Paulina Chiziane escreveu, em 1992, o intitulado Eu mulher...Por uma nova visão do mundo. Trata-se de um ensaio em que a escritora apresenta uma reflexão sobre o que é ser mulher-escritora-negra em Moçambique. O texto, portanto, revela de maneira sensível a visão da autora com relação ao seu papel social. Convém ressaltar que as vozes femininas nas narrativas literárias configuram um fecundo espaço no que diz respeito ao protagonismo e ao empoderamento das mulheres diante dos discursos hegemônicos presentes nos espaços sociais que reservam às mulheres papéis de subalternidades. Afinal, a escrita de autoria feminina mostra-se como alternativa de expressão de vozes que não se sujeitam às imposições sócio-culturais. No contexto literário moçambicano, a obra de Paulina Chiziane é representativa porque revela o seu olhar sobre Moçambique. Suas narrativas envolvem o contexto material e subjetivo das mulheres, com temas significativos como a infância, ritos de iniciação, virgindade, amor, sexo, lobolo, trabalho, sonhos e expectativas da adolescência e os dramas da vida adulta. A leitura da obra de Chiziane possibilita descortinar tanto a vida íntima quanto a vida pública dessas mulheres e todas as dificuldades que a conjuntura social lhes reserva. A proposta deste trabalho é perscrutar as afirmações presentes no ensaio, a fim de compor o pensamento de Paulina Chiziane e identificar traços de posicionamentos reconhecíveis na sua composição ficcional.