Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A INVISIBILIDADE E A (ULTRA)VISIBILIDADE DOS MENINOS EM SITUAÇÃO DE RUA EM CAPITÃES DE AREIA, DE JORGE AMADO
Leandro Lima Ribeiro (FFLCH-USP)
Este estudo examina, a partir do romance social Capitães da Areia (1937), de Jorge Amado, os processos de exclusão social, intolerância e violação de Direitos Humanos de crianças e adolescentes em situação de rua. Portanto, parte da constituição de um conjunto de textos onde se evidenciam conflitos e condições de crise os personagens marginalizados e a sociedade brasileira da década de 1930. O objetivo desta proposta é compreender como se estrutura a retórica conservadora da sociedade burguesa que muito se aproxima, na contemporaneidade, do discurso favorável à redução da maioridade penal no Brasil. Do ponto de vista teórico-metodológico, recorreu-se à semiótica discursiva de linha francesa (ou greimasiana), na esteira dos trabalhos de Barros (2015; 2020) e Blikstein (2016; 2020) acerca da intolerância, preconceito e exclusão construídos na/pela linguagem. Resultados mostram que, do ponto de vista da organização narrativa, a sanção pragmática está assentada numa lógica de dupla estigmatização social dos meninos em situação de rua: a invisbilidade e a (ultra)visibilidade. Com isso, é possível observar um processo de esvaziamento da condição humana na medida em que se considera o outro como sujeito digno de abjeção. Essa retórica ancora-se nos mecanismos de mistificação que são responsáveis pela negação das políticas de extermínio e de genocídio da população mais pobre, da atuação do Estado Penal. Ocorre daí a consolidação de um sistema de identificação e um princípio de unidade com aqueles que desvalorizam a diferença e um sistema de divergência e assimetria com os diferentes, os ‘desajustados emocionante’. A triagem da triagem, na sintaxe extensiva, busca os valores de absoluto do destinador sócio-histórico, como os da branquitude, do esteticismo, do cristianismo etc. Em síntese, os resultados expostos evidenciam uma descontinuidade com o projeto de identidade nacional fundamentado na eufórica celebração da mistura por ultrapassar a noção ‘democrática e cordial’ da sociedade brasileira.
Palavras-chave: Direitos Humanos; exclusão social; semiótica; Estado Penal.
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