Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A literatura no Lampião da Esquina: um lugar de paratopia
Rodrigo dos Santos Dantas da Silva (Sedu-ES / PMVV-ES / Ufes)
O Lampião da Esquina foi um periódico nanico guei do Rio de Janeiro que era distribuído nacionalmente entre os anos 1978 e 1981, período que corresponde um momento de “abertura política” da ditadura no Brasil. Nossa exposição tende a fazer um passeio dialógico entre conceitos de paratopia e autor, respectivamente de Maingueneau (2006) e Foucault (2015), para analisar a seção literatura do referido jornal. A paratopia é, segundo Maingueneau (2006), uma topografia social não definida, um lugar paradoxal entre o que foi e o que será produzido, é ainda uma particularidade daquilo que o teórico pontua como discursos constituintes, e o texto literário se encaixa nesse tipo de discurso, tais enunciados são validados, negociados por uma cena de enunciação, cena essa que ainda os autoriza. Tratando-se desse lugar paratópico de autores com sexualidades não hegemônicas nesse período de barbárie, tem-se sujeitos que escrevem uma literatura ctônica e se encontram no uderground do metier literário, por isso naquele momento muitos nem eram legitimados como escritores literários. Nesse sentido, esta comunicação pretende apresentar esse (não) lugar autoral dos literatos desse jornal, os quais usam seus corpos, seus amores e sexualidades como forma de resistência e enfrentamento à necropolítica vigente – são sujeitos que escrevem para não desaparecer (Foucault, 2015). Observa-se que a veiculação dessa literatura contra-hegemônica foi/ é um instrumento de resistência política e contribuiu relevantemente para a formação e preservação da memória LGBTQIA+ brasileira.
Palavras-chave: Lampião da Esquina; Paratopia; Literatura LGBTQIA+; Resistência.
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