Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Pitagorismo grego e neopitagorimo curitibano: a releitura pitagórica de Dario Vellozo
Bárbara Perez (UFRJ)
De difícil datação, variando entre os séculos IV a.C (Glandorf) e IV d.C (Nauck), e autoria não determinada, os Versos de ouro são um poema que circulou durante o período helenístico na Grécia e apresenta normas de vida, no formato de exercícios diários, que constituiriam as bases do pensamento pitagórico. Conforme teorias de Foucault e Hadot, analiso esse poema com base na filosofia como forma de vida, que entende a filosofia como a prática de exercícios diários, conhecidos como exercícios espirituais. Nesse contexto, os pitagóricos eram conhecidos pelas abstinência de carne, preparação para o sono e a análise dos sonhos, e aqueles que cumprissem à risca essas recomendações poderiam alcançar uma elevação enquanto sujeitos assim como Pitágoras teria alcançado, tornando-se capazes de relembrar suas vidas passadas e atingindo o status de θε?ος ?ν?ρ - homem divino. Em 1921 em Curitiba, é publicado o livro Hôrto de Lísis, de autoria do simbolista Dario Vellozo. O livro se inicia com uma tradução, feita por Vellozo a partir de uma outra tradução para francês, dos Versos de ouro. Segundo o poeta, esse poema é o texto-base de seu Instituto Neo-Pitagórico (INP), fundado por ele em Curitiba em 1909 e existente até hoje. Assim, o presente trabalho, que se articula com a minha pesquisa de doutorado, pretende analisar essa releitura do pitagorismo feita por Vellozo, procurando entender o “neo” em seu “neopitagorismo”. De maneira específica, com Balakian, Carollo e Valéry, procuro compreender a tradução de Vellozo no contexto do simbolismo brasileiro, especialmente em sua faceta mística. Também busco compreender as condições que permitiram a inserção de um movimento ascético antigo no séc. XX. Por fim, analiso especificamente os exercícios recomendados pelo poema grego e por sua tradução brasileira, refletindo sobre as diferenças entre as versões e como elas se adequam a cada contexto.
Palavras-chave: Pitagorismo; Simbolismo; Ascese; Versos de ouro; Dario Vellozo
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