| INTERTEXTUALIDADE E AUTORIA |
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Coordenadores Prof. Dr. LUIZ GONZAGA MARCHEZAN (UNESP-Araraquara) Profa. Dra. KELCILENE GRÁCIA-RODRIGUES (UFMS) | |
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Resumo: Conhecer, segundo Aristóteles,
é conhecer pela causa, por meio da sua matéria, forma e finalidade. O
Aristóteles da Metafísica, que busca determinar princípios, com
proposições básicas para discussões, inspira-nos; não restringe nossas
inserções no âmbito das discussões acerca dos princípios da causalidade
inerentes à fatura do texto literário. Queremos apreender algo físico,
sensível, que está escrito; analisar na literatura, por meio do método
comparativo, questões de transtextualidade - dialogismo e
intertextualidade -, sua causa na materialidade, modelada numa forma e com
uma finalidade. Objetivamos a descrição das causas demarcadas nos textos,
constituídas na sua materialidade lingüística, com a formalidade literária
e instituídas pela cultura; intentamos a discussão das configurações
culturais que não se reduzem a determinismos causais. Tudo acontece no
texto, com o texto e, até por isso, com a incorporação de um texto noutro.
A dialogia está nos acontecimentos construídos pela língua. De acordo com
Silviano Santiago, a emulação da pós-modernidade passou a se chamar
intertextualidade, conceito criado por Kristeva e retirado do dialogismo
bakhtiniano, que a inspirou nos seus estudos intertextuais. Trata-se de
uma espécie de escrita de representação que tensiona e questiona as noções
de obra e de autor. Uma obra, de acordo com Foucault, traz a
operacionalização de estruturas verbais movidas por relações
experimentadas por uma escrita transgressora que ora mostra e ora esconde
sua autoria. Este simpósio pretende discutir a função do intertexto nas
múltiplas composições do literário que escritores de língua portuguesa têm
proposto a fim de dar conta deste tempo contemporâneo, narrado pela ficção
sem descartar quer sensações, quer sentimentos, quer racionalidades, quer
bizarros motivos literários. " Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade |

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| Auto-intertextualidade em romances de
José Saramago: notas sobre a relação entre narrador e
personagem por Agnes Teresa Colturato Cintra |
| Resumo A presença de recorrências diegéticas em romances de José Saramago aponta para a narrativa como construção progressiva de um universo fictício em contínua auto-avaliação. Questões específicas sobre o gênero romance e a sua criação estão dispersas no todo da obra saramaguiana, produzindo um intenso dialogismo interior. A grande contribuição de Levantado do chão, de 1979, à sistematização de uma poética ficcional diz respeito às reflexões que o texto suscita acerca da complexa relação de proximidade entre narrador e personagem, a partir da posição que o primeiro ocupa na narrativa. Em O homem duplicado, obra de 2002, uma singular experimentação tensiona tal relação. Propomos tecer considerações sobre a auto-intertextualidade em romances de José Saramago, considerando a interface estabelecida entre esses dois pólos da sua produção. |
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| Murilo Rubião e o realismo
mágico por Ana Luiza Silva Camarani |
| Resumo A ficção de Murilo Rubião – escritor que, como se sabe, estreou na literatura em 1947 com o livro de contos O Ex-Mágico – apresenta algumas características assinaladas reiteradamente em textos críticos sobre seus escritos: o fato de ser uma obra exígua, visto que se limita a um total de trinta e três contos e a constatação de o autor tê-la submetido a um constante trabalho de reescritura; acrescento, a essas características, que suas narrativas foram também responsáveis pela sistematização de um estilo que o fez inaugurador, no Brasil, de uma categoria literária: o realismo mágico. Observa-se que a crítica brasileira oscila na classificação de seus textos em uma determinada categoria, ou melhor, classifica-os de modo extremamente variado: fantástico, realismo fantástico, realismo mágico, realismo maravilhoso, surreal, supra-real, o que permite que uma nova leitura seja feita por intermédio das recentes teorias sobre o realismo mágico. Essa relação implícita que o texto considerado entretém com uma categoria genérica reconhecida e codificada é denominada arquitextualidade por Genette (1982) e permite estabelecer um diálogo fecundo com a tradição literária. A tradição dessa categoria literária, que atualmente tende para a denominação mais ampla de “realismo mágico”, remonta à primeira metade do século XX e percorre um longo caminho a partir do emprego do termo pelo crítico de arte Franz Roh para designar a pintura pós-expressionista, de sua utilização posterior na literatura por alguns críticos literários, do real maravilloso de Carpentier e do réalisme merveilleux de Alexis, do boom na literatura hispano-americana – como costuma ser denominada a expansão do realismo mágico - ocorrido a partir de 1960, até chegar às ficções e à crítica contemporâneas. A obra de Murilo Rubião dialoga efetivamente com essa tradição, como se procurará demonstrar neste trabalho por meio de alguns contos do autor. |
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| A morte e a morte em Mia Couto e
Jorge Amado por Ana Cláudia da Silva |
| Resumo Conquanto Mia Couto tenha declarado, em várias entrevistas, a influência de Jorge Amado em sua formação, assinando, mesmo, o prefácio da nova edição de Tocaia grande (AMADO, 2008), não é por esta via, a da relação de fonte e influência, que aproximamos, aqui, a obra dos dois autores. Nossa leitura tem como objeto primordial o texto, para, nele e através dele, ler alguns elementos das culturas africana e afro-brasileira que estão na base das criações de ambos os autores. Tratamos, especificamente, do tema da morte nas duas culturas, ou, melhor dizendo, de como a literatura transforma e recria a morte, superando-a artisticamente e estabelecendo um diálogo vivo entre diferentes culturas de raiz banta. Focalizamos especificamente, de Mia Couto, os romances Terra sonâmbula (1993) e Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2002); de Jorge Amado, abordamos a novela A morte e a morte de Quincas Berro D’água (1961) e o romance Dona Flor e seus dois maridos (1966). Os estudos antropológicos de Carlos Serrano, Juana Elbein dos Santos e Henri Junod sobre as culturas africanas é que oferecem a base para a nossa leitura da morte nestas obras literárias. |
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| O DIÁLOGO DOS
PERVERSOS por ANA MARIA ZANONI DA SILVA |
| Resumo No conto “O Demônio da Perversidade” (1845), Poe expõe a idéia de que a perversidade seja um sentimento capaz de “promover os objetivos da humanidade, quer temporais, quer eternos” ( 1997, p. 345). Esse sentimento, no final do conto, nos é revelado como uma das formas de “cadeias” que aprisionam o homem. Em “O demônio da Perversidade” , “Crime e Castigo” e “O Enfermeiro”, o homem aprisionado nos reveses da perversidade, constitui a unidade temática sobre a qual se apóiam as tramas narrativas. Oscar Mendes em “Influência de Poe no Estrangeiro” afirma que Fiódor M. Dostoiévsk e Machado de Assis são escritores que foram influenciados por Edgar Allan Poe.Mediante estas constatações e considerando a afirmação de Kristeva ( 1974, p.73) de que “o autor pode se servir da palavra de outrem, para nela inserir um sentido novo”, objetivamos comparar, analisar e discutir como acontece os processos de absorção, de transformação e de integração da unidade temática perversidade em: “O Demônio da Perversidade”, “Crime e Castigo” e “O Enfermeiro”; a fim de mostrar que a influência exercida por Poe sobre Dostoievski e Machado não é apenas uma recepção passiva, mas um dialogo. |
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| A LEITURA DE KAFKA NA ESCRITA DE
WILSON BUENO por Antonio Rodrigues Belon |
| Resumo O objeto material deste trabalho é A copista de Kafka (2007), de Wilson Bueno. A orientação básica é a teoria da intertextualidade, nas suas relações com os conceitos fundamentais de influência, imitação e originalidade. Da influência à recepção, o estudo procura apreender as relações entre os escritores, os textos e os leitores em seus movimentos na sociedade e na história. Busca captar os sentidos da intertextualidade nas narrativas contemporâneas em língua portuguesa, concebendo a escrita como uma renovação da leitura. Intenta abarcar a intertextualidade na narrativa brasileira contemporânea no percurso entre Kafka e Wilson Bueno. |
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| TEXTO, INTERTEXTUALIDADE E AUTORIA
NAS OBRAS DE DALTON TREVISAN E VALÊNCIO XAVIER por ARNALDO FRANCO JUNIOR |
| Resumo Nesta comunicação, abordaremos as relações entre produção textual, intertextualidade e autoria nas obras de Dalton Trevisan e Valêncio Xavier. Nos dois casos, pode-se dizer que o efeito de autoria projetado por ambas as obras apresenta um traço comum: afirma-se por meio de um processo de apagamento que se singulariza no trabalho literário de cada autor. Na contística de Dalton Trevisan, marcada por uma contínua reescrita e condensação a cada nova publicação de seus livros, a intertextualidade compreende a, nos termos de Laurent Jenny (1989), autotextualidade, projetando, no que se poderia ler como uma work in progress, um questionamento das idéias modernas de autoria, originalidade, novo. Já na obra de Valêncio Xavier, marcada pela articulação de texto e imagem gráfica (fotografia, desenho, reprodução de fragmentos de jornais e de anúncios, etc.), os recursos da colagem, da citação e da montagem cinematográfica produzem algo como uma fantasmatização da autoria e, também, como na obra de Trevisan, projetando um questionamento de valores estéticos e ideológicos modernos/ modernistas. |
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| A presença de dualidades em Murilo
Rubiao por EDILENE GASPARINI FERNANDES |
| Resumo Analisando a idéia de constituição do sujeito ao longo dos séculos percorremos um caminho cujo desfecho se dá no desmonte que Adorno propõe a respeito da teoria luckaksiana do reflexo. Analisar e interpretar uma obra de arte hoje é perpassar a idéia de fragmentação, tanto da forma quanto do sujeito (ADORNO,1970). Benjamin afirmará que o assunto da narrativa no período moderno é o elemento de problematização e não de resolução. Auerbach, que há uma estreita relação entre a representação da consciência unipessoal e subjetiva, e a pluripessoal, que visa à síntese e assim, nas modernas obras de arte, ela se faz plural (2004). O objetivo desse traçado é abordar a visão do sujeito autor e a sua relação com a obra que produz. A partir desse caminho crítico, elegemos analisar 3 contos de Murilo Rubião - Botão-de-rosa, Os comensais e O bloqueio - selecionados a partir da presença, neles, de algum aspecto que remeta sua leitura para o campo do político e cuja produção coincide com o período em que o Brasil foi governado por militares. Embora tematicamente homogêneos esses textos se configuram de forma diferente. A bipolaridade neles anuncia uma dupla perspectiva enunciativa, porém intercomunicante entre si. |
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| Eça de Queirós, um romancista da
decadência por Edvaldo Bergamo |
| Resumo O trabalho analisa o romance português A Ilustre casa de Ramires (1900), de Eça de Queirós, como uma obra precursora do subgênero “romance da decadência” no macrossistema das literaturas em língua portuguesa, cultivado posteriormente por autores como José Lins do Rego, Carlos de Oliveira, Zulmira Ribeiro Tavares e António Lobo Antunes. O principal traço definidor de tal forma narrativa na composição eciana é encontrado na configuração da personagem-protagonista Gonçalo Mendes Ramires, típico representante de uma classe social arruinada, a aristocracia, que se sustenta enquanto estiver arraigada a um mundo ultrapassado, ao manter vínculos anacrônicos com uma certa cultura agrária, cujos valores caducos estão em extinção pelo avanço da civilização industrial e urbana e pela ofensiva dos interesses burgueses pautados pela concorrência, competição e lucro. |
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| Quixotismo: um percurso para o herói
problemático na literatura brasileira por Eunice Prudenciano de Souza |
| Resumo Lukács aborda, em Teoria do Romance, o idealismo abstrato, cujo modelo exemplar encontramos em Dom Quixote, instaurador do herói problemático. Quixote seria o representante do individual em conflito com a sociedade. O herói deixa de representar o coletivo, como na epopéia, para mostrar sua solidão em um mundo decadente. Essa tipologia do herói problemático verifica-se em três grandes heróis (ou anti-heróis) da narrativa brasileira: Coronel Ponciano, Policarpo Quaresma e o Capitão Vitorino. As ações desenvolvidas por esses heróis são dissonantes com a realidade e culminam em situações tragicômicas. Tomados pela idéia fixa, criam uma espécie de redoma que os impede de traçar os limites da realidade e, a despeito de suas ações infundadas, continuam lutando para a concretização de seus respectivos projetos. Como conseqüência dessa dissonância, instaura-se um conflito, uma ruptura insuperável entre o ser e a sociedade. E a loucura aparece como elemento impulsionador para a busca desses heróis, que se vêem munidos de poderes irreais, permanecendo em um estado ilusório do poder-fazer no mundo. A loucura é a única forma encontrada para esses heróis sobreviverem na sociedade degradada que os cerca e, de alguma forma, cada herói a seu modo, afronta à ordem estabelecida. |
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| "INOCÊNCIA": SÍMBOLO DE PERMANÊNCIA
DO IDEALISMO ROMÂNTICO por João Luis Pereira Ourique |
| Resumo O propósito do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul em transformar a obra Inocência, de Alfredo d’Escragnolle Taunay, em obra Símbolo de Mato Grosso do Sul, tem como sustentação a fidelidade com que Taunay descreve a paisagem e retrata as personagens e o cotidiano do interior da região, na época conhecida apenas como “região do Mato Grosso”. O apontamento de que o conhecimento maior do homem de letras, militar e viajante, autor da obra em questão, acerca dos hábitos e costumes das pessoas da região não fundamenta, no contexto da obra, todos os aspectos positivos evidenciados. Dessa forma, a preocupação decorrente desse trabalho é a constatação de que tal iniciativa, materializada pela reedição da obra em 2006, aponta somente aspectos positivos da obra, esquecendo que há vários elementos que não são mais relevantes para a sociedade atual, ao contrário, configuram um modelo autoritário e excludente. Enfim, reconhecer que a obra possui grande valor literário e oportunizou um momento de transição da sociedade brasileira, não legitima uma visão simbólica atemporal na qual se sobressai uma ideologia conservadora. |
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| Autran Dourado, leitor de
Camões por Luiz Gonzaga Marchezan |
| Resumo Um leitor troca os enunciados que lê com as idéias fomentadas no âmbito de sua leitura. As funções discursiva e narrativa da intertextualidade são as de, com um dado efeito de sentido, atravessar os processos de composição de uma obra e interferir na sua produção e leitura. Num primeiro momento, para ficarmos com Tynianov, o autor que opera uma intertextualidade faz-se, antes de tudo, leitor do fato literário, da ação narrada já realizada e presente noutra série literária, outra obra, para, na sua obra e com valores intertextuais, retomá-la. Um leitor eventual poderá ou não localizar tais intencionalidades. O soneto de Camões “Um mover de olhos, brando e piedoso” intervém no texto e leitura do conto de Autran Dourado, “O herói de Duas Pontes”, do livro O senhor das horas (2007). O método que elegemos para a análise neste trabalho é o comparativo, com o qual buscaremos estabelecer um diálogo entre variantes de um mesmo paradigma presente em duas literaturas. |
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| A CRÔNICA COMO ARENA DE DEBATE NA
POÉTICA CLARICEANA por MARIA ELOISA DE SOUZA IVAN |
| Resumo Considerada umgênerohíbrido, a crônica oscila entre a literatura e o jornalismo. Compilada emlivro, transita do veículoefêmero – o jornal – para o duradouro – o livro. Temerosa, mas motivada porquestõespessoais, Clarice Lispector aceita o conviteparaescrevercrônicaspara o Jornal do Brasil, mantendo-se aí de agosto de 1967 adezembro de 1973. Incomodada com a novafunção, a autora problematiza o “eu” que escreve, apontando para uma novapreocupação, a do risco da “pessoalidade” emoposição ao “anonimato” oferecido pelaliteratura. Desvinculadas do espaçográfico da colunaespecíficaemque figuraram, essas crônicas foram reunidas e publicadas no livroA descoberta do mundo (1984). Orientando-nos pelaesteira de Foucault (1992), essetrabalho tem comoobjetivoapresentar uma leitura de duas crônicas: “As trêsexperiências” e “Adeus, vou-me embora” da obraacima citada, comparando-as, no campoformal, evidenciando-se a revelação do mundo ficcional clariceano emumoutrocontexto, carregado de outrossignificados, pelaforça de umnovohorizonte intertextual, indicando a mobilidade de que os textos clariceanos são dotados, permitindo ao leitor reencontrá-los intercambiados na produçãopoética da artista. |
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| Leituras do espaço geográfico da
cidade de São Paulo e de seus territórios sociais pela contística do
século XX. por MARILUCIA MENDES RAMOS |
| Resumo A cidade é representada pelo discurso de quem a observa e dela faz leituras, tanto de seu espaço geográfico, que revela o nível de desenvolvimento e as peculiaridades desse espaço físico (montanhas, planícies, rios, árvores, prédios, automóveis), como também de seus territórios sociais, que podem revelar modos de relacionamento dos diferentes ocupantes desse espaço. Nosso interesse recai sobre as representações da cidade de São Paulo em contos do início do século XX, buscando apreender os olhares e a sensibilidade do escritor como observador do espaço em que está inserido e que ele revela por meio de seu discurso literário. |
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| ENTRE A LIBERDADE E A OPRESSÃO: UMA
LEITURA COMPARATIVA DE “MAGO” DE MIGUEL TORGA E A FÁBULA “O LOBO E O
CÃO” por Monica Oliveira Faleiros |
| Resumo O objetivo deste trabalho é analisarcomparativamente o conto “Mago” da obra Bichos, de Miguel Torga, e a fábula “O lobo e o cão” da tradição esópica. O diálogo entre essas duas narrativas manifesta-se não em nível textual, mas temático, o que nos leva a realizar esta análise tendo emvista o conceito de interdiscursividade, proposto por Fiorin (1994) a partir dos estudos de Bakhtin e de Julia Kristeva. Em Bichos (1940), livro, composto de 14 contos de personagem, é a presença de animais figurados como homens apresentados como personagens, que nos remete à fábula. No entanto, há diferenças: na fábula, as personagens são importantes enquanto agentes, são exploradas exteriormente, pois suas atitudes, seu comportamento são avaliados, tornando-se objeto de moralização. Já em Bichos, esses seres apresentam uma consciência diante das circunstâncias e, embora sejam também agentes, apresentam dimensão interior, pois o narrador mostra-as por dentro, evidenciando seus conflitos, diante das ações e de suas conseqüências como algo além de suas próprias escolhas. Assim, essas personagens se mostram como representações do humano, mas sem “desumanizá-lo”, ou tipificá-lo como ocorre na fábula. São personagens que se colocam entre a individualidade e a tipificação para mostrar sua relativa liberdade. |
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| VILELA E SABINO: INTERTEXTO E
AUTORIA por Rauer Rodrigues |
| Resumo Nesta comunicação, nos propomos verificar de que modo o ficcionista Luiz Vilela reelabora, em contos dos seus primeiros livros, do final dos anos sessenta, temas e situações abordados por Fernando Sabino no seu clássico O encontro marcado, obra escrita na década de cinquenta. A retomada intertextual, por Vilela, de aspectos presentes em Sabino nos permite verificar a voz autoral de cada um e de que modo tal voz implica em um discurso renovado para temas e situações constantes (ou invariantes) na ficção brasileira, tais como o primeiro amor, a escola e a paixão pela professora. |
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| O realismo mágico e a
intertextualidade em “A Jangada de Pedra” por Tania Mara Antonietti Lopes |
| Resumo Conscientes de que José Saramago lança mão do realismo mágico em alguns de seus romances, em nossa pesquisa analisamos as configurações dessa categoria literária em “ Memorial do Convento”, no qual se realiza uma subversão no discurso religioso e histórico; “As intermitências da Morte” e “A Jangada de Pedra”. Nesses romances, a estrutura narrativa é elemento fundamental para a configuração do realismo mágico, que em José Saramago revelar-se-á como estratégia de transgressão de discurso, valores e da própria representação. Em "A Jangada de Pedra" , essa transgressão se dá por meio da ruptura, pois a Península Ibérica se separa da Europa. Nesse caso, não faremos uma leitura alegórica do romance. Pretendemos averiguar de que forma se configura o realismo mágico na estrutura da narrativa, proporcionando a transgressão através de uma história mítica, mágica. Portanto, consideraremos aqui as intertextualidades bíblicas e a configuração do realismo mágico presentes em "A Jangada de Pedra". |
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| Relações Intertextuais entre
Narrativas Machadianas por Valdira Meira Cardoso de Souza |
| Resumo A proposta deste trabalho consiste em analisar relações intertextuais presentes em narrativas literárias de Machado de Assis, a saber: “Memórias Póstumas de Brás Cubas,” “Cantigas de esponsais” e “Um homem célebre”. Os protagonistas dos textos mencionados nutrem uma idéia fixa de glória e, para atingi-la, empregam várias estratégias: Brás Cubas, de romance homônimo, empenha-se na escritura de um livro, de uma obra de caráter original; as personagens dos contos, Romão ("Cantigas esponsais") e Pestana (“Um homem célebre”) tentam elaborar uma composição musical que seja inédita. Assim, as conexões entre as referidas narrativas concentram-se na busca da “nomeada” e da glória pelas personagens. A execução desta proposta está fundamentada nos estudos acerca das relações intertextuais desenvolvidos por Julia Kristeva, Mikhail Bakhtin e Gérard Genette. |
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| Vasco Graça Moura e a reescrita dos
amores de Píramo e Tisbe por Cândido Oliveira Martins |
| Resumo Vasco Graça Moura, além de notável tradutor, ficcionista e cronista, é um poeta português contemporâneo (n. 1942), autor de uma obra poética extensa, de uma escrita dotada de notável lucidez e destreza formal, de uma contagiante capacidade irónica e imbuída de um fecundo diálogo intertextual com uma rica tradição literária. Esse é o caso do texto dedicado à reescrita da narrativa poética dos amores fatídicos de Píramo e Tisbe, celebrados desde a Antiguidade – de Ovídio a Shakespeare, dos poetas do Siglo de Oro a Bocage, entre tantos outros. Este poeta contemporâneo reconta estes amores míticos da única forma que julga possível eles serem ainda recontados – com elegância formal, dialogismo intertextual, reinvenção paródica e refinada ironia. |
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