Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Um drama em gente: vida vivida, vida ficcionalizada na Amazônia
Fernando Jorge dos Santos Farias (UFPA)
A vida de Dalcídio Jurandir (1909-1979), o maior romancista da Amazônia, segundo a crítica literária, foi marcada por uma série de inconstâncias capazes de mobilizá-lo a transfigurar e reapresentar alguns episódios vividos, em seu conjunto romanesco. Nessa série ficcional, composta por dez obras, transita como personagem principal o jovem Alfredo, figura nascida no interior da Amazônia, que sonha em obter/reconquistar certo destaque social, muito semelhante ao seu criador. Posto esse entendimento, tornou-se relevante erguer a seguinte questão: Quais acontecimentos vividos por Dalcídio Jurandir, pelo menos aqueles encontrados em seus primeiros anos de vida (até a altura dos anos de 1930), foram emblemáticos a ponto de ressurgirem em seus romances? Com isso, objetivou-se localizar e discutir determinadas passagens pertencentes a sua trajetória que substanciaram sua ilustração literária. Em termos teórico-metodológicos, investiu-se no destaque de momentos registrados em seus documentos pessoais (cartas, registros avulsos, por exemplo), acontecimentos biográficos colhidos por Eneida (1954;1962), Perez (1964), Nunes, Pereira e Reolon (2006), além das compreensões de Miceli (2009) quando trata dos nascidos nas províncias e seus condicionantes de possíveis, até a chegada à posição de intelectuais. Dentre as conclusões obtidas, destaca-se que seus primeiros vinte anos de vida foram marcados por emblemáticas desventuras, passíveis de encenação, de rearranjo para o plano romanesco, com a carga de “figura errante”. Nessa trajetória – real e posteriormente ficcional - é possível pensar em uma vida disposta em três atos, demarcados pelas angústias e desejos na infância, pelos infortúnios na capital do Pará e no Rio de Janeiro, assim como, de forma derradeira, pela continuidade de seu drama pessoal semelhante a tantos outros indivíduos distantes dos epicentros culturais que, dadas as possibilidades, foram canalizados para a composição de uma intelectualidade de consagração relativa.
Palavras-chave: Amazônia; Dalcídio Jurandir; ficcionalidade; intelectual brasileiro.
VOLTAR