| FIGURAS DA ALTERIDADE NAS LITERATURAS DAS AMÉRICAS (SÉCULOS XX E XXI) |
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Coordenadores Profa. Dra. RITA DE CÁSSIA DA SILVA GODET (Univ. Rennes 2 - França) Profa. Dra. REGINA LÚCIA PONTIERI (USP) |
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Resumo: Desde seu ingresso na cultura ocidental
com as grandes descobertas, as Américas têm sido, num certo sentido, um
laboratório privilegiado de experiências várias de figuração da Alteridade.
Quando se trata de refletir sobre esse processo, as culturas americanas,
produtos de enfrentamentos sangrentos entre o autóctone e o invasor europeu,
são, com freqüência, invocadas como testemunhas. Delas se serviu Todorov,
por exemplo, para compor La conquête de l'Amérique, la question de l'autre.
As literaturas americanas sempre mostraram particular vocação para pensar
tal questão, recolocando-a em seus próprios termos. Do que decorre a centralidade
que nelas têm os processos paródicos de retomada de modelos, em graus variáveis
de subversão, com os quais se configuram as várias faces que os americanos
têm produzido de si mesmos enquanto o Outro diante do europeu. No contexto
histórico atual, a globalização vem estreitando laços entre os povos graças
à possibilidade de ingresso das mais diversas comunidades no campo de visibilidade
das várias mídias. Pelo mesmo processo, entretanto, cada vez mais as ilhas
de prosperidade econômica erguem seus muros contra o mar revolto das multidões
de excluídos. Na literatura, como não poderia deixar de ser, tal situação
tem servido de base de renovação do interesse pela questão da exclusão e,
em decorrência, pelos novos contornos que as figuras da alteridade vêm ganhando.
Este simpósio busca examinar as "poéticas do outro" [OUELLET e HAREL] na
ficção moderna e contemporânea das Américas explorando as formas discursivas
de enunciação da alteridade, as virtualidades da linguagem provocada pelo
encontro de uma outra cultura, de uma outra sociedade, de uma realidade
estrangeira; os processos de figuração do estrangeiro (de fora e de dentro
do espaço nacional) que constróem personagens do Outro [PATERSON]; as figurações
de territórios de conflito e/ou de diálogos possíveis. Dessa forma, pretende-se
realizar um mapeamento dessas várias figuras da alteridade, tal como vêm
sendo produzidas nas literaturas das Américas, e as novas dinâmicas que
elas inauguram nos sistemas literários ao longo do século XX, e neste início
de XXI. " Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade |

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| O tempo, o espaço e a memória em O enteado por Ângela Maria Bedeschi Faria |
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Resumo Juan José Saer, ao retomar as crônicas quinhentistas de viajantes europeus, cria um universo ficcional para avaliar questões que estiveram na base do processo colonizador. A partir dessa incursão, o escritor argentino revisita o arquivo cultural, indaga sobre a relação do passado com o presente no que concerne à imposição de valores de uma cultura ou de uma classe dominante, atentando para a persistência de tal intenção na atualidade. A busca do passado, que se expressa por meio da retomada de conteúdos e suportes, possibilita um diálogo com realidades pertinentes a ele. Esse fato tem sido visto com positividade por críticos culturais e escritores como Saer, que, pelo gesto da escrita, concede espaço à avaliação de posturas e abordagens de acontecimentos já dados. |
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| A cegueira dos violeiros: voz profética, mito e relações de poder em “Cerimônias do Esquecimento”, de Ricardo Guilherme Dicke por Everton Almeida Barbosa |
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Resumo Esta comunicação tem como objetivo analisar duas personagens cegas – os índios Manuel das Velhas e Manuel dos Velhos – do romance "Cerimônias do Esquecimento", de Ricardo Guilherme Dicke, a partir da teoria de Paul Zumthor a respeito da voz poética e da produção da memória coletiva, para tratar da relação entre adivinho e comunidade, do simbolismo da cegueira e de como o autor reelabora a tradição dos adivinhos em seu texto. Primeiramente, faz-se uma abordagem acerca da produção da memória como processo seletivo. Depois, identifica-se como o autor do romance elabora as suas personagens numa releitura da tradição a partir de uma perspectiva local e, por fim, identifica-se qual é o grupo a que os adivinhos se dirigem, que são essencialmente os marginalizados da sociedade capitalista. É possível ver no romance um reflexo das relações conflituosas – identitárias, culturais, econômicas – que se estabelecem entre a América Latina e os países hegemônicos, especialmente os Estados Unidos e os países europeus, cujas imagens são apresentadas a todo o momento como representativas da decadência do mundo. Os adivinhos prenunciam, no texto, uma superação mítica dessa decadência, por meio também de uma releitura de mitos europeus e locais. |
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| perlongher excêntrico - neobarroso, a poética de impossível tradução por Gabriela Beatriz Moura Ferro |
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Resumo A obra ensaístico-literária de Néstor Perlongher (1949-1992), argentino, auto-exilado no Brasil a partir de 1982, tem como principal característica o excêntrico, observável na clara preferência do escritor pelo desenho do movimento elíptico, tão caro ao Barroco/ Neobarroco. A obra de Perlongher se afasta do centro tanto em sua temática como em sua forma, expressa em seu peculiar trabalho com a linguagem. Em sua temática, o poeta /ensaista expressa claramente sua oposição às narrativas eurocêntricas, criticando valores burgueses como a monogamia, a prevalência da heterossexualidade, a hegemonia dos brancos, dando voz às minorias marginalizadas, principalmente nas sociedades recém-saídas de ditaduras militares repressoras, como as argentina e brasileira, ao longo da década de 80. Trotkista, anarquista, com uma curta passagem ao petismo, Perlongher não separou vida e obra, trouxe para sua produção ensaístico-literária a militância política cujo foco principal foi a luta pelo direito à liberdade do indivíduo de expressar livremente sua sexualidade. Admirador da obra filosófica de Gilles Deleuze e Félix Guattari (O Anti-édipo, Mil platôs), adota o rizoma como modelo epistemológico que guia sua produção ensaístico-literária: a beleza dos negros, a vitalidade e os conflitos do devir mulher que rondam gays, travestis, michês e outros, ganham voz ao abrir espaço no texto literário para seu léxico peculiar, que envolve desde nomes de tecidos, peças de vestimenta feminina e maquiagem até as gírias referentes ao cotidiano marginal, da violência à escatologia. Ademais de sua temática, Perlongher traz o excêntrico em sua linguagem ao propor numa cartada de fundo claramente paródico, característico dessa época pós-moderna, a versão sul-americana do Neobarroco latino, cujos principais representantes seriam os cubanos Lezama Lima e Severo Sarduy, ou seja, o Neobarroso. Já muito longe do brilho do século de ouro espanhol, o Neobarroso deixa de lado a pérola irregular ao trocá-la pela opacidade do barro, cujo caráter ambíguo, refere-se tanto ao solo pegajoso do Rio da Prata como à semelhança deste com as fezes. Com base no ensaio que abre a antologia Caribe transplatino, no qual propõe a denominação neobarroso para caracterizar a poesia neobarroca produzida no cone sul do continente americano e na análise de poemas presentes em seus livros Parque Lezama, Hule e Alambres, me encarregarei de apresentar os elementos que formam parte dessa proposta paródica que, não contente com a proliferação de significantes e sua temática antieurocêntrica, parte para o translingüismo (português e espanhol) em seu objetivo último de alcançar o texto poético de impossível tradução, o que reforçaria seu movimento elíptico de fuga do centro, afastando ao máximo a linguagem de sua função central: a comunicação. |
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| A alteridade na/da própria língua por Graciela Ortiz |
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Resumo Na presente comunicação abordarei os romances La Québécoite da escritora franco-canadense Régine Robin e La profesora de español da argentina Inés Fernández Moreno com o intuito de indagar contrastivamente os modos em que ambos textos constroem as representações ficcionais da alteridade. Esses relatos estão centrados nas vivências de duas mulheres exiliadas - a protagonista da Québécoite, francesa, emigra a Montreal, a da Profesora vai para Espanha - que se defrontam com os desafios de viverem em culturas diferentes, de lidarem entre espaços e memórias do que deixaram e o presente que as leva, às vezes, ao confronto com as diferenças radicais. A língua apresenta-se nos relatos como um problema central pois ambas protagonistas falam as mesmas línguas dos países para onde emigram, que são as mesmas e contudo são outras. |
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| A alteridade antropofágica. Ou: existe a alteridade? por Horst Nitschack |
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Resumo A partir da discussão do conceito de alteridade (outridade), desenvolvido tanto no pensamento teórico da psicanálise (Freud, Lacan), quanto na hermenêutica de Gadamer e Ricoeur, a comunicação se propõe analisar tal questão e seus desdobramentos especificamente no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade. No centro das reflexões, que se valem fundamentalmente da releitura do Manifesto Antropófago, se encontra a pergunta: Como é possível para o colonizado romper com uma alteridade imposta pelo colonizador? |
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| Olhares cruzados Brasil/Africa no romance atual por Jean Yves Merian |
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Resumo O objeto do estudo é o confronto entre "Um Defeito de Cor" de Ana Maria Gonçalves e dois romances africanos de autores francófonos. O romance "Um Defeito de Cor" abrange quase o século 19 inteiro e ilustra o fluxo e refluxo entre a Bahia e o golfo da Guiné, que Pierre Verger estudou tanto de um ponto de vista sociológico como histórico. Ao mesmo tempo Florent Conao- Zoti, escritor do Benin, ilustra em "Les fantômes du Brésil" as difíceis relações entre os descendentes dos "agudas", os "brasileiros", ex escravos ou descendentes de escravos retornados ao Benin e os habitantes de Ouidah, antigos traficantes de escravos. O guineense Tierno Monenembo, em "O Pelourinho" procura em Salvador da Bahia, numa viagem iniciática as suas raízes. Através do relato das principais personagens aparecem inextricáveis laços genealógicos que traduzem as relações ambíguas que separam a África das origens e a América da diáspora. Nesse estudo procuraremos desvendar os encontros e desencontros entre africanos da África e africanos da diáspora com a finalidade de apreender as imagens recíprocas da África e do Brasil. |
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| A ob-scenidade de um observatório encenado: a identidade sacrificial em "A Prosa do Observatório", de Júlio Cortázar por Lígia Maria Winter |
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Resumo Este trabalho propõe-se a analisar a constituição de uma "Identidade Ob-scena", tanto "fora de cena", como alteridade, quanto "erótico-sacrificial", em A Prosa do Observatório, de Júlio Cortázar. A contrapelo do caminho proposto pelo título, A Prosa do Observatório interrompe a linearidade prosaica de uma estrutura identitária e espacio-temporal fixa para atuar num espaço-tempo intervalar, deslocando o leitor da função cartesiana de observador para inseri-lo num processo metafórico norteado por uma cena de "martírio natural". Trata-se do "testemunho até o fim" da jornada das enguias para a morte, que é, ao mesmo tempo, sacrifício e reprodução. Nesse testemunho, o leitor participa de uma grande metáfora em que o ciclo das enguias se identifica com o ciclo das estrelas, num processo de identificação por alheamento, que se expande para a tensão entre as palavras e as formas que delineiam fotos de um observatório indiano, tiradas por Cortázar e anexadas ao livro. Nesse processo, o que é narrado é o paradoxo da formação identitária por sua própria morte, negação que habilita uma identidade-outra, fora de cena. Nessa "cena fora de cena", a morte pressupõe uma "disseminação" ao mesmo tempo erótica e poética, que passa a ser de responsabilidade do leitor, o "alheio" sem o qual não há identificação metafórica. |
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| Imagens do Brasil: representações do Outro na poesia de P. K. Page e Elizabeth Bishop por Luciana Hioka |
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Resumo Este trabalho analisa as representações do Outro nos poemas “Brazilian Fazenda”, escrito por P. K. Page, e “Under the Window: Ouro Prêto”, de Elizabeth Bishop. Apesar de ambas as poetas trazerem imagens do povo, história e cultura brasileiros de meados do século 20 através do seu olhar de estrangeiras, enquanto Page carrega uma visão um tanto mais romântica do Brasil, Bishop mostra seu conhecimento da realidade crua do país e acaba, através de sua escrita, por incitar reações politizadas. P. K. Page nasceu na Inglaterra, foi criada no Canadá e morou no Brasil por não mais de três anos, ao acompanhar seu marido diplomata; enquanto Bishop era norte-americana, também morou no Canadá e permaneceu no Brasil por mais de quinze anos. Até Bishop, que morou no Brasil por tanto tempo e se apaixonou pela nossa cultura (e também por Lota de Macedo Soares), ainda traz traços de escritora estrangeira em sua poesia. Mesmo assim, nos poemas estudados por este trabalho, as poetas trazem várias diferenças nas representações do povo, cultura e história brasileiros, contrastes que são refletidos na posição física da persona poética em relação à realidade local, nas referências a imagens do povo brasileiro e na posição política das escritoras. |
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| A representação da violência na construção de identidades raciais em Invisible Man e Beloved por Marina Barbosa de Almeida |
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Resumo Este trabalho é um estudo da representação da violência nos romances Invisible Man de Ralph Ellison e Beloved de Toni Morrison. Nestes romances, descrições de violência física e emocional sofridas por homens e mulheres ajudam na construção da noção de alteridade a partir da articulação entre blackness e whiteness. Algumas descrições são de violência doméstica, violência contra mulheres (abuso emocional e estupro), e assédio emocional causado pelo grupo ou membros da comunidade. Mesmo assim, por detrás dessas representações existem nuances de medo, ódio e sofrimento que oscilam entre empatia e incompreensão. |
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| AS REPRESENTAÇÕES DA VIDA/MORTE EM "O SANTO INQUÉRITO": a identidade resistência/rendição dos cristãos-novos por Patricia Conceição Borges Franca Fialho Cerqueira |
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Resumo Este trabalho pretende analisar a peça O santo inquérito, do escritor baiano Dias Gomes, que tem como enfoque central a perseguição da Inquisição contra a cristã-nova Branca Dias, no século XVIII, o que culminou em sua prisão e execução. No texto em questão, a não aceitação da alteridade se dá em dois planos: a intolerância étnica e religiosa sofrida por Branca, ao ser descoberta sua ascendência; e a intolerância à alteridade de pensamento, visto que ela é considerada uma herege por discordar do pensamento unívoco da Igreja. Os cristãos-novos e os judeus, devido à perseguição do Santo Oficio, assumiam diferentes tipos de identidade ou maneiras de lutar contra a opressão, pois se viam diante de duas escolhas: resistir e morrer na fogueira, ou abjurar, deixando para trás sua identidade e suas crenças |
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| A alteridade na e da escrita de Brian Moore por Patricia Lane Gonçalves da Cruz |
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Resumo Brian Moore, nascido em Belfast em 1921, emigrou em 1948 para o Canadá, onde se naturalizou. Em sua obra, The Luck of Ginger Coffey, Moore trata da adaptação dos Coffey à Montreal dos anos cinqüenta e a questão da alteridade é percebida como pano de fundo. O irlandês Ginger Coffey, personagem principal, é considerado o Outro, sendo alvo de diferentes grupos étnicos. Na busca por emprego ele encontra discriminação somente por ser irlandês. O estrangeiro se configura na forma como o personagem é representado e as marcas da diferença dão origem a várias reações, todas de mesmo tom. A diferença fala (Stuart Hall), tem seus meios próprios de expressão. Numa sociedade em que a diversidade cultural predomina, Ginger precisa encontrar formas de convivência e negociação de sua alteridade para se estabelecer como cidadão participante daquele meio. No entanto, Moore não confina sua escrita à questão da alteridade e sua obra é um reflexo desse pensamento. Alguns escritores imigrantes no Canadá consideram um ato político necessário realçar a alteridade em sua escrita. Moore foge a esse estereótipo, diversificando temas e gêneros, constituindo-se num escritor internacional. Neste artigo, considero a alteridade na escrita (Ginger) e da escrita de Brian Moore. |
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| NARRATIVA CANUDIANA NO SÉCULO XXI: EXPERIMENTO E TRADIÇÃO por Pedro Barboza de Oliveira Neto |
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Resumo A ficção de temática canudiana mostra-se vigorosa mais de cem anos após seu surgimento, ombreando com a dramaturgia e o cinema da mesma vertente. Inquirir da continuidade e do desvio no modo de formar tradicional dessa narrativa, bem como do que nela se investe na produção contemporânea, é a que se propõe esta comunicação. Para tanto, empreende-se a análise de dois exemplares recentes e díspares: o requintado e inovador Luzes de Paris e fogo de Canudos, de Angela Gutiérrez, (2006) e o mais tradiconal Antônio Conselheiro (Comédias brasileiras: Antônio Conselheiro), de Gylson Guilhon Loures (2004).Seja invertendo os estereótipos, seja reconstituindo a formação cosmopolita das novas personagens femininas (Gutiérrez), essas obras repõem o tema da alteridade nacional desconhecida – terra ignota _ , bem como o do exotismo e da natureza híbrida das representações e topoi que figuram o Outro de uma mesma nação. |
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| Mulheres, indígenas e crianças: cisão e configuração do Outro na ficção de Elena Garro por REGINA LUCIA PONTIERI |
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Resumo A tensão vivida pelo indivíduo cindido numa cultura cindida e excludente é tema que atravessa a obra da mexicana Elena Garro. Nela ganha dimensão literária o dilaceramento biográfico e cultural vivido pela escritora - enquanto filha de pai espanhol e mãe mexicana; e enquanto cidadã de um país dividido entre tradição asteca e modernidade européia. Esta comunicação pretende abordar algumas das mais recorrentes figuras da Alteridade decorrentes das experiências de cisão e exclusão encenadas na ficção de Garro. Trata-se de uma ficção povoada por muitas das formas do Outro que a cultura européia produziu, a partir da descoberta do Novo Mundo, conforme o estudo de Todorov, já clássico sobre o assunto. Em Garro, a alteridade tem, sobretudo, feições femininas. Assim, se nela aparecem também indígenas e crianças, tais perfis com freqüência ganham concretude pelo viés feminino: mulheres indígenas e meninas. Através da análise do processo de caracterização dessas personagens, serão enfocados outros aspectos fundamentais, entre eles, a escolha do fantástico-maravilhoso como modo mimético de base. |
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| Riobaldo e os Sádicos do Cachambi, figuras de alteridade por Roberto Círio Nogueira |
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Resumo Este trabalho pretende demonstrar, através de uma análise comparativa entre textos de Guimarães Rosa e Rubem Fonseca, o caráter etnográfico de determinadas narrativas literárias destes escritores. De acordo com Silviano Santiago (1982), Grande sertão: veredas inaugura um movimento na literatura brasileira que apeou o narrador burguês cosmopolita do poder de enunciação, dando voz à figura marginalizada do sertanejo, ao invés de falar por ela. Entretanto, neste romance o interlocutor calado de Riobaldo é o Senhor que pontua, corrige e adéqua a fala do Outro ao gosto do leitor letrado, de modo que na relação de alteridade aí existente persiste a mediação feita pelo intelectual, o qual, no fundo, apesar de silente, fala pelo Outro. Já no conto A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro, de Rubem Fonseca, observa-se uma cena em que seu protagonista flagra dois jovens pichando o Teatro Municipal daquela cidade com os seguintes dizeres: NÓS OS SÁDICOS DO CACHAMBI TIRAMOS O CABASSO DO MUNICIPAL GRAFITEROS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENSIDOS. Ao transcrever o enunciado destas figuras da alteridade marginal, reproduzindo sua desobediência à norma padrão da língua portuguesa, o narrador radicaliza a intenção etnográfica de uma literatura cuja temática sustenta-se na resistência e violação do Outro à cultura dominante. Neste caso, ele fala sem qualquer mediação, ao contrário do que se opera com o discurso de Riobaldo, corrigido pelo intelectual citadino. Percebe-se, então, que o narrador fonsequiano, quando dá voz ao Outro, silencia seu eu mais do que aquele “senhor, com toda leitura e suma doutoração”, instruído em “altas idéias” (ROSA, GSV,2006, p. 11). Assim, através do mapeamento destas duas figurações de alteridade, espera-se evidenciar o salto qualitativo dado por este sucessor de Rosa em relação ao deixar o Outro expressar diretamente a sua cultura, alternativa à herdeira do colonizador europeu, sem a mediação de um tradutor burguês cosmopolita. |
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| Identidade e Memória Sertanejas na arte de Juraci Dórea por Rozenn Guérois |
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Resumo No contexto atual de globalização existe uma forte tendência de releitura e reafirmação das identidades culturais regionais e locais. É ao que se dedica o artista Feirense Juraci Dórea, cuja arte possui fortes ligações com o sertão baiano, região de forte carga simbólica no imaginário tanto nordestino quanto brasileiro. O uso do couro e da madeira nas esculturas; as pinturas e murais no estilo da xilogravura, lembrando a literatura do cordel; a exposição dentro do próprio sertão baiano, fazem das obras de Juraci um exemplo de diálogo entre a modernidade (modernidade da sua arte) e a alteridade (através de seu profundo enraizamento em um universo tradicional à margem, expressão do outro). |
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| O ameríndio como personagem do Outro nas literaturas contemporâneas brasileira e quebequense por Rita de Cássia da Silva Godet |
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Resumo Nossa comunicaçao pretende pensar as relaçoes literárias interamericanas a partir de um aspecto específico que diz respeito à representaçao dos ameríndios nessas literaturas, contemplando a dialética do "selvagem" e do "civilizado" que atravessa o processo de construção das identidades plurais e problemáticas das Américas. Nosso trabalho pretende explorar essa representaçao e a relaçao entre identidade e alteridade que lhe é consubstancial a partir da leitura de romances contemporâneos quebequenses e brasileiros. O que constitui o motor do processo de criaçao desses romances é a experiência da alteridade a partir da escolha do ameríndio como personagem do Outro. O questionamento da figuraçao do ameríndio enquanto"estranho estrangeiro de dentro" ajuda-nos a compreender o lugar que as sociedades urbanas modernas reservam a esses povos, contribuindo também para a reflexao sobre as estratégias culturais que podem ser desenvolvidas no contexto atual de nossas sociedades no qual imaginários "arcaicos" coexistem com imaginários planetários. |
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