| DOM QUIXOTE: RELAÇÕES INTERTEXTUAIS E INTERDISCURSIVAS |
|
Coordenadores Profa. Dra. MARIA AUGUSTA DA COSTA VIEIRA (USP) Profa. Dra. DANIELA MERCEDES KAHN (Pesquisadora Autônoma) |
|
|
Resumo: O Dom Quixote de Miguel de Cervantes
(1605/1615) é obra que dialogou intensamente com diversas formas presentes
em seu tempo como a novela de cavalaria, a picaresca, a comédia, os discursos
teológico-políticos, os códigos de conduta, entre outras e, por outro lado,
repercutiu em diversas culturas e tempos por meio de variadas linguagens
artísticas, criando, ao longo dos séculos, novas leituras, interpretações
e reescrituras que, por sua vez, transformaram a personagem num mito ajustado
a outros tempos e a outras vontades, bem distante dos referenciais próprios
dos séculos XVI e XVII ibéricos. O objetivo do Simpósio que ora propomos
é o de reunir pesquisadores com interesse na obra de Cervantes a partir
do estudo das relações intertextuais, isto é, das relações entre a obra
e outros textos que provêem de um tipo ou gênero de discurso similar como
a novela sentimental, a novela bizantina, a novela de cavalaria, a comédia
- se se tem em conta os tempos de dom Quixote - ou o romance, o conto, etc,
- se se tem em conta formas narrativas posteriores. Pretende igualmente
reunir pesquisadores interessados nas relações interdiscursivas, o que supõe
o estudo das relações com outras formas de discurso mais difusas como os
tratados sobre educação, sobre conduta, os motes, os aforismos, etc. Entende-se
que tais relações intertextuais e interdiscursivas podem tanto se limitar
aos séculos XVI e XVII, assim como podem se dar em outras épocas quando
os sentidos do Quixote vão se desprendendo de seu tempo de composição e
encontrando novas possibilidades interpretativas. Considerando que o interesse
primordial do Simpósio é o de possibilitar um intercâmbio intelectual entre
os participantes, pedimos a todos que especifiquem no resumo a que projeto
ou programa de pesquisa acadêmica sua comunicação está vinculada. " Subtema: Literatura, dialogismo e intertextualidade |

![]() |
| A Retórica nos discursos de Dom Quixote e Policarpo Quaresma por Ana Aparecida Teixeira da Cruz |
|
Resumo A idéia nessa comunicação é apresentar alguns aspectos que sugerem certos traços de Dom Quixote de la Mancha (1605/1615), do escritor espanhol Miguel de Cervantes, no romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, publicada em 1911, do romancista brasileiro Lima Barreto. O presente trabalho faz parte de uma pesquisa em andamento, na pós-graduação, que tem como objetivo encontrar semelhanças e diferenças entre as duas personagens - Dom Quixote e Policarpo Quaresma - já indicadas por alguns críticos. Para a realização dessa comunição, escolheu-se um fragmento de cada uma das obras, em que as personagens apresentam discursos argumentativos em defesa de determinados princípios: o primeiro é o "Discurso de la Edad Dorada" (DQ I, cap.XI) proferido por Dom Quixote diante de uma platéia de pastores; o segundo, é uma petição encaminhada por Policarpo Quaresma à Câmara em defesa da implantação do Tupi como língua nacional. Com isso, o objetivo é analisar ambos discursos do ponto de vista retórico, tendo em conta a invenção, a disposição, a elocução e os estilos baixo, médio e elevado. A partir da análise, pretende-se considerar a produção da comicidade por meio da quebra de estilos. (Ana Aparecida Teixeira da Cruz) |
![]() |
![]() |
| A configuração da problematicidade nos cavaleiros da Mancha e do Pilar por Aristóteles de Almeida Lacerda Neto |
|
Resumo O presente trabalho, que se vincula à linha de pesquisa Leituras do texto literário do PPGL-UFPB, propõe uma leitura comparatista dos romances Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, e , de José Lins do Rego. Com base na categoria lukacsiana do herói problemático, procuramos investigar as relações entre os protagonistas de ambas as narrativas, a fim de mostrar as ressonâncias quixotescas em capitão Vitorino, o cavaleiro do Pilar, através de uma análise que revela as aproximações e os contrastes. |
![]() |
![]() |
| O julgamento da biblioteca em O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha e Triste Fim de Policarpo Quaresma por Daniela Mercedes Kahn |
|
Resumo D. Quixote de La Mancha e Policarpo Quaresma são dois leitores paradigmáticos da Era Moderna, cujo envolvimento intenso com as suas leituras os leva à loucura. A ação desarticulada dos dois protagonistas sobre a sua realidade, coloca as suas bibliotecas em evidência, tornando-as alvo da crítica e da condenação social. O modo peculiar pelo qual esse julgamento é representado nos dois romances é revelador quanto aos hábitos de leitura da Espanha renascentista dos inícios do século XVII e da capital da nossa Velha República nas primeiras décadas do século XX. Esta comunicação é uma condensação do ensaio “Duas bibliotecas em julgamento” que integra o capítulo intertextual da tese de doutorado defendida pela FFLCH-USP, “O leitor deslocado e a biblioteca fora do lugar”, um estudo da relação entre leitores e livros na obra de Lima Barreto. |
![]() |
![]() |
| O diálogo entre Calvino e Cervantes no romance O Cavaleiro Inexistente por Danilo Luiz Carlos Micali |
|
Resumo Dentre os livros que compõem a trilogia Os nossos antepassados, de Italo Calvino, O cavaleiro inexistente (1959) se destaca pelo seu alto grau de intertextualidade, decorrente do diálogo que Calvino mantém com outros autores nesse romance, principalmente com o autor de Dom Quixote de la Mancha (1605), o qual, por sua vez, também dialoga com escritores diversos. Agilulfo, o herói inexistente de Calvino, em muito lembra o Quixote de Cervantes, talvez porque ambos possuem escudeiros singulares. A intertextualidade promovida por Calvino, explícita em algumas passagens do seu livro, incorpora textos literários e históricos, pois um de seus personagens centrais é ninguém menos que o memorável imperador Carlos Magno. E o primeiro indício desse dialogismo intermitente se verifica já a partir da estrutura de O cavaleiro inexistente, o qual remonta às clássicas novelas ou romances de cavalaria, que tiveram em Cervantes um dos seus expoentes máximos, seja por ter elevado a figura do Cavaleiro Andante, seja por tê-la ridicularizado para sempre. |
![]() |
![]() |
| A comicidade em Dom Quixote e Tirant lo Blanc por Denise Toledo Chammas Cassar |
|
Resumo A partir da análise de dois episódios de aventuras de cavalaria pretendi investigar o deslocamento dos valores mais importantes da cavalaria. Esses valores, como a honra, a coragem, a valentia e outros, estão registrados nos tratados de cavalaria e em diversas obras da Idade Média. Entretanto, Cervantes em Dom Quixote e anteriormente Martorell em Tirant lo Blanc usaram o procedimento paródico e deram um tratamento diferenciado a essas aventuras, por meio de rebaixamento do herói e dos valores da cavalaria. São esses deslocamentos que provocam a comicidade nas aventuras. |
![]() |
![]() |
| Unamuno: Vida de Dulcinea do Toboso por Esteban Reyes Celedón |
|
Resumo O livro “Vida de Dom Quixote e Sancho”, do filósofo e escritor basco Miguel de Unamuno é, de certa forma, uma mistura de exegese e reescritura do “Quixote” de Cervantes e suas personagens, Dom Quixote e Sancho Pança. Dividido em capítulos e seus respectivos títulos, em consonância e ressonância com seu homônimo trissecular, vai redesenhando as figuras do Cavaleiro e seu escudeiro, ressaltando a coragem do primeiro e os medos do segundo. Nessa obra Unamuno, que considerava o Quixote a manifestação do espírito e da essência histórica do povo espanhol, pôs em evidência a riqueza do Quixote como fonte de múltiplas leituras e interpretações. A presente comunicação pretende analisar o papel de relevância da quase religiosa Dulcinea de Unamuno e verificar se é possível falar de uma “Vida de Dulcinea do Toboso”. |
![]() |
![]() |
| Quixote em Drummond: o lado gauche do quixotismo por Kleyton Ricardo Wanderley Pereira |
|
Resumo De acordo com Ian Watt, Dom Quixote é um dos personagens que melhor representam e compõem os mitos do individualismo moderno, uma vez que alimentam, através de seus fracassos emblemáticos, os ideais indefinidos do indivíduo moderno. Em meio à modernidade-mundo de sua época, Carlos Drummond de Andrade cria, desde o primevo de sua obra, o gauche, um elemento estético-existencial para o seu eu-poético que, por estar em um contínuo desajustamento entre sua realidade e a realidade exterior, identifica-se profundamente com as características do personagem cervantino. Assim, é proposta desse trabalho encontrar aproximações possíveis entre o quixotismo de Cevantes e o gauchismo de Carlos Drummond de Andrade. Para tanto, nortearemos a composição crítica do noso trabalho usando as análises de Ian Watt sobre Dom Quixote, em Mitos do Individualismo Moderno (1997), e de Affonso Romano de Sant'Anna sobre a obra de Drummond, em Carlos Drummond de Andrade: Análise da Obra (1980) e Drummond: o gauche no tempo (1992). |
![]() |
![]() |
| Categorias históricas de discrição, juízo e prudência em Don Quijote de la Mancha por Lavinia Silvares Fiorussi |
|
Resumo Nesta comunicação, pretende-se explorar sucintamente as categorias históricas de discrição, juízo e prudência na obra cervantina Don Quijote de la Mancha, com o objetivo de ouvir as vozes seiscentistas pertencentes ao âmbito cortesão culto, o qual constitui um primeiro destinatário textual do livro. Assim, serão analisados enunciados dos prólogos e de episódios da obra, cotejados com outros enunciados históricos definidores dessas categorias, como dicionários e preceptivas coetâneos. Este trabalho justifica-se enquanto maneja os sentidos históricos das categorias empregadas para a invenção de um lugar discursivo do narrador de Don Quijote, para a formação da personagem central da obra e a definição de suas relações com a população do livro. |
![]() |
![]() |
| Dom Quixote como o Primeiro Romance Moderno por Manoela Hoffmann |
|
Resumo Ao desenvolver a pesquisa de doutorado “O indivíduo moderno nos romances burgueses” (Ciências Sociais – Unicamp), temos como objetivo investigar os personagens centrais de alguns dos principais romances modernos, no intuito de identificar as trajetórias e caracteres típicos dos indivíduos burgueses em diversas fases de seu desenvolvimento. Por estarem presentes certas características básicas em Dom Quixote de la Mancha, concebido entre os séculos XVI-XVII pelo espanhol Miguel de Cervantes, este é considerado o primeiro romance burguês. Quanto à forma, não se trata mais da narrativa medieval, quanto ao conteúdo, vemos um conflito entre duas épocas que se sucedem, a feudal e a burguesa. Se temos em vista que no romance a lógica do personagem é o que há de mais coeso e menos variável; pode-se dizer que quando o personagem parece ilimitado, contraditório e infinito em sua complexidade é porque o romancista manejou bem os recursos de caracterização do personagem. Em Dom Quixote , a ligação entre os episódios independentes se dá apenas através do páthos da figura do protagonista contrastado com Sancho Pança e a realidade prosaica. Por outro lado, temos aqui ainda o grande estilo épico na unidade da ação, posto que agindo nas situações particulares, as personagens revelam sempre de modo concreto o essencial – este traço da heterogeneidade da composição de conjunto ligada pela personalidade do protagonista é característica da narrativa medieval. Nos romances modernos, ao contrário de Dom Quixote, uma interpretação corrente é que as construções épicas são vazias e desconexas (embora feitas com muita habilidade), pois nestes romances opõem-se abstratamente caracteres e concepções que não podem se resolver em ações. Assim, tomando Dom Quixote como ponto de partida do moderno romance burguês, pretendemos entender melhor as continuidades e descontinuidades em relação aos romances posteriores. |
![]() |
![]() |
| Macunaíma e Quixote: a aproximação por contraste por Maria Luiza de Castro da Silva |
|
Resumo É fato comprovado que Macunaíma apresenta-se como um romance polifônico, composto pela presença simultânea de elementos cômico-populares, folclóricos e eruditos que, agenciados, geram imagens artísticas instauradoras do processo de carnavalização literária. Ingressando por esta via, é possível pensar na aproximação, por contraste, entre Dom Quixote e Macunaíma, tendo-se em vista a paródia como elemento que permite a identificação entre os dois personagens. Macunaíma é o avesso de Dom Quixote, ou seja, ele se apresenta como mais uma dobra do processo de carnavalização: se Dom Quixote é a figura do cavaleiro andante carnavalizado, Macunaíma é Dom Quixote carnavalizado. Estamos diante da carnavalização de uma carnavalização. O cavaleiro da triste figura — Dom Quixote — compondo-se pela exacerbação das qualidades de um cavaleiro medieval, é hiperbólico no seu caráter de afirmação do herói do romance de cavalaria. Macunaíma — o herói sem nenhum caráter — configura-se pela negação e, pela paródia, problematiza tanto a figura canônica de Dom Quixote quanto cristalizações em torno dos heróis dos romances de cavalaria. Desta forma, o romance Macunaíma cria um espaço de ressonância por onde se ouvem as vozes do passado a exigirem leituras atualizadoras no presente. |
![]() |
![]() |
| Aristóteles, Cervantes e Machado de Assis: a construção da personagem por Mariana Barone Beauchamps |
|
Resumo Este trabalho se insere em uma pesquisa mais ampla que busca estabelecer as relações entre a teoria literária em voga no Século de Ouro da literatura espanhola na obra machadiana, e tem como objetivo analisar mecanismos comuns na construção da personagem cervantina e machadiana, específica e respectivamente nas obras El Curioso impertinente e A cartomante. A análise se centra na construção do caráter de cada personagem, em conformidade com os vícios e virtudes apresentados por Aristóteles em seu livro Ética a Nicômaco, utilizado por Cervantes e seus contemporâneos como base do modelo comportamental da época e retomado criativamente por Machado. |
![]() |
![]() |
| Uma narrativa quixotesca em Moçambique por Nilsa Areán-García |
|
Resumo Mesmo com a distância temporal e cultural, este trabalho visa a uma aproximação entre a obra "Terra sonâmbula" do escritor moçambicano, Mia Couto, e "El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha", obra de Miguel de Cervantes. Sabemos que o século XX em Moçambique muito difere do século XVII na Espanha, entretanto encontramos em Dom Quixote uma escrita que impressionou os mais variados estilos que a sucederam. O romance de Mia Couto, publicado em 1992, conta a história do velho Tuahir e do menino Muidinga, refugiados da guerra que, caminhando por uma estrada, abrigam-se em um ônibus destruído pelo fogo e ali encontram uma mala com os escritos de Kindzu. O romance flui então em onze capítulos nos quais dois planos são interpolados: o primeiro narra a história de Tuahir e Muidinga em sua luta diária pela sobrevivência, e o segundo é a história de Kindzu e lida pelo menino Muidinga ao velho Tuahir. Assim, podemos traçar um paralelo com as histórias interpoladas em Dom Quixote, em especial no episódio "El Curioso Impertinente". Então, não é um paradoxo afirmar que o cultivo do sonho pela leitura estampado em "Terra sonâmbula" é uma marca cuja gênese provém de Dom Quixote. |
![]() |
![]() |
| A CONDIÇÃO NÔMADE DE QUIXOTE E QUADERNA: OS PONTOS DE INTERSECÇÃO ENTRE CERVANTES E SUASSUNA por Peterson Martins |
|
Resumo Cervantes quando idealizou D. Quixote estava envolvido com o seu tempo e sua história (VIEIRA, 1998), contudo percebe-se que, através de sua obra, ele revelou a fragmentação histórica da idéia de nação; e da mesma forma Suassuna, ao encarnar os princípios armoriais, ressignificou os aspectos históricos que tanto lhe envolveram como o do seu narrador Quaderna no Romance d’ A Pedra do Reino. Considerando a relação entre Quixote e Quaderna, vê-se que ambos saem em uma demanda aventurosa buscando um graal simbólico. Para isso, adotam uma postura nômade (Deleuze & Guattari, 1997), visto que assumem uma desterritorialização e reteritorialização tanto física quanto imaginativa, reinventando os espaços e o tempo interno de cada enredo; além dos próprios gêneros literários (a Novela de Cavalaria e o Romance) que lhe servem de suporte. Assim, a partir da análise do enredo das respectivas obras de Cervantes e Suassuna sob a categoria do nomadismo proposta por Deleuze & Guattari (1997) e Maffesoli (2001), este trabalho se propõe a analisar as características em comum entre a obra-prima de Cervantes e a de Suassuna.
Co-autora: MARIA DE LOURDES PATRINI CHARLON
|
![]() |
![]() |
| Quixote, Quaderna e a cavalaria extemporânea por Raúl Cesar Gouveia Fernandes |
|
Resumo Assim como Quixote, o personagem Pedro Dinis Quaderna do Romance da Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, de Ariano Suassuna, pode ser descrito como um "cavaleiro extemporâneo". Na literatura contemporânea a figura do cavaleiro andante é normalmente retratada como portadora de um ideal de impossível realização em tempos pragmáticos como o nosso, quando o sujeito carece de referenciais éticos fixos (como por exemplo, na obra de Ítalo Calvino e Almeida Faria). Suassuna, por outro lado, além de demonstrar a permanência do ideal da cavalaria na cultura popular brasileira, cria um cavaleiro desajustado que, como Quixote, vislumbra através da loucura aspectos inusitados da realidade – daí que Quaderna seja cognominado "O Decifrador". Esta comunicação pretende examinar as relações intertextuais entre a obra de Cervantes e a de Suassuna. Projeto de pesquisa: em minha tese de doutorado (USP, 2006), trabalhei com uma novela de cavalaria portuguesa do séc. XVI ainda inédita, intitulada "Crônica de D. Duardos". No momento, tenho me ocupado do papel da novela de cavalaria na formação do romance na tradição luso-portuguesa. |
![]() |
![]() |
| O perfeito livro de cavalarias de Dom Quixote por Rodrigo Vasconcelos Machado |
|
Resumo Desde que foi publicada a primeira (1605) e a segunda parte (1615), o Ingenioso Caballero Don Quijote de la Mancha, de Miguel de CERVANTES, vem se difundindo no mundo das letras. As marcas da obra do escritor espanhol se observam nos principais textos do Ocidente. Podemos dizer que a intertextualidade se produz em termos lingüísticos e temáticos, posto que os temas propostos são de âmbito universal. Este estudo tem como objetivo investigar a relação intertextual do romance cervantino com os romances de cavalarias, a saber, El caballero Cifar, Amadis de Gaula e Tirante el blanco, considerando o que seria para Dom Quixote um perfeito livro de cavalarias. O romance de Miguel de Cervantes tinha no prólogo da primeira parte a explicitação do seu objetivo, a saber, de ser uma obra escrita contra os romances de cavalarias. Contudo, ao longo da obra de Cervantes se verifica que também as boas obras de cavalarias eram tidas em alta conta, como no episódio do escrutínio da biblioteca de Dom Quixote. Desse modo, será contemplada nesta perspectiva crítica, a análise da representação dos romances de cavalarias supracitados na tessitura de Don Quijote e como se dá a sua re-elaboração pela paródia cervantina. |
![]() |