Os romances de formação ainda possuem relevância no campo da Literatura Brasileira. A forma como o protagonista busca a evolução do seu “eu” no decorrer das tramas causa inquietude no leitor, que indaga internamente a seguinte pergunta: será que o “eu” atual é diferente do “eu” do passado?. Com base nessa pergunta norteadora, este artigo apresenta como proposta analisar a estrutura da tessitura narrativa do romance Juliano Pavollini, de Cristóvão Tezza, assim como focalizar a construção da figura do herói, que é também o narrador autodiegético – aquele que conta e participa de sua própria história, de acordo com Genette (1972). Para realizar tal estudo, faremos, em primeiro plano, uma contextualização histórica do termo Bildungsroman (romance de formação). Posteriormente, apontaremos como o romance tezziano se constitui a fim de compreender o motivo pelo qual é classificado de Bildungsroman. Para finalizar, explicaremos a ideia de que a narrativa do escritor paranaense é um romance tanto de formação quanto de educação, pois o protagonista-título, ao mesmo tempo em que procura seu desenvolvimento como homem por meio de etapas da vida para alcançar a salvação de caráter social, decide estruturar seu caráter por meio da mentira para a sobrevivência, de acordo com Maas (2020), Bakhtin (1997) e Moretti (2020).
Palavras-chave: romance de formação; herói; salvação.