Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
Personagem- submersa: o encantamento como criação literária em Dalcídio Jurandir
ERIKA GUIOMAR MARTINS DE AQUINO (Universidade federal do Pará)
Luciana é uma personagem que perpassa três romances de Dalcídio Jurandir, Primeira Manhã (1967), Ponte do Galo (1971) e Os Habitantes (1976), não como protagonista, mas como personagem evocada pelo protagonista Alfredo, principalmente, nas camadas da diegese que acessam o passado. Diante disso, o objetivo desta comunicação é abordar a construção da personagem feminina no mundo ficcional romanesco de Dalcídio Jurandir apresentando questões concernentes à presença da jovem e como ela exerce influência em Alfredo e sua relação com o novo ambiente em que ele se encontra. Luciana, filha dos donos da casa que o ginasiano está, é construída pelo discurso de outras personagens. O rapaz se sente instigado por lhe contarem a história em intervalos, suspensões, deixando, em vista disso, rastros da história que o protagonista procura ligar a outros rastros, pois a ausência de Luciana é assunto que não se poderia tratar na casa em que Alfredo se encontra. Desse modo, contrariando o acordo implícito dos familiares em promover o esquecimento da história de Luciana, discutiremos como Alfredo, a partir das marcas deixadas pela ausente, articula o passado e presente por meio dos discursos de outras personagens; analisaremos como a construção dela é fundamental para a narrativa e acompanha o amadurecimento do protagonista e, por fim, como a linguagem foi usada no romance para caracterizar a fragmentação e a impossibilidade de apreensão total de Luciana, convergindo para o que chamaremos de Personagem-submersa – sem fixação de traços psíquicos e atos, sua lógica decorre da imersão do personagem principal em analepses que constroem um caráter turvo para a personagem, fundamental para a história, mas ausente do enredo.
Palavras-chave: Dalcídio Jurandir; Romance; Personagem-submersa
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