Anais
RESUMO DE ARTIGO - XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ABRALIC
O fio bordado da Escrevivência: a palavra-gesto na obra de Conceição Evaristo
Blenda Souto Maior Belém (Universidade de São Paulo)
Este trabalho tem como objetivo apresentar como o conceito de escrevivência, elaborado pela escritora Conceição Evaristo, pode ser compreendido também como episteme do corpo, através do gesto. Pretende-se apresentar investigações tecidas sobre romance Ponciá Vicêncio (2003), a partir da gestualidade da protagonista com a arte da cerâmica com barro e a técnica manual do bordado à mão, com a minha experiência pessoal e profissional com o projeto de mediação de literatura “Ponto em Verso”, desenvolvido em instituições culturais e bibliotecas de São Paulo desde 2019. A escrevivência, como metodologia de escrita gestualizada, utilizada nas mediações dos textos literários de autoria negra feminina com grupos participantes do projeto, atua como espaço compartilhado de fala, escuta e acolhimento. Auxilia nos processos de elaboração sobre o passado, bem como nas possibilidades de caminhos de imaginação, pessoais e coletivas, do presente e futuro através da palavra escrita, falada e bordada, do corpo e do gesto. O aparato teórico que auxilia as reflexões acerca da elaboração do passado a partir de aspectos específicos da experiência de raça e gênero na ficção evaristiana inclui, a aproximação entre os conceitos de escrevivência, de Conceição Evaristo e fabulação crítica, de Saidiya Hartman. Assim como os conceitos de Oralitura, Tempo Espiralar e Ancestralidade, sob a ótica de Leda Maria Martins, nos auxilia a compreender como o conhecimento que se inscreve no corpo se configura como uma ferramenta com várias outras possibilidades de narrativas sobre a experiência negra no passado, presente e futuro, que se constituem como o direito pleno à imaginação.
Palavras-chave: bordado, escrevivência, fabulação, gesto, tempo espiralar
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