JOSEILTON RIBEIRO do BONFIM (Universidade do Estado da Bahia)
Esta proposta de Comunicação apresenta as discussões iniciais de uma pesquisa sobre a produção romanesca do autor baiano, Carlos Barbosa, que na contemporaneidade, escreveu dois romances: A dama do Velho Chico (2002) e Beira de Rio, Correnteza (2010), ambos romances apresentam como espaço literário, um lugar esquecido: o vale do São Francisco, que em tempos anteriores, já inspirou muitas produções literárias. Objetivou-se analisar os romances supracitados, observando como o espaço literário se constitui como território identitário. Através de uma pesquisa bibliográfica, fez-se o levantamento dos aspectos que demarcam o vale do São Francisco como espaço literário e questionou-se inicialmente o porquê dessas obras estarem fora do cânone literário brasileiro. Para embasar teoricamente as discussões aqui propostas, buscou-se apoio nos textos: Nostalgias do cânone e O não-lugar da literatura de Eneida Maria de Souza, Contemporaneidades periféricas: primeiras anotações para alguns estudos de caso de Jorge Augusto e o livro A invenção do nordeste e outras artes, de Durval Muniz de Albuquerque Júnior. O Sertão das Águas apresenta uma ambivalência semântica, que contrasta com o ideário sertanejo construído ao longo da literatura brasileira: um lugar inóspito, seco, terra de retirantes. A presença das águas do rio, na constituição das narrativas, pluraliza este lugar, no qual a seca e as águas dialogam, coexistem e promovem existências e resistências na contemporaneidade.
Palavras-chave: Vale do São Francisco; Carlos Barbosa; Território Identitário.