LITERATURA E EDUCAÇÃO NO BRASIL


Coordenadores
Profa. Dra. CLAUDETE DAFLON (PUC-RIO)
Prof. Dr. CLÁUDIO DE SÁ CAPUANO (FERLAGOS)
Resumo: O papel da literatura na formação intelectual assim como o ensino da literatura no país são duas questões fundamentais para se compreender que espaço a produção literária tem ocupado na educação brasileira. Nesse sentido, de um lado, faz-se necessário pensar que relações vêm sido mantidas entre a Literatura e outras disciplinas ou áreas de conhecimento; considerando-se, sobretudo, o avanço das abordagens interdisciplinares na educação escolar e nos estudos acadêmicos. Por outro lado, merecem ainda atenção a abordagem do texto literário em diálogo com outras linguagens e a relevância da experimentação lingüística no desenvolvimento educacional dos estudantes. Junto a isso, há ainda a subjetividade como construção de um percurso intelectual e pessoal que permitiria ao estudante a leitura/escrita de suas histórias. Um debate dessa natureza implica, portanto, considerar a importância que a literatura teve e tem na formação intelectual no Brasil. Para tanto, é preciso, contudo, levar em conta não só a participação que historicamente a literatura tem tido na educação brasileira mas também como tem se dado o ensino da disciplina no ambiente escolar, haja vista mudanças significativas na educação e na própria realidade em que se insere o livro nos últimos séculos. "

Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade

Literatura para quê?
por Analice de Oliveira Martins
Resumo
Este ensaio parte da constatação de que a literatura não é mais o centro da cultura na contemporaneidade e pretende discutir não só as razões da perda desta primazia na “educação sentimental” do sujeito como também seu conseqüente deslocamento diante de outras manifestações artísticas de caráter audiovisual. O ensaio pretende, também, repensar os domínios curriculares da disciplina “literatura” nos ensinos fundamental e médio e assinalar a condição indiscutível de formação de professores-leitores.
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O curso de Letras e a Literatura Estrangeira na formação do professor
por Andréa Correa Paraiso Müller
Resumo
Antonio Candido (1995, p. 239-240) refere-se à literatura como um direito humano e sustenta que a boa arte não deve ser privilégio de minorias. Muitos são os estudiosos que, como Candido, defendem a relevância da literatura na formação intelectual do ser humano. Entretanto, a julgar pelo que indicam pesquisas recentes, o hábito da leitura de textos literários continua, no Brasil, restrito a uma minoria. Procurar soluções para a "crise da leitura", comentada desde os anos 1970, é um dos desafios da escola; se a literatura é mesmo um direito, garantir o acesso a ele caberia, principalmente, à escola. Diante disso, faz-se necessário perguntar: os professores brasileiros são todos leitores? E os estudantes de Letras, futuros professores de Língua, são todos apaixonados por literatura, ávidos por formar novos leitores? O objetivo deste trabalho é discutir o desinteresse pela literatura manifestado por estudantes de Letras, focalizando particularmente a disciplina Literatura Estrangeira. Partindo de nossa experiência docente em uma universidade pública e considerando pesquisas realizadas na mesma instituição, refletiremos sobre a importância da Literatura Estrangeira no curso de Letras e sobre possíveis caminhos para futuros professores que se sentem sempre um pouco estrangeiros ao texto literário.
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LITERATURA, CINEMA E EDUCAÇÃO
por Antonio Mateus
Resumo
O diálogo entre o cinema e a literatura torna-se cada vez mais intenso na contemporaneidade. A adaptação de obras literárias para o cinema não é um fato novo, no entanto a escola continua alheia a esse diálogo. Acreditamos que a leitura crítica da relação intertextual entre obras literárias e filmes é um instrumento educativo indispensável para a formação intelectual dos estudantes. Nosso trabalho propõe um debate em torno da representação do homem de negócios como forma de promover a avaliação de valores políticos, éticos e estéticos que pautam a sociedade em que vivemos. Analisamos os homens de negócios do filme “O que você faria?” de Marcelo Piñeyro – uma adaptação da peça “El método Grönholm” de Jordi Galceran. Comparamos esses personagens e seus discursos a fim de refletir sobre os valores que circulam nessas obras, procurando contribuir para uma análise do discurso cínico majoritário na atualidade.
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Literatos e cientistas
por Claudete Daflon
Resumo
A formação eminentemente literária dos intelectuais brasileiros aponta para uma importante associação entre o literato e o cientista em nosso país. Destaca-se, nesse sentido, a reflexão sobre o papel atribuído ao literário no desenvolvimento do pensamento científico no Brasil; sobretudo, no que diz respeito a processos de difusão do conhecimento numa nação em que a ciência caminhava a passos lentos. O estudo das pontes entre literatura e ciência ao longo de nossa história representa a opção por uma perspectiva interdisciplinar com repercussão tanto no campo acadêmico quanto no ambiente escolar; uma vez que o debate sobre a formação intelectual implica a compreensão do papel do literato-cientista na pesquisa universitária e na escola. Em relação à educação de crianças e adolescentes em especial, faz-se necessário discutir o ensino da literatura em tensão com o desenvolvimento do aluno no conjunto das disciplinas escolares, afinal o literário tem seu espaço revisitado frente a um mundo marcado pela expansão da comunicação de massa e pelo crescimento técnico-científico. Daí a figura do literato-cientista ser emblemática de um lugar interdisciplinar que o literário termina por ocupar.
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Entre a Literatura e a História, o Cinema
por Cláudio de Sá Capuano
Resumo
A partir de pressupostos teóricos, tanto do campo disciplinar da nova história quanto de estudos atuais da literatura fundados em perspectivas construtivistas, a presente comunicação pretende refletir a respeito da adaptação para o cinema de obras ou temas previamente desenvolvidos em textos escritos (literários ou não). Tal reflexão visa apontar caminhos de discussão das relações entre história e literatura, a partir de obras filmadas. Os escolhidos são “Guerra de Canudos”, de Sérgio Rezende, e “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha. O objetivo final é pensar o filme como objeto de motivação do estudo de temas da história dentro de uma perspectiva artística, na sala de aula, para um público jovem, em fase escolar.
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Literatura como prática social em contexto escolar
por Cláudio José de Almeida Mello
Resumo
Apresenta-se pesquisa em andamento no âmbito do grupo de pesquisa Literatura e Educação (UNICENTRO), a qual busca explicitar os pressupostos teórico-metodológicos de práticas pedagógicas no ensino de literatura no Brasil. O objetivo é repensar o papel da literatura na formação cultural mais ampla dos alunos, questionando o seu isolamento e disciplinarização em uma prática de ensino de historiográfrica e positivista, para considerá-la em sua relação interdisciplinar com outras artes e áreas. Os resultados já obtidos apontam para a necessidade de levar essa perspectiva para o fórum do projeto político-pedagógico da escola, elaborado por professores, pedagogos, diretores, funcionários, alunos e pais, a fim de que todo o contexto e entorno escolar reconheçam teoricamente e também na prática a relevância da literatura para a formação humana dos alunos. Co-autor: ANTONIO HENRIQUES GONÇALVES CUNHA (UNICENTRO)
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A canção na sala de aula: estratégias didáticas para o uso do cancioneiro popular nos Ensinos Fundamental e Médio
por Jorge Marques
Resumo
A canção é, nos dias de hoje, o meio privilegiado através do qual a população tem contato com o gênero poético. Neste contexto, é precioso notar o quanto os jovens que freqüentam os Ensinos Fundamental e Médio acessam voluntária e prazerosamente a palavra cantada através de onipresentes aparelhos eletrônicos: é a força da lírica manifestando-se cotidianamente entre o alunado. O presente trabalho preconiza o estudo da Canção em sala de aula, de modo que se singularize o gênero enquanto portador de características próprias. (Con)fundir Canção com outros gêneros produzidos em verso somente colabora para que se caracterize uma identificação equivocada do ponto de vista teórico e desastrosa do ponto de vista procedimental. A educação pela palavra cantada possui diversos eixos, caminhos, possibilidades. Aqui apresentar-se-ão aqueles que se relacionam ao universo do literário: da análise do procedimento artístico do compositor à observação de intervenções semiológicas próprias dos meios de comunicação de massa; do estudo das intenções interpretativas dos cantores aos modos de fruição do público.
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A (RE)CONSTRUÇÃO DA NAÇÃO E A FORMAÇÃO DE LÍDERES: o ensino de literatura no Estado Novo
por Luiz Eduardo Oliveira
Resumo
Se na história política do Brasil o governo de Getúlio Vargas representa um momento de autoritarismo e centralismo comparáveis aos fascismos europeus, em sua história educacional tal período só encontra paralelo na segunda metade da década de 1850 – não por acaso, momento de supremacia do Partido Conservador e de consolidação do Estado imperial –, em sua tentativa de (re)construir uma identidade e assim estabelecer um Estado nacional. Durante a gestão de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde Pública do Estado Novo, a literatura, pela primeira vez na história da educação brasileira, teve objetivos, metodologia e conteúdo bem definidos e sistematizados, ocupando um lugar de primazia em relação às demais disciplinas, dada a grandeza do seu papel na “educação espiritual” do aluno. Este trabalho tem como objetivo investigar e analisar o modo como a sistematização do ensino da literatura, no Estado Novo, se relaciona com um projeto de nação que almejava concretizar-se pela conjugação entre a formação de líderes e a consolidação do cânone de uma literatura universal e nacional, instrumentos indispensáveis para a aquisição de uma “cultura geral”, especialmente para as “individualidades condutoras” que deveriam “animar as responsabilidades maiores dentro da sociedade”, segundo as palavras do próprio ministro.
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Literatura e educação: uma proposta de inclusão social a partir de Antonio Candido
por Marcelo Chiaretto
Resumo
Tendo por base o estudo de ensaios e estudos críticos de Antonio Candido, esta comunicação pretende expor e analisar uma possível prática de ensino de literatura apta a fortalecer os laços democráticos, no momento em que convoca professores e alunos à exposição de leituras em uma situação de debate comparável aos embates que caracterizam a esfera pública. Aos alunos, haveria o direito à literatura e a responsabilidade de leitor em harmonia com seus interesses individuais e coletivos. Ao professor, haveria a compreensão do jogo político presente no ato de ensinar literatura, considerando-se seu papel de mediador para demandas sociais e experiências lingüísticas diferentes. Antonio Candido, em seus estudos, soube perceber o percurso efetivo e integrado ao estudar a formação da literatura brasileira. Da mesma forma, permitiu a percepção de que a experiência nacional com o texto literário no final do séc. XIX poderia servir-se de exemplo para sociedades contemporâneas carentes de representação política e cultural. Assim, imagina-se que uma sala de aula de literatura no tempo presente poderá cooperar com a sociedade civil ao exaltar as expressões próprias das comunidades que conformam a nação e seus direitos ao reconhecimento público.
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DAR A LER: LEITURA E PROVOCAÇÃO PARA A ENTRADA NO UNIVERSO DA FICÇÃO COMO EXPERIÊNCIA FORMATIVA
por Marcia Machado de Lima
Resumo
O professor ocupa a figura daquele que dá a ler no âmbito da aula, direcionando a atividade dos alunos à aprendizagem, do lugar de saber que lhe compete. Este trabalho analisará o instante no qual certa seqüência didática destinada à execução de projeto interdisciplinar, envolvendo língua portuguesa e arte, para a construção de livros de narrativas autorais por parte de crianças de 2ª série da periferia de Marília-SP, possibilitou o rompimento com o sentido comum do “dar a ler”. Ao grupo envolvido, incluídas nele as professoras, foi possível o afastamento do lugar de absoluto controle da aprendizagem dos alunos para experimentarem outro sentido para a referida proposição. As condições de sentido e rompimento com experiência de si cristalizada por parte de alunos e professoras será o foco da análise e trará a “experiência” como categoria e suas relações com a leitura (LARROSA,2002; LARROSA,2003) para lugar mais central que a categoria “desenvolvimento”. Conclui-se que, longe da execução de seqüência previsível, a entrada no espaço de produção permitiu que o ensino operasse distante daquilo ratificado pela pedagogia moderna como eficaz, universal e necessário à formação.
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Literatura:possiveis diálogos
por Maria Cristina Prates Fraga
Resumo
O presente ensaio pretende apresentar nossa prática docente em Literatura Brasileira no ensino médio e na graduação do Curso de Letras,destacando a importância da intertextualidade como forma de ampliar o universo crítico do aluno através de um raciocínio que privilegia o método comparativo e o poder de associação,colocados em prática na análise de discursos parafrásicos e/ou parodísticos realizados no percurso literário brasileiro ou,ainda,estabelecer o diálogo da nossa produção literária com outras literaturas.Por outro lado,vale destacar a importãncia da comunicação dialógica entrea literatura e outras artes(pintura,escultura,teatro,música),não só válida como forma de ampliação do universo cultural do aluno mas também como meio de aprofundar seus conhecimentos sobre o universo sócio-histórico-cultural refletido nessas produções artísticas.
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A literatura afro-brasileira na sala de aula
por Mariangela Monsores Furtado Capuano
Resumo
A Aprovação da lei 10639/2003, que torna obrigatória a inclusão do estudo de História e Cultura Afro-brasileira nos currículos escolares, gerou uma movimentação nos meios acadêmicos no sentido de contemplar nas disciplinas escolares esse novo conteúdo. Essa comunicação tem como objetivo apresentar uma proposta de trabalho de literatura no Ensino Médio, tomando como ponto de partida a desconstrução através da literatura da imagem estereotipada da figura do negro, formada ao longo de nossa história. Para tanto, a nossa proposta é utilizar textos da literatura brasileira canônica ou não em que o negro é referido como objeto e não como produtor de cultura, em comparação com uma produção literária que objetiva a reversão dessa imagem negativa, bem como o fortalecimento das raízes afro-brasileiras.
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Literatura e Ensino
por Marta Ferreira Pimentel
Resumo
Esta comunicação apresenta proposta de uma nova abordagem do ensino da literatura, no Nível Médio. O objeto de estudo passa a ser as diferentes expressões artísticas brasileiras em língua nacional, a saber, música, teatro, cinema e literatura, em permanente diálogo, nas suas formas de representação de mundo e do imaginário cultural brasileiro. O ensino da disciplina deverá oferecer uma visão panorâmica das influências dos movimentos artísticos e das contribuições das culturas lusitana (e européia em geral), indígena e africana na formação da identidade nacional brasileira. Esse enfoque dará maior abrangência ao objeto de estudo e formará um leitor mais percuciente, capaz de dialogar com as diferentes linguagens artísticas e inserido no contexto sociocultural em que vive como ser-cidadão.
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Literatura e Ensino – unidade do texto não em sua origem, mas em seu destino
por Patrícia Simões de Oliveira Rosa
Resumo
A ambição da Literatura não é dizer o mundo, mas fundá-lo e atribuir-lhe valor. Assim, o texto literário não é representação, mas lugar onde se experimentam novas formas de dizer, de ver, de ser. No encontro dessas novas formas, o ensino da literatura se torna experiência educacional autêntica - desmontagem ativa dos elementos do texto para detectar processos de produção e possibilidades variadas de recepção. Levanta, por suas reordenações e invenções, uma dúvida no aluno sobre a fatalidade do real, o determinismo da história. Assim como a literatura não representa fielmente os acontecimentos, também não age diretamente sobre eles. O que pode e faz é ampliar nossa compreensão, por um processo que consiste em destruir e reconstruir o real. A mais complexa tarefa dos professores de literatura é, então, propiciar ao aluno condições de se apropriar do conhecimento, usá-lo de forma crítica, segundo escolhas pessoais capazes de gerar significados em todos os campos da vida social e cultural. Daí se estabelecer um diálogo entre romances em língua portuguesa em que os narradores se revestem de múltiplas máscaras para se haver com a diversidade qualitativa dos eventos narrados, reconhecendo a percepção do real somente em conformidade com o ponto de vista que o delimita.
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O cânone na formação de leitores
por Renato Lopes
Resumo
O presente trabalho discute um sucesso editorial: adaptações de textos clássicos dirigidas ao público escolar, tornadas um grande sucesso quando amparadas por compras e distribuições do Ministério da Educação. Como exemplo para a discussão, tomemos versões romanceadas de Sonho de uma Noite de Verão de Shakespeare, um autor representativo de valores literários canônicos que, pressupõe-se, se pretende repassar aos jovens. Centrando a atenção no caráter formador proposto por esses textos facilitados, se ressaltarão aqueles valores literários mais a imagem de leitor entrevistos em tais obras integrantes de bibliotecas escolares. Conceitos como “clássico” e o status de “literário” devemser examinados, assim como o papel mediador do professor, eliminado da relação aluno/cânone pelo texto em sua versão facilitada. Por fim, pode-se abrir a conjecturas acerca das motivações pedagógicas e literárias, e comerciais, das adaptações.
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Literatura, música e sociedade educacional: dialogismos contemporâneos
por Robson Coelho Tinoco
Resumo
O objetivo deste artigo é avaliar as perspectivas sócio-educacionais que literatura e música, dialogicamente, apresentam diante da fragmentação contemporânea de uma estética artística multifacetada, relacionando-as com conceitos que nascem da articulação entre as noções de literariedade e melopoética. Para tanto, considera-se que com o advento da pós-modernidade, a partir de meados do século XX, essas manifestações artísticas passaram a viver uma série de dilemas de representação cultural, ao tempo em que assumiam novas configurações gerando, inclusive, estudos e pesquisas inovadores. Entende-se também que a composição de uma nova identidade expressiva, por parte de tais manifestações, pode criar nesse intercâmbio um espaço privilegiado de discussão do papel (sócio-educacional) da escola, frente a práticas culturais situadas no ainda complexo universo cultural da pós-modernidade brasileira.
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A Fragmentação do Ensino de Literatura nos Livros Didáticos e sua Abordagem na Sala de Aula
por Silvana Rodrigues Quintilhano Ferreira
Resumo
Atualmente, há uma grande preocupação com relação à leitura literária nos bancos escolares. No entanto, os meios utilizados por muitos professores para desenvolverem essa habilidade ainda estão longe de promoverem a leitura dos textos literários de fato. Exemplo disso são os livros didáticos, os quais ainda são os mais vendidos e disseminados entre os professores que, em muitos casos, adotam como única referência para suas estratégias de ensino de Literaturas de Língua Portuguesa e Inglesa. Portanto, como formar leitores apenas com fragmentos literários? Leitura fragmentada, leitor fragmentado. Sem a experiência com o texto literário na íntegra, não há possibilidade de fruição estética. Partindo desse pressuposto, esta pesquisa de cunho quantitativo fez uso de questionários semi-estruturados envolvendo professores de Ensino Médio da Rede Pública de Ensino. Problematizam-se suas estratégias, bem como a utilização do livro didático em sala de aula. Por fim, os resultados são discutidos como forma de propor novas estratégias de abordagem do texto literário que visem uma experiência concreta.

Co-autor: ELIANE SEGATTI RIOS REGISTRO

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Contar histórias, tecer realidades
por Thiago Alves Valente
Resumo
No âmbito do projeto "Contação de histórias do norte do Paraná", desenvolvido pelo núcleo regional de ensino de Cornélio Procópio-PR em parceria com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio (UENP- Faficop) e com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) entre 2006 e 2007, neste ano apresentamos a proposta de trabalhar com narrativas marginalizadas. Isso significa resgatar vozes (como no caso de idosos, presidiários, prostitutas, entre outros) que compõem o imaginário da região norte do Paraná, embora não reconhecidas como tal. Como um dos objetivos centrais, a equipe da UENP -Faficop buscará, por meio de coleta de dados, identificar matrizes do imaginário regional, bem como relacioná-la ao sistema literário local, visando, por último, apresentar estes relatos como matrizes literárias no contexto de sala de aula. Pretende-se, com isso, consolidar um espaço de leitura em que narrativas identitárias regionais dialoguem amplamente com o sistema literário nacional, o que pode aproximar o jovem leitor dos textos literários, etapa fundamental para trabalhos de formação de leitores.

Co-autor: VANDERLÉIA DA SILVA OLIVEIRA (UENP-Faficop)

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