IDENTIDADES POÉTICAS, TEORIAS E CONVERGÊNCIAS LITERÁRIAS EM CONTEXTO PERIFÉRICO


Coordenadores
Profa. Dra. WALNICE APARECIDA DE MATOS VILALVA (UNEMAT)
Prof. Dr. TIEKO YAMAGUCHI MIYAZAKI (UNESP)
Resumo: As discussões sobre o cânone literário põem em pauta a produção de autores de regiões brasileiras distantes, isoladas culturalmente, dos grandes centros, obras em que se pode deparar com acentuados aspectos regionais ou em que se pode ler, na ausência de regionalismo, um suposto projeto de afirmação local frente ao nacional. A prioridade do modelo original sobre a cópia, imposta pelas regras da poética clássica, vem sendo questionada pelo teórico da literatura preocupado com a reformulação dos critérios de valor da obra. A crítica literária deve ser libertada da "mitológica exigência da criação a partir do nada", como propõe Roberto Schwarz: "por que dizer que o central prima sobre o periférico?". Já não podemos entender a obra nascida em contexto periférico como produto de menor valor devido às suas contingências, o que significaria confirmar ou aceitar hierarquias do poder, como a que postula ser a infra-estrutura econômica prioridade sobre a vida cultural. Conforme o poeta e crítico Ferreira Gullar, a realidade nacional deve ser pensada como resultante da interação de elementos diversos, de fatores regionais, das contradições entre zonas desenvolvidas e subdesenvolvidas e se não entendermos a literatura nacional sob esse aspecto acometeremos na "mistificação do nacionalismo". A análise das identidades poéticas em contexto periférico possibilita discussões voltadas: à problematização do cânone; à intencionalidade do autor; à formação de um contexto de pós-modernidade diante de processos de descentralização; aos conceitos e terminologias que adjetivam as literaturas; às novas reflexões acerca do gênero literário priorizados nesse contexto; enfim ao viés teórico da contra-ideologia. A teoria deve elucidar a verdade de uma prática e não endossar ideologias; deve, conforme assinala Compagnon, ser metacrítica, questionando os pressupostos de todas as práticas críticas e fundamentando uma nova teorização, em acordo com o contexto de seu objeto de estudo. "

Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade

Sertão e Cidade: Convergências poéticas em Primeiras Estórias
por Adriana Lins Precioso
Resumo
Após a consagração e a surpresa em Grande sertão: veredas (1956) de Guimarães Rosa, obras posteriores ficaram um tanto desprestigiadas, como é o caso de Primeiras Estórias (1962). Mais uma vez o sertão surge como espaço de identificação poética, contudo, agora, dentro de um projeto de caracterização nacional, mediado pelos espaços urbanos. A visada sobre o conjunto dessa obra nos permite fazer uma leitura tanto do processo histórico de modernização do Brasil quanto um mergulho nas tradicionais raízes da narrativa. É exatamente na investigação desse entroncamento que procuraremos delinear a convergência literária que anuncia os valores estéticos que vão determinar alguns conceitos esboçados pelo pós-modernismo.
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A reescritura do passado em Guimarães Rosa e Luandino Vieira
por Cristiane Santana Silva
Resumo
A presente comunicação, a partir de uma leitura de estórias de João Guimarães Rosa e José Luandino Vieira, presentes em Primeiras Estórias e No antigamente, na vida, respectivamente, visa uma abordagem dos textos baseada na reconstrução do passado enfocada no tempo da infância. Privilegiamos no decorrer desta leitura os processos de ressemantização tanto da palavra, como do próprio espaço do passado, que salvas as distinções contextuais e das intenções dos projetos estéticos dos autores, aponta para uma tensão estrutural entre o novo e o velho. Esta tensão se evidencia nas narrativas, ademais dos aspectos já apontados, através de um constante movimento de trazer os espaços periféricos para o centro da narrativa, tanto pela inventividade da linguagem, tanto pela ruptura das fronteiras entre centro e periferia presente nos textos, nomeadamente, os musseques de Luanda em Luandino Vieira, e o sertão roseano, que nos apontam para um entrecruzamento cultural, dentro de uma escritura que recupera tempos idos apontando para novas possibilidades interpretativas dos contextos a que se remetem as narrativas.
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Escritas de si: a alternativa dramática
por Daniela Beccaccia Versiani
Resumo
O assim denominado “despertar epistemológico” que atravessou as chamadas ciências humanas na segunda metade do século XX parece ter provocado, em alguns projetos teóricos, a tentativa de deslocamento de modos narrativos e monológicos para modos dialógicos e polifônicos de produção discursiva de conhecimento sobre a realidade e a percepção de mundo. Neste trabalho, estou denominando a tal deslocamento de “alternativa dramática”. Algumas recentes publicações podem servir como exemplos dessa “alternativa dramática”, entre elas Esmeralda. Por que não dancei, de Esmeralda do Carmo Ortiz, Letras de Liberdade, de diversos autores, e Cabeça de porco, de autoria de Luiz Eduardo Soares, MV Bill e Celso Athayde, obras nas quais se somam diferentes “idiomas” de sujeitos com diferentes e singulares trajetórias socioculturais na tentativa de explicar, ou traduzir, para si mesmos e para outros sujeitos/leitores, com suas também específicas e singulares trajetórias socioculturais, sua visão de si e do mundo em que se inserem. Tendo por fundamentos as reflexões e propostas teórico-epistemológicas dos assim denominados antropólogos pós-modernos, entre eles James Clifford, George Marcus, David Kideckel e Michael Herzfeld, meu objetivo nesta comunicação é refletir sobre as três produções acima mencionadas, relacionando-as à hipótese da “alternativa dramática” de produção de conhecimento de si, do outro, e do mundo, bem como às estratégias alternativas para a sua leitura.
 
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“Amar-te a ti nem sei se com carícias” de Wilson Bueno: da margem ao centro
por Eliza da Silva Martins Peron
Resumo
Esse artigo retoma os embates entre centro e periferia e a questão da subalternidade da literatura especialmente no romance “Amar-te a ti nem sei se com carícias” de Wilson Bueno, revisitando esses temas, em especial o trânsito da literatura do universal para o particular e o questionamento do que é o universal. Essas indagações implicam em mudanças na própria configuração da literatura como também no conceito de subalternidade, de margem, da diferença, conceitos que devem ser ressemantizados à luz da contemporaneidade, Amar-te a ti..., é uma obra contemporânea que poderia ser considerada margem, mas que não se coloca como uma literatura de margem porque, “a qualificação do deslocado, ou do lugar de desprezo e de não-valor, é produzida por outros e não pelo sujeito da enunciação”. Assim, o romance reproduz o seu valor para além do conceito problematizado pelo cânone, sendo um romance que embaralha as dicotomias centro/periferia. Dessa forma, o romance pode ser pensado como um lugar que faz falar a margem, conquistando o seu lugar na literatura.
 
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Wlademir Dias-Pino e E.M. Melo e Castro: da palavra poética ao poema visual
por Isaac Ramos
Resumo
Cronologicamente, a partir do concretismo, diversos autores do Brasil, Portugal e outros países utilizaram-se da palavra escrita como experimento poético no qual a espacialização da palavra, no sentido poético , passou a adquirir uma carga semântica, ademais da dessacralização do verso. Dentre esses autores destacamos o poeta Wlademir Dias-Pino que fez parte do lançamento do concretismo no Brasil, juntamente com os paulistas do grupo Noigrandes, e, no final da década de 60, foi o principal signatário do movimento Poema-Processo. Outro autor a ser abordado é o português E. M. Melo e Castro, que lançou a primeira obra concreta em Portugal, mas, pouco tempo depois, foi signatário – juntamente com Ana Haterley – da Poesia Experimental. Ambos têm características de liderança, ousadia estética e produziram textos e/ou manifestos em nome de uma poética vanguardista. São dois nomes que merecem mais espaço nas respectivas histórias da literatura de seus países.
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Uma proposta de análise da narrativa “O Alquimista” baseada na análise estrutural da narrativa
por Ivi Furloni
Resumo
Nosso objetivo neste presente trabalho é mostrar uma possível análise de um trecho do romance O Alquimista, de Paulo Coelho. Para tal análise nos balizaremos nos estudos descritivos da narrativa propostos por Roland Barthes, Gérard Genette e Tzvetan Todorov. Segundo Genette, narrativa é uma imitação, um simulacro da realidade; o verbal retomando o não-verbal. Para proceder a análise, utilizaremos as noções de Narrativa, ou História, e Discurso, trabalhadas por Genette e Todorov, que definem essas instâncias da seguinte forma: a história é determinada pelos acontecimentos relatados, as ações dos personagens etc. Já o discurso é o relato feito pelo narrador, o que conta no discurso é a forma como o narrador nos faz conhecer os acontecimentos, os personagens, suas ações. Essas duas instâncias são subdivididas. As ações das personagens se moldam por três motivos: desejo, comunicação e participação. Com relação à construção do Discurso é preciso levar em consideração, segundo Todorov, três partes: tempo da narrativa, aspectos da narrativa e modos da narrativa. Desdobrando esses conceitos, pretendemos analisar a narrativa “O Alquimista”, percebendo como ela é construída a partir dos conceitos da análise estrutural da narrativa.
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As memórias de Drummond à luz do pensamento intelectual pós-64 e seus vínculos com o poder
por Josyane Malta Nascimento
Resumo
Quer-se pensar a trilogia de memórias Boitempo (1968, 1973, 1978), do poeta Carlos Drummond de Andrade, como obra que apresenta traços de uma literatura marginal, ou de um intelectual exilado em seu próprio lar, no sentido que E. Said dá aos conceitos de margem e exílio, em Representações do Intelectual (1993), artigos das Conferências Reith de 1992. O discurso de memórias sustenta-se a partir da exposição de um passado individual e da subjetividade presente nas recordações, em contrapelo ao projeto político de homogeneização nacional. Situar Boitempo num contexto de repressão militar, num momento em que escrever as memórias era representar a individualidade, em contraposição aos planos de homogeneização identitária dos militares, não é exatamente dizer que Drummond é um poeta menor, uma vez que ele sempre foi o nosso grande poeta da literatura brasileira. O que ocorre é que Drummond representa a voz das minorias ao enunciar um discurso fora do eixo político-hegemônico do País, o que caracteriza sua condição de exílio metafísico, no sentido que Said discute essa categoria.
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NARRATIVA COMO DIREITO A NOVOS ESTATUTOS DE MEMÓRIA NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: OS “MARGINAIS”
por LUCIANO BARBOSA JUSTINO
Resumo
Se as relações entre as culturas e suas concomitantes formas de vida se tornaram uma das características ao mesmo tempo mais instigantes e problemáticas do presente, as formas literárias no Brasil que se agrupam sob o signo de “literatura marginal” assumem uma pertinência tal que as coloca como um desafio para o pensamento crítico, na medida em que implicam uma redefinição dos pressupostos estéticos, culturais e políticos, bem como de toda a tradição literária nacional. São narrativas que não só representam a violência como fator determinante numa sociedade excludente, contém sobretudo uma nova raiz utópica em que o direito a uma memória alternativa reconfigura nossas tradições discursivas e as formas literárias de contá-las. Partindo dos estudos de Chauí (2006), D owning (2002) Castells (2001) Arruda (1998) e Hobsbawm (1997), sobre tradição e direito à memória nos movimentos sociais; de Kehl (2003), Rocha (2003), Gilroy ( 2002), Diógenes (1998) e Barth (1998), a respeito de etnia e cultura, articulados ao estudos sobre a instituição literária e seus pressupostos políticos e de classe em Justino (2007), Bourdieu (2006), Maingueneau (2006), Abreu (2006) e Casanova (2002), tentar-se-á observar como estas narrativas pressupõem novas demandas sociais a partir do texto literário como espaço de disputa.
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CAVALCANTI PROENÇA: QUADROS DE MITOPOÉTICA
por Luzia Aparecida Oliva dos Santos
Resumo
Manuel Cavalcanti Proença é conhecido pela autoria de uma das obras expoentes da crítica literária brasileira: Roteiro de Macunaíma. Além da capacidade contumaz de crítico, deixou uma rica produção que percorreu desde documentários acerca do Rio São Francisco e a respeito de Cuiabá, a ensaios sobre Guimarães Rosa e Augusto dos Anjos. Na ficção, destaca-se Manuscrito Holandês (ou a Peleja do caboclo Mitavaí com o monstro Macobeba), publicado em 1960. Estudioso que foi da literatura de cordel, herdada das viagens ao São Francisco em contato “com a gente de todos os cantos”, desenhou nessa obra a figura do indígena Mitavaí Arandu, aos moldes do folclore, como se fosse um prolongamento do personagem Macunaíma. Seu personagem também emerge de um mundo tipicamente brasileiro, tendo como aspecto central as andanças que o tornam um herói “sem muita preocupação de caráter e de ‘exemplares condutas’, a que se filiou o nosso Macunaíma”, conforme aponta Ivan Cavalcanti Proença (1990). Dado o perfil que lhe foi desenhado enquanto personagem, o propósito, neste percurso de leitura, é observar como o texto ficcional dimensionou a questão indígena na narrativa que conjuga elementos da cultura local, do cordel, do romance e da rapsódia, ao estilo Mário de Andrade.
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A tessitura de um esquecimento, o romper de um horizonte
por Madalena Machado
Resumo
A literatura de Ricardo Guilherme Dicke se destaca pela predominância de um olhar detido sobre a poiesis (o movimento criador) em detrimento da mímesis (a imitação). Nossa comunicação pretende pensar os procedimentos teórico-literários em “Toada do Esquecido & Sinfonia Eqüestre” (2006) enquanto uma poética que se ocupa em desvendar a profundidade e/ou efeitos da tríplice vertente: horizonte/esquecimento/silêncio na qual seus personagens estão imersos. Nosso estudo reflete a narrativa do escritor mato-grossense no sentido de extrapolar discussões iniciais acerca de um regionalismo exaltado ou inferiorizado em relação ao cânone oficial, preferindo inserí-la na movimentação contemporânea de uma estética literária que prima pela criação/valorização imagética do ser humano guiado pela busca de si. Sem respostas, na perplexidade de viver sem se conhecer, personagens como El Diablo sucumbe à materialidade das indagações não menos perplexo pelo esquecimento. Nessa procura, os sofrimentos dos passos, a linha do horizonte que separa desejos/sonhos dos personagens, situações formam as fronteiras da grande escuridão que eles trazem por dentro. Nossas indagações concernentes à Literatura enquanto criação artística visam debater os limites discutíveis que inserem a poética de Dicke num paisagismo regionalista.
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Relato de experiência: uma tentativa de desperiferização
por Marli Walker
Resumo
O relato de experiência da dissertação de mestrado “O imaginário da terra em Pátria Sem-Terra: inferno e paraíso na poética do MST” traz à tona a discussão sobre a tentativa de centralizar/legitimar um objeto periférico no espaço da Academia. Ao tematizar a terra, tema da mais acentuada intemporalidade, o sujeito-de-enunciação lírico de Pátria Sem-Terra ordena o caos manifestando a força ordenadora da literatura ao criar formas pertinentes aos conhecimentos, concepções, ideologias e sentimentos que pretende transmitir. No entanto, a tentativa de “desperiferização” do objeto pelo viés da universalidade do tema, depara-se com a concepção instituída de que a produção literária elaborada por aqueles que falam de um espaço de carência ou do lugar do desprezo e do não-valor constitui-se uma arte de valor periférico frente ao cânone estabelecido.
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O SIGNO DA ÁGUA EM INGLÊS DE SOUSA E FRANCISCO IZQUIERDO RÍOS
por Paulo Sérgio Marques
Resumo
Testemunhamos, em episódios como os recentes conflitos sul-americanos deflagrados pela luta entre guerrilha e governo colombiano, como a noção de fronteira, na Amazônia, é um conceito problemático e de difícil caracterização, de modo a alguns autores serem levados a definir a região como um espaço de “errância”, em que as formas carecem de solidez substancial. No terreno do imaginário, a água, elemento também abundante na geologia amazônica, torna-se símbolo especial dessa errância e traço figurativo singular para a arte e a literatura sobre a Amazônia. É o que podemos observar em contos de autores como o brasileiro Inglês de Sousa e o peruano Francisco Izquierdo Rios, objetos deste estudo; em “A Feiticeira” e “Sob as Primeiras Estrelas”, respectivamente, ambos recorrem à água para ficcionalizar a “errância” do homem e da vida amazônicos, marcados pelos signos da fluidez, do mistério e das inconstâncias peculiares às zonas intervalares.
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IMAGENS E FORMAS DE ENGAJAMENTO NA POÉTICA DE DOM PEDRO CASALDÁLIGA
por Rosana Rodrigues da Silva
Resumo
A poesia de Dom Pedro Casaldáliga apresenta a figura do poeta como ativista intelectual e do artista inspirado, em imagens simbólicas e bíblicas de um povo oprimido, cingindo denúncia social e lirismo. As imagens e formas dessa poética revelam a práxis da Teologia da libertação, sob o olhar de um missionário que diante do compromisso com a Igreja não subjuga o povo, seus ritos culturais e sua luta. A força para lutar é retirada da Terra e da inspiração de uma Natureza feminina que rege o espírito de libertação. De Antologia retirante (1978) a Murais da libertação (2005) tem se firmado a voz anunciadora da liberdade, invocando à luta e retratando um Mato Grosso cerceado de fronteiras, com seus homens mestiços, últimos sobreviventes da disseminação indígena. Na gênese de sua verve poética, está a concepção da poesia como resistência, como restituição performativa em que o ser da obra resulta em movimento de conscientização do povo. Abordamos nesta análise a voz coletiva do sujeito poético e a participação do escritor na construção da História, tendo como fundamento a definição do intelectual de Sartre e a discussão ontológica do poema como origem do poeta
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ALÉM DAS PEDRAS E RIOS DE UMA METÁFORA INTERTEXTUAL: JOÃO CABRAL DE MELO NETO, MANOEL DE BARROS E CORSINO FORTES
por Rosidelma Fraga
Resumo
Em decorrência do projeto Convergências Poéticas: João Cabral de Melo Neto, Manoel de Barros e Corsino Fortes, do qual vem descortinando a dissertação de mestrado, propõe-se explicitar alguns temas recorrentes do corpus da pesquisa, os quais permitem conceber a poética dos três autores sob a práxis de Literatura Comparada. Á luz da teoria da intertextualidade proposta por Kristeva, nesta comunicação objetiva-se situar os poetas em sua série literária, refletindo sobre a historicidade, uma vez que em João Alexandre Barbosa é o princípio da intertextualidade que permite a ilusão da modernidade. Indagar-se-á como e por que a poesia do africano Corsino Fortes dialoga com a poesia de Manoel de Barros e João Cabral. Sob esse prisma, centrar-se-á na subjetividade e os desdobramentos da lírica contemporânea, com ênfase no sujeito lírico, na imagem , na metalinguagem , bem como no mito do mineralismo (como rios, pedras e outros vocábulos) que permite tratar da linguagem recorrente dos poetas que se convergem na produção e intensificação de sentido. Em suma, esta pesquisa vincula-se ao Projeto Poesia lírica contemporânea: implicações teóricas e críticas, sob a orientação da Prof.ª Drª Goiandira de Fátima Ortiz de Camargo.
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Território - o objeto de excelência para o ator sub-urbano
por Rôssi Alves Gonçalves
Resumo
A considerada literatura canônica, há algum tempo, tem o seu espaço, em cadernos culturais, debates, pesquisas, dividido com uma produção literária oriunda de áreas menos nobres, realizada por atores, na maioria das vezes, despossuídos de capital sociocultural e que tematizam, em seus textos, com todas as nuances, as condições culturais dos espaços em que vivem. E se esse dado já não fosse suficientemente relevante, no contexto elitista da literatura, haveria que se atentar, ainda, para a expressiva movimentação ocorrida na categoria autor. Ou seja, reviravolta evidenciada não apenas no lugar que sempre coube à literatura periférica, mas também na ordem de elocução: o personagem, cansado de ser espectador de sua história, torna-se autor. E o faz, não sem enfrentar maiores rejeições, mas com habilidade bastante para marcar um lugar nesse campo cultural, o que é uma significativa alteração.
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As imagens da morte em duas narrativas do atlântico negro
por Adriana de Cássia Moreira
Resumo
O presente trabalho objetiva discutir, a partir do cotejamento entre duas narrativas uma brasileira e outra moçambicana, a saber: “Ponciá Vicêncio” de Conceição Evaristo – publicada em 2003 pela editora Mazza - e a outra “Um rio chamado Tempo, uma casa chamada Terra” de Mia Couto – editada no Brasil pela Cia. das Letras em 2003 - como se constituem as imagens da morte. A noção de morte em que o trabalho baseia-se para identificas partem entendimento de que a nas sociedades negro-africanas, segundo Leite, a morte aparece como um fator de desequilíbrio na sociedade, interferindo nos vários níveis de realidade, desde as concepções que definem o homem a até a recomposição dos papéis sociais. Na análise pretendemos buscar os dados que estejam em tensão de aproximação e distanciamento, isto é, numa perspectiva de análise dialógica, dinâmica, dialética (Juliana Kristeva), orientados, também, pela Tematologia de Cláudio Guillén buscando as possíveis confluências entre os textos literários.