Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Tessituras e metáfora intertextual no atlântico: uma análise de personagens subalternizados entre Manoel de Barros e Mia Couto
ROSIDELMA PEREIRA FRAGA (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA)
Este ensaio é oriundo de estudos comparados sobre a poesia de Manoel de Barros ao longo de pesquisa de doutorado e a prosa poética de Mia Couto ancorada nos estudos de literaturas africanas. O eixo epistemológico dar-se-á pela aproximação das figuras subalternas que emergem dos personagens Bernardo da Mata, mendigo Sexta-Feira e o vendedor de pássaros, personagem negro, criados por Manoel de Barros e Mia Couto respectivamente. Ao pensar nesses personagens lírico-narrativos, defende-se uma efusão lírico-existencialista, em que tais personas se vestem de um sentimento demasiadamente humano e ao mesmo tempo figuras de exclusão social por suas vozes subalternizadas proposta Gayatri Chakravorty Spivak (2010). Esta pesquisa norteia-se pela ideia de recorrência temática, em que o esquecimento e o abandono são tomados como desdobramento de sentido realizados por meio da metáfora intertextual ensinada pelo crítico João Alexandre Barbosa (2005). Sob esse prisma, ampara-se Julia Kristeva (1979) e Sandra Nitrini (1997) que ajudam a pensar no método de literatura comparada e as tessituras intertextuais de um autor por outro. Pensa-se em uma literatura de contato transnacional como lemos especialmente no que diz Zila Bernd (2013) em Afrontando fronteiras da literatura comparada. Tomando como base tal enfoque de literatura comparada, busca-se responder à seguinte questão: como a intertextualidade temática é processada nas obras? Para comparar essas figuras minoritárias e responder a tal pergunta, realizou-se um recorte de poemas das obras Livro de pré-coisas e Livro sobre nada de Manoel de Barros (2010) e o conto “O mendigo Sexta-Feira jogando no Mundial”, da obra O fio das missangas e O embondeiro que sonhava pássaros de Mia Couto (2003).
Palavras-chave: Manoel de Barros; Mia Couto; Figuras subalternas; Metáfora intertextual
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