Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A representação da paternidade negra masculina no romance "A terceira vida de Grange Copeland" e no conto “Meia Noite”
Flávia de Jesus Pereira (Universidade Federal da Bahia)
A presente comunicação pretende analisar a representação da paternidade negra masculina referente aos personagens do romance “A terceira Vida de Grand Copeland” (1970), de Alice Walker, e no conto “Meia Noite” (2022), de Stefano Volp. Walker e Volp, em suas respectivas obras, discorrem acerca do racismo, machismo e desigualdades socioeconômicas presentes no contexto dos homens negros e como esses fatores se relacionam com a experiência da paternidade para esses indivíduos. A escritora bell hooks (2004), em “A gente é da hora: homens negros e masculinidade”, afirma que a imagem atribuída aos homens negros é de selvageria intrínseca por natureza e que, apesar de articulada no século XIX, essa imagem vigora no imaginário popular até o tempo presente. Em vistas dos pressupostos de hooks, a imagem de uma paternidade positiva não é socialmente vinculada ao homem negro, porém Walker e Volp apresentam narrativas em que retratam outras possibilidades de performances paternas que rompem com os estereótipos racistas que animalizam os homens negros. Busca-se nessa comunicação investigar, a partir da perspectiva metodológica da interseccionalidade, conceituada por Patricia Hill Collins e Sirma Bilge (2020) como o entendimento de que as relações de poder não se manifestam como entidades distintas e excludentes, mas como categorias que se sobrepõem, afetando todos os aspectos do convívio social, as performances paternas negras no romance e no conto supracitados por uma ótica interseccional entre raça, gênero e classe.
Palavras-chave: Paternidade; Homens; Negros;
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