Hanaliza Ferreira da Silva (Universidade do Estado da Bahia)
Os limites entre a ficção e a realidade estão gradativamente mais indefinidos na arte contemporânea. A literatura, em especial, tem solicitado dos seus leitores modos de interpretar o ficcional sem desprender os olhos do real e das tensões sociais que o cerca. Um dos elementos que constitui a narrativa é o espaço, sobre ele, o texto literário tem erguido discussões que questionam o direito de moradia de alguns sujeitos, a escassa atenção que recebe do Estado e a discriminação que o cinge quando afastado dos grandes centros urbanos. Deste modo, este trabalho busca investigar as percepções alçadas sobre o espaço nos romances Becos da memória (2017), de Conceição Evaristo e Torto Arado (2019), de Itamar Vieira Junior. Essa análise é construída a partir do ponto de vista de três personagens dessas literaturas: Maria-nova, protagonista da obra de Evaristo (2017); Bibiana e Belonísia, ambas protagonistas da obra de Vieira Junior (2019). A primeira vive em uma favela; as duas últimas, no sertão baiano. Cabe salientar que todas essas personagens integram um social marcado por racismo e sexismo, tendo em vista que se tratam de mulheres negras a protagonizar os romances brasileiros em questão. A partir daí são observadas as indagações feitas por essas personagens sobre o espaço em que vivem e as lutas que erguem para o direito a ele. Como aporte teórico foram utilizados os textos de autores como Adichie (2019); Almeida (2019) e Brandão (2015).
Palavras-chave: Literatura e espaço; Becos da memória; Torto Arado.