Sinara de Oliveira Branco (Universidade federal de Campina Grande)
Este trabalho tem o objetivo de discutir a linguagem regional de Rachel de Queiroz a partir do romance Dôra, Doralina, publicação que contribuiu para que a escritora se tornasse a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras no ano de 1977. Jornalista, escritora e tradutora, nascida em Fortaleza, Ceará em 1910, tem escrita considerada próxima da oralidade regional, destacando fatos do nordeste brasileiro e de sua infância, buscando desmistificar estereótipos nordestinos de forma próxima de seus leitores. O trabalho tem arcabouço teórico relacionado aos Estudos da Tradução (Bassnett, Berman, Brito, Casanova, Eco, Torres, Venuti) e à Representação Cultural (Bhabha, Katan), com o intuito de reforçar que, apesar de a escrita de Rachel de Queiroz apresentar linguagem regional, retratando o povo brasileiro, especificamente do Nordeste brasileiro, a partir do olhar para a tradução do romance de viagem Dôra, Doralina (1984) para o inglês, traduzido por Dorothy Scott Loos, os caminhos entre a domesticação e a estrangeirização aproximam a escritora do leitor estrangeiro, reforçando a necessidade e relevância da literatura de viagem para a operação de tradução, no sentido de transformar o estrangeiro – o estranho – no conhecido, transportando o romance de um idioma alheio – o português brasileiro – para o do leitor de língua inglesa (Brito, 2012).
Palavras-chave: Tradução literária; Regionalismo; Semiótica; Romance de viagem; Rachel de Queiroz.