| AMÉRICA LATINA: LUGAR DE COMPARAÇÕES |
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Coordenadores Prof. Dr. BIAGIO D'ANGELO (PUC-SP) Profa. Dra. MARIA LUIZA BERWANGER DA SILVA (UFRGS) Prof. Dr. EDUARDO DE FARIA COUTINHO (UFRJ) |
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Resumo: Os trabalhos do Comitê de Estudos
sobre América Latina da Associação Internacional de Literatura Comparada,
inaugurados por Tânia Carvalhal há alguns anos, têm amplamente demonstrado
a vivacidade e a importância dos estudos comparados sobre o continente latino-americano.
Os problemas e as questões que se formulam, há algumas décadas, sobre a
necessidade de superar os obstáculos geográficos e históricos do continente,
configuram, hoje, uma atualidade da dispersão e do ainda insuficiente conhecimento
recíproco cultural e literário. A literatura comparada pode contribuir da
melhor maneira para resimbolizar os obstáculos e as distâncias, isto é,
para reunir e discutir a enorme heterogeneidade latino-americana, cuja mobilidade
de questionamentos e discursos se encaminha, cada vez mais intensamente,
para práticas transdisciplinares múltiplas e críticas. Enfatizando temas
como as teorias da literatura comparada nas Américas, a revisão dos mitos
clássicos na atualidade continental, os problemas relativos à regionalização
(particularmente, Caribe e Amazônia) e a viagem como procura sistemática
das imagens literárias do "outro", o simpósio "América Latina: lugar de
comparações" pretende refletir sobre a produção estética e filosófica desse
continente, sendo tarefa do comparatista a de ser, como afirmava Julien
Gracq, "un perceur de frontières."
Subtema: Literatura, dialogismos e intertextualidade |

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| Literatura de minorias: Klaus Krtott vira estancieiro por CELESTE H. M. RIBEIRO DE SOUSA |
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Resumo A narrativa "Wie Klaus Krott zu seiner Stanz kam. Erzählung aus der Campanha" (Como Klaus Krott se tornou dono de uma estância. Uma história da campanha gaúcha), produzida no sul do Brasil em língua alemã, testemunha e memoriza, no plano da ficção e de uma perspectiva não nacional, os embates culturais da ação colonizadora e pós-colonial entre etnias diferentes. A comunicação tem por objetivo trazer à luz e apontar as singularidades desse fenômeno, que se distingue do britânico, considerado canônico, e também do argentino. |
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| Continuidade dos parques: filosofia e ficção em Machado de Assis e Julio Cortázar por Gustavo Bernardo Krause |
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Resumo Esta comunicação pretende, a partir do conto "Continuidade dos parques", de Julio Cortázar, relacionado aos processos de metaficção na obra de Machado de Assis, levantar a hipótese de que a metaficção atua como uma espécie de solução cética para o problema da identidade na contemporaneidade. |
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| A construção do espaço intersticial em “Rayuela” e no “Libro de Manuel”, de Julio Cortázar por João Marcos Reis de Faria |
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Resumo Este trabalho, que faz parte de um projeto sobre as manifestações identitárias na obra do escritor argentino Julio Cortázar, tem como objetivo discutir, no romance Libro de Manuel, a continuidade da percepção do espaço de narração presente em Rayuela. Tal percepção relaciona-se à crença do autor na “descolocación” como condição necessária para o reencontro do homem consigo mesmo, e a visão que aquelas narrativas expressam representa uma maneira específica da identidade latino-americana de operar a herança da metrópole cultural européia, na linha de um “um certo Surrealismo”, que Davi Arrigucci Jr encontra na obra cortazariana. Cria-se, assim, um espaço fronteiriço de narração, no qual as negociações identitárias se dão horizontalmente, ou seja, as culturas européia e latino-americana passam a dialogar dentro de um âmbito mais amplo, “ocidental”, caracterizado, nas obras em questão, por processos simultâneos de desterritorialização e territorialização. A dimensão política depreendida desta via de mãos múltiplas se problematiza na medida em que a adesão do autor à luta contra as ditaduras e em favor de um socialismo “latino-americano” também circula neste espaço diluído que o texto literário constrói. |
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| Conversas entre críticos (Sérgio Milliet e Albert Thibaudet): uma ponte entre a América Latina e a Europa por Laura Taddei Brandini |
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Resumo « Homem-ponte » da crítica brasileira, conforme o alcunhou Antonio Candido, Sérgio Milliet sempre desempenhou o papel de mediador cultural, dialogando com diferentes gerações de intelectuais, de várias regiões do Brasil, bem como com autores estrangeiros. São suas conversas com um autor d’além-mar que constituem o objeto desta comunicação: o crítico francês Albert Thibaudet (1874-1936), integrante do grupo da Nouvelle Revue Française e autor de fecundas reflexões sobre a história e a crítica literárias. Milliet cita Thibaudet em seu Diário crítico (1940-1956) em diversas ocasiões, dedicando-lhe integralmente dois textos, sobre suas obras Histoire de la littérature française de 1789 à nos jours (1936) e Physiologie de la critique (1930). Além de analisarmos as citações explícitas ao crítico francês, procuraremos colocar em evidência o impacto da recepção do pensamento de Thibaudet nas concepções críticas de Milliet, observáveis não somente em suas convicções teóricas, como no próprio estilo de seus escritos. As conversas que o crítico brasileiro entretem com Thibaudet em seu diário crítico são um exemplo da importância da apropriação de elementos do pensamento europeu na construção de reflexões pertinentes ao contexto latino-americano, o que evidencia a relevância dos estudos comparados entre autores e temas da América Latina e da Europa. |
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| García Lorca e Arenas: Vida, Literatura e o diálogo na cauda d' El cometa Halley por Márcio Antonio de Souza Maciel |
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Resumo Neste trabalho, primeiramente, pretendemos discorrer sobre os pressupostos teóricos que tratam da intertextualidade, sobretudo, de modo circunscrito, na sua inserção no campo dos estudos literários. Em um segundo momento, também, é nosso objetivo apresentar nuanças da literatura empenhada pelo escritor espanhol Federico García Lorca (1898-1936) bem como pelo autor cubano Reinaldo Arenas (1943-1990), ambos os artistas modernos. Por fim, igualmente, atando à ponta da teoria a prática sobre a matéria intertextual, passamos à leitura crítica do texto “El cometa Halley”, conto que integra o volume de narrativas curtas intitulado Adiós a mamá (De La Habana a Nueva York), de 1995, de Reinaldo Arenas. Tal conto, queremos acreditar, coteja de modo intertextual (implícita e explicitamente) com o texto dramático La casa de Bernarda Alba (1936), de Federico García Lorca. |
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| A força das manifestações lítero-culturais em perspectiva comparada por Maria Antonieta Jordão de Oliveira Borba |
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Resumo A Desconstrução francesa influenciou na interpretação de manifestações lítero-culturais e essa ruptura provocada nos discursos das Ciências humanas e sociais repercutiu em obras de Silviano Santiago. Em referência aos conceitos de diferença (Derrida:1971), história em descontinuidade (Foucault: 1972), seus ensaios críticos sinalizam para um prisma comparatista, pelo qual literatura e cultura são exploradas no diálogo com o cânone ocidental. A proposta de 1970 rastreia publicações recentes, sendo exemplar sua observação sobre irrupções de "grupos marginalizados" na comunicação extra-oficial via internet. Em O cosmopolitismo do pobre (2004), Santiago escreve que os artistas prescindem do aval do Estado, pois seus anseios "estão aquém e além do nacional". A nova maneira de o mundo interagir com o "poder" remete para estratégias de a margem firmar visibilidade em suas relações "microfísicas". Em 1970, as reflexões francesas contribuíram para que Santiago discutisse o "apagamento" da diferença. Hoje elas permitem constatar a força com que a arte se impõe, a despeito dos resquícios etnocêntricos de um país onde o desenvolvimento convive com a herança do colonialismo europeu. Nosso ensaio deverá se voltar para a compreensão de expressões lítero-culturais de países que passaram por processos penosos de colonização, tais como o Brasil e seus vizinhos da América latina. |
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| Mediações entre Literatura e Turismo no âmbito da América Latina por Maria de Lourdes Netto Simões |
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Resumo Tendo em vista a valorização do estético, a sustentabilidade da cultura e o desenvolvimento das comunidades, s ão estabelecidas mediações entre a literatura e o turismo. Inicialmente é considerado o lugar da América Latina na nova ordem mundial; em seguida, observado o trânsito da literatura ao turismo, no contexto global; são discutidas algumas inter-relações afro-latino-americanas, com o foco n a condição pós-colonial ; finalmente, são realizadas ponderações sobre diversidade cultural e desenvolvimento sustentável visando, através do turismo, uma política valorizadora dos bens simbólicos no espaço latino-americano. |
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| Amor nos tempos de Conquista: Apropriações do coração no cabaré pós-colonial de Astrid Hadad por Maurício de Bragança |
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Resumo Nesta comunicação, apresentaremos uma discussão acerca da apropriação do coração como um importante elemento alegórico de reconhecimento de uma identidade coletiva na América Latina. Através do trabalho de Astrid Hadad, uma performer-cabaretera mexicana contemporânea, de origem maya-libanesa, apontaremos uma crítica a uma política de controle organizada desde a experiência de colonização na América Latina pautada pelas estratégias de um discurso encaminhado pela utilização do coração como uma importante alegoria de apassivamento e subalternização. Em sua obra Corazón Sangrante, assumindo as estratégias articuladas em torno do melodrama, Hadad se arma da ambigüidade própria da ironia para problematizar a discussão, apontando a permanência de um registro colonial no interior da cultura mexicana contemporânea. Nas letras de suas canções, o projeto da Conquista ainda produz sentido através da permanência de práticas sociais no universo valorativo mexicano denunciadas pela cabaretera. |
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| 1975: literatura e política em dois romances latino-americanos por Pedro Mandagará |
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Resumo O trabalho tece relações entre literatura e política na América Latina, tomando como corpus os romances El otoño del patriarca, de Gabriel García Márquez, e Lavoura arcaica, de Raduan Nassar, ambos publicados no ano de 1975. As narrativas são analisadas como respondendo criticamente à passagem de um antigo autoritarismo populista (Vargas, Perón) à nova realidade ditatorial (militar, tecnocrática) de parte do continente. |
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| Derivas identitárias, ficção e paisagens literárias: a viagem no texto por Alexandre Montaury B. Coutinho |
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Resumo Em Desmedida – Luanda, São Paulo, São Francisco e volta (2006), Ruy Duarte de Carvalho atravessa as margens do rio S. Francisco, para analisar as imagens de um território privilegiado pelos exploradores europeus e para confrontar essas imagens com experiências de viagem e compreender contigüidades entre o Brasil e Angola. Expandindo o registro da narrativa de viagem aos domínios da sociologia, da antropologia e da história, o autor de Desmedida revela um olhar que embaralha paisagens reais a paisagens imaginárias para retomar trajetos já consagrados na literatura brasileira. A comunicação buscará evidenciar processos identitários imbricados, visando formular entendimentos acerca das relações culturais que estão para-além dos limites territoriais e continentais. |
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| Kafka e Graciliano Ramos:um encontro de malditos no trãnsito ficcional.(Des)montagem,(res)inscrição e fagulhas no cárcere. por Jairo Oliveira |
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Resumo Trata-se de aliar Kafka na obra "Da colonia Penal" com as "Memórias do cárcere" de Graciliano Ramos para operar uma imagem da maquina prisional no labirinto ficcional,utilizando a estratégia da intertextualidade para re-escrever e des-montar as arquiteturas prisionais instaladas secularmente em uma cultura arbitrária na América Latina.Neste sentido,afirmando a potência da ficção enquanto força desenredada do espaço-tempo-continente, prisma-se cartografar os rastros e os fios deste encontro de "malditos" para problematizar a existência do cárcere sob o horizonte da superfície literária,bem como proliferar fagulhas de vida e linhas de fuga. |
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| Os escudeiros Dom Quixote por Lara Leal |
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Resumo Em artigo intitulado “O Romance morreu?”, Carlos Fuentes levanta algumas hipóteses das especificidades da Literatura. Traçando um interessante itinerário da experiência convertida em conhecimento, destaca a imaginação como um dispositivo de leitura do mundo. E é justamente a partir deste traçado que embaralha as fronteiras entre o “realismo” e a “fantasia” que a Literatura pode ser entendida como criadora de realidades. Esta comunicação pretende problematizar esta questão apontada por Fuentes na obra de três escritores latino-americanos, o peruano Júlio Ramón Ribeyro, o uruguaio Horacio Quiroga e o colombiano Gabriel Garcia Marquês. |
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| Do Jeito Delas: Vozes da Poesia de Língua Inglesa por Marcia Cavendish Wanderley |
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Resumo O objetivo desta comunicação é a tentativa de análise e comparação entre quatro poetas de língua inglesa, todas apresentadas em versão traduzida pelo poeta e tradutor de poesia Jorge Wanderley em livro que se encontra em fase final de publicação sob o título de Do Jeito Delas: Vozes da Poesia de Língua Inglesa. Nossa escolha recaiu, num primeiro momento, sobre duas poetas entre as quais surpreendemos uma estranha cumplicidade tanto na poesia quanto na vida. A coincidência de que em ambas as relações entre a vida e a morte estiveram muito mais presentes no âmago de suas preocupações poéticas, do que as relações entre os gêneros. E também o fato de que as duas tiveram vidas breves e angustiadas e interrompidas por vontade própria. Sylvia Plath (1932/1963) e Anne Sexton (1928/1974) foram as representantes emblemáticas de tantas vozes poéticas de mulheres que percorreram uma trilha auto-destrutiva culminada em desfecho trágico. Foram contemporâneas, embora Anne fosse alguns anos mais velha, e moraram na mesma cidade, Boston, famosa por sua classe-média alta intelectualizada, à qual ambas pertenceram. Freqüentaram juntas a oficina de poesia de Robert Lowel e foram influenciadas pela poesia vitalista (Life Studies)que produziu e defendeu. Ambas foram casadas, tiveram filhos e gozaram de algum sucesso literário ainda em vida, o que não as impediu de serem infelizes e suicidas , cada uma à sua maneira. Partilharam a predestinação do talento para a poesia e para a morte. De Sylvia Plath, disse A. Alvares, seu mais perene crítico, que ela produziu "a murderous art". Anne Sexton não ficou atrás, à sua maneira (Her Kind). O fio negro que as enlaça, a lâmina tênue que as corta certamente as define como portadoras de um tipo peculiar de angústia que não é apenas de natureza metafísica, mas tem origem nas contingências sociais e de gênero a que estiveram submetidas no intervalo histórico em que viveram. Em contraposição a esta presença sombria da morte na poesia feita por mulheres, apresentamos mais duas poetas aqui reunidas por outras afinidades literárias e históricas: Marianne Moore (1887/1972) e Hilda Doolittle (1886/1961) mais conhecida como HD, the imagist,apelido poético inventado por Ezra Pound. Nelas a angústia não comparece com tanta evidência nos poemas ou em suas próprias vidas, notáveis pelo fato de terem sido mulheres fortes e desafiadoras dos costumes da época e por realizarem uma poesia mais marcada pelo cerebralismo do que pela emoção. A comparação histórica e sociológica entre este dois grupos de mulheres poetas de língua inglesa do início e meados do séc. XX, levou-nos a especulações em torno de algumas hipóteses que gostaríamos de desenvolver neste trabalho. E para isto acrescentamos a estes grupos mais duas poetas, desta vez latino-americanas, a saber: Ana Cristina César (brasileira) e Alejandra Pizarnick (argentina) Uma tarefa que se inicia com a fruição desta produção poética através de um mestre da tradução, Jorge Wanderley, e se completa com a comprovação da importância da participação feminina na literatura de língua inglesa latino-americana e internacional. |
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| Haroldo, Huidobro e Lezama: uma América imaginária e real por MARIA APARECIDA JUNQUEIRA |
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Resumo Entre os poetas latinoamericanos, que delinearam uma rede de conexão literário-estética para a América Latina, destacamos Haroldo de Campos, Vicente Huidobro e José Lezama Lima. A qualidade observada na composição de suas obras, que faz do estético um artefato pensado à luz de um aparato crítico e científico, tece uma escritura crítico-formal, reveladora de diálogos entre culturas e de intercâmbios poéticos. Além disso, constrói uma história dialógica entre poetas e poesias, de modo a estruturar um entrelaçamento de fios complementares que singulariza uma vertente de lastro internacional para a literatura latinoamericana. Objetiva-se, nesta comunicação, apreender, a partir de artefatos literários desses poetas, uma literatura de imaginação autônoma, de realidades inventadas em suas criações artístico-literárias, perfurando um lugar para enraizar a latinidade literária americana. |
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| Figurações híbridas da América Latina: sobre alguns bestiários latino-americanos do século XX por Maria Ester Maciel |
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Resumo O trabalho analisa alguns bestiários brasileiros e hispano-americanos do século XX, com o propósito de investigar como os animais têm sido representados ficcionalmente por escritores que subvertem ou reinventam – a partir de uma visão crítica da tradição zoológica ocidental e de uma perspectiva condizente com as demandas do mundo contemporâneo – os bestiários europeus da Idade Média e do Renascimento. Dentre os escritores abordados, estão os brasileiros Guimarães Rosa e Wilson Bueno, e os hispano-americanos Augusto Monterroso e Juan José Arreola. Pretende-se discutir ainda as possíveis implicações culturais desses bestiários contemporâneos na construção de um conceito ficcional de América Latina. Serão abordadas as seguintes questões: em que medida as figurações zoológicas do presente revêem criticamente as imagens construídas pelos primeiros colonizadores em torno da América Latina? Até que ponto, ao retomarem procedimentos taxonômicos anteriores ao triunfo do racionalismo científico, esses escritores estariam proclamando, pelas vias oblíquas da ironia, a falência dos sistemas modernos de classificação e de conhecimento? Estariam tais autores assinalando, pelo viés alegórico, o caráter heterogêneo e inclassificável da tão buscada (e cada vez mais impossível) “identidade latino-americana ”? |
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| O (in)dispensável lugar do nacional nos estudos comparados latino-americanos por Rita Schmidt |
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Resumo Desde seus primórdios, o método comparatista teve como princípio a ultrapassagem das fronteiras nacionais, mas paradoxalmente, sempre dependeu das literaturas e línguas nacionais, de conhecimento sobre formações canônicas e tradições específicas, sem o qual não é possível constituir seus objetos de investigação, quer na perspectiva das relações literárias intersistemas, quer na perspectiva da relação entre formação hegemônica e formas literárias geradas nos espaços liminares da nação. Hoje, a dominante da dimensão transnacional da literatura e cultura, associada à passagem do discurso do nacional para o campo da globalização, tem privilegiado a relação local/global, sem a mediação de marcos de referência que possam contribuir para a compreensão de diferenças culturais e contra-discursos tanto nacionais, aqueles gerados nas fronteiras internas da identidade nacional e que colocam em evidência a força dos valores da cultura de colonização, quanto continentais, em se tratando das literaturas latino-americanas do ponto de vista de sua institucionalização e de sua heterogeneidade num contexto periférico de subalternidade neocolonial. Propõe-se a reconceptualização da categoria do nacional como campo de mediação, um constructo contingente e metodologicamente necessário ao estudo de migrações e transculturações presentes em romances latino-americanos do século XIX. |
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| Considerações sobre literatura e performances de identidades por SÍLVIA REGINA PINTO |
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Resumo A partir de um viés que tende ao filosófico, esta proposta de comunicação procura analisar momentos da narrativa ficcional, - em contos de Rubens Figueiredo e de Julio Cortázar - a partir de perspectivas que levantam suspeitas sobre o realismo e sobre a verdade, paradoxalmente mostrando o quanto ambos se valorizam quando confrontados com a ficção e com a metaficcão. O trabalho pretende focalizar perspectivas entre o “eu” e o “outro” que vão criando novas possibilidades, permitindo movimentos constantes em direção a um entre-lugar irreversível, formado pelas misturas entre naturezas diferentes, que “resimbolizam obstáculos e distâncias”. Uma diluição das fronteiras desenha paisagens ficcionais onde se localizam construções do imaginário social; discussões da questão da alteridade no que diz respeito às relações do sujeito com o outro da cultura e de como o homem contemporâneo pode contar com a ficção, não para reconduzi-lo a si, mas, para conduzi-lo ao outro. Na evidência de que a ficção mais contemporânea tematiza e discute sua própria estranheza, num esforço incansável para o confronto do ser humano consigo mesmo, é fato que, embora o real nem sempre seja ficção, a ficção torna-se necessária para que o real exista. |
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