| TESSITURAS DA SUBJETIVIDADE NA EXPRESSÃO E NA REPRESENTAÇÃO FEMININAS. EXPERIÊNCIAS DE INTERDITOS, TRANSGRESSÕES E LIBERDADES POÉTICAS |
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Coordenadores Profa. Dra. Delia Cambeiro (UERJ) Profa. Dra. Cristina Martinho (USS) Profa. Dra. MARIA DO CARMO CARDOSO DA COSTA (UFRJ) |
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Resumo: O século XX - tempo de inúmeras transgressões,
rupturas e antagonismos - presenciou importantes debates, em especial na
década de 60, nas vozes de R.Barthes, U.Eco e M.Foucault, dentre outras,
a respeito da figura do autor. Também acirradas discussões sobre a condição
feminina não só abriram espaço a todo tipo de indagação concernente à mulher,
mas provocaram reflexões sobre a literatura de autoria feminina, tema ainda
aberto a questionamentos. Apoiados ou avessos ao veio aberto pelos citados
autores, alguns críticos consideram ineficaz a preocupação em se rotular
a criação nos moldes de feminina ou masculina, por considerarem um estereótipo
simplista e redutor, pois a arte é impessoal. Já outros olhares admitem
ser válida e, de certa forma, enriquecedora a possível definição de literatura
escrita por mulheres, por manifestar experiências, visão e trajeto pessoais.
A proposição de categorias instigantes, tais como, a de gênero (gender),
sem dúvida, deu outra dimensão ao problema, gerou perspectivas outras de
abordagem, direcionadas para horizontes de subjetividades diversas, sem
amarras da noção de sexo. Sabemos que, no jogo ficcional do discurso literário,
muitos deixaram a marca de sua poética, ao expressarem a subjetividade através
de um Eu ficcional oposto ao chamado Eu autoral. Dentre tantos exemplos
encontráveis na história da literatura, lembremos a lírica medieval povoada
de trovadores, que fingiam o sentimento amoroso de um Eu feminino e quantos
romancistas desenharam mulheres inesquecíveis: Capitu, Ema Bovary, Diadorim
etc.. Em se tratando, porém, de autoria feminina, por razões históricas,
poucas foram as que conseguiram eternizar nome e obra, desde a época de
Safo até hoje. A verdade é que a tessitura de uma escrita própria, reveladora
da expressão de si, conferiu à mulher uma identidade poética. Tecer o texto
converteu-se no singularíssimo instante em que se configura, em um mesmo
sujeito, a noção de autor textual e de autor empírico, que, tantas vezes,
delineia quadros autobiográficos. Além disso, a malha do texto feminino
tramou e trama, sempre, contra a conspiração do silêncio, a dura obscuridade
histórica a que foi submetida sua fala. Este Simpósio, de caráter comparatista,
interdisciplinar e intercultural, busca: provocar novas discussões, no sentido
de ler e reler o conceito de subjetividade na expressão literária do feminino
e da figura feminina; (re)visitar a questão da mulher como sujeito do enunciado
e da enunciação poéticas; analisar a perspectiva confessional do Eu poético
feminino em relação ao objeto amoroso; revelar transgressões, interditos
e liberdades ocultos nas dobras sinuosas da poética feminina e nas configurações
da mulher em todos os tempos e artes. " Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade |

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| A esposa fiel: seguindo (ou não) o modelo de Penélope por Alvanita Almeida Santos |
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Resumo O estudo das representações culturais, entre as quais a literatura, revela os modelos construídos pelas sociedades cujos comportamentos devem ser seguidos pelos atores que as constituem. Tais modelos são apresentados como “verdadeiros” para todos, desconsiderando-se as diferenças existentes em todos os grupos sociais, o que evidencia o preconceito com relação a certos sujeitos sociais, relegados a um patamar de exclusão e submissão. Mas, apesar disso, é possível observar, às vezes de maneira explícita, às vezes através de estratégias de resistência subjacentes ao discurso, uma conduta de negação desses modelos e de superação da submissão. É sobre o que pretendo refletir, neste artigo, tomando como objeto os romances — narrativas orais — inseridos em nossa cultura a partir da colonização, existentes na Europa desde, pelo menos, a Idade Média. Para este trabalho, selecionei o texto A Bela Infanta, comparando a versão brasileira com a versão galega e com uma canção francesa, para discutir, à luz das teorias feministas, a (in)fidelidade da mulher, tal como se apresenta no texto, de forma a questionar o modelo. |
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| Dos Clássicos à “Gota d’Água” por AMOS COELHO DA SILVA |
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Resumo O heroísmo homérico dos eupátridas ratifica pacto entre deuses e homens no processo de antropomorfização. O teatro, continuador desta educação, a “‘ paidéia’ homérica” , receberá de Píndaro a etim ológica de “homem”, de “humus”, barro, argila, à espera de um sopro divino. Esta outorga divina persistirá em Ésquilo, primeiro trágico. Não há contradição em Eurípides, mas em sua época: guerra fratricida, Atenas e Esparta, e sofistas sacodem a ‘ paidéia’. Eurípides, embora com o tema legenda dourada, retirou, de cena, ação heróica e passou ao feminino das emoções: o ‘ páthos’ . Aí, o paradoxal: mãe odiosa, “Medeia”. Sêneca (4 a.C. – 65) não é tradutor. “ Medéia” , princesa da Cólquida, mesmo em sua semelhança à de Eurípides, é uma feiticeira, projeto anti-estóico do filósofo. Nos nossos recentes anos 70, economia dependente e repressora, surge “Gota d’Água” , a tragédia brasileira. Personagens pobres e macumbeiros diante daqueles clássicos: reis, príncipes e princesas. Agora, temos Joana, traída por Jasão e moradora de conjunto habitacional. No Jasão da Grécia, a banalização, no de “Gota d’Água” , conforme “ Cacetão”: ‘Jasão faltou à ética...’ Nessa carnavalização, temos o imponderável do Brasil. |
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| De lobas e mulheres: tessituras da subjetividade na representação feminina em dois contos de Angela Carter por Cleide Antonia Rapucci |
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Resumo A escritora inglesa Angela Carter (1940-1992) utilizou, em muitos de seus contos, os recursos do realismo mágico, redescobrindo o folclore e fazendo uma escavação dos aspectos mais enterrados pela civilização. São textos carregados de intertextualidade, por vezes escritos num processo de palimpsesto, raspando-se o texto e escrevendo-se por cima. Nesse processo de escavação, destacam-se em sua obra quatro contos sobre o motivo do lobo, a saber, "The werewolf", "The company of wolves", "Wolf-Alice" e "Peter and the wolf". O propósito deste estudo é uma leitura dos dois últimos, tendo em vista a tessitura da subjetividade na representação feminina nesses dois textos. As protagonistas de "Wolf-Alice" e "Peter and the wolf" caminham em direções opostas, mas ambas parecem traçar uma alegoria da condição feminina no patriarcado. |
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| A Autorictas feminina no mundo medieval: o Lai de Bisclavret de Marie de France por CRISTINA MARTINHO |
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Resumo Na Idade Média, o termo "texto" significa a obra do auctor, ouseja, daquele escritor que, pelo seu saber, detém e exerce a auctoritas,a autoridade, seja no domínio teológico, seja no domínio filosófico,seja no domínio jurídico. O "texto" distingue-se da apostila, da glosa e docomentário. Marie de France, a primeira escritora mundial de ficção, temorgulho de escrever em vernáculo, dizendo sempre “Marie ai no si sui deFrance”, o que significa dizer meu nome é Maria e eu sou da França. Testemunhade um novo tempo, em que a comunicação sem testemunhas entre o livro e o leitornão está sujeita à orientações ou esclarecimentos, Marie articula ascapacidades performativas da literatura a sua própria consciência de sujeito aointerpretar o mundo real, através do imaginário. Minha intenção é fazer umaleitura destas premissas autorais, tomando como ponto de reflexão o “Lai deBisclavret” e seu mito do lobisomem.Trata-se de uma obra que conjuga a subjetividade e resulta numa experiêncialimítrofe daquele momento de renascimento medieval. |
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| A VOZ FEMININA DAS CANTIGAS DE AMIGO E O EU CONFESSIONAL NA LÍRICA DE GASPARA STAMPA, ISABELLA DI MORRA E VERONICA FRANCO por DELIA CAMBEIRO |
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Resumo As cantigas de amigo marcaram, sem dúvida, a lírica amorosa trovadoresca, na Galiza dos séculos XII e XIII. Na Itália, poucos poetas criaram tal tipo de canções. A singularidade dessas composições, de autoria masculina, está na invenção de uma voz feminina, mimeticamente elaborada como sujeito do enunciado e da enunciação poéticas. Veladas historicamente, por uma conspiração do silêncio, poucas trobairitz medievais falaram em primeira pessoa. Esse trabalho quer assinalar, entretanto, alguns nomes de mulheres, que configuram a emergência de um Eu confessional, na Itália dos séculos XV e XVI. Dentre tantas, citamos: Gaspara Stampa, Isabella di Morra e Veronica Franco. |
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| O poder e o silêncio: chaves do discurso na ficção de Teresa Veiga. por Elizabeth Carvalho |
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Resumo Pretendemos com este trabalho apresentar o conto intitulado “A morte de um jardineiro” da escritora portuguesa Teresa Veiga. Segundo Umberto Eco, todo texto é semelhante a um bosque com suas veredas prontas a serem percorridas pelo leitor. Essa metáfora aplica-se completamente à forma com que a escritora tece a obra, sugerindo a todo momento que adentremos nesse bosque e tornemos real a magia da sua escritura. Com estilo sóbrio e elegante, trata da relação de poder exercida pelo homem, e da mulher que, repentinamente, resolve quebrar as amarras. A estratégia utilizada é o silêncio, e o conto descreve – do início ao fim -, a trajetória do homem que se escuda em um presumível poder, e da mulher – diplomata da vida doméstica -, cuja tarefa se transforma em ouvir e fazer uma leitura detalhada do mundo que a rodeia, criando força e obscurecendo totalmente a figura masculina. |
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| Itinerário Literário Feminino: "A louca da casa" e o universo da escrita. por Jecilma Alves Lima |
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Resumo Seguindo, durante muito tempo, um itinerário próprio, a escrita de autoria feminina hoje se insere no universo da crítica literária de uma forma que não permite a associação entre valores de ordem estética e outros medidos pela questão do gênero. Atualmente, críticos e leitores, ao menos os mais antenados, começam a perceber que o ser humano não se reduz a uma fórmula, sendo compostos de influências onde a de gênero é apenas mais uma a determinar o modo de ver o mundo e, conseqüentemente, narrá-lo. É por este caminho que passa a autora de “A louca da casa”, a espanhola Rosa Montero , 53 anos que acredita que o s escritores disparam palavras contra a morte, em uma busca pela imortalidade que não será alcançada por muitos, sendo mulher ou homem, mas ao voltar o olhar para o passado percebemos que a luta é mais acirrada para as pertencentes ao “sexo frágil”, a própria escritora admite que na luta por domar a palavra tem um obstáculo a mais: onde todos escrevem “homem” ela, como as outras, teve que aprender a ler também “mulher”. Para a mulher escritora, que esteve por muito tempo condenada ao pior castigo que é o de não ser reconhecida e lida, o esquecimento é ainda um monstro maior e mais assustador, mesmo porque a luta pela imortalidade resvala na luta pelo espaço dentro da sociedade, expressão já tornada clichê entre as minorias. No livro “A louca da Casa”, Rosa Montero passeia entre os conceitos de escrita, imaginação e vida a partir do seu olhar feminino e peculiar nos permitindo perceber as interrelações entre eles que a literatura potencializa, sendo que, n esse sentido, está sempre mais além do gênero, da situação. A louca que mora no sótão da casa de Rosa Montero desdenha da idéia de que na escritura das mulheres não há ação, só sentimentos e emoções. Ela concorda com Proust quando ele diz que literatura são os sonhos da humanidade, mas sabe, também, que “nós sonhamos o que somos”. |
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| Pagu: mulher e intelectual por Juliana Borges Rodrigues |
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Resumo Este trabalho propõe-se a repensar a postura intelectual de uma das mulheres mais importantes da nossa literatura modernista, porém, uma das menos estudadas no âmbito acadêmico, a escritora e intelectual Patrícia Rehder Galvão. Mulher libertária, ativista, militante, lutadora, revolucionária, normalista e Pagu. Nosso objetivo mais amplo é investigar a postura e o papel do intelectual na sociedade brasileira a partir da tensão entre o compromisso de participação política e a pesquisa de novas formas estéticas. Pretendemos analisar a tão falada ‘crise’ atual da intelectualidade, relacionando-a ao momento de intensa participação do intelectual-escritor durante o modernismo, tendo como objeto de estudo o romance Parque Industrial, escrito por nossa intelectual-escritora na década de 30. Sem pretender defender dogmas, almejamos identificar também, na figura feminina de Pagu e em sua intensa atividade intelectual uma condição de diferença fundamental para o desrecalque da condição da mulher na sociedade, além de discutir a respeito de sua autoria enquanto uma intelectual-mulher. Acreditamos que a sua condição de escritora feminina transparece em sua obra como forma de manifestação de suas experiências políticas pessoais, sendo que este fato pode ser bastante discutido e demonstrado em seu romance Parque Industrial. |
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| A poética do erotismo feminino em dois tempos: Cecília e Adélia por Maria da Conceição Pinheiro Araújo |
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Resumo No sentido de resgatar uma historicidade, a poesia pode ser demonstração de compromisso político e ideológico do poeta, que assume a tarefa de cuidar dos outros seres, a partir de sua relação consciente com a realidade histórica. É nesse sentido de poesia como modo singular de enxergar o mundo circundante que proponho discutir algumas questões referentes ao tema da sexualidade em duas obras das poetisas Cecília Meireles e Adélia Prado. A leitura, considerada a partir da perspectiva de que vivem contextos históricos diferenciados, mostra distanciamentos, mas não deixa de sugerir, também, aproximações. Escolhemos para análise alguns poemas de Mar Absoluto (1945) e Terra de Santa Cruz (1978). |
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| O Efeito Do Espelhamento Da Serrana Medieval em Valle-Inclán por MARIA DO CARMO CARDOSO DA COSTA |
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Resumo A partir da leitura do episódio das Serranas, do Libro de buen amor, de Arcipreste de Hita (1283?-1350?), destaca-se a figura da quarta mulher que, no poema narrativo, apresenta características de um monstro descritas minuciosamente. Nesse episódio, a força e o ato de guiar o homem até o hábitat serrano, de alimentá-lo com o fogo do lume e do corpo são pontos comuns entre as Serranas do Arcipreste e a Serrana dos romances; esta derivaria daquelas. Tais mulheres têm um modo de ver o mundo totalmente diferente das damas aristocráticas, cujo recato, em conformidade com os cânones da época, é substituído pela iniciativa, pela insinuação amorosa e pela voz ativa, sendo que aquela caracterizada grotescamente será, a nosso ver, o germe da teoria do esperpento apresentada por Max Estrella, personagem de Ramón del Valle-Inclán, autor do século XIX-XX,que compara a estética do esperpento com o efeito deformador da imagem que produz o espelho côncavo. |
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| As rosas de Clarice Lispector: travessia, transfiguração e denúncias da flor por Maria José Ribeiro |
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Resumo Este ensaio aborda os personagens diante da rosa, na obra de Clarice Lispector. Tem como epicentro o estudo do conto A imitação da rosa, da obra "Laços de família", mas abrange a análise do espaço personagem-rosa em outros textos da autora marcados pela presença da flor. A rosa promove uma interrupção súbita do cotidiano dos personagens - momento epifânico. Parte-se do pressuposto de que o encontro com a flor revela o ser em seus vários contrastes: entre a completude e a fragmentação, entre a sanidade e a loucura, entre o si mesmo e o Outro. Conclui-se que, nesse espaço entre o eu e o Outro - sendo esse Outro a rosa que se ergue nesta análise como individualidade - , sugem denúncias das mazelas sociais, tendo como ponto de partida um mergulho profundo no mistério da flor. |
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| Representções femininas em Helder Macedo e Saramago: olhares masculinos por Marisa Corrêa Silva |
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Resumo Este trabalho visa discutir especificidades do olhar masculino dos autores José Saramago e Helder Macedo sobre personagens femininas, a partir da perspectiva do materialismo lacaniano. Libertárias e admiráveis, as protagonistas desses romancistas possuem, em sua representação, marcas do olhar masculino de seus criadores. Entretanto, a crítica feminista não oferece uma abordagem satisfatória para essas marcas, sendo necessário lançar mão de outra ferramenta teórica a fim de discutí-las. |
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| "Eu e o Outro": a configuração do par erótico na poesia de Florbela Espanca por Marly Catarina Soares |
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Resumo Na obra poética de Florbela Espanca, aliado a diversidades temáticas, o erotismo se apresenta com certa persistência. Vincula-se à transgressão, à interdição; realiza-se pelo silêncio, pela mudez, pelas analogias, pelas imagens sensoriais, pelas metáforas. Algumas vezes se mostra de forma explícita, quando o corpo feminino é participante como sujeito do ato erótico. Na condição de sujeito ativo, a mulher dirige-se ao amante convidando-o para o amor, embora se revele em alguns momentos como objeto do amor. Essa inversão (de sujeito a objeto) pode ocorrer às vezes até no mesmo poema. A relação sujeito/objeto não está atrelada à condição masculina ou feminina, e sim ao desenvolvimento do ato erótico-amoroso. A troca de papéis sujeito/objeto configura-se como jogo sensual para incrementar o ato amoroso. Nesta comunicação, apresento a análise de alguns poemas de Florbela Espanca, nos quais a experiência sensual e erótica é a experiência do eu lírico e do Outro. |
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| A LOBA E A PANTERA, ESTAS IRRESISTÍVEIS ASSASSINAS: por Rita das Graças Felix Fortes |
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Resumo O que aproxima o conto “Felicidade no crime”, de J. Barbey d’Aurevilly – escritor francês do terceiro quartel do século XIX – do conto “Esses Lopes”, de João Guimarães Rosa – escritor brasileiro das décadas de trinta a sessenta – que permite estabelecer uma leitura comparativa entre ambos? A despeito das grandes diferenças entre a decadente aristocracia francesa do início do século XIX e a esparsa e caótica sociedade sertaneja, ambos os autores se atêm com precisão à subliminar e dissimulada maldade feminina. Tanto em “A felicidade no crime” quanto em “Esses Lopes” há uma clara referência aos aspectos mais cruéis e sutis da capacidade de articulação e de vingança das personagens. Tanto Haute-Claire quanto Flausina buscam o que elas acreditam ser a felicidade e, para alcançá-la, ambas são capazes de dissimular, fingir, enganar e matar. Como as fiandeiras, elas fiam, medem, embaralham e cortam o fio do destino de quem se interpõe no seu caminho. Portanto, o que permite que se estabeleça – especificamente em relação à maldade feminina, proposta deste estudo – uma leitura comparativa entre autores tão díspares no tempo, na cultura e no espaço, é que ambos se atêm aos aspectos mais maléficos da alma feminina que, além de remeterem ao ardil imemorialmente atribuído ao gênero, remetem à consciência rosiana de que o sertão está onde o mal se manifesta, isto é, “em toda a parte”. |
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| Na pele e na tela, desejo e repressão sexual: um olhar narrante da mulher velha em Lygia Fagundes Telles por Susana Moreira de Lima |
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Resumo Discute-se, a partir do conto “Senhor Diretor”, de Lygia Fagundes Telles, a subjetividade da protagonista Maria Emília colocada em xeque pela própria personagem, descobrindo os efeitos perversos de uma educação altamente repressiva que a levou a continuar virgem ainda aos sessenta e dois anos. Seu olhar, apesar de crítico, é voraz, pois ela é atraída pela exposição do erotismo, diante de uma oferta explosiva de imagens lançadas pelo mercado de consumo. Ela está se defrontando com o que sempre lhe fora ocultado ou ensinado a ocultar e diz muito de si, em meio às críticas que faria à sociedade, nas cartas esboçadas ao diretor de um jornal, repetindo o que vozes femininas do momento gritam em público e o que ocorreu com mulheres, como sua mãe em seu tempo, que ficavam caladas. Assim, seu discurso, na escrita de denúncias, baseado num rigor moral que se vai desbotando ao longo da narrativa, questiona valores. As estratégias discursivas vão dando pistas de um movimento contrário ao discurso moralista. Deste modo, a voz narrativa revela o artifício da mulher escritora, como sujeito da enunciação, consciente da necessidade de trabalhar-se com um conteúdo diferente de um texto cultural dominante. |
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| As relações entre corpo e poder, vistas em Novas Cartas Portuguesas por Telma Aparecida Mafra |
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Resumo A sociedade portuguesa, assim como várias outras, foi construída sob a marca da desigualdade entre homens e mulheres. Essa diferença foi sendo disseminada lenta e constantemente, através de práticas simbólicas que consciencializaram a mulher portuguesa acerca do papel social que se esperava dela. Para essa mulher quase arquetípica, a sexualidade sempre foi um terreno inóspito, com conhecimento centrado, geralmente, nos aspectos da reprodução humana. O prazer lhe foi assunto negado, ou quando muito, mascarado em linguagem subliminar de que o corpo feminino é um espaço sem muitos direitos. Mais do que ser um tema quase proibido, o prazer sensual feminino é visto como uma possibilidade pecaminosa ou sequer imaginada - herança das tradições cristãs. Em Novas Cartas Portuguesas, as questões acerca do feminino, da crise dos papéis tradicionais, da identidade feminina e principalmente da sexualidade, surgem com muita força. Assim, essa comunicação objetiva evidenciar como as relações entre corpo e poder são abordadas nessa obra. |
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| A construção de uma subjetividade e sensibilidade femininas em "Livro de auras", de Maria Lucia Dal Farra por Wiliam Celestino |
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Resumo O trabalho propõe analisar o discurso poético de Maria Lucia Dal Farra, em “Livro de auras”, na construção/arquitetura das marcas que constituem uma subjetividade e sensibilidade femininas, abordando, assim, as técnicas de composição de tais marcas, não somente em níveis temáticos, mas, principalmente, em níveis estruturais e suas estratégias e recursos de expressão, os quais formalizam a originalidade do universo poético desta autora. Propõe-se, também, abordar quais são e como ocorrem, linguisticamente, alguns dos possíveis diálogos com uma tradição de poesia brasileira, de autoria feminina. |
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