Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Pinheiro Chagas: um autor fantástico?
Jean Carlos Carniel (Unesp)
Manuel Joaquim Pinheiro Chagas (1842-1895) foi um escritor português bastante popular na segunda metade do século XIX. Embora tenha sido autor de uma obra vasta, seu nome costuma ser vinculado, pela historiografia literária, ao conservadorismo e ao romantismo, e mencionado como um poeta ou autor de romances históricos. De um modo geral, a historiografia tende a reproduzir uma visão cristalizada, deixando de lado uma parte significativa de sua produção, isto é, a contística fantástica, predominantemente, composta por narrativas publicadas na imprensa, entre 1863 e 1865, posteriormente, compiladas em A lenda da meia-noite (1874). Apesar de o conto fantástico ter tido uma relativa florescência na década de 1860 em Portugal (BRUNO, 1984; CARNEIRO, 1992; GATO, 2007; DUARTE, 2013), é de se estranhar que Pinheiro Chagas não seja lembrado, pela maioria da crítica literária, como um autor que cultivou uma literatura voltada ao fantástico. Dessa forma, objetiva-se, nesta proposta de comunicação, lançar luz à contística fantástica desse escritor, de modo a apresentar uma outra perspectiva de Pinheiro Chagas, diferente da visão cristalizada apresentada pela historiografia literária. Portanto, interessa-nos ressaltar a contribuição de Chagas no desenvolvimento do conto fantástico em Portugal, de modo a destacar algumas características de sua coletânea e discutir algumas estratégias adotadas por ele. Ainda que seja um autor às margens do cânone, desconhecido do público leitor contemporâneo, Pinheiro Chagas teve uma relativa importância para o fantástico português, uma vez que seus contos dialogam com outras obras da literatura fantástica, o que nos permite concluir que esse autor tentou se adaptar aos gostos do público e às convenções desse gênero literário em voga.
Palavras-chave: Conto fantástico; século XIX; Pinheiro Chagas.
VOLTAR