Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Vozes de resistência e coragem: os casos de Paulette Nardal e de Maria Nascimento, essas mulheres amefricanas
Ricardo Silva Ramos de Souza (Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF))
A categoria político-cultural da amefricanidade, de Lélia Gonzalez, estimula a pesquisa de estudos comparativos de mulheres negras amefricanas que, a partir de suas experiências históricas comuns durante a escravidão e do racismo como sistema de dominação presente nas sociedades atuais, agiram em prol da defesa de direitos para as mulheres, combatendo as diferentes formas de opressão nas sociedades em que viveram com pontos de vista que demonstraram as intersecções de gênero, raça, classe, religião e sexualidade. Nesse sentido, destacam-se as experiências da martinicana Paulette Nardal (1896-1985) e da brasileira Maria Nascimento (1924-2005), intelectuais negras que atuaram tanto em movimentos político-culturais quanto na imprensa. Paulette Nardal foi uma das precursoras da Negritude em Paris no período entreguerras, criou o Salão Clamart, que reunia intelectuais negros da África e de sua diáspora, e foi editora do jornal “La Revue du Monde Noir” (1931-1932). Quando retornou à Martinica, como liderança feminista criou a “Rassemblement féminin” e “La Femme dans la Cité” (1945-1951), jornal dessa associação. Já Maria Nascimento foi uma das fundadoras do Teatro Experimental do Negro (TEN, 1944-1961) e do jornal “Quilombo” (1948-1950), dessa instituição. Neste jornal foi diretora-gerente e titular da coluna “Fala a mulher”. Pretende-se, assim, a partir dos textos produzidos por Paulette Nardal, em “La Femme dans la Cité”, e Maria Nascimento, no “Quilombo”, analisar as estratégias utilizadas por essas intelectuais negras para enfrentar as opressões econômicas, políticas e de gênero em seus territórios, e as suas propostas para elevação de autoestima das mulheres negras, de acesso à educação e ao trabalho, e de direito ao voto e de participação política em seus países. O embasamento teórico de nossa análise contempla Lélia Gonzalez, T. D. Sharpley-Whitinhg, Patricia Hill Collins, Giovana Xavier, bell hooks, Alice Walker, Hanétha Vété-Congolo e Clara Palmiste.
Palavras-chave: Paulette Nardal; Maria Nascimento; Negritude; Teatro Experimental do Negro; Feminismo Negro.
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