Rafael da Silva (Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PPGLET)
O teatro de Julio Zanotta Vieira produzido no período do final da Ditadura Civil-Militar brasileira está sujeito à tensão entre elementos locais e importados, uma característica do período de consolidação da arte moderna no Brasil. Em que pese a dilatação temporal entre o Modernismo enquanto movimento literário, a partir da década de 1920, e a década de 1970, quando publicadas as primeiras obras para teatro de Zanotta, é possível arguir que os preceitos da arte moderna, especialmente no teatro, ainda não estavam inseridos mais largamente na produção nacional, dado o descompasso entre o Modernismo na literatura e no teatro. Daí a ainda necessária superação da referida tensão entre arcaico e moderno, representada, em parte, na década de 1970, pelo tensionamento entre o local e o cosmopolita. Essa tensão teria sido resolvida na obra de Zanotta por meio da devoração, por intermédio de um modo de subjetivação antropofágico, sendo a Carnavalização da cena um dos recursos estéticos adotados para tanto. A hipótese, portanto, é de que o espetáculo A Felicidade Não Esperneia - Patati Patatá demonstra esse procedimento, pelo uso do realismo grotesco e da inversão da lógica em cena, assim como de materiais insólitos, como arame farpado e mesmo lixo para composição cenográfica.
Palavras-chave: Teatro; Dramaturgia; Carnavalização; Julio Zanotta Vieira