MELISSA QUIRINO SCANHOLA (Universidade de São Paulo)
A proposta de comunicação tem o objetivo de analisar duas traduções (uma brasileira, outra portuguesa) do romance argelino "Nedjma" (1956), publicado pela primeira vez pela editora francesa Seuil, durante a guerra da Argélia. O romance foi escrito em francês, língua na qual o autor, Kateb Yacine (1929-1989), de origem árabo-berbere, tinha sido alfabetizado. "Nedjma", que significa “estrela” em árabe, retrata a busca de quatro narradores pela personagem homônima, alegoria da nação argelina no momento anterior à independência. O francês, questão problemática no Magreb pelo fato de ser uma herança do sistema colonial, estabelecia uma relação hierárquica com as línguas locais, como é o caso do árabe dialetal, variante do árabe clássico. No romance "Nedjma", as influências de expressões locais se exprimem em francês por meio da voz e do ponto de vista do nativo. Analisaremos trechos emblemáticos que, ao serem traduzidos, revelam a enorme complexidade do contexto em que foi escrito "Nedjma". A partir disso, apontaremos algumas reflexões desencadeadas pelas decisões de escolha tomadas pelos tradutores. Observaremos as traduções apoiando-nos nas reflexões de Jacques Derrida, em "Torres de babel" e em "O monolinguismo do outro". Com o auxílio desses ensaios, comentaremos trechos em que os vestígios de um forte entroncamento cultural se fazem presentes, assim como os atritos derivados da problemática da língua francesa na Argélia colonial.
Palavras-chave: Tradução; Literatura magrebina; Kateb Yacine; Jacques Derrida