Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Território do Vazio uma leitura do soneto : "O céu, a terra, o vento sossegado ...." de Luíz de Camões
Petrônio Matias dos Santos (Universidade Federal de São Carlos), Carla Alexandra Ferreia (Universidade Federal de São Carlos)
O objetivo dessa comunicação é analisar o poema camoniano sob a luz da crítica sociológica ou marxista ou dialética. Para tanto, concluimos que é impossível compreender o movimento "intelectual" de uma civilização sem compreender também o seu movimento "material". Tal premissa poderá parecer, a um analista de viés estruturalista, esquemática, pouco rigorosa. Porém, por mais complexas que sejam as relações entre K. Marx denomina "Superestrutura" e "Infraestrutura", não podemos simplesmente esquecê-las em favor de uma análise que privilegia a parcialidade, perdendo de vista a globalidade.Este soneto de Luís de Camões é o exemplo concreto e cabal disto. Se ele for visto pelo simples viés da análise pautada pela textualidade como imanência absoluta, ele não passará de um brilhante e altamente elaborado jogo de palavras que fascina pelo virtuosismo da linguagem e pela habilidade da construção de um texto equilibrado e perfeito num "espaço poético" altamente condensado (a forma fixa petrarquista). Porém, se sobre ele lançarmos um olhar que alcança para além de tal perspectiva, e busca no texto o que o texto em si não traz marcado, mas que foi indispensável para a sua gestação, aí então o texto poético atinge uma dimensão muito mais ampla, complexa e reveladora de determinados conflitos humanos pertinentes a determinado momento cultural ou até mesmo pertinente a todo fluir histórico. Tal dimensão inaudita, inefável, trans textual poderia ser expressa aproximativamente pela ideia (imperfeita) hegeliana de geistesgeschichte ...
Palavras-chave: Luís de Camões ; Renascimento; Estruturalismo; K. Marx; Superestrutura;
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