Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Representações de mulheres negras na ficção brasileira contemporânea – Oyá, Nanã e Oxum presentes: Cruzando leituras de Jorge Amado, Marcelino Freire e Rodrigo Santos
Pedro Dorneles da Silva Filho (Universidade Federal Fluminense - UFF)
A partir de uma perspectiva decolonial, em que signos culturais afrodiaspóricos são considerados aportes basilares para a efetivação da resistência de subjetividades negras no Brasil, que proponho ensaiar leituras cruzadas entre três personagens da ficção brasileira contemporânea. A primeira, Santa Bárbara/Oyá, em O sumiço da santa (1988), de Jorge Amado; a segunda, Dona Preta, do conto “Favela Fênix”, presente no livro Amar é crime (2015), de Marcelino Freire e, por fim, A senhora sozinha, do conto “Aluga-se uma casa pequena para uma senhora sozinha”, do livro Carcará (2021), de Rodrigo Santos. O elemento comum aos textos escolhidos é a dualidade entre opressão/estruturas hegemônicas (obscuridades) e liberdade/resistências (iluminações). Como arcabouço teórico no desenvolvimento dessa análise, afianço-me a reflexões sobre identidade, marginalização, cultura, memória e decolonialidade. Tomando como ponto de partida o proposto por Stuart Hall em A identidade cultural na pós-modernidade, Georges Didi-Huberman em A sobrevivência dos vagalumes, Walter Mignolo em Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar e Giorgio Agamben em O que é o contemporâneo?, procuro articular a representação das personagens femininas das narrativas ficcionais supracitadas aos projetos políticos, estéticos e éticos que têm sido pensados para se refazer a história ocidental. Nesse sentido, a análise literária estará substancialmente atravessada por uma mirada epistemológica que reconhece como potência as cifras identitárias e signos advindos de povos e culturas até então subalternizados. Assim, elementos derivados da cosmogonia/teogonia afrodiaspórica imbricam-se ao social, afetivo e psicológico, denotando a força política dos corpos individuais dentro das narrativas como formas de instaurar um devir possível de brilho e beleza a quem por muitos séculos esteve relegado às obscuridades. Oyá, Nanã e Oxum presentes.
Palavras-chave: Literatura brasileira contemporânea; Resistências; Decolonialidade
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