência mística e a Escola de Rabi Ishmael de tendência racionalista os dois grandes paradigmas que tencionaram dialeticamente o pensamento rabínico desde o final da Antiguidade e durante a Idade Média. As duas tendências têm permeado o pensamento rabínico desde então. Desta leitura dialética Heschel tira várias conclusões sobre a relação entre razão e misticismo na experiência religiosa judaica que além de aprofundarem o debate moderno sobre a natureza da experiência religiosa são também uma poderosa crítica contra as leituras fundamentalistas dos textos religiosos judaicos. |
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| Nem abacate, nem chalá: Moacyr Scliar (livro e filme) por Barbara Heller |
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Resumo Neste texto comparo a obra Um sonho no caroço de abacate , de Moacyr Scliar, publicado a primeira vez em 1995, com o filme que se inspirou neste romance, Caminho dos sonhos , dirigido por Lucas Amberg, em 1998. Três conceitos bakhtinianos –heteroglossia, dialogismo e intertextualidade – são utilizados para mostrar que tanto na versão impressa, como na fílmica, os personagens, que são étnica e culturalmente diversos, receberam um tratamento que os uniformiza enquanto produtores de enunciados. Portanto, os conflitos, especialmente dos protagonistas – um jovem judeu e sua namorada não-judia e afro-descendente –, nas duas versões, parecem se neutralizar no discurso, contradizendo as idéias de Bakhtin, para quem linguagem e poder vivem numa interseção permanente, não só no embate entre a língua do colonizador e a do colonizado, como na interior de uma mesma língua. Este texto, portanto, pretende mostrar que se o conjunto de códigos que governam a interação verbal tivesse sido mais explorado nas duas versões, o leitor e/ou espectador reconheceria(m) com maior clareza as estratégias utilizadas pelos personagens para confirmarem o poder ou combaterem a exclusão a que foram submetidos, como costuma acontecer com membros da comunidade judaica (e também com os afro-descendentes). |
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| Na oposição dos mitos fundacionais por Berta Waldman |
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Resumo O último romance de A.B.Yehoshua Esh Iedidutit (2007) (em português “Fogo amigo”- ainda sem tradução) apresenta uma história aparentemente simples dividida em dois planos e dois espaços geográficos (Israel e Tanzânia) que, concomitantes, trazem à tona problemas que apontam uma crise na narrativa tradicional defendida durante anos pelo Estado de Israel e seus cronistas. Para dar visibilidade a essa crise, o autor trabalha com dois eixos estruturais, sendo que um deles, o vertical, é a intertextualidade. Ao atribuir nomes de profetas bíblicos às personagens que vivem suas histórias no presente, o autor cria uma dialogia obrigatória com os livros dos profetas da Bíblia hebraica, forçando o leitor a trabalhar nos dois planos. Através do confronto entre eles, vão se tornando mais claros os descaminhos da ideologia israelense contemporânea, tomando como referência alguns parâmetros que são a Bíblia e o Sionismo- sendo o último a base da fundação do Estado de Israel. Além do livro dos profetas, o autor lança mão do episódio do Sacrifício de Isaac (Gn. 22) que lhe servirá para apontar o sacrifício de jovens nas guerras do interminável conflito do Oriente Médio. Qual o destino das futuras gerações de Israel, quando o nacionalismo não dá mais o suporte para uma prática orientada coletivamente? O que é possível construir em meio à destruição? Essas e outras questões movem este romance de Yehoshua. |
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| O pós-sionismo na obra de Yehoshua Kenaz – “Infiltração” (hitganvut yehidim) por Eliana Langer |
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Resumo Nesse trabalho apresento o escritor israelense Yehoshua Kenaz que em sua obra, ainda não traduzida para o português, focaliza diversos aspectos da sociedade israelense. Uma de suas obras mais significativas é a novela “Infiltração”. O olhar do autor se volta para os anos cinqüenta e focaliza uma unidade especial do exército onde pessoas com limitações físicas cumprem seu dever militar. Essa obra apresenta questões importantes sobre o processo cujo início poderia ser vislumbrado já na metade dos anos cinqüenta, quando começaram a ser ouvidas as primeiras vozes que se levantavam a favor dos valores individuais, em prol do indivíduo e a tensão crescente entre o sentimento do coletivo nacional e o indivíduo. |
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| Dragões infestam a cidade: uma leitura da hospitalidade em Murilo Rubião por Filipe Amaral Rocha de Menezes |
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Resumo Por meio de uma análise crítica do conto “Os dragões” de Murilo Rubião, seu detalhamento e sua comparação com dois textos bíblicos, pretende-se demonstrar como uma comunidade coesa tem dificuldade em aceitar o diferente em seu meio. Considerado um grave delito da cultura judaica bíblica, a quebra da lei da hospitalidade, essa questão será analisada tendo por base de comparação e cruzamento os textos “Ló recebe em sua casa os dois anjos” (Gênesis, XIX, 1-22) e “O levita e sua concubina” (Juízes, XIX). CO-AUTORA: Profª Drª LYSLEI NASCIMENTO (UFMG) |
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| O Prosseguimento do Cavar - Imre Kertész e Paul Celan por Flávia Ferraz |
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Resumo O trabalho a ser apresentado analisa as profundas relações entre a obra Kadish do escritor húngaro Imre Kertész, sobrevivente de Auschwitz, com o poema Todesfuge de Paul Celan, também sobrevivente do Holocausto. Em Kadish o narrador de Kertész expõe os motivos que o levaram à negação da reprodução da vida após Auschwitz através de um fluxo de palavras contínuo, onde a repetição, a polifonia e a subjetivação do discurso são elementos cruciais que combinados compõem a estrutura da obra. O poema Todesfuge, uma referência importante na literatura feita pelos sobreviventes, é citado explicitamente em várias passagens de Kadish, além das citações, o romance também estabelece um diálogo com o poema de Celan no nível estrutural, onde a sobreposição ritmada de vozes no discurso cria um coro de negações sucessivas que, pela repetição, se fortalece no decorrer da narrativa. Portanto, a intertextualidade de Kadish com o poema de Celan ocorre em dois níveis, tanto em termos da organização da narrativa, quanto através das contínuas citações e referências, tornando-o um corpus privilegiado para a reflexão sobre o diálogo e a intertextualidade literária e as possibilidades da literatura pós-Auschwitz. |
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| Ficções da identidade judaica na literatura por Gerson Luiz Roani |
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Resumo O imaginário judaico sempre se constituiu como uma das fontes inspiradoras da arte literária. Essa constatação leva a considerar que a minoria judaica, a comunidade religiosa, ou como quer que chamemos esta complexa entidade/identidade cultural de raízes milenares, tem contribuído em inúmeros campos da cultura ocidental ao longo dos séculos. No âmbito da literatura, essas contribuições também foram sentidas pela amplitude com que os judeus desdobraram em coordenadas sócio-culturais diversas e, muitas vezes, em circunstâncias adversas, uma apaixonada relação com o livro. A cultura literária do Ocidente não pode recusar à tradição judaica uma importância inegável, pois o judaísmo forneceu a escritores de diferentes nacionalidades, motivos, imagens, temas e princípios hermenêuticos para a confecção de suas obras. Incontáveis criadores artísticos revisitaram o imaginário judaico, de acordo com justificações criativas e escriturais que ultrapassam os limites do corpus cultural hebraico. Isso gera uma questão: Será que podemos localizar alguma estrutura/substrato comum a escritores judeus ou não, cujas obras estão circunscritas a diversas línguas nacionais e com diferentes panos de fundo nacionais? Como localizar esse elemento e o que é que estaremos aptos a descobrir? |
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| RESSONÂNCIA E DISSONÂNCIA JUDAICAS:a diáspora e o exílio como objetos do literário por Helena Lewin |
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Resumo Este "paper" analisa como se forjou a tessitura profética da antiguidade judaica e sua relação com as situações de exílio e diáspora que a caracterizaram. Em se debruçando sobre o conteúdo da mensagem profética busca-se perceber os significados implícitos e as narrativas contidas nos discursos bíblicos que acompanham a trajetória judaica e seu monoteísmo em busca de sua realização orientada pela promessa do messianismo. Incorpora-se, ainda, a questão literária do "pacto" como elemento de determinação e aglutinação entre as diferentes manifestações de sobrevivência centrando-se no significado da fidelidade que se expressa simbolicamente no "pacto do deserto" - o vazio sobre o qual se escreveu a saga heróica da liberdade como princípio fundador cujos elementos míticos da epopéia do Êxodus e da Redenção, como premissa e promessa, estão presentificados na voz do profeta. |
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| Um inventário alfabético da morte: "A Enciclopédia dos mortos" de Danilo Kis por Leonardo Soares |
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Resumo Estudo do livro Enciclopédia dos mortos, de Danilo Kis, considerando o "gosto" pelo inventário e pelo arquivo, que é, na verdade, o projeto estético desse escritor "iugoslavo". Como o próprio Danilo Kis afirmara várias vezes, refletindo sobre o seu modo de conceber a atividade literária, seu desejo era escrever um livro-enciclopédia cuja organização seria estabelecida através de uma polifonia de vozes, registros e formas. Contudo, entre essa pletora de elementos dispersos, haveria um liame estabelecido pelo princípio analógico. No caso de Enciclopédia dos mortos, o tema da morte funciona como um nódulo organizador do livro, enquanto, a partir dessa proposição e da reentrância de motivos comuns aos vários textos, diferentes temporalidades - da época da morte de Cristo ao início dos anos 80 do século XX - atravessam-se na composição das narrativas. Analisa-se, portanto, a tentativa sistemática de Kis em construir esse "Livro-total". |
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| DE UMA LITERATURA DE IMIGRAÇÃO A UMA LITERATURA MIGRATÓRIA: BREVE ANÁLISE DA OBRA DE MOACYR SCLIAR por Leopoldo Oliveira |
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Resumo Este trabalho trata da ficcionalização das questões de identidades, lugares e imaginários judaicos e brasileiros nos romances contos e novelas de temática judaica escritos pelo gaúcho Moacyr Scliar. Entendo por temática judaica, em uma primeira instância, tudo o que é relativo à vivência e à trajetória históricas dos judeus no Brasil, tal qual são ficcionalizadas por Scliar, como: as expectativas dos imigrantes judeus quanto ao novo país e sua adaptação ou não à realidade que aqui encontram; a inserção na sociedade desses imigrantes; os conflitos identitários das gerações dos filhos de imigrantes; a questão sempre espinhosa da delimitação de seus componentes identitários, além da relação desses judeus com a ideologia sionista e com outras ideologias presentes no Brasil. Para o estudo de tais questões, divido a obra do autor em duas fases, as quais são mediadas por um romance de transição, A Estranha Nação de Rafael Mendes, de 1983. A primeira fase é constituída por narrativas que vieram à luz entre 1972 e 1980, iniciando-se com o romance A Guerra no Bom Fim e encerrando-se com o romance O Centauro no Jardim. A Segunda fase compreende os quatro últimos romances de temática judaica do autor: Cenas da Vida Minúscula (1991), A Majestade do Xingu (1997) e A Mulher que Escreveu a Bíblia (1999) e Os Vendilhões do Templo (2006). A divisão que proponho fundamentalmente reflete as profundas diferenças e transformações no tratamento narratológico e polítco-ideológico dos temas referidos acima, que se processam de narrativa a narrativa ao longo da carreira de Scliar. |
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| Diálogo inconcluso entre Paul Celan e Theodor W. Adorno por Mariana Camilo de Oliveira |
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Resumo O conhecido "dictum" adorniano sobre a lírica após Auschwitz - presente no ensaio “Crítica cultural e sociedade” - e a poesia de Paul Celan são exaustivamente evocados, um em oposição ao outro. A afirmação de Adorno incide no fato de que o evento traumático, que escapa à malha simbólica, produz seu desconhecimento e impossibilita a representação lírica e, ainda, a própria atividade crítica. Celan, por sua vez, através de procedimentos poéticos, aproxima-se do irrepresentável utilizando o silêncio como modo de dizer. O "dictum", assim como o celebrado poema "Todesfuge", tiveram uso abusivo pela imprensa e crítica. No presente estudo pretende-se percorrer os encontros e desencontros da silenciosa e eloqüente conversa entre o poeta e filósofo (judeu Pequeno e judeu Grande, nas palavras de Paul Celan) que têm, de fato, desdobramentos diversos na obra de ambos e permitem uma reflexão sobre poesia e crítica em circunstâncias de violência indizível. |
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| Diálogo entre Justino de Roma e o judeu Trifão por Marta Marczyk |
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Resumo O objetivo da apresentação é expor o estudo de um texto que tem a fama de ser o mais antigo registro das controvérsias entre o cristianismo e o judaísmo. No exame desse texto, datado de meados do século II d.C., será investigada a interpretação feita sobre as Escrituras, assim como a atualização das profecias judaicas na realidade dos primórdios do cristianismo, com o intuito de refletir sobre o efeito de sentido que tal atualização permite na representação do judeu na literatura. |
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| Os fios da talagarça por Regina Igel |
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Resumo Os fios, no título deste trabalho de pesquisa, constituem um recurso metafórico para ilustrar as variações da criatividade literária judaica brasileira. A talagarça, também contida no título e no corpo deste ensaio, refere-se à tela judaico-brasileira por onde se cruzam fios da mais variada amplitude e coloração (gênero, temas e estilos). Autores judeus renomados e desconhecidos se espalham pelo território brasileiro - nossa tela onde se bordam as mais variadas tendências, origens étnicas, nacionalidades e espiritualidades - e este trabalho é um exame das contribuições, nem sempre justamente avaliadas, desses escritores, no passado e no presente. |
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| Três Personagens da História e uma Sentença: por Ricardo Vaidergorn |
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Resumo Três personagens, cada qual de uma forma original, despertam curiosidade sobre suas respectivas participações na história. Dois deles foram personalidades reais e o outro um protagonista da ficção literária. Tal caso revela fatos relativos a um mesmo momento histórico e, de algum modo, envolvidos pelos eventos terríveis que culminaram no Holocausto nazista. O primeiro deles é o filósofo francês e pensador judeu nascido na Lituânia, Emmanuel Lévinas [1906-1995], autor de Le Temps et L’Autre, Totalité et Infini e Les Quatre Lectures Talmudiques. O segundo é Joseph, o protagonista do romance Dangling Man [Um Homem Involuntariamente Inoportuno, 1944] do Nobel [1976] judeu e norte-americano Saul Bellow [1915-2005]. O terceiro é Martin Heidegger [1889-1976], um personagem real, filósofo e consciente, cujo apoio silencioso ao regime nazista pôs as suas idéias sob a imperdoável sentença da história. Os três revelam a necessidade do constante reavivar da memória sobre ocorrências, cujas respectivas conseqüências históricas, têm sido, aliás, com freqüência, propositalmente disfarçadas ou esquecidas, sob discutíveis alegações de perigo ou “risco”. Alegações justificativas do silêncio da história maculada por intenções obscuras, intimidações e ameaças veladas contra a civilização, lamentavelmente, renovadas de geração em geração. |
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| A poesia hebraica na Andaluzia muçulmana por Saul Kirschbaum |
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Resumo Na Andaluzia muçulmana do século X surgiu uma importante poesia hebraica laica, de celebração da vida, do vinho, de amores, ao lado de uma tradição poética litúrgica concentrada na dor da destruição do Templo, no sofrimento do exílio. O fato de que ambas as formas eram compostas exatamente pelos mesmos poetas, ao mesmo tempo rabinos e pensadores do judaísmo, aponta para uma ambigüidade existencial que caracterizaria o povo judeu desde então. Diversos poetas judeus, que na juventude compuseram poemas laicos (sem, por isso, se considerarem impedidos de compor poesia religiosa), na velhice se "arrependiam", anunciavam sua ruptura com um passado pouco piedoso; não obstante, continuavam a produzir poesia laica. Nesta ambigüidade, eram ecoados pelas autoridades religiosas, que condenavam o modo de vida dos poetas, mas ao mesmo tempo os absolviam, já que sua participação nas festas árabes "contribuía para o bem do povo". Muito se tem escrito, nestes tempos de pós-modernidade, sobre crises identitárias, sobre viver na encruzilhada de culturas, sobre desterritorialização cultural. Talvez a longa experiência dos judeus com o exílio, com a situação de imigrantes desenraizados, sempre estrangeiros, tenha antecipado estes fenômenos. Podemos formular uma nova hipótese, para deixar a questão em aberto: Será que o "arrependimento" professado era apenas mais uma convenção literária assimilada da cultura árabe? Será que a compunção expressada pelos poetas judeus era somente mais um aspecto da "assimilação competitiva" (expressão de Robert Alter)? Outro aspecto disto que se poderia chamar uma "poética da ambivalência", uma estratégia de sobrevivência? |
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| Violinos e atabaques: memórias do nazismo sob os trópicos por Vívien Gonzaga |
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Resumo Publicado recentemente, O filho do holocausto: memórias (1941-1958) apresenta o registro autobiográfico da infância e adolescência do escritor, músico e compositor Jorge Mautner, tendo por motivo central sua experiência como filho de refugiados judeus, de origem austríaca, vindos para o Brasil em 1939. A narrativa, na forma de relato de memórias, permite refletir sobre uma posição subjetiva ética e estética construída a partir do olhar de uma criança sobre o nazismo e sobre os efeitos nefastos da Segunda Guerra. Olhar este que se apresenta mediado por uma ambientação pluricultural, pela experiência posterior de exílio e pela recriação autobiográfica, em que se vislumbra uma proposta de resistência aos modos contemporâneos de reaparição nazi-fascistas. |
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| A poética de Cantares na tessitura polifônica de Lavoura Arcaica por Bruno Curcino |
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Resumo No projeto de Doutorado, sobre a obra Lavoura Arcaica, do escritor paulista Raduan Nassar, investigamos como ressonâncias da poesia bíblica ( livro de Cantares), penetra o texto em prosa revelando-se num dos múltiplos fios de plurilinguismo que compõem a densa escrita sobre o “pródigo às avessas” que é André, o protagonista central do livro. Poética, a fala de André se pretende fundadora de uma nova ordem. Mas as imagens tomadas do Cântico, sobretudo a da irmã-amada, tornam-se “literais” no romance e o incesto, se afirma os direitos impetuosos do subversivo, causa a sua danação. Francis Landy (1997:327) afirma que a destilação do discurso amoroso nos Cânticos não seduz apenas os amantes; “atrai também para sua órbita, coisas, plantas, animais, geografia”. É toda uma imagética com referência a frutos, cheiros, delícias, palpitações que André (re)elabora como discurso amoroso na tentativa seduzir a pomba-irmã. Na instauração da voz que tenta afirmar sua ânsia de liberdade, André irá se defrontar com uma outra ordem – a da lei paterna. Nosso intuito é perceber as peculiaridades, em todos os planos( sintáticos , semânticos, rítmico-sonoros) dessa fala desejante e impregnada de ressôos bíblicos que, usada parodicamente, tenta projetar-se contra a “catedral da lei”. Co-autor: Prof. Dr. LUIZ GONZAGA MARCHEZAN |
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| Linguagem mutante por Moacir Amancio |
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Resumo Comparação entre o discurso literário sionista e pós-sionista na obra de Moshê Shamir (Bemô Iadav) e de Yoram Kaniuk (Nevalot). No primeiro, a exaltação sionista vinculada ao momento de criação e implantação do Estado. No segundo, temos o momento histórico da tensão entre o passado idealizado e o presente que não responde à proposta ideológica de pioneiros, dando origem a uma crise que se reflete no tratamento de linguagem dado aos temas pelo autor. Surge então uma literatura que, em vez de ir ao encontro da realidade factual, enaltecendo-a, torna-se virulenta e irônica. |
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