Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
onde estão as negras? ou entrar na bolha ou furar a bolha editorial? cenas de consumo e recepção no mercado editorial brasileiro
suane nascimento mesquita (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Em 2021, a polêmica reimpressão pela Companhia das Letras do livro Abecê a liberdade, do autor branco José Roberto Torero, fez reacender o debate sobre o mercado editorial negro/afro-brasileiro: quem publica? Quem edita? Há mais “patrulha ideológica” (TORERO, 2021) do que projetos editoriais ideológicos? Em 2003, o pesquisador Flávio Carrança marcava como resposta ao “bloqueio” editorial e “reduzida visibilidade de escritores afrodescendentes” o surgimento de iniciativas que se dedicaram a publicar obras “voltadas para a cultura negra”. Há 15 anos no mercado, a editora e livraria negra Nandyala, por exemplo, frente à polêmica do livro Abecê, postou na “Nota de escurecimento”, em suas redes sociais, o desligamento do coletivo de editoras conduzido pela Companhia das Letras e do Projeto Escola Antirracista. No texto assinado por Iris Amâncio, a editora assume uma postura “ideológica, conceitual, editorial e pelas nossas vidas pretas” e critica a Cia das Letras por sua (recente) postura antirrascista no catálogo estar mais ligada a um “caráter midiático-mercadológico da situação (oportunidade de vendas) do que, efetivamente, ao tratamento respeitoso das produções negras, em especial as literárias.” (2021). Posto isso, de 2018 a 2021, contabilizei em torno de 78 livros publicados por poetas negras/os/es principalmente em editoras independentes. Ao longo da pesquisa foi possível catalogar cerca de 48 casais editorais. O objetivo desta comunicação, pois, é analisar onde e como são publicadas/os as/os poetas negras/os contemporâneos? Como e quem lê as/os poetas/os negras/os contemporâneas/os? Tal qual Fabiane Rodrigues (2017) nomeou “quilombos editoriais” as propostas editoriais, em sua maioria, feitas por pessoas negras e destinadas a formação de um público leitor negro (Duarte, 2014), tento analisar a “bibliodiversidade” (López Winne e Malumián, 2016) dos catálogos das editoras independentes coletadas, a fim de estabelecer um agrupamento por objetivos editoriais, e entender quais poéticas despontam entre essas vozes.
Palavras-chave: Poesia Negra-Brasileira; Mercado Editorial; Recepção; Poesia Brasileira Contemporânea
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