INGRID VERENA SAMPAIO CERQUEIRA SODRÉ (Universidade de Brasília)
Como se sabe, as narrativas do escritor Sérgio Sant’Anna são caracterizadas pelo diálogo com as outras artes. Caso exemplar desse diálogo, no romance Um Crime Delicado, o autor percorre ao longo dos eventos narrados os caminhos do teatro, da crítica, da literatura e das artes plásticas, sobretudo a pintura. No contexto dessa narrativa, a pintura da emblemática personagem Inês se abre para infinitas possibilidades de interpretação e especulação de uma realidade em que um crime de estupro teria sido cometido contra ela pelo protagonista Antônio Martins. Através da imagem do quadro, por meio do recurso ecfrásico, leitor e protagonista são conduzidos do imaginário à realidade ou à possibilidade do real nos eventos sucedidos entre as personagens. Na obra serão observados as referências intermidiáticas e os efeitos que o pictural produz no texto literário, além de explorar os limites da imagem que vão além da representação no romance de Sérgio Sant’Anna. Ademais, o narrador-personagem também será objeto de análise, pois ele que conduz, por meio do seu olhar, o leitor à pintura de Inês. Desse modo, à vista do exposto, propõe-se a discutir a presença do visual no romance, a relação entre o lisível e o visível, e a descrição pictural com base nos estudos de Liliane Louvel (2012), bem como pensar a imagem (a pintura de Inês) e seu espectador (Antônio Martins) a partir da relação dialética entre o que vemos e o que nos olha, pressupostos estabelecidos por Didi-Huberman (1998).
Palavras-chave: Sérgio Sant’Anna; Um crime delicado; pintura; imagem; narrativa.