Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Zama de Antonio Di Benedetto (1956): Uma ficção de anti-fundação da América Latina?
Livânia Régia da Silva Martins (UFPE)
Ao longo do tempo a literatura na América latina, inicialmente, com a colonização, revela conflitos de imaginários entre os povos, espaço e tempo. Nesse sentido, este trabalho pretende pensar o protagonista Diego de Zama, da novela Zama de Antonio Di Benedetto (1956), como se constrói nessa perspectiva de ficção de anti-fundação da América Latina. Para tanto, Sommer (2004) será interessante para a discussão sob a perspectiva das novelas de ficção fundacionais da América Latina e as condições delineadas como um padrão de ser, fazer e pensar o mundo que tais novelas repetem ao contribuir para construção do pensamento latino-americano homogêneo. Ao percebermos que as novelas de ficção fundacionais romantizam e reverberam características comuns a construção de um imaginário sociocultural, constatamos, por outro lado, que em Zama há uma desconexão com realidades romantizadas. Nessa perspectiva, entrelaçada a conflitos, que contradizem imaginários romantizados das novelas de ficção fundacionais da América Latina, o argentino Di Benedetto (1956), elabora uma visão do período colonial em Zama (1956), como um mundo de incertezas. A romantização da vida será problematizada a partir da reflexão de ANDERSON (1983) a partir da questão da comunidade imaginada que o protagonista Diego de Zama também está atrelado, porém com uma consciência diferente. As provocações de PIZARRO (1987) sobre a literatura na América Latina será considerada para pensar o contexto da literatura latino-americana, uma vez que sempre esteve relacionada a camadas privilegiadas em sua difusão de realidades. Essa difusão de realidade em Zama remeterá ao estilo neobarroco visto em CALABRESE (2012). Em suma, há indícios de que Zama (1956) apresenta-se como uma narrativa importante para pensar a identidade do ser latino americano, sendo assim, provocar reflexão sobre a novela de anti-ficção parece ampliar um horizonte de possibilidades para pensar o passado, entender o presente e vislumbrar o futuro da América Latina.
Palavras-chave: Antonio Di Benedetto; Zama, Ficção de anti-fundação; América Latina.
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