Ana Cleia Silva Pereira (UEMA), Solange Santana Guimarães Morais (CESC/UEMA)
Este trabalho objetiva analisar a obra Quarto de despejo: diário de uma favelada (1960), de Carolina Maria de Jesus, a partir de discussões ligadas a ficção, memória e autoafirmação, tendo em vista que a obra objeto configura-se como um instrumento de resistência, ao dar voz a um sujeito que foi historicamente apagado. O livro trata da invisibilidade da população subalterna e principalmente dos negros no Brasil, ao mostrar a rotina de uma mulher pobre e negra, que enfrenta vários desafios para conseguir sustentar os filhos, ao passo que registra todo seu cotidiano com o intuito de publicar sua rotina na favela do Canidé, em São Paulo , em meados da década de 1950. Com uma linguagem simples e escrita em forma de diário, a produção conseguiu ultrapassar as fronteiras brasileiras e se tornou um best seller. Diante dessas informações a pesquisa, ora apresentada, realizou-se por intermédio de uma investigação bibliográfica de caráter analítico, o estudo fundamenta-se em obras de autores como Halbwachs (2013), Evaristo (2005), Lejeune (2014), Bosi (2002), Ribeiro (2017) e outros. Ao final do estudo podemos notar que Carolina rompe com o ciclo de apagamentos sofrido pela população negra ao longo dos anos, utilizando-se de um discurso próprio e autêntico.
Palavras-chave: Memória; Resistência; Quarto de Despejo.