Gabriel da Silva Conessa (Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", UNESP.)
A despeito de Ariano Suassuna ter declarado, muitas vezes, que sua inclinação pelo Armorial teve início ainda na infância, quando por inúmeras vezes teve a oportunidade de frequentar o Circo e o Mamulengo, ocorre que, formalmente, o projeto estético que sobe o retábulo e ocupa as páginas de seus escritos só começou a ganhar corpo entre as décadas de 1940 e 1970. O projeto de Suassuna tinha como proposta principal a elaboração de uma arte erudita baseada tanto em matrizes eruditas da cultura clássica europeia como nas fontes populares da cultura brasileira, especialmente a nordestina. Desde as primeiras manifestações, as artes plásticas ocuparam o centro do projeto Armorial, tornando-se o ponto de partida para as primeiras pesquisas empreendidas pelos membros do grupo na busca por uma definição de armorialidade. Nesta comunicação buscaremos identificar as fontes populares que entraram na composição estética das artes plásticas do Movimento Armorial a partir de sua ligação com as xilogravuras das capas dos folhetos do Romanceiro popular nordestino e da interrelação plástica que Suassuna estabelece com os elementos da arte rupestre da tradição nordestina presente nos sítios arqueológicos do Estado da Paraíba. Objetiva-se ainda compreender as ressignificações dos componentes da xilogravura popular e dos traços e símbolos do universo pictórico da pré-história brasileira no âmbito do Movimento Armorial.
Palavras-chave: Armorial; Xilogravura; Arte Rupestre.