Propomos tecer uma leitura crítica acerca de teatros negros na Bahia, desenvolvidos na década de 1970, a partir de documentos que compõem os acervos virtuais das dramaturgas, diretoras e educadoras negras Lúcia Di Sanctis (30 de junho de 1946 – 01 de julho de 2013) e Nivalda Costa (04 de maio de 1952 – 09 de julho de 2016), estudantes da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) nas décadas de 1960 e 1970, respectivamente. Para tanto, tomamos pressupostos teóricos da Filologia, em diálogo, sobretudo, com a Arquivologia e a História Cultural, e procedimentos metodológicos da Crítica Textual na análise de diferentes materiais, textos teatrais, documentos da imprensa, da Censura e do espetáculo, conservados naqueles acervos, parte do Arquivo Textos Teatrais Censurados, vinculado ao Instituto de Letras da UFBA. Por meio deste exercício de leitura ética e política tem sido possível (i) construir um conhecimento acerca dos teatros negros baianos, desenvolvidos, em contexto de ditadura militar, por duas mulheres que atuaram de forma distinta conforme seus projetos estéticos e ideológicos, suas redes de sociabilidade, suas vivências; (ii) atuar no processo de construção da história e atualização da memória de práticas de resistências negras na Bahia; (iii) (re)pensar a historiografia teatral brasileira bem como a escrita dramática e cênica em âmbito acadêmico.
Palavras-chave: Teatros negros; Documentos de arquivo; Crítica filológica.