Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
A crônica como espaço da ironia e a reflexão sobre poéticas jornalísticas em "Bazar de almas", de Júlia Lopes de Almeida
ANA CAROLINA SA TELES (UNICAMP)
A comunicação analisa a crônica “Bazar de almas”, de Júlia Lopes de Almeida, e seu processo de ironia e de intertextualidade em abismo por meio da citação de um outro gênero jornalístico, o anúncio. A partir do espaço privilegiado da primeira página do jornal O País, a crônica de 20 de junho de 1911 reflete sobre o apelo e a forma dos anúncios comerciais feitos na mesma mídia. Assim, a escritora pontua o seguinte comentário irônico sobre a relação entre a escrita midiática e a escrita literária: “Ah, a grande arte do anúncio, a grande arte moderna da imposição desmascarada, como ela é maleável e é esperta! No desejo de significar muita coisa em poucas palavras, os anunciantes vão excedendo os escritores na prática da síntese” (ALMEIDA, 1911, p. 1). Lembremos que a primeira publicação de Júlia Lopes de Almeida foi uma crônica de crítica cultural em 1881 no jornal Gazeta de Campinas. Depois desse marco, ela contribuiu com periódicos por décadas, não apenas exercendo a função de escritora-jornalista, como também rompendo barreiras de papéis de gênero, ao se tornar a primeira escritora a se manter financeiramente com seu trabalho nas letras brasileiras do século 19 e do início do século 20. Dessa forma, a pesquisa se orienta pelos estudos de Lúcia Granja sobre o papel estratégico dos escritores-jornalistas no oitocentos e no entresséculos no Brasil. Igualmente, orienta-se pelas investigações de Marie-Ève Thérenty sobre o papel-chave que as escritoras-jornalistas tiveram no exercício da circularidade entre formas jornalísticas e formas literárias no mesmo período na França.
Palavras-chave: Júlia Lopes de Almeida; escritoras-jornalistas, poéticas do cotidiano; ficção da atualidade
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