Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Provocando deslocamentos: percepções do tempo espiralar na escrita de Miriam Alves
GISELE MEIRE TITA NAZARIO DA SILVA (UFMT), Rayssa Duarte Marques Cabral (UNEMAT)
O romance Maréia (2019), da escritora negra brasileira Miriam Alves, coloca em cena a ancestralidade negra africana, numa narrativa que se organiza a partir de um espaço-tempo não linear. Essa performance temporal distingue-se da noção ideológica do tempo ocidental, que se apresenta como linear e progressivo. Importa dizer que, esse outro modo de experimentar e vivenciar o tempo, ocasiona uma experiência estética com a palavra, além disso, coloca em evidência outras experiências históricas silenciadas. No contrafluxo do cânone literário, o modo de narrar de Miriam Alves transpõe a ideia de um corpo negro imóvel e sem perspectiva dando espaço para as subjetividades e agenciamento de um corpo narrativo que, de acordo com Miranda (2022) tem cor, voz e memória. Na busca de uma ruptura com o pensamento cristalizado que até hoje se instaura nas academias brasileiras, esta comunicação tem como objetivo demonstrar que a organização temporal do romance é perpassada pela temporalidade curva presentificada na pessoa de Dorotéia, avó de Maréia, nos momentos em que esta vivencia suas viagens oníricas. Vó Déia, assim chamada pela protagonista, é a materialidade do que prevalece na temporalidade, habitada de passado, presente e de um provável futuro, na qual incide toda ontologia ancestral. Para o processo de condução, contamos com a perspectiva epistemológica da confluência e diálogo de pesquisadoras(es) como Leda Maria Martins (2021), cujo conceito de tempo espiralar, com suas dobras, gestos e ritmos, nos convida a mergulhar nesse tempo ancestral; Lélia Gonzalez (2020) e Sueli Carneiro (2020), com apontamentos sobre o feminismo negro; Aníbal Quijano (2005), com a noção de colonialidade do poder; Bernardino Costa, Maldonado-Torres e Ramón Grosfoguel (2020), para pensarmos a perspectiva decolonial e afrodiaspórica.
Palavras-chave: Miriam Alves; Ancestralidade negra; Tempo espiralar.
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