Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Ser grego, vestido à francesa e à portuguesa, climatizado no Brasil: O lugar do “clássico” na historiografia da Literatura Brasileira
Rafael Guimarães Tavares da Silva (Universidade Estadual do Ceará)
Todo trabalho de História da Literatura constitui uma síntese subjetiva de um conjunto de interpretações críticas obtidas a partir da aplicação de pressupostos teóricos a um corpus de obras literárias. Pautando-se por essa premissa fundamental, que traz à baila o problema da literariedade, o trabalho pretende analisar algumas das primeiras tentativas de historiografia da Literatura Brasileira, destacando as noções de “nacional” e “local”, para se referir em chave romântica ao que seria mais autenticamente característico do Brasil, por oposição às noções de “clássico” e “universal”, como sua contraparte não-brasileira. A pesquisa empreenderá uma análise crítica desse material, desde as primeiras formulações de uma preocupação historiográfica com a produção literária brasileira em textos do século XIX, incluindo os de Ferdinand Denis (1826), Almeida Garrett (1826) e Gonçalves de Magalhães (1836), até suas formalizações nos manuais publicados posteriormente por Sílvio Romero (1888), José Veríssimo (1916) e Antonio Candido (1959). Objetiva-se compreender de que modo o discurso crítico conforma uma ideia de nacionalidade da Literatura Brasileira, frequentemente por oposição ao “clássico” (greco-romano), com consequências profundas sobre o destino literário de autores tão diversos quanto Gregório de Matos, Cláudio Manuel da Costa e Basílio da Gama, por exemplo. Referenciais teóricos importantes para a análise desse corpus historiográfico literário incluem os trabalhos de Flora Süssekind, Maria Helena Rouanet, João Hernesto Weber, João Adolfo Hansen, Luís Augusto Fischer, Luiz Costa Lima, Regina Zilberman e Roberto Acízelo de Souza.
Palavras-chave: Historiografia literária; História da Literatura Brasileira; Romantismo; Nacionalismo; Clássicos
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