Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Tradução à elegia ao poeta Federico García Lorca, composta por Miguel Hernández durante a guerra civil espanhola
Andrea Cristiane Kahmann (UFPel)
Miguel Hernández Gilabert (Espanha, Orihuela, 1910 – Alicante, 1942) foi um poeta e dramaturgo autodidata de origem humilde. Sua estreia na poesia flertava com formas clássicas e temas católicos, mas por meio de colegas de letras, sobretudo Pablo Neruda e Vicente Aleixandre, que o acolheram, acabou sendo introduzido a novas formas e ideias. É considerado, juntamente com Federico García Lorca, uma das mais emblemáticas vítimas do fascismo que assolou a Espanha a partir da Guerra Civil de 1936. Diferentemente de Lorca, morto quando a guerra nem bem eclodira, Hernández viveu-a toda para morrer depois. Alistou-se à Resistência, ainda sob a comoção do “desaparecimento” do colega andaluz. Para além da luta como brigadista republicano, ajudou a organizar um jornal da resistência e compôs obras para levantar o moral de combatentes. O poemário “Viento del pueblo” é deste período, e inicia com uma elegia a Federico García Lorca. Este é o poema para o qual, neste trabalho, proponho por primeira vez uma tradução, como a clamar pelo não esquecimento de duas mortes tão brutais. Quando as forças golpistas de Franco se instalaram na Espanha por um banho de sangue, Hernández foi condenado à morte, convertida em prisão perpétua por pressão estrangeira, tais como a do diplomata Pablo Neruda. Mas fome, frio, maus tratos e doenças que poderiam ter sido tratadas condenaram Miguel Hernández à morte física que não lhe deram as armas. Os fascistas tentaram impingir-lhe, ainda, a morte simbólica, o desaparecimento de sua obra do cânone literário, o silenciamento sobre seu nome, mas não conseguiram. Este é um trabalho sobre uma poesia em tradução, mas também sobre a força transformadora da poesia - e de poetas que se relacionam, aprendem e ensinam, revoltam-se e lutam. É, por fim, uma proposta de tradução contra o silenciamento, contra o esquecimento, uma tradução antifascista.
Palavras-chave: Poesia em tradução; Elegia a Federico García Lorca; Miguel Hernández.
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