Nilcimara de Vilhena Lima Caldas (Universidade Federal do Amapá)
O almanaque é considerado por Chartier (2001) como um “gênero simultaneamente editorial e literário” (CHAVES, 2021, p. 204) – visão aproximada à que Ernesto Rodrigues (1999) indica para o almanaque, como uma síntese entre o livro, a revista e o jornal. Nessa perspectiva, o objetivo deste trabalho é discutir os processos de (des)canonização dos almanaques no Brasil, com especial destaque para o Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro. De modo geral, é possível perceber certa perda gradual de relevância que atinge publicações periódicas como o Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro. Publicado ininterruptamente entre os anos de 1851 e 1932, o referido almanaque ganha destaque, nas suas primeiras décadas de circulação no Brasil, em razão, dentre outras coisas, de apresentar aos seus leitores um acesso, em primeira mão, a autores e obras literárias. Mas, à medida em que o livro como objeto cultural passa a circular de forma autônoma, os almanaques deixam de ter a relevância das primeiras décadas de sua circulação. Esse fenômeno parece ocorrer com o Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, que deixa de ser publicado no início dos anos de 1930. A abordagem metodológica que pretendemos para este estudo passa pela pesquisa em fontes primárias (almanaques) e pela rede de discussões teóricas gerada pelos estudos do objeto (pesquisa bibliográfica).
Palavras-chave: Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro; processos de (des)canonização; literatura luso-brasileira